Tradução pronta Shadov Slava / Shadow Slave: Capítulo 8

— Porque o monstro não morreu.

As palavras sinistras pairaram no ar. Três pares de olhos se arregalaram, fixando Sol.

— Por que você diz isso?

Depois de refletir, Sol chegou à conclusão de que o tirano ainda estava vivo. Seu raciocínio era simples: ele não ouviu o Sistema parabenizá-lo por matar a criatura depois que ela caiu do penhasco. O que significava que ela não tinha sido derrotada.

Mas ele não podia explicar isso aos companheiros.

Apontou para cima.

— O monstro pulou de uma altura absurda para chegar até aqui e saiu ileso. Por que uma queda menor iria matá-lo?

Nem Herói nem os escravos conseguiram achar falhas no que ele disse.

Sol continuou.

— Ou seja, ele ainda está vivo, em algum lugar lá embaixo. Se voltarmos, estaremos indo direto para as garras dele.

Espertinho praguejou alto e se arrastou para perto da fogueira, encarando o escuro com olhos cheios de terror. Sábio esfregou as têmporas, murmurando:

— Claro. Por que eu não percebi antes?

Herói foi o mais estoico dos três. Depois de pensar, concordou.

— Então subimos e atravessamos o desfiladeiro. Mas isso não é tudo...

Olhou na direção onde o tirano havia caído.

— Se o monstro ainda vive, é bem possível que volte aqui e nos persiga. Ou seja, o tempo é crucial. Precisamos partir assim que o sol nascer.

Gesticulou para os corpos dilacerados espalhados pela plataforma.

— Não podemos descansar a noite toda. Temos que reunir suprimentos agora. Se fosse possível, eu gostaria de dar a esses pobres ao menos um enterro digno antes de pegar o que pudermos, mas o destino decidiu diferente.

Herói se levantou e ergueu uma faca afiada. Espertinho ficou tenso, acompanhando a lâmina com os olhos, mas relaxou ao ver que o jovem soldado não demonstrava agressão.

— Comida, água, roupas quentes, lenha. É isso que precisamos encontrar. Vamos nos dividir e cada um cuida de uma tarefa.

Ele apontou para si mesmo com a ponta da faca.

— Eu vou cortar as carcaças dos bois para conseguir carne.

O Sábio olhou em volta da plataforma de pedra — a maior parte mergulhada em sombras profundas — e fez uma careta.

— Vou procurar lenha.

O Esperto também olhou para os lados, com um brilho estranho nos olhos.

— Então eu vou buscar algo quente pra gente vestir.

Sunnny foi o último a ficar. Herói o encarou por um longo momento.

— A maior parte da nossa água estava no carroção. Mas cada um dos meus irmãos caídos carregava um cantil. Junte quantos puder encontrar.

Algum tempo depois, suficientemente longe da fogueira para ficar escondido nas sombras, Sunny procurava por soldados mortos já carregando meia dúzia de cantis que o pesavam. Tremendo de frio, ele finalmente tropeçou no último corpo destroçado vestindo armadura de couro.

O veterano — aquele que o havia chicoteado por tentar aceitar o cantil do Herói — estava gravemente ferido e morrendo, mas, milagrosamente, ainda agarrado à vida. Ferimentos horríveis cobriam seu peito e estômago, e ele claramente sentia muita dor.

Seu tempo estava se esgotando.

Sunny se ajoelhou ao lado do soldado moribundo e o examinou, procurando pelo cantil do homem.

'Que ironia', pensou.

O homem mais velho tentou focar os olhos em Sunny e moveu fracamente a mão, alcançando algo. Sunny olhou para baixo e notou uma espada quebrada no chão perto deles. Curioso, ele a pegou.

— Era isso que você queria? Por quê? Vocês são tipo vikings, morrendo de vontade de partir com uma arma na mão?

O soldado morrendo não respondeu, observando o jovem escravo com uma emoção intensa e desconhecida nos olhos.

Sunny suspirou.

— Bom, pode ser. Afinal, eu prometi assistir você morrer.

Com isso, ele se inclinou para frente e cortou a garganta do velho com a borda afiada de sua lâmina quebrada, depois jogou-a longe. O soldado se contorceu, afogando-se no próprio sangue. A expressão em seus olhos mudou — era gratidão? Ou ódio? Sunny não sabia dizer.

Ilusão ou não, era a primeira vez que matava um humano. Ele esperava sentir culpa ou medo, mas na verdade, não sentia nada. Parecia que, para o bem ou para o mal, sua criação cruel no mundo real o havia preparado para esse momento.

Sentou-se em silêncio ao lado do velho, fazendo-lhe companhia nessa última jornada.

Depois de um tempo, a voz do Feitiço sussurrou em seu ouvido:

[Você eliminou um humano adormecido, nome desconhecido.]

Sunny estremeceu.

— Ah, é. Matar pessoas também é uma conquista, pelo menos na visão do Feitiço. Eles não costumam mostrar isso nos webtoons e dramas...

Registrou a informação e guardou-a. Mas, como se viu, o Feitiço ainda não tinha terminado.

[Você recebeu uma Memória...]

Sunny congelou, os olhos arregalados.

— Isso! Vamos lá, me dá algo bom!

Memórias podiam ser qualquer coisa, desde armas até itens encantados. Uma recebida de um inimigo de nível adormecido não seria muito poderosa, mas ainda assim era uma dádiva: sem peso e indetectável, capaz de ser invocada do nada com um simples pensamento, uma Memória era incrivelmente útil. Além disso, diferente de objetos físicos, ele poderia levá-la de volta para o mundo real. A vantagem de ter algo assim nas periferias era imensa.

— Uma arma! Me dá uma espada!

[... recebeu uma Memória: Sino de Prata.]

Sunny suspirou, decepcionado.

— Bom, com a minha sorte, o que eu esperava?

Mesmo assim, valia a pena investigar. Talvez tivesse um encantamento poderoso, como emitir ondas sonoras destrutivas ou repelir projéteis.

Sunny invocou as runas e se concentrou nas palavras "Sino de Prata". Imediatamente, a imagem de um pequeno sino apareceu diante de seus olhos, acompanhada por um breve texto.

[Sino de Prata: uma pequena lembrança de um lar perdido há muito tempo, que um dia trouxe conforto e alegria ao seu dono. Seu toque cristalino pode ser ouvido a quilômetros de distância.]

— Que porcaria — pensou Sunny, desanimado.

Sua primeira Memória se revelou completamente inútil... como tudo mais que ele possuía. Estava começando a perceber um padrão na forma como o Feitiço o tratava.

— Não importa.

Sunny dispensou as runas e ocupou-se em remover a capa de pele e as botas resistentes do morto. Como oficial, a qualidade daquelas roupas era superior às dos soldados comuns. Ao vesti-las, o jovem escravo finalmente sentiu calor pela primeira vez desde que o Pesadelo começara — sem contar o breve momento em que estivera perto da fogueira.

— Perfeito — pensou.

A capa estava um pouco ensanguentada, mas, bem, Sunny também estava.

Ele olhou ao redor, seus olhos tenebrosos perfurando facilmente a escuridão. Herói e Estudioso ainda estavam ocupados com suas tarefas. Sorrateiro deveria estar procurando roupas de inverno, mas, em vez disso, estava avidamente arrancando anéis dos dedos dos cadáveres. Invisível para eles, Sunny hesitou, questionando se realmente havia pensado bem nas coisas.

Seus companheiros eram pouco confiáveis. O futuro, incerto. Até os requisitos para sobreviver ao Pesadelo continuavam um mistério. Qualquer decisão que tomasse seria, na melhor das hipóteses, uma aposta.

Mesmo assim, precisava agir se quisesse sobreviver.

Sem perder mais tempo refletindo, Sunny pegou os cantis e suspirou.

Passaram o resto da noite sentados de costas para a fogueira, encarando o medo na escuridão. Apesar do cansaço, ninguém conseguiu dormir. A possibilidade de o tirano voltar para acabar com os quatro sobreviventes era aterrorizante.

Só o Herói parecia tranquilo, afiando sua espada calmamente sob a luz dançante das chamas.

O som da pedra de amolar raspando contra a lâmina era, de alguma forma, reconfortante.

Ao raiar do dia, quando o sol começou a esquentar o ar com preguiça, eles se carregaram com todos os mantimentos que conseguiram juntar e partiram rumo ao frio.

Sunny olhou para trás, contemplando a plataforma de pedra pela última vez. Ele tinha conseguido passar pelo lugar onde a caravana de escravos deveria ter perecido. O que aconteceria a seguir? Ninguém podia dizer.

http://portnovel.com/book/19/2970

Discussão do capítulo:

Ninguém comentou ainda...
Para comentar Faça login ou Cadastre-se