Ji Xiaofei olhou para ele por um longo tempo:
— O sorriso do Yaluo é tão pervertido...
Yaluo voltou a si, tossiu constrangido e lançou um olhar irritado para ela.
Depois de comerem, descansaram um pouco no acampamento, arrumaram as coisas e se prepararam para partir.
Mas então Ji Xiaofei pareceu ter um problema, correndo de um lado para o outro, agitada.
— O que foi? Perdeu alguma coisa? — perguntou Yaluo.
Ji Xiaofei parou diante dele, torcendo os dedos e baixando a cabeça, envergonhada:
— Acho que... acho que perdi a bagagem.
— Aquela que eu te dei de manhã?
Ela acenou com a cabeça.
Na bolsa que Yaluo lhe dera havia apenas uma muda de roupa. Por experiência anterior, ele sabia que durante explorações em ruínas, às vezes as roupas podiam ser danificadas, queimadas ou sujas demais para usar. Por isso, sempre levava uma reserva. Mas, dessa vez, ainda não havia precisado.
— A bolsa ainda estava com você quando chegamos aqui? Como sumiu agora? — Yaluo ficou confuso.
Talvez ela tivesse se distraído e a bolsa caído no rio, sendo levada pela corrente, ou talvez algum animal a tivesse roubado.
Nesse momento, uma notificação apareceu:
[Ji Xiaofei cometeu um erro. Como confortá-la?]
Opções:
[1. Não se preocupe, o importante é que você está bem.]
[2. Tudo bem, só me pague com sua calcinha.]
[3. Inútil! Nem isso você consegue fazer direito? Vá para a lata de lixo!]
[4. Erros merecem punição. Vire de costas e me mostre esse bumbum.]
Qualquer um saberia qual escolher.
— Não se preocupe, o importante é que você está bem — disse Yaluo.
Ji Xiaofei soltou um suspiro de alívio e ergueu os olhos para ele.
[+10 de afinidade]
— Desculpe, Yaluo... — Ela falou cheia de remorso. — Eu... não tenho nada para te compensar. Então, se quiser me punir, tudo bem...
— Era só uma roupa, não precisa de punição. Você está bem, e isso é o que importa.
Ele acariciou a cabeça de Ji Xiaofei com um sorriso gentil.
*"Fui tão carinhoso assim, a afinidade deveria subir que é uma beleza!"*, pensou.
— Mesmo sem punição? — Ji Xiaofei piscou os olhos grandes, olhando para ele.
— Como eu poderia te punir? — Yaluo manteve o tom suave.
— Oh.
[Ji Xiaofei -10 de afinidade]
Yaluo ficou paralisado ao ver a notificação.
— O quê?!
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**Capítulo 5: Esse bumbum de galinha é tão macio...**
Três dias depois, no crepúsculo.
— Yaluo, estou com fome~ — Ji Xiaofei arrastou a voz, seguindo atrás dele.
— Já está com fome de novo? — Yaluo não aguentou.
Apesar de já ser final de tarde, haviam se passado apenas quatro horas desde a última refeição. E, se não fosse ela enrolando no almoço, não teriam perdido tanto tempo.
— Não aguento mais andar — ela reclamou, aumentando o tom.
— Tsc.
Yaluo olhou o pôr do sol e decidiu que já era hora de parar.
Baixou o caldeirão, acendeu a fogueira e pegou os dois peixes que haviam pescado ao meio-dia para limpar no rio.
Nos últimos dias, seguiram o curso do rio, acampando às suas margens.
Enquanto limpava os peixes, ele pensou no caminho que ainda tinham pela frente.
No ritmo atual, levariam mais dois ou três dias até a cidade mais próxima, onde poderiam pegar uma carruagem de volta.
Na verdade, não podia culpar Ji Xiaofei por querer descansar. Eles vinham caminhando desde o amanhecer até o anoitecer. Yaluo já estava acostumado, mas ela, tendo virado garota há pouco tempo, ainda não tinha o mesmo preparo físico.
Nos últimos dias, com conversas aqui e ali, a afinidade de Ji Xiaofei havia chegado a 200. Mas o desafio para ganhar moedas não atualizava — será que precisava de alguma condição especial?
Quando voltassem, ainda havia muito a fazer. Antes, ele não queria se envolver, mas agora, descobrindo as utilidades do sistema, não podia mais ignorá-la. Precisaria arrumar documentos de cidadania para ela, um emprego...
Enquanto refletia, Yaluo sentiu um calafrio subir da espinha até a nuca.
Ele se levantou de repente, olhando em volta. Nada. A floresta estava quieta, só o som do rio e do vento.
— Foi impressão?
A sensação de estar sendo observado persistia.
Puxou a espada e ficou em alerta.
— Yaluo, voltei!
Ji Xiaofei surgiu da mata com o vestido cheio de cogumelos. Ao vê-lo com a espada em punho, inclinou a cabeça, confusa.
— O que houve?
— Xiaofei, você sentiu alguém nos seguindo? — perguntou ele.
— Seguindo? Ji Xiaofei não sabe — ela balançou a cabeça.
— Esquece — Yaluo suspirou. *Perguntar pra ela é perda de tempo.*
Talvez fosse só paranoia.
Mas, por precaução, deixou a espada ao alcance.
— Yaluo, Yaluo.
— O que foi agora? — Ele olhou para ela.
— Quero tomar banho.
— Toma lá — ele voltou a se concentrar no jantar, mas logo ergueu a cabeça para completar: — Mas não no caldeirão.
— Tá~
Sem cerimônia, Ji Xiaofei tirou a roupa e pulou no rio.
*"Não é que galinhas têm medo de água?"* Yaluo observou a figura esbelta se divertindo nas águas.
Depois do banho, ela saiu do rio, pingando e completamente nua, e saiu correndo em direção à floresta.
— Onde você vai? — ele a chamou.
— Xixi — ela respondeu. — Quer vir junto?
Yaluo acenou para ela ir logo.
Vendo aquela garota pelada correndo por aí, ele não aguentou.
*"Quando voltarmos, preciso ensinar as regras da sociedade pra ela. Não dá pra ficar nessa falta de vergonha o tempo todo."*
O jantar estava pronto, mas Ji Xiaofei, que saíra para colher flores, ainda não voltara.
— O que está demorando tanto?
Mal reclamou, quando lembrou da sensação de estar sendo observado.
*"Droga! Será que aconteceu algo?"*
Percebendo o perigo, pegou a espada e correu para a mata.
A noite já caíra. Ele tirou um cristal fluorescente e avançou com cuidado entre as árvores.
— Xiaofei?
Ele chamou em voz baixa, mas a densa floresta silenciosa não respondeu. Cada arbusto e tronco iluminado pela pedra luminescente parecia uma figura humana espreitando-o.
Yalo mantinha-se extremamente alerta, atento a cada mínimo sussurro do vento nas folhas.
Gotas de suor frio escorriam-lhe pela testa. Ainda não sabia o que enfrentaria, e o medo do desconhecido fermentava em seu peito.
Se fossem apenas animais selvagens, sua magia de bola de fogo ainda imatura já seria suficiente para assustá-los.
Criaturas mágicas geralmente não apareciam fora da Floresta Sano ou das ruínas antigas. Logo, só podia ser uma pessoa.
Com uma mão erguendo a espada e outra segurando a pedra luminosa, Yalo preparava-se para lutar a qualquer momento.
De repente, um ruído surgiu à esquerda. Ele girou instantaneamente, fixando os olhos no arbusto de onde viera o barulho.
Engolindo em seco, aproximou-se cautelosamente.
– Jī Xiǎofēi?
Chamou, tentativo.
Nenhuma resposta.
Erguendo a espada, afastou lentamente a folhagem.
O que viu fez seus olhos arregalarem de repente!
A metade inferior do corpo de Jī Xiǎofēi ficara presa num buraco de árvore, com as pernas se debatendo no ar. Suas pequenas asas na cintura batiam inutilmente, enquanto sons abafados de esforço saíam do interior do tronco.
– O que... você está fazendo?
Yalo perguntou, com um olho tremendo.
– Yalo! Yalo, me tira daqui! Eu estava perseguindo um esquilo e acabei presa aqui!
Ao ouvir sua voz, Jī Xiǎofēi começou a gritar imediatamente.
– Você é burra ou o quê?
– Foi sem querer! Me ajuda, por favor!
Yalo mal conseguia olhar para aquilo. Toda sua preocupação havia sido em vão.
[Sistema: Jī Xiǎofēi está encrencada. O que você fará?]
Opções:
– Como pode ser tão desastrada? Vou te ajudar agora.
– Posso te ajudar, mas como vai me agradecer depois?
– Inútil! Fica aí presa pra sempre então!
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