Tradução pronta My Dating Sim is Too Abstract / Meu Jogo de Amor é Muito Abstrato: Capítulo 7

A raposa Tao Hu pegou a tigela com um sorriso.

— Hora de explicar. De onde você veio, afinal? — Arlo sentou-se diante dela, esperando uma resposta.

Ao ouvir a pergunta, Tao Hu abaixou a tigela de sopa de peixe que estava prestes a levar à boca, e sua expressão ficou séria:

— Sobre minha origem... o que vou contar agora, por favor, não se assustem.

— O quê? O quê? — Ji Xiaofei abraçou os joelhos, olhando para Tao Hu com empolgação.

Arlo permaneceu sério, aguardando o que ela diria.

Tao Hu fechou os olhos, respirou fundo e começou:

— Na verdade, eu não sou deste mundo. Eu viajei entre dimensões!

[Capítulo 7: A Raposa Tao Hu]

A voz de Tao Hu ecoou no vento, que passou pela fogueira, fazendo algumas folhas dançarem no ar.

Arlo e Ji Xiaofei a observavam, enquanto ela olhava melancolicamente para o céu estrelado.

O silêncio durou um bom tempo até que Arlo finalmente não aguentou mais:

— E então?

— O que é "viajar entre dimensões"? — perguntou Ji Xiaofei.

Tao Hu olhou para os dois, confusa.

— Vocês não estão surpresos?

— Porque desde o início você já era completamente diferente — disse Arlo.

Ele já suspeitava de algo, mas, embora mantivesse a postura, por dentro não estava tão calmo.

Nunca imaginara que, além dele, houvesse outro viajante dimensional — mesmo que fosse apenas uma raposa.

Mas, pelo visto, o mundo dela, onde magia existia, não devia ser a Terra.

— Pensei que ficariam chocados. Por que estão tão tranquilos? Será que há muitos viajantes dimensionais neste mundo? — Tao Hu coçou a cabeça, intrigada.

— Mesmo que houvesse, como saberíamos? Quem iria revelar sua verdadeira identidade? — Arlo respondeu.

Mas isso o fez refletir. Talvez houvesse outros. Quando voltasse, talvez devesse colocar um aviso na porta: "Sinal trocado, função par".

— E como você veio parar aqui? — ele perguntou.

Tao Hu tossiu, limpando a garganta:

— Bem, isso começou há trezentos anos, numa loja de penhores ao pé do Monte Yuhua...

— Espera, vai direto ao ponto — Arlo a interrompeu.

— Eu roubei e comi um elixir de um sacerdote taoista, e ele me jogou dentro de um caldeirão de alquimia. Quando acordei, estava aqui — Tao Hu explicou.

Ela cruzou os braços e suspirou:

— No começo, pensei que tinha chegado ao Ocidente, mas depois de investigar, percebi que muitas coisas aqui eram completamente diferentes. Foi aí que entendi: os livros antigos estavam certos. Universos infinitos, transformações sem fim. Eu tinha viajado para outro mundo.

— Mas, pelo menos, os elixirs que roubei me deram raízes espirituais. Então me escondi nesta floresta para me dedicar à meditação. Recentemente, senti que meu poder estava prestes a evoluir, então saí para encontrar alguém com afinidade, alguém que pudesse me ajudar a ascender como imortal.

Tao Hu olhou para Arlo:

— Alguns dias atrás, vi que você tinha uma aura especial, pura e radiante, então usei um pouco de magia para pegar suas roupas e segui você até encontrar a oportunidade certa.

Arlo lembrou daquela sensação de estar sendo observado.

— Então, no seu mundo, também existem magias poderosas? — ele perguntou, interessado.

Ao ouvir isso, Tao Hu ficou animada e se levantou:

— Claro que sim! No meu mundo, os cultivadores — ou, como vocês chamam, magos — os mais comuns podem voar com o vento, percorrendo mil léguas em um dia. Já os mais poderosos... um grão de areia pode secar o oceano, uma folha de grama pode cortar tudo no mundo! Viajar entre dimensões é tão simples quanto dar um passeio!

Ela arrancou uma folha de grama do chão e a agitou no ar.

— Uau! — Ji Xiaofei, embora não entendesse muito, ficou impressionada e bateu palminhas.

— E o que você sabe fazer? — Arlo perguntou.

Tao Hu congelou no meio do movimento e, depois de um momento, suspirou:

— Infelizmente, meu talento é limitado. Passei décadas ouvindo os ensinamentos no templo, mas só consegui memorizar algumas técnicas. Até hoje, só sei uns truques básicos.

— Sério? Que técnicas você memorizou? — Arlo ficou interessado.

Se o mundo dela era tão avançado, técnicas como "O Caminho do Deus Demônio Supremo" seriam esmagadoras neste mundo.

— Hmm, muitas — Tao Hu respondeu, orgulhosa, erguendo um dedo.

— Por exemplo, a "Técnica da Iluminação Celestial". Ela absorve a essência do céu e da terra, combinando-a com a energia vital. Quando dominada, permite transcender a natureza, aguçar os sentidos e compreender os segredos do universo.

— Dá para alcançar a imortalidade? — Arlo perguntou.

— Só se for pegar lua no fundo do rio.

— Próxima.

— Tem também a "Técnica da Meditação Serena". Quando dominada, permite entrar em estado de concentração profunda em instantes, cultivando a mente e o corpo, alcançando liberdade infinita.

— Dá para alcançar a imortalidade?

— Só se for admirar flores num espelho.

— Cara, tem alguma coisa realmente útil?

Tao Hu coçou o queixo, pensativa:

— Bem, tem a "Técnica do Jejum Espiritual". Quando dominada, você não precisa mais comer grãos ou alimentos comuns. Seu corpo fica leve, livre de desejos.

[Isso parece aqueles e-books de autoajuda espiritual que vendem por dez reais...]

Ji Xiaofei refletiu e perguntou:

— Por que alguém iria querer uma magia que impede de comer? Não conseguir comer seria muito triste.

— Er... isso... — Tao Hu pareceu sem resposta.

Arlo já estava cansado. Pensara que, por ela estar buscando ascender, fosse uma raposa poderosa. Mas, pelo visto, ela mal devia estar no estágio inicial de cultivo. Que decepção.

— Hora de dormir. Amanhã temos que acordar cedo — ele disse, já arrumando seu saco de dormir.

— Ah! Lembrei de outra! — Tao Hu ergueu o dedo. — A "Técnica da União Yin-Yang".

Arlo sentou-se novamente, interessado.

— Por favor, compartilhe seus ensinamentos, Mestra.

— O que é "união yin-yang"? — Ji Xiaofei perguntou, confusa.

— É "jogar xadrez", Xiaofei. Não interrompe. Mestra, por favor, continue.

— Bem... na verdade, eu não lembro direito. Na época, eu ainda era uma raposa, e essa técnica não parecia muito útil, então não prestei atenção — Tao Hu franziu a testa, tentando se lembrar.

— Ah, lembrei! A primeira linha era...

— O quê?

— Para dominar esta técnica, primeiro você precisa se castrar!

Yalo ficou paralisado, em silêncio por um longo tempo, e então franziu o canto da boca antes de dizer:

— Você... tem certeza de que isso é um manual de cultivação dupla e não o Cânone da Flor de Girassol?

— Já disse que não lembro direito! Mas acho que é assim mesmo...

— Assim o quê, caramba! Como pode ser cultivação dupla se eu tiver que virar um eunuco? — Yalo explodiu, desesperado.

— Você não tem nenhum feitiço normal que funcione? Tipo o Cânone da Longevidade, a Palma do Trovão, ou as Setenta e Duas Transformações Terrestres?

— Ora, e onde eu iria arrumar isso? — a raposa Tao Hu respondeu, frustrada. — Eu só sou uma raposa que se infiltrou num templo daoísta! Só lia os livros que os alunos distraídos deixavam cair. Essas técnicas poderosas nunca passaram pelas minhas patas.

Ela ficou quieta por um momento, mas de repente pareceu lembrar de algo e olhou para Yalo:

— A propósito, jovem, como você sabe dessas técnicas? Será que...

Yalo tossiu, tentando disfarçar:

— Eu... eu leio muitos romances. Parece que até neste mundo existem histórias de outros mundos...

— Ah, é mesmo? — Tao Hu acenou com a cabeça, acreditando nele.

[Ela acreditou fácil assim... Parece não ser muito esperta.]

— Mas mesmo que o caminho para a imortalidade seja difícil, eu não vou desistir! — Tao Hu cerrou os punhos, com um brilho determinado nos olhos. — Eu vou me tornar uma imortal, uma raposa de nove caudas poderosa como os ancestrais! Vou subir até o Portão Celestial do Sul e encontrar o Grande Imperador de Jade!

Yalo lembrou de alguns... boatos históricos sobre o Grande Imperador de Jade e as raposas de nove caudas, mas decidiu não mencioná-los.

Tao Hu se aproximou dele e pegou sua mão, com uma expressão firme:

— Jovem, o fato de eu ter conseguido me transformar em humana por causa do seu destino deve significar que temos uma ligação. Você pode me fazer um favor?

— Que favor?

Yalo recuou um pouco. Tao Hu tinha um perfume suave e sedutor que fazia seu corpo esquentar.

— Deixe-me seguir você na jornada de cultivo! Quando eu me tornar uma imortal, vou te levar comigo para o céu! — ela disse, animada.

Yalo suspirou. Encontrar uma raposa excêntrica vinda de outro mundo assim... Ele não tinha como recusar.

— Tá bom, mas depois você vai ter que arrumar seu próprio trabalho, hein?

— Sem problemas! — ela sorriu, com as bochechas coradas.

[Afeto de Tao Hu +100]

[Afeto de Tao Hu atingiu nível 2! Recompensa por subir de nível: 20 Moedas do Coração!]

— Hmm? Tanto assim de uma vez? — Yalo arqueou uma sobrancelha.

— A partir de agora, somos companheiros!

— Boas-vindas! Eu sou Ji Xiaofei, foi o Yalo que me deu esse nome — ela disse, erguendo a mão em cumprimento.

— Ooh, que nome interessante! Eu sou Tao Hu, porque nasci debaixo de um pessegueiro.

— Eu faço um caldo maravilhoso!

— Sério? Quero experimentar!

Enquanto Tao Hu conversava com Ji Xiaofei, Yalo decidiu verificar as habilidades que ganhou dela.

[Falso Cultivador: Pode copiar um feitiço ou técnica de combate usada por outra pessoa uma vez, podendo utilizá-la livremente por três horas. *Atenção: habilidades além do seu nível de poder serão automaticamente reduzidas para o seu limite atual.]

— Isso é... até que bom — Yalo ficou surpreso. Pensava que a raposa fosse só uma cultivadora meia-boca, mas o talento dela era bem útil.

Mas agora tinha mais uma pessoa para se preocupar.

### Capítulo 8: De Volta à Cidade

— Finalmente... uma cidade...

Yalo olhou para os prédios distantes e suspirou, aliviado.

Depois de onze longos dias andando, ele finalmente estava de volta aos domínios do reino.

Só de pensar que não precisaria mais dormir ao relento ou comer sopa de peixe sem graça, ele sentiu que a provação havia valido a pena.

— Faz tanto tempo que não visito uma cidade humana...

A raposa de pelo rosado flutuou até ele.

Mesmo sem dominar nenhuma técnica decente, ela conseguia flutuar sem esforço, passando o caminho todo pairando no ar.

Ji Xiaofei, por outro lado, não estava tão tranquila quanto Tao Hu. Desde que avistaram a cidade, ela perdeu a energia de sempre e agora torcia as mãos, nervosa.

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