— Paciente da cama 21 está mostrando sinais de despertar.
— Chamem o médico responsável, rápido! Família, tentem chamar o paciente, não deixem que ele durma de novo. Se dormir, pode entrar em estado vegetativo permanente.
— Huo Ying, meu filho, acorda! Sua mãe está aqui, não durma! — Uma voz entre surpresa e desespero ecoou, enquanto alguém se jogava sobre a cama. — Huo Ying, o sonho é mentira, não durma. Eu estou aqui, cuidando de você. Acorda, olha para mim, sua mãe não pode viver sem você.
A dor no peito era insuportável.
— Você gosta de cigarros, não é? Comprei vários da marca Zhonghua para você. Se não quiser trabalhar ou se casar, tudo bem. Só acorda! Seu pai e eu nunca mais vamos reclamar. Faça o que quiser, só fique bem, só viva! — A voz se quebrou em pranto.
— Não durma! O sonho é mentira!
Era a voz da mãe.
Eu estava doente? Tudo isso foi um sonho?
O peito de Huo Ying queimou de repente.
— Liguem os aparelhos, choque elétrico. Precisamos estimular o paciente ou ele não vai acordar. Família, por favor, saiam.
Ah, então não era a Pedra Solar... era o desfibrilador.
Espere... Pedra Solar?
— Huo Ying, sou seu médico. Força, resista! Você precisa distinguir o sonho da realidade. Sua família está esperando por você! — O médico gritou, observando as linhas irregulares no monitor. — O sonho é falso, não tenha medo. Tente acordar! Toque água fria ou até mesmo morra no sonho, mas acorde!
Sonho. Realidade. Água fria. Morte.
— Mãe, desculpe te preocupar.
Eu não posso morrer. Não vou morrer!
Se isso é um sonho, eu vou voltar vivo.
*Crack.*
A Pedra Solar se partiu.
Huo Ying abriu os olhos.
O cadáver maligno quebrava a madeira de álamo já rachada, com um braço invadindo o abrigo. Ao ver Huo Ying acordar, hesitou por um instante.
— Sério? — Huo Ying ergueu a besta e disparou uma flecha em chamas no braço do monstro.
— Inaceitável... usar uma cena dessas para me enganar! — Uma lágrima escorreu pelo seu rosto.
No mesmo instante, ele ativou o poder da madeira, derrubando o segundo reservatório no telhado. A água infestada de parasitas e micróbios engoliu os cadáveres malignos que avançavam.
Com uma das tábuas destruída, Huo Ying viu claramente o que acontecia lá fora.
A água corroía a carne apodrecida dos monstros, criando bolhas e dissolvendo-os como ácido. Um deles, que o atacara repetidas vezes, ficou parado diante da janela, encarando-o enquanto queimava.
Finalmente, virou cinzas, e uma sombra turva se dissipou na noite.
Huo Ying não sentiu medo.
Já havia derrotado aquele cadáver três vezes. E nesta noite, matou vários.
Recarregou a besta, acendeu as flechas e, com calma, eliminou os monstros sobreviventes, corroídos pela água.
— Mais uma Pedra Solar perdida.
A noite ficou em silêncio.
Huo Ying reparou a janela com seu poder e sentou-se contra a parede. Desta vez, guardou o pó da Pedra Solar em um balde.
O calor das chamas o acalmou, mas, após alguns minutos, ele se levantou de repente.
— E se tudo isso for um sonho?
Neste mundo, a água era escassa. Seria para impedi-lo de tomar banho e acordar?
Determinado, foi até o porão, pegou um balde d'água e se molhou completamente.
— Droga! Esses cadáveres são uns lixos! — Tremendo de frio, percebeu que ainda estava no apocalipse.
[Progresso: 15%]
A semente da Árvore Divina em sua mente parecia ter crescido um pouco. Um formigamento subiu de seus pés até o abdômen.
— O fluxo de energia aumentou, mas muito pouco.
Ainda não era suficiente para usar o poder da madeira novamente, apenas para criar flechas e pequenos objetos.
Cansado, adormeceu no chão duro, encostado na parede.
— Quando tiver recursos, vou fazer uma cama decente.
Ao amanhecer, um *toc-toc* ecoou na janela.
Zhang Yuqi batia com uma Pedra Solar aquecida na fresta. Sem resposta, seu rosto ficou tenso.
Hesitou, guardou a pedra no peito e sacou uma adaga.
Huo Ying acordara com o barulho, mas fingiu continuar dormindo.
As palavras da menina gaga ainda o assombravam.
*Uma mulher matou você.*
Ele não duvidava dela — como saberia que seu "antigo eu" morrera?
E só havia duas mulheres em sua vida: Zhang Yuqi, sua namorada, e Bai Jie, sua companheira.
*Eu vivia com elas... e uma delas me matou. Ou ambas?*
Mas por que Zhang Yuqi, tão habilidosa, o teria traído?
*A porta rangiu.*
Zhang Yuqi entrou, segurando a Pedra Solar brilhante e a adaga apontada para Huo Ying.
— Ah, só estava dormindo. — Murmurou, aliviada.
Percebendo que a pedra yang não apresentava anomalias e ouvindo a respiração regular de Huo Ying, Zhang Yuqi relaxou, guardou a faca na cintura e agachou-se silenciosamente ao lado dele.
Com cuidado, Zhang Yuqi pegou uma mecha de cabelo, pretendendo fazer cócegas no nariz de Huo Ying. Mas ao notar a sujeira em seus fios, seu rosto se entristeceu e ela soltou o cabelo em silêncio.
— Huo Ying, acorda, já amanheceu — Zhang Yuqi recuou até a porta antes de chamar suavemente.
**Capítulo 14: Ocultação**
Huo Ying fingiu ter acabado de acordar e, ao ver Zhang Yuqi, levantou-se rapidamente.
— Droga, dormi demais!
Zhang Yuqi balançou a cabeça com indiferença:
— No começo é assim mesmo. À noite, ficamos vigiando os cadáveres amaldiçoados, com medo de dormir. Só ao amanhecer conseguimos descansar um pouco.
Mas então sua expressão ficou séria:
— Porém, você precisa ajustar seu relógio biológico. Para sobreviver, tem que vencer a preguiça do corpo.
Huo Ying concordou:
— Obrigado por me acordar. Se não fosse você, eu teria desperdiçado o tempo precioso da manhã.
— Eu? — Zhang Yuqi quase sorriu, mas controlou-se rapidamente. — Não foi problema, mas só posso te acordar mais algumas vezes.
— Nesse mundo, há tanta coisa a fazer. E você ainda precisa cuidar da Bai Jie, com certeza está mais ocupada que eu — Huo Ying apenas estava sendo educado. Independentemente da veracidade das palavras da gaga, ele pretendia manter distância de Zhang Yuqi e Bai Jie, afinal, guardava o segredo da Árvore Divina.
Zhang Yuqi pareceu querer dizer algo, mas ao perceber a rejeição nas palavras de Huo Ying, apenas acenou em silêncio. Então, tirou uma caixa de remédios e entregou a ele. Na embalagem estava escrito "Comprimidos de Ginkgo Biloba".
— É o único remédio que consegui trocar para ajudar com sua amnésia.
Huo Ying pegou o medicamento e, ao ver a data de fabricação recente na caixa, ficou surpreso e animado.
[Remédio novo! Isso significa que ainda existem fábricas em funcionamento!]
Ele pensou consigo mesmo, imaginando que talvez ainda houvesse vestígios do mundo moderno. No mínimo, deveria haver locais cultivando plantas medicinais. E se podiam cultivar remédios, certamente poderiam cultivar vegetais. Depois de tanto tempo comendo apenas batatas, Huo Ying já estava desenvolvendo aversão.
— Onde você conseguiu isso? — perguntou, esperançoso.
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