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Arquivo da Prateleira A do segundo andar — Arquivos dos Residentes de Ailing, número 0277.
— Parece que os arquivos ficam todos no segundo andar. Os registros dos moradores que partiram com o grupo de investigação já foram retirados. Então, os que ficaram para trás ainda devem estar na sala de arquivos.
Huo Ying, vestindo sua armadura de madeira, tinha os dedos pouco ágeis. Sem querer, derrubou uma pilha de papéis da mesa.
O papel que estava no topo caiu lentamente no chão, deslizando até parar sob um raio de sol.
Os olhos de Huo Ying se estreitaram de repente.
A luz do sol revelou marcas na superfície do papel — sulcos deixados por alguém que escreveu com tanta força em outra folha que a pressão da caneta deixou vestígios, mesmo sem a tinta ter vazado.
"Funcionários da Fábrica de Genes Azuis de Ailing — Nenhum sobrevivente."
Lista de mortos:
Bai Qianzhi
Liu Tong
Huo Guang
...
Huo Ying fixou o olhar no caractere "Guang". Mas não era apenas "Guang" — havia traços fracos, marcas que não haviam sido transferidas completamente.
O nome escrito no papel original devia ser: Huo Ying.
Ele pegou a folha em branco e subiu para o segundo andar.
Assim que ele saiu, o espelho na entrada se moveu.
Se alguém estivesse olhando, veria o reflexo no espelho se ajustando, como se estivesse incomodado com a sujeira. Uma mão surgiu de dentro do vidro e limpou a superfície com cuidado.
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Capítulo 41 — Visão
Huo Ying subiu as escadas.
De repente, parou e se virou.
O saguão permanecia exatamente como antes, sem nenhuma mudança.
— Achei que ouvi algo...
Do alto da escada, ele examinou o saguão com atenção.
— Aqui está quieto demais.
A ausência de anomalias era, em si, a maior das anomalias.
Em vez de se acalmar, Huo Ying ficou ainda mais alerta.
— Então Wang Kai mentiu. Elsa e Luna não estão aqui.
Não havia pedras solares, nem sinais de madeira queimada, e a luz do sol não chegava aqui. Era o lugar perfeito para criaturas sombrias.
O grito de Wang Kai antes de morrer tinha sido uma armadilha — ele queria que os Expurgadores morressem aqui.
Até seu próprio filho, Wang Tianhua, fora enganado.
Mas Wang Kai tinha visto o tamanho do grupo de Expurgadores e a resistência deles. Por que os atrairia para cá?
Isso só significava uma coisa: dentro do Centro Cívico, havia algo perigosíssimo. Algo capaz de aniquilar até mesmo um esquadrão inteiro de Expurgadores.
Huo Ying olhou para a porta aberta e sentiu um leve impulso de recuar.
Toc-toc-toc.
O som de uma pedra rolando.
Um pedaço de papel amassado surgiu do corredor do segundo andar e parou a seus pés.
Imediatamente, Huo Ying acendeu uma flecha flamejante, usando-a como tocha para iluminar os arredores.
A luz dissipou a escuridão, mas o corredor estava vazio.
Ele pisou no papel e o desenrolou com cuidado.
Dentro, havia uma pedrinha. E na folha, uma mensagem:
"Se receber isto, escreva '1' e deixe uma pedra solar onde está. Acredite em mim se quiser viver."
A tinta ainda estava fresca.
Huo Ying olhou ao redor novamente. Nada. Ninguém.
Usando seus poderes, criou um pedaço de carvão e escreveu "1" no papel. Em seguida, embrulhou uma pedra solar e a jogou para o lado oposto.
Ficou observando.
Cerca de um minuto depois, o papel estremeceu. Huo Ying reagiu na hora, lançando um estilete de madeira naquela direção.
Tlim!
O estilete atingiu a parede sem encontrar nada.
— Que diabos é isso?
Vendo que o ataque não surtira efeito, ele usou um galho para abrir o papel à distância.
Havia novas palavras:
"Você não me vê, e eu não vejo você."
"Ao entrar no Centro Cívico, nossa visão foi enganada. Tudo é ilusão."
"Sou um infectado. Sinto mudanças no ar — o oxigênio diminui, o gás carbônico aumenta. Foi assim que percebi sua presença."
"Devemos estar perto, mas não consigo encontrá-lo. Talvez nossos sentidos também estejam distorcidos."
"Onde você está agora?"
Huo Ying franziu a testa e respondeu:
— Estou no saguão, primeiro andar.
O papel ficou imóvel por um tempo antes de se mover novamente.
"Então o espaço também está distorcido."
"Joguei pedaços de papel no terceiro andar, no segundo e no saguão."
"Do meu ponto de vista, foi o papel do terceiro andar que se moveu. Você deveria estar na entrada do corredor do terceiro andar."
"Não minta para mim. Isso decide se sairemos vivos."
"Você está ou não no corredor do terceiro andar?"
Huo Ying não respondeu. Em vez disso, recuou cuidadosamente para o primeiro andar.
Revistou o saguão e, debaixo de uma mesa, encontrou outro papel amassado.
A mensagem era a mesma:
"Se receber isto, escreva '1' e deixe uma pedra onde está. Acredite em mim se quiser viver."
Pensativo, Huo Ying pegou o papel do primeiro andar e voltou ao segundo.
— Agora me diga: de qual andar eu peguei este papel?
Escreveu a pergunta em um novo pedaço e o jogou.
Novo silêncio prolongado.
"Foi o do segundo andar. O do saguão ainda está lá. Você pegou o do segundo."
"Então... o espaço está mesmo desalinhado? Não nos vemos nem tocamos porque estamos em lugares diferentes?"
Huo Ying refletiu.
Se o autor da mensagem estivesse dizendo a verdade, significava que o espaço ao seu redor estava distorcido. O segundo andar para ele era o terceiro para o outro. O primeiro andar, o segundo.
Ou seja, se ele fosse ao terceiro andar agora, talvez encontrasse a pessoa.
Sem pressa, ele olhou para a porta. A luz do sol ainda brilhava lá fora.
Mas quando se virou para a janela do corredor do segundo andar, viu apenas escuridão.
— ...Parece que o papel está certo. O espaço realmente está distorcido.
Seu olhar pousou no espelho da entrada. Agora, ele suspeitava que, ao cruzar a porta, havia entrado em um mundo refletido.
— Precisamos trabalhar juntos para encontrar uma saída.
— Se não fizermos algo, os dois vamos ficar presos neste mundo para sempre.
Huo Ying ficou encarando aquela mensagem por um tempo, mas decidiu não responder. Em vez disso, pegou a tocha de madeira de álamo e entrou no corredor do segundo andar.
Havia vários quartos no andar superior. Huo Ying iluminou cada placa de identificação com a tocha, até chegar a uma porta que dizia "Arquivo".
Usando técnicas de manipulação de madeira e terra, ele criou uma chave improvisada e abriu a porta sem dificuldade.
Dentro, o ambiente era escuro como breu, sem janelas. Huo Ying esticou a mão e tocou a parede.
[Técnica do Pântano Terrestre]
Controlou cuidadosamente o fluxo de chakra, e uma pequena área da parede sólida se transformou em lama, do tamanho de uma mão. Ele enfiou a tocha de álamo ali, usando-a como luminária.
Repetiu o processo nas outras paredes até que todo o arquivo ficasse iluminado por essas tochas fixas.
Felizmente, no meio do apocalipse, pouca gente se dava ao trabalho de revistar um arquivo. A sala estava praticamente intacta, organizada. Huo Ying encontrou facilmente a estante "A".
A prateleira estava abarrotada de pastas e documentos. Ele localizou a seção 0277 e retirou todos os arquivos próximos a ela.
Muitos documentos pareciam ter sido levados por equipes de investigação. Os que sobraram eram bem finos.
Huo Ying examinou um por um. O primeiro era o 0276 — uma lista com centenas de nomes, todos marcados com um X.
O 0277 era ainda mais fino. Quando ele abriu, havia apenas três folhas.
Eram três formulários de admissão.
O primeiro estava no nome de Bai Qianzhi, "Especialista em Biossíntese da Genética Azul, Orientadora". Ao lado, uma foto.
A mulher na foto era bonita, mas com uma expressão claramente irritada.
Huo Ying a reconheceu. Era a "Bai Jie" que morava com Zhang Yuqi.
O segundo documento mostrava uma garota de aparência jovem. A idade não estava especificada, mas pelo rosto, Huo Ying achou que mal devia ter saído do ensino médio.
Liu Tong, "Técnica em Pré-Processamento de Amostras da Genética Azul".
O último era o dele próprio.
A foto mostrava seu próprio rosto.
"Huo Ying, Melhorista de Plantas e Animais da Genética Azul."
— Então eu trabalhava na fábrica da Genética Azul... e a Bai Jie também!
Huo Ying pegou a pedra yang que carregava no peito e a esquentou na chama da tocha. Depois de um tempo, a pedra não mostrava nenhuma mudança.
— O mundo do espelho só tem uma diferença de tempo e espaço. Os objetos devem ser os mesmos.
— Sem interferência dos cadáveres amaldiçoados por perto, esses documentos devem ser reais.
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