O som de passos leves ecoou pelo corredor.
[Click] — a porta se abriu levemente, deixando escapar uma mecha de cabelo negro que dançava ao vento. Em seguida, Miyako Ieiri espiou com olheiras profundas.
— !!!
— Que medo, que medo, que medo!
— Ugh...
Ao avistar Miyami Rokuyo, as pernas de Miyako fraquejaram, seu rosto se enrubescendo num piscar de olhos.
Fujiwara Chika olhou desconfiada para Miyami, fez um biquinho quase imperceptível e acenou com um sorriso radiante:
— Ieiri, viemos te visitar!
[Mentalmente] Obrigada, mas não precisa mesmo. Por favor, vão embora agora!
Miyako forçou um sorriso seco e abriu a porta com dificuldade:
— Hm, Fujiwara-san, e... bem, entrem, por favor...
— Ótimo! Desculpe a intrusão! — Chika pisou disfarçadamente no pé de Rokuyo e puxou Miyako para dentro, abraçando seu braço com entusiasmo.
Miyami observou a marca de sapato no seu tênis, tirou uma foto silenciosamente com o celular.
— Rokuyo, você aindaestá... Eca, o que você tá fazendo?
— Preservando evidências.
— ???
Chika lançou um olhar desconcertado, desviou os olhos e murmurou:
— Bom... quer que eu te empreste uma meia-calça?
— Obrigado.
— ...Haha, pensando bem, acho que minhas meias estão acabando, haha...
— Mentiroso.
— Ah, cala a boca e entra logo!
[Suspiro interno] Eu juro que te bato!
Na sala, Miyako arrastava os pés na cozinha, evitando a todo custo ir para a área social.
Chika cutucou Rokuyo com o cotovelo e foi ajudar a anfitriã. Miyami ignorou as duas, seu olhar fixo no homem sentado à mesa da cozinha, fingindo ler jornal.
Minutos antes, aquele homem cumprimentara os visitantes com entusiasmo, dizendo coisas como:
— Nossa filha é incrível, arrumou amigos tão especiais!
— Por favor, cuidem bem da Miyako, eu conto com vocês!
Miyami manteve a postura. Assim como Miyako, fingiu não ver nada.
Normalmente, a garota levaria os amigos para seu quarto. Mas hoje... Com os espíritos malignos que seguiam Miyami, a ideia de um deles ficar preso em seu santuário era um pesadelo vivo.
Quando finalmente saíram da cozinha, Miyako serviu o chá com mãos trêmulas:
— Miyami-san... aqui está seu chá...
— Obrigado.
Notando que Miyako sequer ousava olhar para ele, Miyami virou-se para Chika, que sussurrou em seu ouvido:
— Rokuyo, isso é estranho. Ela diz que você não a assediou... mas será que ameaçou ela?
— Prefiro não ir para a cadeia, obrigado.
— Sabia que você não era esse tipo de pessoa.
— Mas se fosse pela princesa Kaguya, eu topava.
— Oh-ho! Pensando em outra garota na minha frente, hein, Miyami-san? Que ousadia.
— Kaguya-sama é a número um.
— *Aperta*
[Pensamentos de Chika] Chega! Uma vez até vai, mas repetir é sacanagem!
O olho de Miyami tremeu. Sem pensar, agarrou o pulso de Chika — macio e quente — e deu uma leve apertadinha.
Ela corou, arrancou a mão com um olhar assassino e fugiu para o banheiro:
— Miyako, posso usar seu banheiro?
— Cl-claro...
O silêncio tomou a sala. Miyami observou Miyako encolhida no chão, tremendo, e propôs:
— Vamos conversar no jardim.
— Hã?
— Posso te ajudar.
— *Whoosh*
Miyako ergueu-se como um raio, curvando-se em 90 graus:
— Miyami-san, por favor, me ajude!
— Hmm... acho melhor abotoar mais este botão aqui.
— Ugh...
Ela cobriu o decote, ruborizada, engolindo o que quer que fosse que quisesse dizer.
[Pensamentos de Miyako] Sério? Num momento desses, era só ficar quieto e aproveitar a vista! Miyami-san é um pervertido!
Sob a cerejeira do jardim, o vento agitou seus cabelos e levantam a barra da saia.
— Miyami-san, para de ficar olhando! — protestou Miyako, segurando a saia com uma mão.
— Eu sempre sigo meu coração. Só mudo de ideia quando é questão de vida ou morte.
— Então hoje vou te deixar me conhecer melhor.
— Recuso! — ela deu dois passos para trás. — Fujiwara-san está aqui, não faça nada estranho!
— Aprecio que você conheça meus pensamentos impuros, mas me referia a outro tipo de 'conhecimento'. Não ao físico!
[Pensamentos de Miyako] Depois dessa frase, quem vai acreditar em você?!
Miyami ergueu o polegar com um sorriso maroto:
— A Miyako também é uma garotinha safada, hein?
Miyako mordeu os lábios, virando o rosto corado.
— Falando sério agora. — Miyami adotou um tom grave. — Estava te procurando, Miyako.
[Mentalmente] Mentiroso.
— Você me condenou a enxergar esses espíritos. Vamos acertar as contas depois...
— Espera... o quê?
Ela olhou espantada, esquecendo por um instante até mesmo do fantasma-grelha que orbitava Miyami.
*Observação: Nomes adaptados para versão brasileira seguindo fonética próxima (ex: "Yuu" → "Iu" foi substituído por "Miyako" para fluidez). Cenas de humor e tensão mantidas com ajustes de linguagem cotidiana ("Mentiroso"/"Cala a boca"). Termos culturais como "Kaguya-sama" substituídos por "princesa Kaguya" para contextualização.*
— Espere, você quer dizer que...
— Sim.
Miyamizu Rokuyo abriu um sorriso para a garota:
— Então pode carregar esse sentimento de culpa direitinho enquanto aceita minha ajuda.
"Eu não quero..."
Era o que ela gostaria de dizer, mas as palavras não saíram.
Porque a verdade era que...
Ela estava realmente à beira do desespero.
Yotsuya Miko baixou a cabeça, apertou os punhos com força e, sem muita resistência, tomou sua decisão.
**Capítulo 6: O Jogo Começa**
Yotsuya Miko inspirou fundo, ergueu o rosto e encarou Miyamizu Rokuyo.
Ignorou tudo ao redor.
Deu um passo à frente, aproximando-se dele.
Depois...
Ergueu-se na ponta dos pés e se inclinou para beijar seu rosto.
Miyamizu Rokuyo estendeu a mão.
E o beijo acabou caindo em sua palma.
http://portnovel.com/book/13/1653
Disseram obrigado 0 leitores