Tradução pronta Shadov Slava / Shadow Slave: Capítulo 7

– Anda logo, seu treco velho e enferrujado! – gritou Sunny, encostando-se na carroça e empurrando com todas as suas forças.

Os quatro bois fortes que costumavam puxá-la agora estavam mortos, e, no lugar deles, três escravos exaustos tentavam fazer o serviço. Mesmo com a inclinação da estrada ajudando, a carroça avançava em um ritmo dolorosamente lento. O tirano, em comparação, se movia muito mais rápido.

Empurrando o Herói para trás com um golpe mortal dos braços inferiores, o monstro ergueu os outros dois em direção ao pescoço dele, tentando agarrar a corrente que o enforcava como uma corda. No entanto, dessa vez, a temível estrutura física do Rei da Montanha se tornou uma desvantagem: suas garras ósseas, longas e aterrorizantes, eram perfeitas para dilacerar carne, mas não funcionavam bem para manobras precisas. Levou um tempo para o tirando segurar a corrente sem cortar o próprio pescoço no processo.

Nesse meio-tempo, a carroça já estava quase à beira do penhasco.

– Vamos! Só mais um pouco!

O que aconteceu em seguida foi rápido. As rodas traseiras da carroça finalmente escorregaram da estrada, penduradas sobre o abismo escuro e aparentemente sem fim lá embaixo. A criatura se virou, encarando os três escravos com seus cinco olhos esbranquiçados e sem vida. A carroça balançou, jogando o Sorrateiro e o Sábio no chão, e depois parou, equilibrada de forma precária sobre o eixo central.

Sunny foi o único que continuou em pé. Ele lançou um último olhar para o monstro colossal e, então, deu uma poderosa topada contra a frente da carroça, usando todo o seu peso para empurrá-la.

Finalmente, a carroça perdeu o equilíbrio e caiu sobre a borda, raspando o fundo contra as pedras pontiagudas com um estrondo ensurdecedor. Sunny caiu para frente, aterrissando de joelhos, quase rolando penhasco abaixo junto com ela. Virando a cabeça para o tirano, ele soltou um sorriso malicioso.

– Pegue essa, seu monstro nojento.

O Rei da Montanha fez um movimento para atacar o escravo magricela, mas já era tarde demais. Um instante depois, a corrente em seu pescoço apertou violentamente, puxando-o para trás com uma força tremenda. Ele voou pelo precipício como um boneco de trapo, caindo no abismo em silêncio, como se não acreditasse ter sido derrotado por um humano tão frágil.

— Vai e morre, seu merda — pensou Sunny.

Respirou fundo, ofegante, e caiu no chão, completamente exausto.

— É isso? Passei no teste?

Deitado nas pedras frias, encarando o céu noturno, esperou aquela voz sutil e familiar anunciar sua vitória. Mas, em vez disso, as dores que havia ignorado até então começaram a surgir, uma após a outra, atingindo seu corpo machucado.

Sunny gemeu, sentindo-se ferido por todo lado. A pele das costas, cortada pelo chicote do mercador de escravos e perfurada pelos espinhos da larva recém-nascida, doía especialmente. Ele também começou a tremer, consumido novamente pelo frio terrível.

— Acho que não — pensou, com a mente lenta e confusa. — O que mais eu tenho que fazer?

Uma figura escura apareceu acima dele. Era o Herói, tão calmo e bonito como sempre. Havia terra e arranhões em sua armadura, mas, além disso, o jovem soldado parecia ileso. Ele estendeu a mão para Sunny.

— Levanta. Você vai congelar até a morte.

Sunny suspirou, aceitando que seu Primeiro Pesadelo ainda não havia acabado. Então, cerrou os dentes e lentamente se pôs de pé, ignorando a mão estendida do Herói.

Ao redor deles, havia uma cena de carnificina. Exceto pelos três escravos e o Herói, todos os membros da caravana estavam mortos. Seus corpos jaziam pelo chão, mutilados ou dilacerados. Aqui e ali, via-se a carcaça repulsiva de uma larva. As sombras projetadas pela fogueira dançavam alegremente sobre a plataforma de pedra, alheias àquele cenário mórbido.

Sunny estava cansado demais para se importar.

O Fugitivo e o Sábio já estavam de pé, olhando para o Herói com uma apreensão cansada. Com ou sem grilhões, ainda eram escravos, e ele continuava sendo seu feitor. Percebendo os olhares tensos, o soldado suspirou.

— Cheguem mais perto da fogueira, todos vocês. Precisamos esquentar e decidir o que fazer a seguir.

Sem esperar resposta, o Herói virou-se e se afastou. Depois de hesitar por alguns instantes, os escravos o seguiram.

Algum tempo depois, os quatro estavam sentados ao redor da fogueira, absorvendo o calor agradável. O Fugitivo e o Sábio ficaram próximos um do outro, mantendo distância segura do Herói. Solitário sentou-se afastado de todos — não por desconfiar mais de um do que dos outros, mas simplesmente porque não gostava de gente, no geral.

Desde criança, Solitário sempre fora um deslocado. Não que nunca tivesse tentado se aproximar de alguém, mas parecia faltar nele aquela capacidade. Como se houvesse uma parede invisível entre ele e os outros. Se tivesse que explicar, diria que nascera sem uma engrenagem pequena, porém essencial, que todo mundo parecia ter.

O resultado era que ele vivia confuso com o comportamento alheio. Suas tentativas de imitar os outros, por mais cuidadosas que fossem, acabavam soando falsas. Essa estranheza deixava as pessoas desconfortáveis. Resumindo, ele era diferente — e se havia uma coisa que as pessoas odiavam, era justamente os diferentes.

Com o tempo, Solitário simplesmente aprendeu a evitar aproximações e acomodou-se no papel de pária. O hábito serviu-lhe bem, tornando-o autossuficiente e, em várias ocasiões, poupando-o de facadas nas costas de indivíduos duvidosos.

Por isso, não estava empolgado em dividir o resto desse Pesadelo com três desconhecidos. Em vez de tentar puxar conversa, sentou-se em silêncio, perdido em pensamentos.

Após alguns minutos, foi a voz do Herói que quebrou o silêncio:

— Assim que o sol nascer, vamos juntar toda comida e água que encontrarmos e descer a montanha — declarou o soldado.

Shifty encarou-o com desafio:

— Por que diabos a gente tem que voltar? Pra ser acorrentado de novo?

O jovem militar suspirou, cansado:

— Podemos seguir caminhos diferentes depois de deixar a montanha. Mas até lá, ainda sou responsável pelas vidas de vocês. Não dá pra continuar subindo — o caminho pelo desfiladeiro é longo e difícil. Sem os mantens que estavam no vagão, suas chances são mínimas. Voltar é nossa melhor opção.

O Estudante abriu a boca para falar, mas pensou melhor e calou-se. Shifty resmungou um palavrão, parecendo convencido pela lógica do Herói.

— Não podemos descer.

Os três se viraram para Sunny, surpresos por ouvi-lo falar.

Shifty deu uma risada cortante e cutucou o soldado:

— Não dê ouvidos a ele, patrãozinho. O garoto é... digamos, abençoado pelos deuses. Doido varrido, pra ser sincero.

Herói franziu a testa, olhando os escravos:

— Vocês dois só estão vivos por causa da coragem dele. Não tem vergonha de falar assim?

Shifty encolheu os ombros, mostrando que vergonha era coisa que não tinha. O soldado balançou a cabeça:

— Eu, pelo menos, quero ouvir o que ele tem a dizer. Fala, garoto — por que não podemos descer?

Sunny se remexeu, desconfortável sob os olhares de todos:

— Porque o monstro não morreu.

[O silêncio pesou no ar, cortado apenas pelo vento gelado da montanha.]

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