Huó Ying guardou o documento em sua armadura de madeira e se levantou, voltando para o corredor do segundo andar onde recolheu o papel amassado do chão.
Capítulo 42 — Método
O bilhete agora estava cheio de mensagens escritas:
— O que você está fazendo? Não saia andando por aí!
— Você ainda está vivo?
— Só vou esperar aqui por uma hora. Se você não responder nesse tempo, vou considerar que morreu.
— Já passou uma hora. Sério que você morreu?
— Olha, eu dou mais uma hora. Se não responder, vou embora de verdade.
Huó Ying escreveu: — Como você está contando o tempo?
O bilhete respondeu: — Ótimo, você está vivo! O que você estava fazendo? Você não revirou o Centro do Cidadão? No terceiro andar, sétima porta à direita, tem uma sala de descanso dos administradores. Lá tem um relógio movido a luz solar que ainda funciona.
Huó Ying: — Você já revirou todas as salas?
Bilhete: — O segundo andar sim. No terceiro, muitas portas são blindadas e não consegui abrir.
Huó Ying: — Tem certeza que os Centros do Cidadão nos dois universos são iguais?
Bilhete: — Vá checar você mesmo então. Vou esperar aqui por uma hora.
Huó Ying: — Eu vou pegar o relógio no terceiro andar. Você vá até o arquivo no segundo andar e pegue o documento de número 0277. Em uma hora, nos encontramos para ver se as coisas são iguais nos dois universos.
Depois de receber a confirmação no bilhete, Huó Ying subiu para o terceiro andar do Centro do Cidadão.
Era mesmo diferente do segundo andar. Lá embaixo, até a sala de arquivos tinha portas de madeira, enquanto no terceiro andar, a maioria eram portas blindadas resistentes.
Ele contou até a sétima sala e achou a porta destrancada. Ao entrar, viu que era exatamente como no bilhete — uma sala de descanso. Logo ouviu o tique-taque de um relógio. Sobre a janela, estava um relógio movido a luz solar.
Huó Ying pegou o relógio. Marcava 16:15, batendo com o horário descrito no bilhete. Apesar da escuridão lá fora, o relógio estava completamente carregado. Ele ficou encarando a janela por um bom tempo, resistindo à tentação de abri-la.
Depois de sair da sala, verificou o resto do andar. Das oito salas no total, sete estavam trancadas. Usando técnicas de manipulação de madeira e terra, ele criou chaves improvisadas para abrir todas.
Nenhuma delas representava perigo. Cinco eram escritórios bem decorados, uma estava cheia de troféus, placas e fotos com autoridades, e a última era uma sala de monitoramento com servidores. Sem muitas pistas ali, ele voltou para a sala das fotos e começou a examinar cada uma.
De repente, seus olhos pararam em uma foto específica. Ele a tirou da parede. Havia várias pessoas posando, segurando uma faixa que dizia: "Equipe do Gene Azul-Celeste dá as boas-vindas às autoridades". Na frente do grupo, uma pessoa usando um traje protetor completo cumprimentava um homem que parecia ser um líder. Ao lado dela, estava Liu Tong, ainda jovem, segurando uma caixa de premiação coberta por um pano vermelho.
Huó Ying também reconheceu a Irmã Bai na foto — posicionada de forma destacada na segunda fileira. E atrás dela... estava ele mesmo, com uma expressão impassiva. Ele observou por um tempo, confirmando que não havia sinal de Zhang Yuqi na imagem, antes de guardá-la em sua armadura.
Faltando pouco para completar uma hora, ele voltou para o segundo andar, esperando novas mensagens.
O bilhete dizia: — Você já voltou? Eu encontrei.
Huó Ying respondeu: — Use a pasta do arquivo para embrulhar uma pedra yang. Teste se o arquivo consegue atravessar.
Depois de um longo silêncio, o bilhete tremeu novamente:
— Você não respondeu, então acho que não recebeu. Troquei de volta. Esses papéis eu peguei no saguão do primeiro andar. Será que só o papel de lá consegue atravessar as dimensões?
— O documento 0277 tem os formulários de admissão de três funcionários da Fábrica do Gene Azul-Celeste: Bai Qianzhi, Liu Tong e Huó Ying. Confere com o seu lado?
Huó Ying: — Confere. Espere um pouco, vou testar algo.
Ele pegou uma pedra yang e a esquentou até ficar vermelha usando uma técnica de relâmpago. Depois, criou um pequeno pedaço de madeira e colocou a pedra em cima, deixando no chão. Junto, colocou o bilhete original e outra pedra yang nova.
O bilhete respondeu: — Atravessou! Agora eu entendi.
No chão, a madeira e a pedra desapareceram, restando apenas o bilhete tremendo.
O olhar de Huó Ying ficou sério.
Ele não acreditava totalmente que estava em um mundo espelhado, mas com as pedras e a madeira sumindo diante de seus olhos, ficou claro que havia mesmo outra dimensão ali.
A razão pela qual o bilhete e a madeira podiam passar, mas os documentos não, era simples: os arquivos já eram do Centro do Cidadão — pertenciam àquela dimensão. Já os papéis largados no saguão deviam ter sido trazidos pelo grupo de investigação.
Ou seja: aquele lugar estava realmente sob controle de uma entidade maligna. Apenas objetos de fora do espaço, usando a energia yang para neutralizar a força maligna, conseguiam atravessar.
A pessoa do outro lado do bilhete conseguia tocar nas pedras yang, então não era uma entidade maligna, e sim alguém real. Huó Ying respirou aliviado. Até então, ele suspeitava que estivesse conversando com algo sobrenatural.
O bilhete continuou:
— Entendi! Papel, madeira... nada disso é original do Centro do Cidadão. Se anularmos a força maligna, podemos atravessar os mundos espelhados. Nós também não somos do Centro — se tivermos pedras yang suficientes, podemos sair daqui!
— Eu só trouxe quatro pedras yang. Com a que você mandou agora, são cinco. Quantas você tem?
Por causa da armadura, Huó Ying não havia trazido muitas.
Huó Ying: — Tirando a que mandei, tenho mais cinco.
Ele esquentou todas as pedras até ficarem vermelhas e então se aproximou da janela. A escuridão lá fora começou a se agitar, ficando um pouco mais clara, mas ainda densa.
— Cinco pedras não são suficientes. A energia delas não é forte o bastante para dissipar isso.
As pedras yang eram pesadas e difíceis de carregar, mas Huó Ying tinha sido cauteloso — trouxe seis para se proteger, achando que seriam o bastante até para matar espíritos malignos.
Mesmo assim, ainda tinha sido pouco.
O bilhete finalizou: — Cinco não bastam. Se juntarmos as nossas, talvez consigamos quebrar o mundo espelhado.
[Nota do autor: Seguirei estritamente suas instruções, mantendo a formatação e adaptando o texto para o português brasileiro com diálogos naturais.]
CAPÍTULO 43 - HORDA DE APARIÇÕES
O bilhete parou de se mover — o desconhecido do outro lado devia ter ido embora.
Huo Ying jogou fora o papel e guardou a pedra yang no bolso.
— Primeiro andar perigoso, refúgio na sala de descanso...
Ele não confiava cegamente. Usando sua técnica de terra, espalhou tochas de madeira pelos corredores do segundo e terceiro andares, criando rotas de fuga. Preparado, escondeu-se no segundo andar para observar.
Na entrada do centro cívico, a luz do sol foi sendo engolida pela escuridão até sumir por completo. Foi quando a pedra yang em seu peito começou a queimar.
Tum-tum-tum-tum...
Passos desordenados ecoaram. Dezenas de cadáveres ambulantes entravam em fila, indo direto para as cadeiras do salão principal. Todos se sentaram ao mesmo tempo, com movimentos sincronizados, como se tivessem ensaiado a coreografia macabra.
— O que diabos...?
Os mortos-vivos viraram a cabeça podre para o mesmo ponto vazio — o balcão de atendimento. Quando Huo Ying seguiu o olhar deles, todos giraram as cabeças de uma vez, encarando-o com órbitas vazias.
Arrepios percorreram sua espinha. Nem precisavam ser monstros — ter trinta pares de olhos fixos em você já era perturbador.
— Chega de esconderijo!
Com um gesto, lançou estacas incendiárias que iluminaram o salão. Os cadáveres se levantaram em uníssono, subindo as escadas em direção a ele.
— O bilhete tinha razão. É assustador mesmo.
Huo Ying brandiu uma lança flamejante. A arma atravessou o primeiro cadáver, que se estilhaçou como vidro. Mas dos fragmentos surgiram novas criaturas, multiplicando a horda.
— Ilusão?
Cada golpe gerava mais monstros. Quando já havia centenas, percebeu o padrão: os recém-nascidos eram mais fracos. Os originais, intactos, mantinham a força.
— Já chega!
Em vez de queimá-los, envolveu cada cadáver em um invólucro de madeira. Meia hora depois, duzentas múmias se contorciam no chão. Selecionou algumas, trancou-as na sala de arquivos e ateou fogo.
— QUEIMEM!
Dentro da câmara reforçada, as criaturas se partiam e renasciam em loop, até que sombras pútridas se desprenderam de seus corpos, consumidas pelas chamas.
UUUUUUUUUU—
O urro da besta ecoou. Desta vez, Huo Ying suportou o grito mental. Em sua palma, a marca negra só mostrou um esboço de presa — a purificação de Liang Yao ainda a mantinha sob controle.
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