Tradução pronta My Dating Sim is Too Abstract / Meu Jogo de Amor é Muito Abstrato: Capítulo 13

Yalo estava entediado, mas na frente da pessoa — ou melhor, do urso — não se sentia à vontade para folhear o diário novamente.

Ficaram assim, um homem e um urso sentados em silêncio, só o som borbulhante do caldeirão ecoando na caverna.

Para quebrar o clima, Yalo pensou um pouco e soltou:

— Quando você virou urso e parou de usar roupas, isso conta como andar pelado por aí?

Capítulo 15: O Feitiço do Regresso

— Que jeito mais sem graça de puxar conversa — resmungou o urso, baixinho.

— É que eu nunca tive que conversar com um urso antes — Yalo retrucou, murmurando.

Depois de hesitar, ele continuou:

— Olha, se eu disser que existe outro jeito de você voltar a ser humana... será que poderia ficar com aquele Feitiço Perdido?

O urso abriu um pouco os olhos, olhando para ele com desdém:

— Que outro jeito?

— Bem... isso...

Yalo não sabia explicar direito. O sistema parecia meio imprevisível. Com Zexia e Ji Xiaofei, pelo menos havia algumas pistas antes da transformação. Já com a raposa, não teve aviso nenhum — virou humana do nada.

E com esse urso? Antes, até que havia uma dica, mas agora... nada.

— Não tenho certeza, mas talvez se a gente virar amigos, funcione? — Yalo deu um sorriso meio sem graça.

O urso ficou encarando ele por um bom tempo antes de baixar a cabeça.

— Doido.

— Também acho que tô ficando meio maluco — Yalo suspirou.

— Mas, faz quanto tempo que você virou urso? — perguntou, tentando mudar de assunto.

O urso ficou em silêncio antes de responder:

— Três anos.

— Foi por causa da sua professora? A Qiulisha?

— Foi.

O urso assentiu e continuou, os dentes rangendo de raiva:

— Na época, ela me enganou. Disse que eu faria um teste para virar maga, mas na verdade... era um ritual de maldição.

Respirou fundo, tentando se acalmar.

— Durante os cinco anos em que estudei com ela, ela escondeu que estava fazendo experimentos com magia de maldição. E eu... eu era a cobaia.

— E não fui só eu. Se eu não me engano, todos os animais que ela criava em casa... eram humanos antes.

O urso fez uma pausa, a voz ficando mais baixa:

— Depois que virei urso, perdi minhas memórias e minha consciência humana. Fiquei presa, como um animal qualquer.

— Se não fosse pelo diário... aquele que achei jogado num canto... eu nunca teria lembrado de quem era.

A voz dela (sim, dela — agora Yalo sabia) ficou pesada.

— Mas eu me lembrei. Quando li o diário, tudo voltou. Eu sou a Selena Edson. Sou uma garota humana. Tenho uma família. Não sou um urso. Não sou o animal de estimação dela.

— Escondi o diário para que ela não descobrisse. Fingi ser só mais um bicho, mas por dentro, já estava planejando como fugir.

— Para não esquecer de quem eu era, ficava repetindo meu nome o dia todo. Aprendi a segurar uma caneta com a boca para escrever.

— A Qiulisha era poderosa. Se eu me afastasse demais da casa, ela percebia. Não dava para fugir de qualquer jeito.

— Enquanto isso, ela tentava me "domar". Dava remédios. Eu fingia tomar na frente dela, mas depois cuspia tudo.

— Mas eu não queria só escapar. Precisava de um jeito de voltar ao normal. Quando ela saía, eu fuçava os livros de magia dela, tentando achar como quebrar a maldição.

Parecia que o urso — Selena — estava com tanto tempo sem conversar que, agora, as palavras simplesmente transbordavam.

— Então... você achou? — Yalo perguntou.

Afinal, se não tivesse encontrado, ela não estaria aqui.

— Achei.

— E qual é?

Selena quase respondeu, mas parou e olhou para ele com desconfiança.

— Isso não é da sua conta.

Yalo pensou um pouco.

— Tem a ver com aquele Feitiço Perdido, né?

Ela virou a cara, sem responder.

— Então é isso.

— Já disse que não é problema seu. Algumas coisas... é melhor não saber.

— Ah, tá. Obrigado pelo aviso.

Yalo hesitou, mas não resistiu:

— E como você fugiu?

Selena ergueu a cabeça, olhando para as paredes da caverna.

— Eu também já pensei muito nisso. Acho que... como minha consciência humana nunca desapareceu, minhas memórias e pensamentos continuaram lá.

— Um dia, percebi que tinha reaprendido a falar.

— Depois disso, tentei usar magia de novo. E para minha surpresa... esse corpo de urso ainda conseguia conjurar feitiços!

— Naquela época, eu já agia como um urso de verdade. Ela ficou menos desconfiada e começou a sair mais.

— Foi quando aproveitei. Peguei o que precisava e... vazei.

— Desde então, fico escondida aqui.

— Sua professora não consegue te rastrear? Digo... será que ela não deixou algum tipo de marca em você?

— Pensei nisso. Antes de fugir, usei um Feitiço de Purificação para me livrar de qualquer rastro. Senão, ela já teria me encontrado.

O silêncio voltou, mas Yalo não conseguiu segurar mais uma pergunta:

— E quando voltar a ser humana... você vai se vingar dela?

Dessa vez, Selena demorou para responder.

— Só... quero voltar para casa. Ver meus pais.

O clima ficou pesado. Nenhum dos dois falou mais nada.

O tempo passou. Quando Yalo já estava quase dormindo, Selena se levantou e foi até o caldeirão.

Murmurou um Feitiço de Levitação, e o líquido azul e gosmento dentro do caldeirão se ergueu, escorrendo para um recipiente ao lado.

Depois, foi para um espaço aberto no chão da caverna. Mergulhou um pincel de pelos no líquido e começou a desenhar runas mágicas no chão.

Eram símbolos complexos, muito além do que Yalo conseguia entender com seu conhecimento atual de magia.

Em dez minutos, o chão ao redor de Selena já estava coberto por padrões azuis intricados.

Yalo viu a caixa de madeira com a placa de ferro voar para fora da bolsa da sela. A tampa se abriu e a placa ficou suspensa ao lado do urso.

Uma roupa saiu da bolsa e foi posicionada na borda do círculo ritualístico.

Foi então que o urso virou a cabeça e olhou para Yalo.

— Você, vá para dentro da caverna e só saia quando eu chamar.

— Precisa mesmo desconfiar tanto de mim? Com meu nível de magia, o que eu poderia fazer mesmo se ficasse aqui? — Yalo ergueu as mãos, resignado.

O urso o encarou, com um brilho de exasperação nos olhos.

— Se o ritual der certo, quando eu voltar ao normal, vou estar pelado.

— Ah.

Yalo obedeceu e entrou na caverna. Mas, curioso para ver como o urso se transformaria, escondeu-se atrás de uma estalagmite, de onde conseguia observar parte do ritual.

Ouviu o urso respirar fundo antes de começar a entoar um encantamento curto — claramente não era do Cântico do Legado.

Assim que terminou, um brilho suave envolveu o urso em uma luz avermelhada.

Outro encantamento se seguiu, desta vez cobrindo-o com um tom arroxeado.

[Isso parece aqueles buffs de jogo], pensou Yalo.

Aos poucos, o urso marrom estava envolto em cores cintilantes, seus pelos esvoaçando ao redor, banhados em tons vibrantes.

As linhas azuis no chão ganharam vida, dançando como fios luminosos que se enrolavam ao redor do urso.

Era estranho, mas Yalo sentiu algo divino emanando daquela criatura.

[Se isso fosse uma história como a Jornada ao Oeste, ele seria no mínimo o montaria de um bodhisattva.]

A placa de ferro flutuou lentamente até ficar diante do urso. Uma chama surgiu e, em instantes, símbolos dourados apareceram na superfície.

O urso começou a recitar as runas, linha por linha, devagar. Levou quase dois minutos para terminar.

Quando o último som ecoou, um brilho dourado surgiu sob seus pés, envolvendo-o como um casulo, sem deixar nenhuma abertura.

[Parece aquele feitiço avançado de purificação que vi nos livros], Yalo refletiu. Lembrava-se de um feitiço que encapsulava o alvo para purificar todas as impurezas, renascendo após a ruptura.

Imaginou que, ao sair do casulo, surgiria uma jovem esbelta.

[Definitivamente não uma garota com orelhas de urso.]

Mas por que, ao contrário da Raposa de Pêssego e das outras, ela não havia se transformado antes? Seria porque o urso já era originalmente humano?

Ou havia outra razão?

Yalo tinha uma teoria, mas não tinha certeza.

O casulo permaneceu intacto por cerca de meia hora, até que uma rachadura apareceu na superfície. A fissura se alastrou, cobrindo toda a estrutura dourada.

Com um estalo, o casulo se desfez em fragmentos que se dissiparam no ar, revelando seu conteúdo.

Yalo arregalou os olhos, incrédulo.

O que emergiu do casulo...

Ainda era um urso.

Nada havia mudado.

O urso olhou para si mesmo, confuso, e então o pânico tomou conta.

— Não... não é possível! — rugiu, saindo do círculo e correndo até as estantes.

Arrancou livros, folheando páginas freneticamente.

— Não pode ser! Onde eu errei? O Cântico da Regressão deveria reverter qualquer estado! Mesmo com pouca magia, eu usei o círculo de reforço! O que deu errado?!

Yalo saiu do esconderijo, hesitante, mas antes que pudesse falar, uma risada estridente ecoou pela caverna.

— Onde errou? Hah! Você é patética, Selena! Nada deu errado — o erro é que você agora é um urso!

Como um raio, um clarão cegante iluminou o local, e diante deles surgiu uma mulher de cabelos vermelhos, vestindo um manto de maga.

O urso ficou petrificado, os olhos fixos, murmurando apenas uma palavra:

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