Tradução pronta My Dating Sim is Too Abstract / Meu Jogo de Amor é Muito Abstrato: Capítulo 12

Ele pegou a moldura, mas dentro não havia uma foto, e sim um desenho. Um desenho simples, como se feito por uma criança, mostrando uma família de três pessoas. No canto superior esquerdo da menina do meio, estava escrito um nome:

— Serena Edson.

Um palpite surgiu na mente de Yalo, um palpite assustador, mas ele não tinha certeza.

Deixando a moldura de lado, ele pegou o caderno e abriu na primeira página. Na folha de rosto, em letras infantis e tortas, estava escrito:

— Serena Edson.

Ele folheou algumas páginas.

— Um diário?

Era mesmo um diário, com quase metade das páginas já preenchidas. Yalo voltou ao início e começou a ler.

— Ano 351 do Calendário Violeta, 17 de janeiro, sol.

— Hoje foi um dia feliz. Papai voltou da cidade e trouxe muitos brinquedos e vestidos pra mim. Ele me deu este caderno e uma caneta, disse que eu podia escrever meu diário aqui, colocar meus segredos e sentimentos. Disse que só eu saberia o que está escrito. Como tenho tantos segredos na cabeça, vou começar meu diário hoje mesmo.

— 20 de janeiro, sol.

— A Wendy ficou se exibindo na escola hoje com sua pulseira de pedras preciosas. Que menina insuportável! Fiquei com vontade de dar um soco nela.

— 21 de janeiro, sol.

— Colhi todas as frutinhas da frente da casa da Sra. Norwin. Eram doces e gostosas, mas espero que ela não descubra.

— 23 de janeiro, nublado.

— O professor Hood, de história, se aposentou hoje. Veio uma nova professora, a Senhorita Elisa. Ela se veste como uma prostituta, mostrando metade dos seios! Os meninos da sala não paravam de olhar. Que vergonha!

— 24 de janeiro, sol.

— Incrível! A Senhorita Elisa me elogiou hoje! Disse que meu trabalho estava muito bom. É a primeira vez que um professor me elogia. Mas ela ainda parece uma prostituta, se exibindo por aí.

— 28 de janeiro, sol.

— O professor Mano ficou enrolando e não deixava a aula acabar hoje. Coloquei um monte de lagartas na gaveta dele. Haha! Dava pra ouvir os gritos dele de outra sala.

— 1º de fevereiro, chuva.

— Descobriram que fui eu que coloquei as lagartas. Levei uma surra do papai. Que raiva! Sou filha dele, e ele ficou do lado dos outros. Seu careca barrigudo e nojento! De agora em diante, só falo com a mamãe.

— 2 de fevereiro, chuva.

— Acharam meu diário. Levei outra surra. Papai é um mentiroso. Disse que eu podia escrever meus sentimentos aqui.

— 7 de fevereiro, nublado.

— Hoje saiu sangue da minha barriga. Fiquei com medo, mas a mamãe ficou feliz. Disse que é a menstruação, que estou crescendo. Aff, crescer é assustador.

— 14 de fevereiro, sol.

— Minha barriga parou de doer. Ainda bem que a escola está de recesso. Passei a tarde toda brincando no rio atrás do morro. Foi divertido.

— 17 de fevereiro, nublado.

— Hoje fez frio, mas o Festival da Colheita está chegando. Mal posso esperar.

As páginas seguintes eram cheias de trivialidades do dia a dia. Yalo folheou várias até achar algo relevante.

— 6 de outubro, nublado.

— Nossa! A Senhorita Elisa é uma Grande Maga! E do nível Orquídea! Ela estava escondida na escola procurando um discípulo! Coisa de romance! Droga, espero que ela não descubra as coisas ruins que falei dela. Também quero aprender magia!

Capítulo 14 – Urso, Magia, Diário (Parte 2)

— 10 de outubro, sol.

— Não acredito! A Senhorita Elisa me escolheu! Ela disse que eu sou inteligente e talentosa. Ai, que vergonha! Todos os colegas estão com inveja. Fui escolhida como discípula de uma Grande Maga Orquídea!

— 27 de outubro, nublado.

— Hoje começo meu treinamento mágico com a Senhorita Elisa! Estou tão animada! Mas dizem que vamos para um lugar muito longe, e terei que deixar papai e mamãe. Mas se eu puder aprender magias poderosas e me tornar uma Grande Maga, vale a pena! Vamos lá, Serena!

— 15 de novembro, sol.

— Cheguei hoje na casa da Senhorita Elisa. Que lugar lindo! Tem montanhas, um rio, um campo de flores e muitos bichinhos. Todos são amigos dela. Ela disse que esses animais são como filhos para ela, que sempre a acompanharam. Eu gosto de bichos, mas preparar comida para mais de vinte todo dia deve ser cansativo!

— 17 de novembro, sol.

— Nossa, aprender magia é difícil! Passei o dia todo ouvindo a Senhorita Elisa e entendi quase nada. Minha cabeça está doendo. Se amanhã for igual, acho que magia não é tão legal assim.

— 25 de novembro, chuva.

— Terminei todas as tarefas hoje. A Senhorita Elisa ia me levar para passear no morro, mas começou a chover. Que azar! Vou ficar lendo livros de figuras.

— 30 de novembro, sol.

— Estou com saudade de casa, do papai e da mamãe.

Yalo virou a página. A letra agora estava mais elegante, madura. A primeira linha marcava um novo ano.

— Ano 356 do Calendário Violeta, 20 de abril, sol.

— Encontrei meu velho diário hoje. Ler essas memórias me fez sentir saudade da época em que não tinha preocupações. Hoje é meu aniversário de 16 anos, minha cerimônia de maioridade. Apesar de só ter a professora Elisa comigo, foi um dia feliz. Papai e mamãe me mandaram cartas. Em alguns dias, farei o teste para me tornar uma Maga Prata. A professora disse que, se eu passar, poderei sair em uma jornada. Faz cinco anos que não vejo meus pais. Sinto muita falta deles. Tenho certeza de que ficarão orgulhosos ao ver sua filha tão crescida e poderosa.

— 8 de maio, sol.

— O teste é amanhã. Ufa, estou nervosa.

Iálo virou a página e de repente sentiu um calafrio subir pelos pés. A página inteira estava coberta por uma escrita distorcida e quase ilegível. Ao examinar melhor, parecia ser um nome repetido inúmeras vezes:

— Serina Édson.

O nome "Serina Édson" se repetia em letras grotescas, como se quem escreveu quisesse desesperadamente não se esquecer dele. Iálo engoliu seco e virou a próxima página, onde a caligrafia continuava horrível, sem qualquer organização.

— Nome: Serina Édson. Idade: 16 anos. Não esqueça esse nome. Eu sou Serina Édson. Não sou um urso. Não sou um urso. Sou humana. Sou humana. Sou uma mulher. Sou uma mulher. Tenho pai e mãe. Eu sou Serina Édson. Serina Édson. Elisia não é confiável. Elisia não é confiável. Preciso fugir. Tenho que fugir. Eu sou Serina Édson. Serina Édson. Serina Édson. Serina Édson...

— Preciso anotar esse nome. Esse diário me mantém lúcida. Me livra da influência de Elisia. Preserva minha consciência humana. Devo ler um trecho por dia. Este diário é essencial. É minha chance de ser salva.

— Quero ir para casa.

As palavras perturbadoras fizeram Iálo se estremecer.

— Aquela ursa... era uma humana transformada?

Sua suspeita se confirmara. O urso não era um familiar mágico, mas uma garota chamada Serina Édson. Como ela havia se transformado em um urso? Pelo diário, parecia ter relação com sua professora. Teria sido durante algum tipo de teste?

O diário aparentemente a ajudara a recuperar sua consciência humana, relembrando quem era. Ainda havia muitas dúvidas. Iálo queria continuar lendo para entender como ela chegara ali e para que servia o encantamento na placa de metal.

Foi então que ouviu um rosnado ofegante atrás de si.

Ao se virar, viu a ursa parada ali, olhos vermelhos fixos nele.

— Espera! Não quero problemas! — Iálo levantou as mãos, mas ainda estava segurando a pá.

— Como... você me seguiu até aqui? — A ursa, Serina, falou com uma voz rouca mas inteligível.

— Eu conheço... umas magias de rastreamento — Iálo escolheu as palavras com cuidado.

A ursa emitiu um grunhido ameaçador.

— Olha, não foi por mal. É que... aquela relíquia valia uma fortuna. Qualquer um arriscaria tudo por ela, não? — ele justificou.

A ursa continuou encarando-o furiosa.

— Você leu meu diário?

Não dava para negar. Iálo confirmou com a cabeça.

— Quanto?

— Até a parte em que você vira um urso e usa o diário para se lembrar de ser humana — respondeu. — Sinto muito pelo que aconteceu.

— Não venha com falsa compaixão. Sei que vai sair correndo para contar aos aventureiros! — rosnou ela.

— Ei, nos conhecemos há meia hora, trocamos cinco frases no máximo! Como pode julgar meu caráter assim? — Iálo abriu os braços.

— Por dinheiro, você veio até aqui. Preciso de mais provas? — ela retrucou friamente.

— Ambição e caráter são coisas diferentes — ele rebateu, sério. — Por mais que eu queira enriquecer, jamais machucaria alguém tão... infeliz. Ou melhor, um urso. Quer dizer, uma pessoa. Uma pessoa!

A ursa rugiu violentamente, o bafo quente atingindo o rosto de Iálo.

— Tá bom, moça. O que eu faço para você perdoar eu ter bisbilhotado? Como posso provar que sou confiável? Você não vai... me comer, vai? — ele perguntou, lembrando dos rumores na taverna.

A ursa estremeceu, como se tivesse levado um golpe. Seu corpo enorme tremeu levemente antes de se virar lentamente.

Iálo notou uma bolsa presa a suas costas, cheia de objetos desconhecidos. A ursa foi até o balcão de alquimia e, sem gestos visíveis, fez os itens voarem para o caldeirão fervente. [Magia de levitação sem invocação...]

Objetos começaram a se mover sozinhos: colheres mexiam, facas cortavam pétalas. Depois de tampar o caldeirão, a ursa falou:

— Fique aqui até o ritual terminar. Depois, vá embora.

— Quanto tempo falta? — Iálo olhou para a entrada da caverna.

Um relógio saiu da bolsa, pairando diante da ursa.

— Uma da madrugada. Saia às cinco. Não tente fugir — você é só um humano comum.

— Entendido — ele suspirou, sentando no chão enquanto observava a ursa trabalhar.

— Posso perguntar uma coisa? O feitiço naquela placa... o que fazia? — arriscou.

— Não é da sua conta. E não vai recuperá-la — era minha propriedade, perdida em uma viagem — respondeu ela, ocupada.

— Só curiosidade...

Iálo sabia que não veria sua "relíquia" novamente. A ursa preparou os últimos ingredientes e se arrastou até a cama, deitando-se com um ar exausto.

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