De repente, algo pareceu estranho.
– Espera, eu não tinha fechado a janela antes de dormir?
Yaro se sentou de golpe e apalpou a caixa de madeira que carregava no peito. Vazia.
– Sumiu!
A cabeça girou, o sono desapareceu. Ele pulou da cama, pisou em algo e escorregou, caindo no chão. Esfregando o local dolorido, levantou-se e viu a caixa de madeira no chão, com a lâmina de metal ainda intacta dentro dela.
Aliviado, Yaro pegou a caixa, colocou-a na cabeceira e se levantou para fechar a janela. Foi quando algo atingiu sua cabeça, fazendo-o cambalear.
– Que diabos foi isso?
Olhou para cima e ficou boquiaberto. A caixa de madeira estava flutuando no ar, balançando diante dele. Ele tentou agarrá-la, mas ela desviou com um movimento ágil e voou pela janela aberta.
– Caramba, o tesouro fugiu!
Sem pensar nas companheiras ainda dormindo, Yaro pulou pela janela. Era o terceiro andar, quase nove metros de altura, mas a urgência o fez agir sem hesitar. Rolou no chão de pedra e aterrissou ileso – graças ao talento de Jixiaofei, que reduzia danos de queda.
Mas não havia tempo para pensar nisso. Ele vasculhou o quintal da pousada e encontrou a caixa não muito longe de onde caíra. Pegou-a, verificou a lâmina e suspirou aliviado.
Foi então que uma mensagem apareceu diante dele:
[Parece que a jovem gentil e inteligente atrás de você está interessada. Que tal tomar a iniciativa?]
– O quê?
Virou-se e viu um enorme urso pardo atrás dele, olhos vermelhos, dentes à mostra, babando enquanto o encarava.
– "Jovem gentil e inteligente"?
– ...
– Droga!
O coração quase parou. O urso rosnou baixo, pronto para atacar. Yaro rapidamente recitou um feitiço, e chamas surgiram em sua mão. Fogo era eficaz contra animais selvagens, mas o urso nem pestanejou.
– Afasta!
Yaro lançou as chamas contra o urso, que apenas sacudiu o corpo, apagando o fogo.
– Esse urso tá fora do normal...
Duvidando que pudesse correr mais que um urso, Yaro ficou paralisado. O urso respirava pesado, olhos brilhantes fixos nele, esperando o menor movimento para atacar.
– Vira logo uma garota, sistema! – gritou mentalmente.
Mas nenhum brilho mágico surgiu. O sistema travara? O urso perdeu a paciência e avançou.
– Fim da linha.
Jogado no chão, Yaro sentiu o hálito quente do urso. Em vez de mordê-lo, porém, o animal esbarrou em sua mão, fazendo a caixa cair. O urso a pegou com os dentes e fugiu em disparada.
Yaro ficou ali, atônito, vendo o urso desaparecer na esquina.
– Fugiu?
Que urso esquisito. Pelo menos sobreviveu. Mas então caiu a ficha: a caixa valiosíssima, seu futuro de riqueza, tinha sido roubada.
– Minha casa na praia!
O medo sumiu, substituído por uma fúria inédita. Pegando uma pá encostada na parede, Yaro saiu correndo atrás do urso.
Na rua deserta, avistou o animal correndo. Ninguém por perto para deter um urso.
– Devolve minha casa!
Yaro correu como nunca, pá na mão. O urso entrou em um beco. Seguindo-o por ruas tortuosas, Yaro viu-o entrar em um beco sem saída, onde só havia um bar aberto à noite.
Ele entrou no bar. Todos os clientes – homens grandes e brutamontes – viraram-se para olhá-lo.
– Procuro um urso! Ele entrou aqui? – gritou Yaro.
Os homens se encolheram, exceto um, de rosto redondo e barba, que tirou a camisa e se aproximou.
– Eu sou um urso.
– Não, não desse tipo...
Capítulo 13: Urso, Magia e Diário
O barbudo voltou para o canto decepcionado. Yaro estava prestes a revistar o bar, mas pensou melhor: um urso enorme não passaria despercebido. Ele não entrara ali – ou fora para outro lugar.
Saindo do bar, Yaro examinou a parede ao lado. Com uma suspeita, colocou a mão nos tijolos ásperos.
– Falsificação.
Usou o poder copiado de Taohu, replicando um feitiço anterior. Não tinha certeza se funcionaria assim, nem se o urso realmente usara magia para escapar.
Alguns segundos depois, não houve reação alguma, e ele também não ganhou nenhuma habilidade extra. Já estava quase desistindo e indo embora quando, de repente, sentiu um leve puxão na mente. Antes que pudesse reagir, uma força enorme surgiu da parede, arrastando-o violentamente para dentro.
O mundo girou violentamente, como se tivesse sido sugado por um redemoinho. Seu corpo rodopiou loucamente antes de ser lançado com força para fora.
— Ai!
Yaro caiu sobre um solo macio, a cabeça ainda zonza com a tontura intensa. Mal conseguia se manter em pé. Depois de recuperar o fôlego, levantou-se devagar e avistou atrás de si uma placa de estrada velha e surrada, cujas luzes piscaram algumas vezes antes de se apagarem completamente.
— Então era um feitiço de teletransporte fixo... e... e realmente existe um urso que usa magia...
O feitiço de teletransporte fixo funcionava assim: definia-se um ponto de ancoragem em um local e outro em um destino diferente, permitindo viagens instantâneas entre eles. Mas esse tipo de magia sempre vinha com uma senha, uma espécie de palavra-chave definida pelo conjurador, que funcionava como uma chave para ativar o portal.
A parede do beco e aquela placa de estrada eram os dois pontos de ancoragem. O que Yaro tinha copiado antes devia ser justamente a senha mágica.
Agora, ele havia sido transportado para um local ermo, no pé de uma trilha que subia a montanha. Pegou a pá de ferro caída no chão, mas pensou: se aquele urso realmente sabe usar magia, isso aqui não vai servir de nada.
Depois de hesitar, decidiu enfrentar o medo. Segurando a pá com firmeza, começou a subir a montanha.
A densa floresta bloqueava a luz da lua, deixando tudo à sua frente em completa escuridão. Yaro murmurou um encantamento, e uma chama surgiu em sua palma, iluminando o caminho.
Enquanto avançava, sua mente fervilhava de perguntas. Que tipo de urso era aquele? Se sabia usar magia, será que era o familiar de algum mago?
— Credo... Isso complica as coisas — murmurou. — Se tem um mago poderoso atrás do mesmo tesouro que eu, e eu quase transformei o familiar dele numa garota...
Mas, já que tinha vindo até aqui, não pensava em desistir. Precisava descobrir o que estava acontecendo.
Sentia-se como o protagonista de um filme de terror, sabendo que havia algo mortal à sua frente, mas mesmo assim seguindo em frente. O que o mantinha determinado? Provavelmente, a promessa de uma mansão à beira-mar no futuro.
Depois de cerca de dez minutos subindo, avistou a entrada de uma caverna. Era pequena, obrigando-o a se curvar para entrar.
O corredor interno era estreito, permitindo que no máximo duas pessoas passassem lado a lado. No chão, pegadas de urso se estendiam adiante. Conforme avançava, o ar ficou mais quente, e uma luz começou a brilhar à frente.
Então, de repente, o espaço se abriu. Ele estava agora em uma enorme caverna, iluminada por pedras luminescentes penduradas no teto, que criavam uma atmosfera aconchegante. O local estava mobiliado com uma mesa, estantes de livros, um altar de alquimia... Tudo organizado com cuidado.
Não havia uma cama, apenas um colchão e cobertores no chão. Os objetos eram bem cuidados: um porta-lápis e uma foto em cima da mesa, um copo de água ao lado, estantes abarrotadas de livros. No caldeirão do altar, algo borbulhava misteriosamente. Frutas frescas eram armazenadas em caixas de madeira, e até quadros decorativos penduravam nas paredes da caverna.
Yaro olhou em volta, surpreso. O lugar até parecia... acolhedor.
— Então... o urso mora aqui?
Não havia sinal do animal. Nem do seu precioso estojo de madeira.
Aproximou-se da escrivaninha, que não tinha cadeira. Sobre ela, havia um caderno aberto, uma caneta-tinteiro ao lado e várias marcações entre as páginas. A letra era delicada e elegante, como a de uma estudiosa tranquila, daquelas que usam óculos e passam horas imersas em livros.
http://portnovel.com/book/14/1732
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