Tradução pronta My Dating Sim is Too Abstract / Meu Jogo de Amor é Muito Abstrato: Capítulo 10

Ialo segurou a caixinha de metal e agarrou Jixiaofei, que ainda estava brincando com sua boneca de madeira, fugindo rapidamente da barraca.

O dono da barraca observou a figura de Ialo se afastando, seu rosto crispado de raiva relaxou aos poucos, e ele soltou uma risada fria enquanto pegava as três moedas sique.

— Esses pedaços de ferro velho que achei por aí valem três siques, hein? Aquele garoto achou que fez um bom negócio.

Capítulo 11: O Encanto Perdido

Ialo examinou a placa de metal dentro da caixa de madeira. Sob a proteção de vidro, o metal reluzia com marcas de arranhões.

Era difícil acreditar que aquilo tivesse algum valor. Se não estivesse guardado naquela caixinha, pareceria apenas um pedaço de ferro jogado no chão.

— Touhu, você tem certeza de que isso vale alguma coisa? — perguntou Ialo.

Três siques não eram uma fortuna, mas também não era pouco — dava para comprar comida por três dias! Se fosse só um pedaço de metal sem valor, doía no bolso.

— Relaxa, meu olho é certeiro. Essa placa tem uma forte oscilação de energia mágica. Ou, como vocês chamam, mana. Com uma reação tão intensa, não pode ser lixo! — Touhu falou cheia de confiança.

Se não for, você vai ver só...

Ialo guardou a placa e, sem perder tempo, seguiu para a estalagem.

Chegando lá, reservou um quarto para quatro pessoas e subiu com a chave.

A estalagem era barata, limpa e até tinha dormitórios próprios para grupos de aventureiros. Como não havia quarto para três, Ialo optou pelo de quatro, que custava apenas seis dacas a mais que o de dois.

O melhor de tudo: tinha banheiro privativo, diferente de outras estalagens que só ofereciam banheiros coletivos. Para Ialo, que vinha do sul, isso era um luxo.

Ao abrir a porta e acender a lâmpada de cristal, viu que o quarto era um pouco maior que seu antigo dormitório na universidade. Quatro camas ocupavam os cantos, com lençóis brancos perfeitamente estendidos.

— UMA CAMA! — Jixiaofei correu e pulou em uma delas, seu corpinho afundando no colchão macio.

Ialo deixou a bagagem no chão e se jogou em outra cama. Tirou a caixinha e pegou a placa de metal.

Virou de um lado para o outro, mas continuava parecendo apenas um losango de ferro comum.

— O que diabos é isso?

— Eu também não sei direito — admitiu Touhu, em pé ao lado da cama. — Mas a energia mágica é forte. Deve ser algo valioso.

Ialo estava nesse mundo há apenas dois anos. Sabia o básico sobre magia, mas coisas mais obscuras ainda eram um mistério.

Nos livros, geralmente é só injetar mana que algo acontece..., pensou.

Sentou-se, segurou a placa com as duas mãos e canalizou seu fiozinho de mana para dentro dela.

Nada.

— Talvez precise de tempo?

Esperou três minutos.

Nada de novo.

— Quem sabe precisa de um feitiço ou algo assim? — sugeriu Touhu.

— Ou colocar no fogo! — Jixiaofei pulou na cama de Ialo e chegou pertinho dele.

— Não pode ser tão simples. Se fosse, o vendedor já teria descoberto — Ialo retrucou.

— Mas tenta aí, não custa nada! — Ela puxou a manga dele.

Ialo olhou para ela, resmungou e recitou um encantamento. Chamas surgiram em sua mão.

Aproximou a placa do fogo, deixando as labaredas a lambuzarem.

Nada aconteceu.

— Viu? Eu avisei que não ia... CARAMBA!

De repente, a placa brilhou em dourado, e linhas finas de runas douradas surgiram na superfície.

— EU SABIA! — Jixiaofei ergueu as mãos, comemorando.

Sério que era só isso?

— Muito bem, muito bem — Ialo esfregou a cabeça dela rapidamente, como um agradeimento meio sem jeito, e voltou sua atenção para as runas.

Os símbolos dourados flutuavam sobre o metal, formando frases.

— O que está escrito? — Touhu também subiu na cama, se aproximando.

— Ehh... hui-la-xu-bu-lu... Não entendo nada! — Jixiaofei tentou ler, mas só ficou com dor de cabeça.

— Ialo, você sabe? — Touhu virou para ele, mas o viu com uma mão no rosto, os olhos arregalados, tremendo.

— ...Ialo, você tá bem?

— J-Jixiaofei, me belisca. Agora. — Ele pediu, voz trêmula.

Sem entender, mas obediente, Jixiaofei abocanhou a bochecha dele.

— AI!

Ialo pulou da dor, mas seu rosto transbordava de excitação.

— Não é sonho... É real... Meu Deus...

Resmungando, ele limpou a saliva e as marcas de dentes no rosto enquanto segurava a placa.

— Então, o que é isso? — As duas garotas se aproximaram, curiosas.

Ialo respirou fundo, tentando se controlar. Ainda estamos na estalagem. Barulho demais chama atenção.

Com a voz baixa, mas carregada de emoção, ele explicou:

— Isso... é um Encanto Perdido.

As duas piscaram para ele, sincronizadas.

— O que é isso?

Ialo tossiu, mantendo o tom baixo:

— Dizem que, na Antiguidade, grandes magos registravam feitiços de formas especiais — gravando em ossos, pedras ou outros objetos. Só quem tivesse esses objetos podia usar os feitiços. Mas, depois da Era da Lua Nova, isso sumiu, porque fez muitos encantamentos se perderem, virando só coleção de gente rica.

Seu rosto voltou a se iluminar.

— E sabem o mais incrível? O que está escrito aqui... é algo imenso.

Ele apontou para as seis linhas de encantamento gravadas na chapa de metal.

— A força de um feitiço está relacionada ao comprimento do canto — explicou. — Quanto mais longo o encantamento, mais poderoso ele é. Os feitiços mais básicos têm apenas uma linha, enquanto os mais avançados chegam a oito. Qualquer feitiço com quatro linhas ou mais já é extremamente poderoso e requer um nível de magia de mestre para ser conjurado.

Os olhos dos dois pequenos se arregalaram.

— Esse tem seis linhas, então... — começaram.

— Isso mesmo — confirmou Yalo, balançando a cabeça. — É algo realmente, realmente extraordinário.

— Então Yalo vai se tornar um mago incrível? — perguntou Ji Xiaofei.

— Não, na verdade, esse tipo de artefato tem mais valor de colecionador. A técnica de fabricação já foi perdida, e cada encantamento ancestral que sobreviveu é único, o que os torna extremamente valiosos.

Yalo balançou a chapa de metal nas mãos.

— Isso vale mais do que a pedra preciosa de mais alta qualidade!

— Então realmente vale os 50 lingotes de ouro que o vendedor disse? — perguntou Tao Hu.

— Cinquenta? — Yalo deu uma risadinha e balançou a cabeça. — Uma vez ouvi falar que a Associação de Magos leiloou um encantamento ancestral de cinco linhas. O preço final foi de 54 mil lingotes de ouro.

Os olhos dos dois pequenos se arregalaram novamente.

— Uau... — Ji Xiaofei começou a contar nos dedos. — Isso é... é muito dinheiro!

Yalo de repente pegou o rosto de Ji Xiaofei com as duas mãos, aproximando-se dela com uma voz cheia de emoção e excitação incontroláveis.

— Nós vamos ficar ricos!

— Eba!

— Maravilhoso, simplesmente maravilhoso.

— Uhuu!

Yalo pegou os dois no colo, girou no lugar com eles e os jogou na cama em meio a risadas.

— Oh, Yalo está ficando selvagem — disse Ji Xiaofei, cobrindo a boca com as mãos, fingindo timidez.

— Ah, então é isso que chamam de 'riqueza revelando o verdadeiro caráter'? — comentou Tao Hu, tampando a boca com a mão.

— ...

Yalo se acalmou, tentando controlar a empolgação, mas não conseguia evitar um sorriso no canto da boca.

— Já consigo me imaginar usando um pijama de couro legítimo, sentado na varanda de uma casa na praia, apreciando o nascer do sol sobre o mar enquanto saboreio um vinho tinto. Essa será nossa nova vida!

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CAPÍTULO 12: EU SOU UM URSO

— Com tanto dinheiro assim, podemos comprar uma cama mais macia? — perguntou Ji Xiaofei, cheia de expectativa.

Yalo balançou o dedo.

— Riqueza não deve ser exibida. Precisamos ser discretos. Ainda estamos fora de casa, e se chamarmos muita atenção...

— Ah, entendi.

Yalo guardou a chapa de metal na caixa de madeira, embrulhando-a cuidadosamente em várias camadas de proteção. Até chegarem em casa, ele garantiria que a caixa nunca saísse de seu alcance.

— Agora, nada de fazer nada. Vamos dormir. Amanhã saímos cedo e pegamos a primeira carruagem de dragão terrestre de volta!

Depois de ajudar os dois pequenos a se prepararem para dormir e trancar portas e janelas, Yalo se deitou na cama, abraçando a caixa.

Ele não sentia o menor sono.

Já se passaram quase três anos desde que ele atravessou para este mundo. Sem recursos ou conexões, ele teve que se virar de todas as formas para sobreviver neste lugar estranho.

No começo, ele pensou em como suas habilidades poderiam ser úteis aqui, mas descobriu, tristemente, que seu conhecimento em programação de computadores não servia para nada.

Depois, tentou enriquecer usando ciência e tecnologia, mas percebeu que este mundo tinha sua própria tecnologia baseada em cristais mágicos, tornando seu conhecimento obsoleto.

Tentou copiar obras literárias para se tornar um escritor famoso, mas as diferenças culturais fizeram até Shakespeare parecer irrelevante.

No fim, acabou trabalhando em uma fazenda antes de ser apresentado a um grupo de aventureiros. Apesar dos riscos, o pagamento era bom, e com as recompensas das missões, sua vida finalmente começou a melhorar. Ele até conseguiu juntar uma pequena quantia e, há seis meses, comprou uma casinha em uma vila fora da cidade, financiada em trinta anos.

Mas tudo isso era coisa do passado agora. Seu futuro estava brilhante!

Yalo se perguntou se realmente tinha sido seu talento que o levou a encontrar um tesouro como esse.

Com a mente cheia de pensamentos, ele finalmente começou a sentir sono e, abraçando a caixa, adormeceu.

Não sabia há quanto tempo estava dormindo quando acordou de repente. Olhou pela janela e viu a lua cheia ainda brilhando no céu.

— Ainda é noite... — murmurou, esfregando os olhos antes de virar e tentar dormir de novo.

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