Vendo que os dois estavam indo embora, Huo Ying gritou para o Gaguinho.
O Gaguinho parou, mordeu o dedo pensativo, inclinou a cabeça e sorriu:
— N-não lembro.
— Vamos.
Hou Ping pegou a mão do Gaguinho e os dois desceram a montanha rapidamente.
Huo Ying já havia conseguido três pedras solares hoje, mais que suficiente. Levantou-se e seguiu os dois de longe, descendo a montanha junto.
O sol estava forte, sem sombra nenhuma pelo caminho. Ao chegar na entrada da montanha, Hou Ping e o Gaguinho pararam.
Hou Ping olhou brevemente para Huo Ying, pegou seu arco longo.
O Gaguinho pulou até ficar na sombra.
No mesmo instante, um cachorro selvagem infectado saltou sobre ele. Mas o Gaguinho, ágil como um gato, apoiou as mãos no chão e deu um salto, passando por cima do animal.
Do outro lado, Hou Ping já armava seu arco. A flecha tinha ponta de madeira de álamo, que ele acendeu com um isqueiro.
Pum!
O som da corda do arco ecoou como um tiro.
A flecha em chamas atravessou o cachorro, e o poder solar da madeira de álamo incinerou-o instantaneamente.
Em alguns segundos, o animal virou cinzas.
O Gaguinho pulou até as cinzas e pegou a flecha sem ponta. Hou Ping entrou na sombra, recebeu a flecha do Gaguinho, e os dois viraram a esquina, saindo rapidamente da montanha baixa.
— Esse duo é forte pra caramba!
O Gaguinho, mesmo infectado, tinha velocidade e reflexos comparáveis aos de Zhang Yuqi. Mas o mais assustador era Hou Ping — a mais de trinta metros de distância, sua flecha acertou o alvo com precisão incrível!
Capítulo 12 - Besta Curta
De volta em casa, Huo Ying trancou a porta e pegou um pedaço de madeira de álamo.
O arco de Hou Ping lhe dera uma ideia.
Ele não tinha a habilidade de arqueiro de Hou Ping, mas podia usar seu poder de madeira para criar uma besta — talvez até uma besta de repetição.
Besta e arco eram bem diferentes.
O arco exigia técnica; a besta era mais como um mecanismo.
A besta usava um sistema mecânico para armazenar energia e posicionar a flecha, com força fixa — muito menos variável que um arco.
A força do arco dependia da pessoa, do braço do arco e da elasticidade da corda, com muitos fatores influenciando precisão.
Já a besta dependia só do material. Quanto maior o mecanismo, maior o poder. Quanto menor, mais fraco.
Para Huo Ying, a maior vantagem era que a besta não exigia treino.
Com uma besta, qualquer um com boa visão teria 80% de chance de acertar um alvo a dez metros.
Com pouco treino, dava para acertar até a vinte ou trinta metros.
Huo Ying imaginou o protótipo da besta. A madeira logo tomou forma de besta, e a corda foi fácil — galhos e madeira tinham elasticidade. Ele visualizou o que precisava, e a madeira cresceu conforme seu desejo.
Logo, o protótipo estava pronto.
Mas ao testar, Huo Ying viu que era só uma imitação superficial.
Ele sabia só o formato geral, não os detalhes internos.
A besta virou um arco curto em forma de arma. Dava para armá-la, mas ainda precisava puxar a corda manualmente. O gatilho que ele imaginou, sem o mecanismo certo, não virou uma verdadeira besta de mão.
Atirar flechas funcionava. Depois de ajustar, ele criou um trilho para fixá-las. Mas recarregar era um problema — colocar uma nova flecha no trilho era várias vezes mais lento que armar um arco normal.
— Se eu soubesse o princípio ou visse um diagrama simples, poderia melhorar.
Huo Ying não desanimou. Sua besta, ainda imperfeita, era igual a uma besta de mão comum para um único disparo. Na verdade, por ser feita de madeira viva, era mais resistente e poderosa que bestas montadas.
Ele desenhou um alvo com carvão na parede e foi para o outro lado da sala.
A distância entre as paredes era de uns treze passos. Huo Ying mirou e puxou a corda.
Toc.
A flecha de madeira atingiu a parede. A cerca de dez metros, seu primeiro tiro acertou o alvo — não no centro, mas em combate, qualquer acerto já causava grande dano.
— Precisão e força boas até dez metros.
Huo Ying pegou a flecha. A ponta afiada estava lascada de bater na parede, mas isso era fácil de consertar — um pouquinho de energia da madeira a deixava como nova.
— Aposto que Hou Ping sabe o princípio da besta.
— Será que ele trocaria esse conhecimento por madeira de álamo?
Decidido, Huo Ying pensou em perguntar a Hou Ping como fazer uma besta de mão — ou só o princípio do gatilho e da besta de repetição.
Como não conseguia fazer uma besta de repetição, ele fez várias bestas de um tiro só. Felizmente, o poder da madeira não dependia da complexidade, só da quantidade usada. Fez cinco bestas antes de gastar um quinto de sua energia.
A noite caiu.
Huo Ying acendeu uma fogueira, iluminando o interior.
As pedras solares, agora vermelhas de quentes, ficaram ao seu lado.
As cinco bestas, já armadas, estavam ao alcance da mão. Se algum cadávere demoníaco invadisse, ele poderia acender as flechas na fogueira rapidamente.
Todo medo vem de falta de poder de fogo.
Pedras solares, madeira de álamo, bestas e armadilhas — tudo pronto.
Huo Ying respirou fundo, esperando os cadáveres demoníacos.
A noite ficou mais escura. Finalmente, passos soaram.
Desordenados, sem ritmo. E desta vez, eram mais que na noite passada.
Mais cadáveres demoníacos cercavam sua porta hoje!
Huo Ying não se apressou. Ouviu calmamente os sons lá fora.
Os passos pararam a certa distância da porta, diferente da vez anterior, quando foram direto até ela.
Os cadáveres tinham inteligência.
Huo Ying não se preocupou. O tanque de água no telhado estava bem escondido — impossível ver do chão. Derrubá-lo para ativar a armadilha exigiria poder sobre madeira. Nem humanos notariam ou imaginariam alguém usando um tanque tão grande, com tanta madeira de álamo só para água.
Os cadáveres pararam só para criar mais pressão.
Depois de uma hora, se moveram de novo.
O capítulo reescrito em português, seguindo todas as suas orientações:
Os passos dos cadáveres malditos agora estavam mais perto da porta de Huo Ying. Dava até para ouvir o som deles se espremendo uns contra os outros, mas ainda não haviam alcançado sua entrada.
Qualquer outra pessoa estaria aterrorizada numa situação dessas - um bando de mortos-vivos se aproximando devagar, uma pressão psicológica pior que a própria morte. Mas Huo Ying não sentia medo. Pelo contrário, estava animado. Só faltava um pouquinho... Os cadáveres estavam a centímetros de tocar sua porta.
Mais uma hora se passou. Os mortos-vivos se moveram de novo, e desta vez houve um baque forte contra a porta - resultado deles se empurrando e finalmente colidindo com o batente.
Os passos cessaram, exatamente como na noite anterior. Os cadáveres não atacavam diretamente, preferindo desgastar os nervos de Huo Ying, impedindo-o de descansar.
Huo Ying sorriu. Se os cadáveres mudassem de tática, ele até ficaria preocupado. Mas esses idiotas estavam repetindo a mesma estratégia.
Ele continuou imóvel, esperando.
Rangidos sinistros ecoaram. Os cadáveres intensificaram a intimidação, arranhando a porta e até as paredes. Os sons eram como um feitiço macabro. Dentro da casa, a fogueira queimava mais forte, consumindo a lenha depressa. Até a pedra solar no colo de Huo Ying ficava mais vermelha.
— Agora! — murmurou.
Huo Ying pulou na escada, alcançou o teto com as mãos e invocou seu poder:
— Madeira, cresça!
O cano no telhado brotou raízes instantaneamente, inclinando-se perigosamente.
PLOFT!
A água do riacho despejou-se em cascata, encharcando os cadáveres que arranhavam a porta e as paredes. Até os mais distantes foram respingados.
TSSSSSS!
O som lembrava carne sendo queimada numa frigideira. Os arranhões na porta viraram golpes furiosos. Cadáveres não gritam, mas Huo Ying ouviu corpos pesados caindo no chão. Os que restaram enlouqueceram, batendo contra a porta com força desesperada.
Huo Ying checou a Árvore Divina em sua mente:
[Progresso: 12%]
Funcionara! Normalmente seu progresso seria de apenas 7% em um dia, mas sua armadilha aquática eliminara cinco cadáveres de uma vez!
BAM! BAM! BAM!
A porta tremia com os impactos. Huo Ying ria agora - a água realmente machucara os mortos-vivos, que em sua fúria haviam até esquecido suas próprias habilidades.
Pegando um toco em chamas, Huo Ying se aproximou da porta. Abriu rapidamente a vigia e enfiou a tocha no buraco.
— Técnica da Estaca de Madeira!
Estacas de madeira flamejantes dispararam, reduzindo o cadáver mais próximo a uma tocha humana.
[Progresso: 13%]
Huo Ying fechou a vigia logo após o ataque e correu para a janela, ainda abraçando a pedra solar. Pela fresta, viu algumas sombras fugindo.
CRAC!
De repente, mãos apodrecidas agarraram a fresta.
Era o mesmo cadáver que o atacara três dias atrás. Ele ficara de guarda ali, esperando Huo Ying se aproximar.
Seus olhos se encontraram.
Frio.
Huo Ying sentiu como se mergulhasse num rio congelado, sem lugar para se agarrar. A escuridão o engoliu.
Plink.
Um leve som de gotas d'água chegou aos seus ouvidos.
Plink.
Huo Ying tentou abrir os olhos, mas só conseguiu vislumbrar por uma fresta...
Um monitor.
No monitor, uma linha reta e plana.
De repente, a linha tremeu levemente.
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