[Ótima oportunidade.jpg]
Yalo fincou a espada no chão. Ele estava prestes a ajudar, mas então lembrou do que acontecera antes. Parou no meio do caminho e esboçou um sorriso malicioso.
– Posso te ajudar, mas como você vai me agradecer depois?
– Agradecer? Eu... eu não sei...
– Não sabe? Se não sabe, vai levar um corretivo!
Pá!
Um tapa ressoou pela floresta silenciosa. Dentro do tronco oco, Ji Xiaofei soltou um gemido de dor.
– Ai! Que dói, Yalo! – ela reclamou, com voz chorosa.
– Você só me dá trabalho. Dessa vez, vou ter que te ensinar uma lição. – Yalo balançou a mão, falando com frieza.
Mesmo presa da cintura para cima no tronco, Ji Xiaofei sentiu o olhar assustador dele e estremeceu.
– Yalo... tá assustador hoje...
– Já aprendeu a lição? – ele perguntou, esfregando as mãos.
– Mhm... Já, já aprendi...
A dor latejante fez sua voz tremer, quase chorando. Só então Yalo a puxou para fora do tronco.
Mas, mesmo livre, Ji Xiaofei não parecia aliviada. Baixou a cabeça, soluçando baixinho.
– Yalo foi muito cruel... – murmurou, entre lágrimas.
Por dentro, Yalo riu, mas externamente foi gentil. Acolheu-a nos braços e acariciou seu cabelo com cuidado.
– Tá bom, fui um pouco duro. Mas não me faça me preocupar de novo, certo? – disse, com suavidade.
Ji Xiaofei ergueu o rosto. Seu rostinho adorável estava vermelho, os lábios úmidos, os olhos marejados e os fios dourados desalinhados pelo rosto. Era uma cena de cortar o coração.
– Mhm... – Ela fez um biquinho e concordou com a cabeça.
Dar uma lição e depois acalmar com carinho... Essa tática sempre funciona.
Yalo enxugou suas lágrimas e segurou sua mão pequena.
– Vamos, hora de voltar para comer.
No momento em que se virou, porém, avistou algo inesperado.
Atrás deles, sem que percebessem, agora estava uma figura alta, usando um chapéu comprido.
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Capítulo 6: Você Acha que Eu Pareço Humana?
[Nota: O Capítulo 5 foi censurado, removendo alguns detalhes e a parte em que Ji Xiaofei ganhava pontos de afinidade depois de levar palmadas.]
Num instante, o coração de Yalo saltou para a garganta. Ele não tinha a menor ideia de quando aquela figura aparecera — não fez um único ruído.
Puxando Ji Xiaofei para trás de si, ele arrancou a espada do chão e desferiu um golpe contra a silhueta de chapéu.
Zunido!
A lâmina afiada passou direto pelo corpo da figura. A parte cortada da roupa caiu, mas, por baixo...
Não havia nada.
Apenas um vazio.
A roupa inteira estava flutuando no ar, sem ninguém dentro.
– Um... um fantasma?! – Yalo arregalou os olhos.
Fantasmas eram criaturas raras nesse mundo, normalmente restritos a castelos abandonados ou ruínas subterrâneas. O que um deles estava fazendo numa floresta comum?
Mas não havia tempo para pensar. Fantasmas eram inimigos absolutos. A menos que você dominasse magias de purificação ou tivesse itens sagrados, como água benta, não havia como enfrentá-los. Eles eram imunes a ataques físicos e à maioria das magias comuns.
Se você não tivesse nenhum desses recursos, só restava rezar para que o fantasma não fosse dos mais cruéis — assim, pelo menos, a morte seria menos dolorosa.
– Água benta... Acho que ainda tenho um frasco. – Yalo lembrou-se da garrafa que usara numa expedição recente.
Mas ela estava no acampamento, à beira do rio. Impossível pegar agora.
Merda. O que eu faço?
Seu cérebro trabalhava a mil, mas, nesse momento, o fantasma falou:
– Jovem... Você acha que eu pareço humano... ou um deus?
Yalo congelou.
– O quê?
Ele achou que tinha ouvido errado. Aquilo soava como um teste espiritual — algo de lendas folclóricas.
– Espera... Essa roupa não é minha?
De repente, Yalo notou algo estranho. As roupas do fantasma eram exatamente as que Ji Xiaofei perdera alguns dias atrás.
Enchendo-se de coragem, ele ergueu a espada e derrubou o chapéu alto da figura com um golpe.
O que estava por baixo era...
Uma cabecinha de raposa, com pelagem rosada.
Os dois ficaram se encarando. O clima ficou estranho.
Yalo contraiu involuntariamente o rosto.
Que porra é essa?
Isso ainda era um mundo de fantasia ocidental? Como é que uma raposa folclórica, daquelas que pedem reconhecimento, apareceu aqui?
Mesmo desmascarada, a raposa continuou:
– Você acha que eu pareço...
– Acho que você parece uma MERDA!
Yalo saltou e atacou com a espada.
– Gyaa!
O corpo peludo da raposa voou para fora das roupas, fugindo para o interior da floresta. Yalo rapidamente entoou um feitiço de bola de fogo, formando uma esfera flamejante do tamanho de uma bola de tênis em sua mão.
Ele a arremessou.
Boom!
O projétil acertou a raposa em cheio.
Mas, no impacto, um brilho branco envolveu o animal.
Ao ver aquela luz, Yalo sentiu um frio na espinha.
Ah, não... Não vai ser outra transformação, vai?
E foi exatamente o que aconteceu.
A luz branca se expandiu, tomando forma humana.
Quando as chamas se dissiparam, a figura caiu no chão com um thud, soltando um gemido.
– Afff, esse jovem não tem delicadeza nenhuma... Queimou meu lindo pelo...
Yalo aproximou-se, erguendo uma pedra luminosa. Ao afastar os arbustos, viu que a raposa rosada não estava mais lá.
No chão, agora, havia uma garotinha.
Cabelos rosados em dois coques, orelhas pontudas de raposa, uma cauda felpuda e um vestido tradicional modificado — com mangas largas e a barra curta, revelando suas pernas finas envoltas em meias brancas.
Ela esfregava a cabeça, fazendo caretas, com marcas de queimadura na roupa.
[Heroína "Raposa de Pêssego" vinculada com sucesso!]
[Nome: Raposa de Pêssego]
[Afinidade: 0]
[Estado atual: Confusa e irritada]
Yalo ficou parado, extremamente sem graça.
O que diabos acabou de acontecer?
– Por que me amarraram a essas coisas tão esquisitas? – A raposa chamada Tao Hu coçou a cabeça, olhou para baixo e percebeu as mudanças em seu corpo.
Seus olhos se arregalaram ao ver as mãos finas e delicadas como brotos de cebola. Começou a se examinar inteira, tocando o rosto, puxando a roupa, levantando a saia para conferir cada transformação.
Finalmente, soltou um grito de alegria:
– Eu virei uma imortal!
[Encontrei uma garota excêntrica. Como devo começar a primeira conversa?]
Opções disponíveis:
[Uau, que incrível, sua imortalzinha!]
[Seu bicho! No que você se transformou?!]
[Quer fazer dupla cultivação comigo?]
[Que porcaria de imortal é essa? Você é só uma raposa espírito!]
Yalo não escolheu nenhuma, achando todas as opções muito absurdas.
– Mas por que eu virei uma garotinha depois de me tornar imortal?
O entusiasmo de Tao Hu parecia ter passado. Ela olhou para Yalo, que estava ao lado, e para Ji Xiaofei, que espreitava por trás dele.
– Jovem, por um acaso do destino, você me ajudou a alcançar a imortalidade. Por isso, vou perdoar sua ofensa anterior – declarou Tao Hu, cruzando os braços com ar magnânimo.
– Hã, colega cultivadora, acho que você entendeu errado. Você só assumiu forma humana – Yalo apontou para as orelhas de raposa dela.
Tao Hu tocou as próprias orelhas e ficou com uma expressão perplexa.
Então começou a fazer gestos com uma mão enquanto murmurava encantamentos. Uma pequena chama azulada surgiu diante dela, ainda menor que as bolas de fogo meia-boca de Yalo.
Ao ver o fogo, Tao Hu desanimou, os ombros caídos.
– Parece... que sim. Minha magia não melhorou nada...
Mas logo recuperou o ânimo, pôs as mãos na cintura e anunciou:
– Mesmo sendo só a forma humana, já é um grande passo! Uma hora eu alcanço a ascensão! Hehe!
Aproximou-se de Yalo e deu tapinhas nele.
– Fique tranquilo, jovem. Mesmo sem virar imortal, você me ajudou a assumir forma humana. Vou retribuir esse favor.
Mal terminou de falar, seu estômago roncou alto. Tao Hu esfregou a barriguinha e sorriu sem graça.
À beira da fogueira, a lenha crepitava sob o caldeirão, onde uma sopa de peixe branca borbulhava. Tao Hu tomou uma tigela inteira e suspirou satisfeita, limpando os lábios rosados com ar feliz.
– Que aconchegante! Faz tempo que não como algo quentinho.
Ji Xiaofei pegou a tigela vazia e encheu novamente.
– Aqui está. Aproveite.
– Você é uma garota muito atenciosa – elogiou Tao Hu.
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