— Como assim? Nem comprei farinha, como vou fazer pra você? — Nuo Nuo respondeu, revirando os olhos com graça. — Foi do restaurante da escola mesmo, mas tá gostosinho, pode acreditar.
— Então não quero mais. Quero um que você mesma faça — o outro insistiu.
— Tem uma fatia pra mim? — perguntou Fingal, esfregando as mãos.
— Isso aqui é pro meu namorado, senhor... quem mesmo? — Nuo Nuo deu outra olhada dramática, fazendo Fingal recuar como um cachorro batido.
— Tô sendo humilhado até pela lei do universo... — Fingal se encolheu num canto, desenhando círculos no chão. — Buááá...
— O karma é um relógio, né? — Lu Mingfei pegou o mooncake das mãos de Nuo Nuo e riu. — Olha só o Fingal, o cachorro sofredor, rindo é o melhor remédio!
— Por que não entram? — Xia Mi apareceu na porta, cabeça pendurada como um gato curioso.
[...]
A equipe da escola trabalhou rápido. Em pouco tempo, a farinha que César pediu chegou. Xia Mi amassava a massa com força enquanto Chu Zihang mexia o recheio. César, por sua vez, arrumava o salmão com a precisão de um artista, as fatias vermelhas brilhando sobre o gelo.
— Senior Fingal! — Xia Mi chamou. — Pode cuidar dos mooncakes no forno pra mim? Depois você experimenta!
— Claro! Ninguém me trata melhor que você, hein! — Fingal se contorceu de satisfação a caminho do forno. — Um veterano de nono ano como eu é muito mais confiável que esses meninos novatos.
— Olha a cara de pau — Lu Mingfei resmungou. — Nove anos repetindo de ano é motivo de orgulho agora?
— Depois de nove anos, o que mais você espera dele? — Nuo Nuo estava sentada na mesa, observando o sol se pôr no horizonte.
Os mooncakes dela ficaram prontos rápido. A qualidade era duvidosa, mas Lu Mingfei já estava mentalizado: se morresse comendo algo feito pela namorada, ia de cabeça erguida.
— Uff. — Xia Mi largou a massa e se juntou a eles, enxugando a testa seca. — Que cansaço!
Lu Mingfei olhou pra testa impecável dela e pensou: "Dragão lendário cansado de amassar massa? Tá de brincadeira..."
— Se cansou, descanse — Chu Zihang apareceu, sério.
— Hehe, o senior é tão gentil!
"Poxa, senior, caiu tão fácil? Vai ser dominado por ela!" Lu Mingfei gritou internamente.
— Toma, senior. — Xia Mi abriu uma panela e servou uma colher de sopa de geléia de flores. — Experimenta o que eu fiz.
Chu Zihang aceitou, tomando a colherada sob o olhar atento dela. O aroma dela parecia sol e orvalho.
— E aí? — Ela franziu os olhos.
— Até que... — Ele engoliu o "tem muito açúcar" que quase escapou.
— "Até que" o quê? — Xia Mi bufou. — Fala direito!
Chu Zihang hesitou, claramente em conflito.
— Hmm, sei. Ficou ruim, né?
— Pode falar, senior. Não vou ficar brava.
— Ele é esquisito mesmo — César apareceu, sempre pronto pra cutucar.
— Bem... — Chu Zihang encarou o abismo. — Doce demais.
— Sim, senhor! — Xia Mi fingiu uma saudação militar. — Próxima vez, Xia Mi controla melhor!
— Vai ter próxima? — Chu Zihang perguntou.
— Claro! — Ela apoiou o rosto nas mãos, sorrindo. — Não é só no festival. Se quiser, faço todo dia!
— "Xia Mi" agora? — Lu Mingfei não aguentou. — Já tá fofo demais, eu tô te avisando!
— Ehehe. — Ela mostrou a língua.
— HAHAHA! — Fingal chegou com um prato. — Mooncakes quentinhos!
— Hmm... — Xia Mi passou os dedos sobre eles, sem tocar. — Esse é da Nuo Nuo... esse é o meu...
— Pronto! — Ela bateu as mãos. — Divididos.
Nuo Nuo pegou um e levou à boca de Lu Mingfei. — Vem aqui, junior.
— Não vou morrer, né... — ele hesitou.
— Você que pediu — ela sorriu, perigosamente. — Hoje você come.
— Tá bom. — Ele cerrou os olhos e mordeu como um condenado.
— Senior Lu, você é chato, hein? — Xia Mi criticou. — Nuo Nuo se esforçou.
— Pois é! — Fingal, ferido pelo romance alheio, concordou. — E os solteiros aqui?
— Até que não tá ruim — Lu Mingfei mastigou e surpreendeu-se. — Dá pro gasto!
— Não é culpa minha ter medo. A senior não cozinha muito, né?
— Só você come — Nuo Nuo virou o rosto. — Outros nem chance teriam.
— Vamos ver a lua depois! — Xia Mi pulou de animação.
[...]
Na praça de Odin, os seis se sentaram no chão. Xia Mi estendeu um piquenique e arrumou os mooncakes.
— A lua hoje tá maior que o normal — Nuo Nuo observou o céu.
— É... — Xia Mi murmurou.
— Lembrou um poema chinês — Fingal se exibiu. — "Quando a lua vem, brindamos o céu azul."
— Para de fingir que entende de cultura chinesa — César esmagou-o.
Fingal agarrou o peito, caindo como um ator ruim. — Tô acabado hoje...
— O RIO CORRE PRA LESTE! — Xia Mi soltou uma música aleatória dos Três Reis. — AS ESTRELAS MIRAM O NORTE!
— Ei, que parte é essa? — reclamou Lu Mingfei, sacudindo a cabeça. — Hora do karaokê bêbado?
— Vem com a gente, senior Lu! — Xia Mi balançou os cabelos, animada.
— Beleza! — Lu Mingfei arregaçou as mangas. — Hoje vou mostrar para vocês quem é o verdadeiro rei do microfone!
— "Uma nova tempestade surgiu! Como podemos ficar parados?"
— Sabe que música é essa? — perguntou César a Chu Zihang.
— Tema do Ultraman Tiga, "Milagre Renasce" — respondeu Chu Zihang, sem expressão. — Você acha que sou igual a você, sem infância?
— E que música a Xia Mi está cantando? — Chu Zihang revidou.
— Isso não me pega — César sorriu, confiante. — Trilha sonora da série baseada em um dos Quatro Grandes Romances Chineses, "Margem d'Água".
— A segunda frase está desafinada! — Xia Mi levantou a mão, reclamando. — Senior Lu, com esse nível, nem vem dizer que é rei do microfone!
— Sério? — Lu Mingfei coçou a cabeça, envergonhado. — Tudo bem, vou trocar de música. Essa vai provar meu talento!
— "Vamos remar juntos, o barquinho vai balançar..."
— Tá errado de novo! — Xia Mi tapou os ouvidos, sacudindo a cabeça. — Começou errado! Melhor volta pro Ultraman!
— Que humilhação... — Lu Mingfei parou de cantar, enquanto a senior ao seu lado ria, os cabelos vermelhos esvoaçando no ar.
Enquanto César e Chu Zihang competiam para ver quem teve a infância mais rica, Finagle ficava deitado, olhando para o céu estrelado, perdido em pensamentos.
Lu Mingfei se levantou e apoiou-se na estátua de Odin, observando os dois sentados à frente, discutindo músicas antigas como se fossem especialistas — agora já tinham partido para os jogos clássicos da infância.
O piquenique seguiu até tarde, e os seis caminhavam devagar por uma trilha tranquila no campus à noite.
Lu Mingfei ia na frente, mas olhou para trás: Finagle e César conversavam sobre problemas do conselho estudantil, mesmo que a "ajuda" de Finagle fosse duvidosa; Xia Mi puxava Chu Zihang para falar animadamente sobre alguma coisa, gesticulando com as mãos, seu vestido boho abrindo-se como uma flor; Nuo Nuo afastou os cabelos levados pelo vento, seus olhos vermelho-escuros refletindo as estrelas da noite que estava por vir, e por um instante, os dois se encararam.
Ele desejava congelar aquele momento no tempo, como uma fotografia preciosa, guardada nas profundezas da memória.
— Vai continuar sendo assim, sempre — pensou Lu Mingfei.
Cena 15 – O Começo de Lu Mingfei (Parte 1)
Mal se sentou, alguém bateu em seu ombro:
— Não precisa adivinhar, ele só tá com dó do dinheiro. Mingfei, aquele é o professor Manstein, do departamento de literatura. Um estudioso brilhante. Vou pedir a ele para cuidar dos seus estudos.
Lu Mingfei virou-se e viu o professor Gudrian.
— Professor, como você não foi "morto"?
— Culpa do seu amigo Finagle! — o professor rosnou. — Nuo Nuo saiu com você primeiro, aí ele inventou que tinha que voltar para terminar um artigo e me largou sozinho na plataforma.
— Durante o "Dia da Liberdade", os funcionários não podem vir me buscar. Tive que subir a pé.
Lu Mingfei não sabia se ria ou chorava. Gudrian apertou seu ombro, os olhos marejados:
— Mingfei, eu sempre soube que você era especial.
O campo de batalha, antes tomado por tiros, agora parecia um evento esportivo. Médicos e enfermeiros aplicavam injeções nos "mortos", que começavam a se levantar, tirando as mascaras — todos eram jovens de 18 ou 19 anos.
A primeira coisa que faziam ao acordar era olhar em volta, tentando descobrir quem havia vencido. Mas ficaram confusos: os líderes das duas facções, César e Chu Zihang, estavam sentados ombro a ombro no estacionamento, as armas ["Murasaki"] e ["Ditador"] caídas ao lado.
Alguém havia derrotado os dois sozinho.
— Quem foi? — alguém gritou.
Lu Mingfei ergueu a mão, orgulhoso, como se dissesse: "Fui eu, fui eu!".
Nuo Nuo cutucou sua cintura:
— Para de bancar o engraçadinho.
Ele riu e, então, gritou:
— Eu sou Lu Mingfei, calouro nível "S"! Fui eu que eliminei César e Chu Zihang!
Nuo Nuo revirou os olhos:
— Tolo. Faz o que quiser.
Murmúrios surgiram na multidão:
— Lu Mingfei?
— Nível "S"? Faz décadas que não aparece um...
— Quarenta anos, no mínimo. E ainda derrotou os dois presidentes no primeiro ano. Realmente um "S".
De repente, dois aplausos ecoaram — vinham de César e Chu Zihang, ainda sentados. Logo, o estacionamento inteiro explodiu em palmas e gritos:
— Lu Mingfei!
— Lu Mingfei!
— Lu Mingfei!
Ele olhou para a multidão que gritava seu nome, um sorriso discreto nos lábios, o orgulho transbordando. Ergueu levemente o rosto.
[Pequeno Diabo, você está vendo? Minha história... apenas começou.]
O sol rompeu as nuvens, iluminando-o, mas seu sorriso brilhava mais que o verão.
...
O professor Gudrian pegou a maleta com o símbolo nuclear no estacionamento, abraçando-a com força:
— Até isso foi usado? Os alunos não sabem que brincadeira tem limite?
— Porcaria! Vou reportar ao diretor! Os equipamentos precisam ser trancados! Isso aqui é perigoso! — O professor Manstein ficou pálido ao ver a maleta.
— Exagero. As coisas realmente perigosas estão no ["Cofre de Gelo"] — Gudrian tentou acalmá-lo.
— Não quero ouvir! Esse ano foi demais! — Manstein gritou para os alunos. — Vocês violaram as regras do Dia da Liberdade! Vou acabar com essa tradição! E isso vai para o seu histórico!
— As três regras especiais da escola são: não mexer nos equipamentos de alquimia do "Cofre de Gelo", não causar ferimentos ou mortes e não trazer visitantes de fora, certo? — uma voz fria ecoou ao lado.
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