— Muito bem! Lembraram direitinho! Agora contem quantos ficaram feridos! — O professor Manstein estava furioso, apontando para todos os lados como um inspetor escolar, até que seu dedo parou... nos blocos de granito destruídos por tiros e no gramado bermuda marcado pelas pegadas de dois certos indivíduos.
— Os ferimentos não têm nada a ver com o jogo. O campus está cheio de buracos, eles só tropeçaram e caíram, não foi assim? — uma voz grave interveio.
— Que desculpa ridícula! Não faz o menor sentido! — O professor Manstein estava tão irritado que seu crânio careca brilhava. — Quem disse isso? Apresente-se!
César e Chu Zihang se levantaram do chão simultaneamente. Os rivais pareciam dois capitães de time voltando de uma partida de futebol, cada um ficando de um lado de Lu Mingfei, com os braços cruzados e um olhar despreocupado e desafiador para o professor Manstein.
— Quem aqui caiu sozinho? Levantem as mãos — César deu de ombros, dirigindo-se à multidão.
Depois de um breve silêncio, todos os "mortos" que haviam acordado levantaram as mãos. O professor Manstein olhou em volta — aquelas mãos erguidas pareciam uma floresta de armas apontadas para ele, zombando e ameaçando. Os estudantes faziam caretas uns para os outros, unidos contra o presidente do comitê de disciplina, independentemente de qual time pertenciam.
— Ótimo! Muito bom, César! Espere até eu relatar isso ao reitor. Você vai aprender muito mais comigo na sua defesa de formatura! — O professor Manstein tremia de raiva enquanto pegava o celular e discava para o reitor.
— Manstein? — uma voz suave e culta respondeu do outro lado.
— Reitor, peço desculpas por incomodá-lo, mas o "Dia da Liberdade" hoje foi um caos. Os membros da Sociedade do Leão e do Conselho Estudantil usaram balas de fricção em um jogo de guerra no campus, ferindo muitas pessoas... e danificando vários prédios. A situação é gravíssima! — O professor Manstein falou com severidade ao telefone.
De repente, ele hesitou. — Não! Não podemos ser indulgentes! E nossos orgulhosos estudantes, presidente da Sociedade do Leão, Chu Zihang, e o presidente do Conselho Estudantil, César Gattuso, não têm o menor respeito pelo comitê de disciplina. César ainda incitou os estudantes a se voltarem contra mim! O senhor precisa preservar minha posição e dignidade como presidente do comitê!
— Ah, César sempre foi assim, Manstein. Você já devia estar acostumado. A propósito, pode colocar no viva-voz? — O reitor falou calmamente.
Manstein ativou o viva-voz, seu rosto escurecendo e seu ânimo caindo. — Pelo menos precisamos considerar os danos... O comitê financeiro trabalha duro para economizar... O custo preliminar dos reparos é de cerca de 240 mil dólares... Isso sem contar o gramado bermuda que o senhor tanto gosta — agora parece um campo arado! Esse prejuízo é enorme...
— César, como o estudante mais rico do campus, você não se importaria de pagar para restaurar meu querido gramado bermuda, não é? — perguntou o reitor.
— Como o senhor quiser — César respondeu com indiferença.
— Deixa pra lá, foi só uma brincadeira. Vamos usar o fundo dos curadores. Afinal, o "Dia da Liberdade" no aniversário da escola foi conquistado com o esforço dos estudantes. Nós, velhotes, não podemos voltar atrás. — O reitor riu. — Aproveitem o feriado, mas depois voltem aos estudos. Quero muito celebrar esse "Dia da Liberdade" com vocês.
Os estudantes trocaram olhares e começaram a aplaudir, tirando os distintivos dos braços e jogando-os no ar. Colocaram os braços nos ombros uns dos outros, dançando e fazendo caretas provocativas para o professor Manstein.
— Os curadores realmente têm dinheiro... — O professor Manstein suspirou. — Reitor, o senhor ainda está de férias na Grécia?
— Sim, ontem joguei cartas com alguns velhos amigos e acordei agora. Daqui a pouco vou nadar no mar azul. Vou desligar, mas antes quero falar com nosso aluno "S".
Todos ficaram em silêncio, surpresos.
Lu Mingfei pegou o celular que o professor Manstein lhe estendia. — Reitor, estou aqui.
— Você foi o campeão do "Dia da Liberdade" hoje?
— Sim.
— Já escolheu suas matérias? Incluiu minha "Introdução à Genealogia das Espécies Dragônicas"? — A voz do reitor ecoou ao redor.
— Incluí.
O reitor riu. — Que bom ouvir sua voz. No primeiro dia, você já derrubou César e Chu Zihang. Mal posso esperar para vê-lo na aula. Espero que supere o último aluno "S"! — E desligou.
Lu Mingfei sorriu. Reitor, também estou ansioso... para conhecê-lo!
...
...
A luz do sol entrava obliquamente pela janela. A pessoa sentada na sombra desligou o telefone, recostou-se na cadeira e soltou um suspiro silencioso. Pela pequena janela, via-se um deserto sem fim, com o vento deixando marcas sinuosas na areia. O reitor definitivamente não estava de férias na Grécia.
— Transfira os custos de reparo do fundo dos curadores para o departamento de manutenção — a pessoa na sombra murmurou, sua voz grave contrastando com a risada animada que usara ao telefone.
— Entendido. A Norma fará isso em cinco minutos — respondeu um homem de meia-idade impassível atrás da porta. — Mas este foi o "Dia da Liberdade" mais caro até agora. Não devíamos pensar em alguma forma de orientação? Esses estudantes geniais estão acostumados a um estilo de vida libertino, quando deveriam ser soldados disciplinados.
— Acha que estou sendo muito permissivo? — perguntou o reitor.
— Essas duas últimas turmas tiveram dez vezes mais liberdade que as anteriores. Na minha época, a Academia Cassell era uma fortaleza militar secreta.
— Foi intencional. Lembra da nossa derrota catastrófica no Mar de Gelo da Groenlândia, dez anos atrás? Isso me fez repensar nossos métodos. Talvez, na guerra contra os dragões, não precisemos de um exército bem treinado, mas de um único gênio. — O reitor mudou para o inglês. — Somebody.
— Somebody? — repetiu o homem.
— O Escolhido! Um gênio único, eleito pelos céus, o único! Um líder, um matador de dragões que até os Reis Dragões temem, apenas um basta! Como meu velho amigo Meineke Kassel! — A voz do diretor soou fria como aço.
— Você está falando do Lu Mingfei? — O homem de meia-idade balançou a cabeça. — Mesmo que ele tenha derrotado Chu Zihang e César no primeiro dia, seu histórico é bem comum. Não vejo nele as qualidades do Escolhido que você descreve.
— Comum ou não, ainda é cedo para conclusões. — O diretor sorriu misteriosamente. — Ele é... a arma definitiva que escolhi para matar dragões.
......
No silêncio da noite, Lu Mingfei estava sentado de pernas cruzadas na cama de cima do beliche, olhando pela janela.
Ele fora colocado novamente no dormitório 303 do bloco 1, o mesmo quarto duplo de sempre, com o mesmo colega de quarto desleixado, Fingal.
— Ei, júnior, por que essa cara de derrotado? — Fingal deu um tapinha em seu ombro. — Você é a celebridade do momento!
— Suas façanhas estão sendo cantadas por todo o campus. Você estampou a capa do site de notícias da escola hoje, com um título bem chamativo. — Fingal mostrou o notebook para Lu Mingfei.
— CHOCANTE! A Feiticeira Ruiva parece ter sido domada por um herói! — A foto mostrava Nono empurrando Lu Mingfei dentro da Ferrari no estacionamento.
— Como tiraram essa foto? — Lu Mingfei apontou para a tela. — Você não estava com câmera.
Fingal arrancou o emblema da escola do uniforme — uma árvore do mundo meio seca — e jogou para ele.
— Item de alquimia. Não estrague.
Lu Mingfei examinou o emblema, virando-o de um lado para o outro. Havia um pequeno orifício no centro, provavelmente a câmera.
— Bem engenhoso. — Ele devolveu o emblema. — Equipamento perfeito para um paparazzo.
— Claro que sim. — Fingal sorriu. — Tudo que o vice-diretor faz é de primeira!
Lu Mingfei continuou lendo.
— NOTÍCIA DO ANO! A flor inalcançável de Kassel finalmente tem dono! Suspeita-se que seja o calouro classe S, Lu Mingfei, que superou os líderes das duas maiores sociedades no "Dia da Liberdade"! — A foto mostrava ele segurando Nono ferida.
— FURACÃO! Todos os detalhes sobre Lu Mingfei, classe S! Apenas um dólar para acessar!
Abaixo, uma foto grande de Lu Mingfei, com seu número de matrícula, dormitório, idade, origem e todas as informações possíveis. A última linha dizia carinhosamente: "Já tem namorada!"
— Ei, vender meus dados assim não é sacanagem? — Lu Mingfei reclamou.
— Júnior, você não entende. Vamos dividir os lucros 50/50! — Fingal disse com um sorriso maroto.
Lu Mingfei pegou seu N96:
— Precisa de mais fotos minhas? Posso tirar umas selfies! Ganhar dinheiro não pode esperar!
— Quanto mais, melhor! — Os olhos de Fingal brilharam.
Lu Mingfei começou a posar, pedindo ajuda para escolher o ângulo mais bonito.
De repente, bateram quatro vezes na porta.
— Estranho, quem vem aqui tão tarde? — Fingal segurava o celular.
Lu Mingfei teve um pressentimento forte. Ao abrir a porta, viu um grande envelope da FEDEX no chão, endereçado a "Ricardo M. Lu" em letras elegantes, com remetente no Reino Unido.
Ao abrir, encontrou... um iPhone.
— O que é isso? — Fingal aproximou a cabeça.
— Um presente do meu irmão. — Lu Mingfei encolheu os ombros.
— Você tem irmão? — Fingal perguntou, curioso.
Lu Mingfei não respondeu. O celular ainda tinha metade da bateria. Na lista de contatos, apenas um nome. Nas mensagens, uma única, de "Seu irmão mais querido", com a foto de um pequeno demônio de fraque e gravata, sorrindo diretamente para a câmera.
"Querido irmão: A partir de agora, começamos nossa jornada para recuperar o poder. Seguiremos o caminho que já percorremos, e você entenderá o que quero dizer.
Lu Mingze
Hoje"
Assim que terminou de ler, a tela mudou para uma interface familiar: um disco de latão antigo girando rapidamente.
Quando seu dedo tocou a tela, o disco desacelerou e parou em "25%".
Abaixo, uma versão caricata do demônio. Lu Mingfei tocou nele, e um balão de diálogo apareceu:
"Não se preocupe, irmão. Desta vez não é uma contagem regressiva mortal, mas nosso progresso de recuperação de poder. Quando chegar a 100%, você poderá usá-lo uma vez."
Nesse momento, o marcador subiu para 26%.
Lu Mingfei fez bico e guardou o celular. O maldito Lu Mingze adorava essas coisas extravagantes.
Capítulo 16: Cena 16 - Lu Mingfei (Parte 2)
Naquela noite, no Salão Norton da Academia Kassel.
Todos os membros do conselho estudantil estavam presentes. O presidente, César Gattuso, sentava-se no sofá diante da lareira, com a faca de caça preta e dourada "Ditador" sobre os joelhos. Acima dele, pendia o brasão da família Gattuso: uma fênix.
O silêncio já durava muito tempo. O lustre de cristal iluminava rostos pálidos.
— Pela primeira vez em três anos, perderemos o direito de usar o Salão Norton. Em outras palavras, esta é nossa última reunião aqui. — O vice-presidente Carl falou com pesar. — É uma derrota amarga para o conselho, e devemos reconhecê-la.
— Mas não perdemos para a Sociedade do Leão! Chu Zihang não é o vencedor! — protestou outro membro.
— Podemos apelar. Só alunos regulares podem vencer o "Dia da Liberdade". O que é Lu Mingfei? Não é dos nossos nem do Leão, como um personagem aleatório num jogo! — Kevin, do segundo ano, levantou-se.
— Para quem? Comitê de Disciplina ou Conselho Diretor? — Carl encolheu os ombros. — O "Dia da Liberdade" é só um dia de jogos para a escola. Quem vai arbitrar?
Embora durante o dia todos tivessem aplaudido Lu Mingfei, alguns agora se sentiam injustiçados.
A Frustração se Transforma em Raiva
Os membros do conselho estudantil estavam furiosos. Alguns levantavam vozes indignadas, outros cochichavam entre si. Desde que César assumira o comando, o Conselho Estudantil tinha sido sempre o vencedor do "Dia da Liberdade". Eles haviam crescido, tornando-se uma força capaz de rivalizar até mesmo com a mais tradicional das irmandades, a "Sociedade do Coração de Leão". Mesmo quando um aluno de nível "A", Chu Zihang, emergira inesperadamente entre as fileiras do Coração de Leão, eles ainda mantiveram o controle do Salão Norton. Mas agora, inacreditavelmente, haviam sido derrotados por um calouro desconhecido, e a indignação fervilhava na sala.
– Presidente? – Karl olhou para César, que permanecera em silêncio.
Foi então que todos notaram que César já havia deixado o sofá, indo até o armário de bebidas para pegar uma garrafa de conhaque. Encheu uma taça sem dizer uma palavra. Todos calaram-se, os olhos seguindo cada movimento dele enquanto ele, silencioso, segurava a bebida e caminhava em direção à porta.
– Presidente? – Karl chamou novamente.
César parou e voltou-se para olhar o grupo reunido no salão. Seus olhos, frios como gelo eterno, não expressavam nenhuma emoção.
– Eu nunca perco tempo falando com covardes. Covardes são aqueles que se recusam a admitir sua própria derrota.
– Presidente, nós apenas… – Kevin tentou se justificar.
César ergueu a mão, cortando-o no meio da frase.
– Chega. Não quero discutir os motivos da derrota. Verifiquei os registros da escola. Lu Mingfei, calouro de classe "S", vindo da China. Ele é um estudante oficial de Cassel, um de nós. Derrotou a mim e a Chu Zihang de forma limpa, incluindo as supostas "elites" do Conselho e do Coração de Leão. Ele venceu o "Dia da Liberdade" deste ano. Pelas regras, perdemos. O Coração de Leão também se manteve em silêncio, o que significa que Chu Zihang reconheceu a derrota. Se voltarmos atrás agora, será nossa vergonha.
Os membros do conselho trocaram olhares silenciosos antes de baixarem as cabeças.
– Então seguimos as regras de sempre e entregamos o Salão Norton amanhã? – Karl perguntou em voz baixa.
– Já entreguei um cheque ao Comitê Financeiro para alugar o Salão Âmbar como nossa sede no próximo ano. A partir da meia-noite, este lugar pertence a Lu Mingfei. – César deixou a taça de conhaque meio vazia no parapeito da janela. – Mas estou curioso para saber qual será sua classificação de linhagem após o exame 3E de amanhã…
...
Dormitório 303, Zona 1
– Bom, o exame de avaliação de habilidades é abreviado como 3E. A grafia correta é "Extração e Avaliação de Sangue". Serve para determinar o grau de linhagem dragônica do aluno. – Finn Gal, tagarelando enquanto explicava para Lu Mingfei. – Descendentes do sangue do dragão têm uma ressonância clara com a "Língua do Dragão". O Rei Dragão e os Dragões Nobres possuem o poder do "Encantamento de Palavras". Dentro de seu domínio, suas falas se tornam regras. A "linguagem" é a ferramenta pela qual os dragões manifestam seu poder.
Alguns alunos têm alto teor de sangue dragônico, mas herdam apenas os "genes inúteis" da linhagem. Esses apresentam habilidades fracas e, após o exame 3E, são rebaixados. Se forem totalmente inaptos, são expulsos.
– Você tem genes inúteis? – Lu Mingfei perguntou.
Finn Gal engasgou e, irritado, respondeu:
– Eu era um nobre de classe "A", sabia? Só fui caindo de nível porque não consigo me formar há anos… – Sua voz ficou mais baixa ao final.
– Ah, então você sabe que é um inútil de classe "F"? – Lu Mingfei soltou uma risada fria. – Então por que não faz o favor e pede dois lanches noturnos para este seu magnânimo discípulo de classe "S"?
– Dois?! – Finn Gal pulou da cama num salto. – Beleza, meu nobre camarada, vou resolver isso agora mesmo!
– Por favor, enviem para o dormitório 303, Zona 1, dois pães de trufa, dois foie-gras com suco de limão, uma champanhe… Sim, com balde de gelo e cascas de limão. Ah, e um ganso assado. Estamos com fome. E mais dois rolinhos de arenque com queijo.
Lu Mingfei observou o tolo do Finn saindo feito um cachorro feliz para fazer o pedido e sorriu discretamente.
Vinte minutos depois, um garçom de uniforme branco bateu à porta. Sobre o carrinho de jantar, talheres de prata reluzente guardavam a refeição extravagante. Os garçons ainda trouxeram uma mesa e toalha, montando tudo no centro do dormitório antes de arrumar os talheres com cuidado. O balde de gelo com a champanhe foi colocado ao centro, duas taças geladas e embaçadas postas à frente deles. Por fim, acenderam uma vela num castiçal de prata e saíram com um último aceno.
– Come! O branco do olho enche a barriga. Depois da fome, a refeição é santa. Vamos comer e só depois pensamos em besteiras como classe ou exames 3E. No fim, tudo se ajeita! – Finn era fluente em chinês e, claramente, morrendo de fome. Agarrou um pão de trufa e começou a devorá-lo. – Manda ver!
Lu Mingfei achou que aquele veterano pateta de repente parecia incrivelmente adorável e sábio, como se cada palavra dele dissolvesse suas preocupações. Sem hesitar, largou os talheres e arrancou uma coxa do ganso, enfiando na boca antes de passar a outra para Finn.
Finn pegou a coxa e, com um sorriso afetuoso refletido na luz da vela, os dois pareceram, por um instante, verdadeiros irmãos.
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