Tradução pronta Shadov Slava / Shadow Slave: Capítulo 6

Sol tencionava enfrentar uma Criatura Pesadelo. E não era qualquer criatura, mas uma de quinta categoria — um temido tirano. As chances de sobreviver eram tão baixas que qualquer um teria caído na gargalhada se ele sugerisse enfrentar aquilo. A não ser que fossem um Desperto dois ou três níveis acima da criatura, é claro.

O que Sol definitivamente não era.

Mesmo assim, ele precisava lidar com o Rei da Montanha de alguma forma para evitar uma morte ainda mais miserável. O absurdo das probabilidades contra ele desde o início dessa execução adiada já tinha ficado cansativo faz tempo, então ele nem tinha mais energia para pensar nisso. Afinal, o que havia a temer? Ele já estava praticamente morto. Não dava pra ficar mais morto do que isso.

Então, pra que se preocupar?

Do outro lado da fogueira, a situação ia de mal a pior. A maioria dos escravos já estava morta. Alguns soldados ainda tentavam lutar desesperadamente contra o monstro, mas era óbvio que não durariam muito. Bem diante dos olhos de Sol, o tirano pegou um escravo morto, erguendo a corrente junto, e abriu sua boca horrenda. Com uma mordida esmagadora, o corpo do escravo foi partido ao meio, deixando apenas restos ensanguentados dentro das algemas.

Os cinco olhos leitosos do Rei da Montanha fitavam o vazio enquanto mastigava, filetes de sangue escorrendo pelo queixo.

Vendo que os braços superiores da criatura estavam ocupados, um dos soldados gritou e avançou, brandindo uma lança longa. Sem virar a cabeça, o tirano esticou um dos braços inferiores, agarrou a cabeça do soldado com força de ferro e apertou, esmagando o crânio do pobre homem como se fosse uma bolha de sabão. Um instante depois, o corpo decapitado foi atirado penhasco abaixo, desaparecendo no abismo.

O Desconfiado dobrou-se ao meio, vomitando até não aguentar mais. Depois, ficou de pé com dificuldade e encarou Sol.

— E aí? Já demos uma olhada, e agora?

Sunn não respondeu, observando pensativo o tirano com a cabeça levemente inclinada para o lado. Trapaceiro olhou para ele mais um pouco, depois virou-se para o Sábio.

— Tô te dizendo, velho, o mlk não tá bem da cabeça. Como pode ficar tão calmo assim, caramba?!

— Shhh! Fala baixo, seu idiota!

O sangue drenou do rosto de Trapaceiro quando ele se deu um tapa, cobrindo a boca com as duas mãos. Então lançou um olhar assustado na direção do tirano.

Por sorte, o monstro estava muito ocupado devorando os escravos — os sortudos já estavam mortos e os azarados ainda vivos — para prestar atenção neles. Trapaceiro soltou o ar devagar.

Sunny estava ocupado calculando suas chances de sobrevivência.

[Como me livro desse troço?]

Ele não tinha poderes especiais, nem um exército para soterrar o tirano sob uma montanha de cadáveres. Nem mesmo uma arma para pelo menos arranhar o maldito.

Sunny desviou o olhar para além da criatura, para a escuridão sem fim do céu sem lua. Enquanto observava a noite, um clarão brilhante riscou o ar e atingiu um dos braços do tirano, estourando numa chuva de faíscas. O jovem soldado — o heróico libertador de Sunny — tinha acabado de arremessar um pedaço de madeira em chamas no monstro e agora erguia a espada com desafio.

— Enfrente-me, demônio!

[Uma distração! Exatamente o que eu precisava!]

Como Sunny não tinha como matar o Rei da Montanha com suas próprias mãos, decidiu arranjar ajuda. Um humano não daria conta, então ele planejava usar uma força da natureza.

[Já que não posso acabar com o desgraçado, vamos deixar a gravidade fazer o trabalho.]

Ele estava no meio do plano quando a bravatas tolas do jovem herói surgiram como oportunidade. Agora tudo dependia de quanto tempo o pomposo idiota conseguiria se manter vivo.

— Vem comigo! — Sunny disse, começando a correr em direção à extremidade da plataforma de pedra, onde a pesada carroça estava perigosamente próxima da borda do penhasco.

O Trapaceiro e o Sábio trocaram um olhar desconfiado, mas acabaram seguindo, talvez confundindo a calma dele com confiança — ou quem sabe até com inspiração divina. Afinal, todo mundo sabia que os loucos costumavam ser os favoritos dos deuses.

Atrás deles, o Herói esquivou-se ágil das garras do tirano, golpeando-o com a espada. A lâmina afiada deslizou inutilmente pelo pelo sujo da criatura, sem deixar nem um arranhão na pele. No instante seguinte, o tirano moveu-se com velocidade assustadora, lançando seus quatro braços contra o novo e irritante inimigo.

Mas o Solto nem ficou sabendo disso. Ele corria a todo vapor, aproximando-se cada vez mais da carroça. Ao chegar, olhou rapidamente em volta, verificando se havia larvas por perto, e dirigiu-se às rodas traseiras.

A carroça estava estacionada na parte mais alta da plataforma de pedra, onde o caminho se estreitava e voltava a ser uma estrada. Estava posicionada de lado para bloquear o vento, com a frente encostada na montanha e a traseira virada para o precipício. Havia duas grandes cunhas de madeira sob as rodas traseiras, impedindo que o veículo deslizasse. Solto virou-se para os companheiros e apontou para as cunhas.

— Quando eu der o sinal, tirem as duas. Depois, empurrem. Entenderam?

— O quê? Por quê? — O Trapaceiro encarou-o com uma expressão atordoada.

O Sábio apenas olhou para as cunhas, depois para o tirano.

Milagrosamente, o Herói ainda respirava. Esquivava-se entre os membros da criatura, sempre a meio segundo de ser despedaçado. De vez em quando, sua espada brilhava no ar, mas sem efeito: o pelo do Rei da Montanha era grosso demais, e sua pele, resistente para ser ferida por armas comuns. Um traço de apreensão marcava o rosto do jovem guerreiro.

Todos os outros soldados, pelo que Solto conseguia ver, já estavam mortos. Então ele realmente precisava que aquele ali sobrevivesse um pouco mais.

[Não morra agora!], pensou.

Para o Trapaceiro, limitou-se a dizer:

— Você vai ver.

No instante seguinte, Sunny já estava correndo novamente, tentando seguir a corrente desde onde estava presa ao carroção. O que ele procurava era difícil de enxergar por causa dos corpos, sangue e vísceras espalhados pela plataforma de pedra, mas, dessa vez, a sorte estava do seu lado. Pouco depois, ele encontrou o que precisava — a ponta arrancada da corrente.

Localizando um par de grilhões mais próximo, onde ainda estava preso o corpo horrivelmente mutilado de um escravo, Sunny ajoelhou-se e começou a mexer na chave.

Houve um grito abafado. Ao olhar de soslaio, ele viu Hero voando pelo ar, finalmente atingido por um dos golpes do tirano. Incrivelmente, o jovem soldado conseguiu aterrissar de pé, deslizando vários metros pela pedra. Todos os seus membros ainda estavam no lugar, e não havia ferimentos graves em seu corpo também. Sem perder tempo, Hero rolou para frente, pegou a espada que havia caído no chão e então rolou novamente, desta vez para o lado, evitando por pouco o pisão pesado da criatura.

— Rolando?! Quem diabos fica rolando numa hora dessas?!

Sem mais tempo a perder, Sunny finalmente conseguiu abrir os grilhões. Sacudiu o corpo do escravo morto para fora deles e, em seguida, rapidamente os fechou de novo, desta vez em volta da própria corrente — formando uma espécie de laço improvisado.

Agora, tudo dependia da sua determinação, coordenação motora... e sorte.

Virando-se para Shifty e Scholar, que ainda esperavam perto do carroção, ele gritou:

— Agora!

Depois, erguendo uma parte considerável da corrente, Sunny se levantou e encarou o tirano.

Hero o olhou de relance. Seus olhos pousaram na corrente por um instante e depois seguiram rapidamente até o carroção. Então, sem mostrar nenhuma emoção, o jovem guerreiro redobrou seus esforços, desviando a atenção da criatura de Sunny.

['Ele é inteligente também? Que golpe baixo!']

Limpando a mente de pensamentos desnecessários, Sunny se concentrou no peso da corrente em suas mãos, na distância entre ele e o tirano, e no seu alvo.

O tempo pareceu desacelerar um pouco.

— Por favor, não erre!

Juntando todas as suas forças, Sunny girou e lançou a corrente no ar, como um pescador jogando sua rede. O laço se abriu enquanto voava, direcionando-se para a posição da luta entre o Herói e o tirano.

O plano de Sunny era colocar o laço no chão perto o suficiente para que, quando um dos pés do tirano pisasse na armadilha, ele pudesse puxar a corrente e apertá-la em torno do tornozelo do monstro.

Mas seu plano… falhou espetacularmente.

Ou melhor, foi literalmente um espetáculo.

No último instante, o Rei da Montanha de repente recuou, e, em vez de cair no chão, o laço da corrente se enrolou perfeitamente em volta do pescoço dele. Um segundo depois, apertou-se, agindo como uma forca de ferro.

Sunny congelou por um momento, sem acreditar no que via. Depois, cerrou os punhos, segurando-se para não erguê-los triunfantemente no ar.

— ISSO! — gritou internamente.

Momentos depois, a carroça rolaria penhasco abaixo, arrastando o tirano junto. Sunny olhou para trás para confirmar e, num instante, ficou ainda mais pálido do que o normal.

Shifty e Scholar conseguiram remover as cunhas debaixo das rodas da carroça e agora a empurravam desesperadamente para a beira do caminho. No entanto, a carroça estava rolando devagar… muito devagar. Muito mais lento do que Sunny havia previsto.

Ele virou-se para o tirano, em pânico. A criatura, surpresa pelo peso repentino pressionando seu pescoço, já levantava as mãos para arrancar a corrente.

Os olhos de Sunny se arregalaram.

No instante seguinte, Herói se chocou contra uma das pernas do tirano, desequilibrando o monstro — e ganhando algum tempo precioso. Sunny já corria em direção à carroça, praguejando mentalmente. Ao alcançá-la, atirou-se sobre a madeira úmida ao lado de Matreiro e Sábio, empurrando com todas as forças que restavam em seu corpo pequeno, terrivelmente machucado e completamente exausto.

— Move! Move, seu caixote velho e rangente!

A carroça ganhou um pouco de velocidade, mas ainda avançava devagar demais em direção ao abismo.

Enquanto isso, o tirano finalmente conseguiu agarrar a corrente amarrada em seu pescoço, pronto para se libertar.

Agora, a sobrevivência deles dependia de uma única questão: o que aconteceria primeiro.

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