Capítulo 11 – Trabalho e o Encontro com Jiang Nanan
Aqui, a moradia era garantida, mas a alimentação ficava por conta de cada um. O professor Song, que o trouxera, só havia prometido comida durante a viagem. Agora, dentro da academia, ele teria que se virar sozinho.
— Não dá pra deixar a fome me derrotar — pensou Shi Yu, decidido. Depois de comer, foi direto ao refeitório perguntar sobre possíveis trabalhos ali.
Assim, mataria dois coelhos com uma cajadada: ganharia comida e um salário. No momento, ele não tinha outras habilidades para ganhar dinheiro, então um trabalho simples seria o ideal.
— Você virá aqui direto depois das aulas, no almoço e à noite, para ajudar a servir a comida e lavar a louça. As refeições estão inclusas, e o salário é de dez moedas de prata por mês — explicou o responsável pelo refeitório.
— Aceito — Shi Yu concordou, achando a proposta razoável.
Dez moedas de prata equivaliam a mil moedas de cobre, algo como mil reais.
— Se está tudo certo, comece hoje mesmo — disse o encarregado, entregando-lhe um par de luvas.
— Já? — Shi Yu arregalou os olhos.
— Claro. Algum problema?
— Então, vou jantar aqui hoje, como combinado — respondeu, firme. Não ia sair no prejuízo.
— Então lave a louça logo — resmungou o homem.
— Desculpe, mãos… hoje vamos sofrer um pouco — murmurou Shi Yu, colocando as luvas e indo para a área de lavagem.
Lá, várias pessoas já trabalhavam, todas mulheres, conversando animadamente. Seus olhos, porém, foram atraídos por uma figura de costas: cabelos dourados ondulados, cintura fina, quadril marcante. Só pela silhueta, dava para saber que era uma beleza.
— Boa noite, senhoras. Sou Shi Yu, o novo ajudante — cumprimentou, educado.
— Olá! — responderam as mulheres, sorrindo e fazendo sinal para que ele se juntasse a elas.
A jovem que estava de costas virou-se para olhá-lo. Ao vê-la de frente, Shi Yu quase engasgou.
Que deslumbre.
Pele branca como porcelana, traços delicados, corpo esculpido. Se estivesse no campus, certamente seria a deusa da universidade. Ele, porém, conteve-se, limitando-se a um sorriso educado.
A moça retribuiu com um sorriso tímido.
— Sente-se ao lado da Nanan. Vocês são da mesma idade, quem sabe não viram amigos? — sugeriu uma das senhoras.
— Claro — respondeu ele, sem objeções.
Mas, ao se aproximar, parou de repente.
— Espere… como você se chama? — perguntou, surpreso.
— Jiang Nanan. Tem algum problema? — ela respondeu, confusa.
Ele não a conhecia, mas a reação dele parecia indicar o contrário.
— N-não, nada. Só achei seu nome muito bonito — recuperou-se, sentando-se ao lado dela.
Jiang Nanan… aqui, de todas as pessoas…
— O seu também é agradável — respondeu ela, educada.
Shi Yu sorriu e mergulhou no trabalho.
— Shi Yu, você é bem rápido na lavagem — elogiou uma das senhoras.
— Em casa, sempre ajudava minha mãe. Acostumei — respondeu.
— E onde fica sua casa? — perguntou outra, num tom casual.
— É… um assunto doloroso. Prefiro não falar — murmurou, o sorriso desaparecendo.
Neste mundo, ele não tinha lar. E pensar nos pais, que deviam estar desesperados com seu desaparecimento, quase o fez lacrimejar.
As senhoras trocaram olhares, arrependidas. A família dele devia ter passado por algo terrível.
Jiang Nanan também ficou comovida. Ela sabia como era a dor da perda. Seu pai falecera anos atrás, e ela chorara por dias. Depois, a doença da mãe, as dificuldades… Tudo voltou à tona, e seu rosto também escureceu.
— Ei, vocês dois, parecem prestes a chorar! — interrompeu uma das senhoras. — Por pior que seja o passado, o futuro de vocês aqui na Academia Shrek será brilhante. A dor vai passar.
Shi Yu ficou surpreso ao ouvir algo tão profundo vindo de uma lavadora de pratos.
— Senhora, com tanto estudo, por que está aqui lavando louça? — brincou.
— Seu danado! O que tem uma coisa a ver com a outra? — ela ameaçou bater nele, fazendo todos rirem.
O clima aliviou-se.
— Tem mais pratos do que pessoas neste lugar — resmungou Shi Yu ao sair, exausto. Ele devia ter lavado centenas.
— Com o tempo, você se acostuma — disse Jiang Nanan, notando seu cansaço.
— Coitado de mim — suspirou ele, seguindo-a até onde as senhoras se reuniam para comer.
— Senhoras, a Nanan e eu ainda somos crianças. Dois frangos cada um não é exagero, né? — disse, pegando dois pedaços para ela e para si antes que alguém reclamasse.
— Não precisa… — ela protestou, tímida, mas ele já os colocara em seu prato.
— Ora, você é quem queria os frangos e usou a Nanan de desculpa! — acusou uma das senhoras, rindo.
Xi Yu comeu a coxa de frango sorrindo. Depois de lavar tantos pratos, se não comesse pelo menos mais duas coxas, sentiria que não valeu o trabalho.
Jiang Nannan olhou para a coxa em seu prato e depois para Xi Yu comendo feliz, decidindo também começar a comer.
As senhoras da cozinha eram muito gentis, cuidando bem de Xi Yu e Jiang Nannan, enchendo seus pratos com comida.
No início, Xi Yu aceitava tudo sem recusar, mas quando já não aguentava mais, finalmente protestou:
— Vocês estão nos tratando como porquinhos, eu e a Nannan!
Jiang Nannan olhou para ele, um pouco desconfortável com a forma como ele se referiu a ela.
Xi Yu, completamente alheio, não percebeu que havia algo de estranho na sua fala — era algo espontâneo, do jeito que saiu.
Depois de saírem do refeitório, Xi Yu esfregou a barriga satisfeito — aquela refeição tinha sido ótima.
— Nannan, o que você vai fazer agora? — perguntou Xi Yu.
— Por que pergunta? — ela respondeu.
— É que estou pensando em dar uma volta para digerir, conhecer um pouco mais o campus. Como cheguei agora, não conheço bem, então seria bom ter alguém que já sabe por onde ir — explicou ele. — Mas se você estiver ocupada, tudo bem, eu me viro sozinho.
Jiang Nannan estava prestes a recusar — preferia gastar seu tempo livre treinando. Mas lembrou que Xi Yu era novo ali e, sem querer ser rude, acabou concordando.
— Obrigado! Amanhã, no almoço, pego mais coxinhas pra você — disse Xi Yu, com um sorriso genuíno.
— Não sou um porco, não como tanto assim — ela riu, sem saber como reagir à sua forma peculiar de agradecimento.
Capítulo 12: Passeio pelo Lago do Deus do Mar, e essas aranhas do Tang San?
— Por qual lado tem mais pontos turísticos da escola? — perguntou Xi Yu, parado diante de duas direções opostas.
— Vamos por aqui. Dá para chegar ao Lago do Deus do Mar, o cartão-postal da escola. À noite, a vista é linda — indicou Jiang Nannan.
— Lago do Deus do Mar... então existe mesmo um deus lendário? — brincou Xi Yu, fingindo curiosidade.
— Claro que não — ela respondeu rindo.
Os dois seguiram em direção ao lago, com as luzes iluminando o caminho e alongando suas sombras no chão. Xi Yu fez várias perguntas ao longo do trajeto, e a conversa fluiu naturalmente, num clima descontraído.
— Esse é o Lago do Deus do Mar. A ilha no centro se chama Ilha do Deus do Mar, o lugar mais importante da Academia Shrek — explicou Jiang Nannan.
Xi Yu olhou para as águas, onde o reflexo da lua prateada dançava nas ondas, criando uma atmosfera encantadora. O lago era enorme, e a ilha no meio dava uma ideia de sua vastidão.
Ele já sabia o que havia na Ilha do Deus do Mar — o instituto interno, o Salão do Deus do Mar —, provavelmente abrigando mais de 80% dos grandes talentos da academia.
— A vista é realmente bonita — elogiou Xi Yu. Se tivesse um celular, teria tirado uma foto.
Logo, porém, seu olhar foi atraído por um casal à beira do lago, que se beijava apaixonadamente. Xi Yu sorriu, mas não ficou encarando, desviando o olhar.
— Vamos dar uma olhada por ali.
Jiang Nannan também notou os casais e, lembrando-se do significado romântico do lago à noite, sentiu-se um pouco constrangida, querendo levar Xi Yu para longe dali.
— Tá bom — ele respondeu, sem pensar muito.
Depois de dar uma volta, retornaram ao dormitório. Como os alojamentos masculino e feminino ficavam no mesmo prédio, entraram juntos no complexo.
— Nannan, quem é esse? Seu namorado? — Uma garota bonita, ao ver Jiang Nannan chegando com um rapaz, deu-lhe um toque com o ombro, com um sorriso malicioso.
— Não, não é! Conheci ele hoje, só um amigo — explicou Jiang Nannan rapidamente.
— Olá, sou o Xi Yu, calouro — apresentou-se ele, sorridente.
— Nossa, um novinho bonitinho! — A garota, extrovertida, puxou conversa sem vergonha.
— Que elogio, moça — respondeu Xi Yu.
— Você roubou minha fala! — ela disse, rindo. Era algo que normalmente as garotas diziam aos rapazes.
— Haha, foi só brincadeira. Mas é verdade que não somos namorados. Eu até que não ligo, mas a Nannan é mais tímida, não quero causar fofocas — esclareceu ele.
— Ah, é? — A garota arqueou as sobrancelhas, passando de Jiang Nannan para o lado de Xi Yu. — Então quer dizer que você está solteiro... Quer que esta sua seniora te dê uma chance? — provocou, piscando.
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