Aqui estava o que deveria ser o centro da cidade, mas agora estava silencioso como um pântano sem vida. Quanto mais casas, mais sombras se acumulavam, bloqueando a luz do sol. Olhando ao redor, boa parte da rua estava coberta de escuridão.
— Madeira: Liberação da Seiva!
Huo Ying ergueu os dedos, e uma flecha de madeira surgiu em sua ponta.
— Relâmpago: Liberação do Trovão!
Faíscas roxas percorreram seu braço até a flecha, incendiando-a instantaneamente. Com um movimento suave, ele a arremessou como uma tocha nas áreas sombreadas. O fogo dissipou as trevas.
Ele acendeu a lanterna e a apontou para as sombras. Desde a noite em que usou o riacho como armadilha para pegar os cadáveres demoníacos, os encontros com essas criaturas tinham diminuído.
— Sopra...
Uma flecha flamejante atingiu a escuridão e, de repente, incendiou uma enorme teia de aranha.
Dentro da casa escura, um som de arrastar ecoou. À luz das chamas, Huo Ying viu inúmeros olhos brilhantes na janela, todos fixos nele.
Infectados-aranha.
A casa havia sido tomada por eles. A criatura não avançou, mas virou o corpo, apontando o abdômen para ele.
— Zzzz...
Uma enxurrada de teias voou em sua direção.
— Madeira: Armadura de Carvalho!
Com a evolução de seu poder, manipular a madeira se tornara mais fácil. Em um instante, seu corpo estava envolto em uma robusta armadura.
— Terra: Endurecimento!
Um brilho marrom cintilou sobre a madeira, mesclando os dois elementos. A armadura mantinha a aparência de madeira, mas sua resistência agora rivalizava com o diamante.
Permaneceu imóvel enquanto a aranha o puxava, testando calmamente sua nova força. O monstro girou a cabeça, seus múltiplos olhos piscando de excitação, e abriu as mandíbulas para cravar-se nele.
— Crack!
O silêncio da cidade tornou o som ainda mais nítido.
A armadura permaneceu intacta, enquanto a boca da aranha escorria um sangue negro e pegajoso.
— Relâmpago: Serpente Elétrica!
Um raio roxo do tamanho de um prato irrompeu da armadura, atingindo a criatura.
Num piscar de olhos, o corpo enorme da aranha começou a fumegar, paralisado, apenas os globos oculares rodando desesperados em suas órbitas.
— Hmm, bem melhor que da primeira vez. Na próxima, nem precisarei de tantas técnicas.
Uma lança de madeira brotou da armadura, envolta em eletricidade, e perfurou o monstro com facilidade.
— BOOM!
As chamas consumiram a aranha de dentro para fora, reduzindo-a a cinzas em segundos.
[Progresso: 1,31%]
Huo Ying conferiu a Árvore Divina. Dos 1,31%, 0,3% vieram dos cadáveres demoníacos da noite anterior, 1% foi assimilado naturalmente pela árvore, e apenas 0,01% veio da aranha.
— Depois da evolução, a Árvore precisa de mais nutrientes. Cadáveres comuns e infectados já não são suficientes.
Ele sentia a conexão com a árvore. O aumento diário de 1% acontecia porque ela estava mais forte, absorvendo energia do mundo mais rápido. Já as conquistas em combate valiam menos porque os requisitos para evoluir haviam aumentado.
Após a aranha virar pó, Huo Ying apontou a lanterna para o interior da casa. Nenhum cadáver demoníaco, mas paredes e teto estavam cobertos por teias, com casulos do tamanho de baldes presos nelas.
Os casulos se agitavam, mas, iluminados, fingiram-se mortos.
— Então por que a aranha não saía daqui... Estava chocando ovos.
Pensativo, ele decidiu não incendiá-los. Em vez disso, usou a Liberação da Madeira para selar as janelas com tábuas.
Se matar a aranha adulta rendeu tão pouco, o que esses filhotes fariam? Melhor deixá-los crescer e colher em massa depois.
Preocupado que algum morador pudesse entrar, escreveu com carvão na janela:
⚠ CASA INFESTADA POR ARANHA GIGANTE – EVITEM!
Mantendo a armadura, ele seguiu adiante. Com o corpo fortalecido pela Árvore, o peso era insignificante. Agora, ele próprio era a isca, andando deliberadamente nas sombras.
— Huo Ying!
Dez minutos depois, uma voz conhecida ecoou. Era a de Liang Yao.
Ao se virar, viu um cadáver em decomposição acenando para ele a partir de um beco.
— Estou aqui.
Ele respondeu calmamente. Normalmente, uma resposta era o suficiente para que a vítima caísse no transe e fosse arrastada para as trevas. Lá, nem mesmo um humano fortalecido sobreviveria.
O cadáver demoníaco sorriu, mas, ao ver Huo Ying se aproximar sem vacilar, franziu a testa.
Diferente das presas hipnotizadas, seus olhos estavam focados... e refletiam a própria imagem grotesca do monstro.
Capítulo 40: Armadilha
Instintivamente, o cadáver atacou com suas garras. Ao ver que Huo Ying não esboçou defesa, brilhou de satisfação.
Cadáveres demoníacos eram mais rápidos e fortes que humanos. Sem uma Pedra Solar, as vítimas sucumbiam às ilusões. Com ela, um simples toque transmitia o vírus, transformando-os em novos monstros.
Mesmo desconfiado, acreditou ter finalmente capturado sua presa.
As garras arranharam a armadura...
Faíscas voaram.
Então, a eletricidade roxa percorreu o corpo do cadáver, que se contorceu violentamente. Pedaços de pele podre se espalharam, e sangue negro respingou na armadura.
— Madeira: Esqueleto de Videira!
Huo Ying ergueu a mão, e uma estaca de madeira perfurou o monstro, envolvendo-o em um invólucro de troncos retorcidos.
— Muito mais fácil.
Antes, quando encontrava um cadáver maligno, Huo Ying precisava de pedras aquecidas ao rubro para escapar das ilusões. Agora, com a árvore divina aprimorada e sua mente fortalecida, ele podia enxergar direto através dos truques do monstro. Nem mesmo responder ao cadáver o arrastava para seu mundo de ilusões.
Além disso, sua armadura de madeira — agora combinada com o poder da terra — era impenetrável para o cadáver. Já a eletricidade gerada por seu domínio sobre os raios queimava os vírus que o monstro espalhava. Enfrentá-lo agora era como esmagar um inseto.
Huo Ying acendeu uma flecha flamejante, mas hesitou.
A marca em seu corpo havia acabado de desaparecer. Se ele matasse o cadáver de vez, especialmente aquela sombra etérea, a explosão mental resultante poderia atrair os monstros da fábrica novamente.
Matar um cadáver só aumentava seu progresso em 0,1%. O risco não valia a pena por tão pouco.
Pensando melhor, ele criou uma prisão de madeira, trancando o cadáver ali dentro. Depois, jogou o monstro em uma casa próxima e marcou o local com carvão. Melhor acumular vários e matá-los todos de uma vez para subir de nível.
O caminho à frente parecia mais seguro. Nenhum infectado ou cadáver maligno apareceu. Quando Huo Ying atravessou o bairro residencial, avistou uma enorme fonte abandonada. A água no lago estava verde-escura, coberta por uma camada espessa de poeira — bem diferente do riacho cristalino de antes.
Huo Ying arrancou um fio de sua roupa e deixou cair na água. O fio se dissolveu antes mesmo de afundar, sumindo mais rápido do que no riacho.
— Eu devia lembrar das palavras de Zhang Yuqi... Nesse mundo pós-apocalíptico, até os recursos mais simples são perigosos... — Ele suspirou. Pensara que água com algas seria mais segura, livre de parasitas e fungos. Mas, pelo visto, quanto mais suja, mais mortais eram as criaturas que viviam nela.
À frente da fonte, uma escadaria de um andar de altura levava ao prédio do Centro Cívico. Assim como a fábrica da Bluegene, o local era cercado por muros, ainda marcados por slogans públicos desbotados. "Servir o Povo" ainda era visível, mesmo com a tinta quase sumida.
A diferença estava no portão: aqui, era feito de grades de ferro. Através delas, Huo Ying via o pátio iluminado pelo sol, sem sombras — parecia seguro.
— Elsa e Luna realmente moram aqui?
O prédio tinha três andares, cada um mais espaçoso que o prédio escolar usado para reuniões. Mesmo ao meio-dia, porém, as janelas escuras não deixavam passar nenhuma luz.
O portão estava envolto em correntes e trancado com um cadeado.
— Definitivamente, tem alguém aqui.
O cadeado não estava enferrujado, e sua posição indicava que fora trancado por dentro.
Huo Ying estendeu o dedo, e um broto de madeira surgiu, penetrando no mecanismo da fechadura. Com um comando, o broto se expandiu, endureceu e virou uma chave. Um clique, e o cadeado se abriu.
Ele removeu o broto, deixou o cadeado pendurado e entrou.
O caminho interno era pavimentado com pedras enormes. Seus passos ecoaram no silêncio enquanto avançava, protegido pela armadura de madeira.
Na entrada do saguão, outra fechadura. O mesmo truque, e a porta se abriu.
A luz invadiu o hall, rasgando a escuridão.
E então, Huo Ying viu.
Alguém estava diante dele.
Um segundo depois, percebeu: não era uma pessoa. Diante da porta, um espelho sujo refletia apenas seu vulto indistinto.
Ele relaxou a postura e sorriu amargamente.
— Que armadilha sem graça... —
Se fosse um morador comum, teria fugido na hora.
Contornando o espelho, ele entrou no saguão principal. Cadeiras empilhadas de qualquer jeito, mas nenhum sinal de vida.
Pelas marcas no chão, a equipe de investigação devia ter usado este espaço. As cadeiras, embora desorganizadas, estavam dispostas em volta de uma mesa central.
Huo Ying vasculhou a mesa.
Pilhas de papel em branco, nenhum documento útil.
Mas, sob eles, encontrou envelopes de arquivo vazios.
Os envelopes estavam vazios, mas suas capas tinham inscrições.
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