Tradução pronta Extreme Doomsday: I Plant a Divine Tree for Immortality / Extremo Apocalipse: Cultivo a Árvore Divina para a Vida Eterna: Capítulo 10

— Da cidade — disse Zhang Yuqi. — Ontem foi o dia de troca com o entregador, por isso não vim te procurar. Fui cedo negociar para garantir os melhores suprimentos antes que acabassem.

— Nossa vila se chama Vila Colina Baixa. A cidade mais próxima é XN, a cem quilômetros daqui. Lá, as Pedras Solares são controladas pela Aliança Tongzhou. Todas pertencem a eles, e é difícil conseguir uma, mesmo pagando a mais. As filas de espera podem durar meses.

— As grandes alianças das cidades reúnem muitos infectados, especialmente aquelas que ainda possuem fábricas funcionando. Elas produzem comida, remédios e até armas.

— Diante de infectados armados, os outros não têm como resistir. Só resta seguir as regras da Aliança.

— Por isso, quem não consegue as Pedras Solares e tem medo de deixar a proteção da cidade para viver em áreas isoladas acaba negociando com os entregadores.

— Entregadores? — Huo Ying achou o termo familiar.

— Sim. Alguns infectados poderosos se tornam entregadores. Eles levam as demandas da cidade para as vilas e trazem os pedidos das vilas para a cidade, cobrando uma taxa pelo serviço.

Huo Ying franziu a testa.

— Se esses entregadores são tão fortes, capazes de atravessar áreas perigosas sem medo dos cadáveres amaldiçoados, por que não compram as Pedras Solares para revender na cidade? Ou trazem itens raros das cidades para as vilas? Por que só cobram pela entrega?

— Estoque custa dinheiro — explicou Zhang Yuqi. — Se compram mercadorias, o prejuízo é deles. Se algo der errado no caminho, perdem tudo e podem até morrer. Cobrando apenas pela entrega, o risco é dividido entre todos os envolvidos. Cada um arca com uma pequena parte.

— Além disso, estamos no apocalipse. Perder alguns suprimentos é melhor que perder a vida, não é?

— E tem mais: transportar encomendas é um serviço. Comprar para revender é comércio. Se começassem a lucrar com o mercado negro, a Aliança Tongzhou não ia gostar.

— Nesse mundo, de que adianta juntar dinheiro? Os entregadores arriscam a vida só para comprar armas e remédios da Tongzhou. Se irritam a Aliança, o dinheiro vira pó.

— A cidade é mais segura que a vila?

— Não é totalmente segura, mas é mais conveniente — disse Zhang Yuqi. — Nunca fui a XN, mas os entregadores dizem que a Tongzhou criou máquinas para filtrar água. Lá, quem paga a taxa de proteção e a água pode beber sem medo de contaminação.

— Entendi. — Huo Ying acenou com a cabeça. Se não fosse pela semente da Árvore Sagrada, que o mantinha preso à região, ele até consideraria ir para XN.

Percebendo o interesse de Huo Ying, Zhang Yuqi balançou a cabeça.

— Mas não é tão seguro quanto parece. Onde há mais gente, há mais perigo. Os cadáveres amaldiçoados evoluem quando devoram humanos. Mesmo a Tongzhou, com suas fábricas e armas, sofre baixas constantes.

— Como entro em contato com os entregadores? Quero negociar algumas coisas. — Huo Ying planejava trocar madeira de álamo por vegetais e criar sua própria horta usando o poder da madeira.

— Bem... — Zhang Yuqi hesitou. — Os entregadores vêm a cada quinze dias. Se quiser algo, me diga. Eu posso ajudar ou negociar por você.

Huo Ying agradeceu rapidamente.

— Ótimo! Quando eu juntar mais Pedras Solares, você pode perguntar se eles aceitam trocar por vegetais e carne.

Por fora, ele parecia animado. Por dentro, a desconfiança crescia. Havia outras pessoas na vila, mas Zhang Yuqi não as mencionara. Nem mesmo queria que ele conhecesse os entregadores.

O gago o reconhecera. Será que outros também o conheciam? Por que Zhang Yuqi escondia essas informações?

No momento, o importante não era descobrir a verdade, mas se fortalecer.

Felizmente, Zhang Yuqi parecia ocupada. Depois de confirmar que Huo Ying tinha suprimentos suficientes, saiu apressada.

Assim que ela sumiu de vista, Huo Ying vestiu seu equipamento de madeira e correu para a colina.

No dia anterior, o gago e Hou Ping estiveram coletando Pedras Solares, mas saíram mais cedo por causa dele. Faltavam apenas 14 dias para a próxima onda de cadáveres amaldiçoados. Provavelmente, os dois ainda estariam na colina.

Huo Ying queria contatá-los para descobrir mais sobre a besta de mão e obter informações sobre a vila.

E, de fato, assim que chegou à colina, avistou Hou Ping e o gago vasculhando o chão em busca de Pedras Solares. Os dois usavam varas de álamo — as mesmas que Huo Ying lhes dera — como tochas para iluminar a busca.

O gago o viu primeiro e puxou a manga de Hou Ping.

— E-eu ganhei! O-o irmão mais velho tá vivo!

Hou Ping ergueu o rosto e encarou Huo Ying. Seu olhar era... complicado.

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**Capítulo 15: A Reunião**

Hou Ping fungou o ar com força.

— O cheiro de cadáver amaldiçoado diminuiu.

Ele examinou Huo Ying por um longo momento.

— Esse odor não some do nada. A menos que a pessoa marcada morra... ou que o cadáver seja destruído.

— O cadáver foi atrás de você ontem. E você venceu?

Hou Ping se levantou, surpreso.

— Você também é um infectado?

— Não, espera... não sinto o cheiro da infecção em você.

Huo Ying não respondeu. Em vez disso, desamarrou as três varas de álamo que trouxera nas costas. Todas grossas, longas e de excelente qualidade.

— Quer me perguntar outra coisa? — Hou Ping pareceu surpreso, mas não recusou. Pelo contrário, ficou curioso.

— Quero aprender arco e flecha — disse Huo Ying, direto ao ponto.

Hou Ping sorriu amargamente.

— Melhor pedir outra coisa. Dominar o arco leva no mínimo um ano, mesmo com talento. Sem jeito pra coisa, pode levar três só pra acertar um alvo em movimento.

– Mesmo que você tenha talento, eu não tenho um ano inteiro para te ensinar – disse Hou Ping, sem rodeios.

Huo Ying não ficou desapontado. Ele já esperava essa resposta. A pergunta era só uma ponte para o que viria a seguir.

– Eu não preciso ficar forte como você. Nem que a flecha tenha o mesmo poder. Se não der, até uma besta de mão serve.

– Besta é fácil de usar, mas difícil de fazer – Hou Ping esticou a mão, pedindo que Huo Ying lhe entregasse um pedaço de lenha.

Sem hesitar, Huo Ying entregou.

– Eu não sei fazer bestas – Hou Ping pegou a lenha e continuou. – Bestas são controladas pelo governo. Nunca estudei isso. Mas se você aceitar algo menos letal, posso te dar uma informação.

– Já vi gente na cidade usando arco de pesca, claramente feito em casa. Parece uma besta, mas bem mais fraca. Atirar em peixe é diferente de atirar em gente... ou em cadáveres amaldiçoados. Um arco desses não deve ter alcance de dez metros.

– Se você só quer uma arma à distância para se defender, pode tentar trocar por um arco desses.

– Como encontro essa pessoa?

Hou Ping esticou a mão de novo, pedindo mais uma tábua.

Ao recebê-la, ele pareceu envergonhado:

– Como você não sabe de nada? Toda vez que o entregador vai embora, a cidade faz uma feirinha. O pessoal troca o que não quer mais ou o que o entregador não aceitou.

– O entregador foi ontem. Amanhã, depois que todo mundo organizar suas coisas, a feira rola no campo da escola. Quem tiver algo pra trocar, é só aparecer lá ao meio-dia.

O Gaguinho, agachado ao lado, observou Huo Ying franzir a testa e inclinou a cabeça:

– Ti-tio, o que foi? Você não sa-sabe nem onde fica o cam-campo da escola?

Hou Ping também olhou espantado para Huo Ying. Pelo jeito, o Gaguinho conhecia Huo Ying, então ele devia ser da cidade. Mas como alguém da cidade não sabia coisas básicas como a feira e o campo?

O Gaguinho de repente riu:

– Ti-tio, você fi-ficou bur-burro?

Hou Ping tossiu, interrompendo-o:

– Deixa pra lá. Te dou a informação de graça.

Ele pegou uma flecha de metal e riscou o chão:

– Estamos no Morro Baixo. Desça e siga reto até a cidade. Você vai ver a fábrica abandonada da GeneAzul. Não chegue perto – lá tem sombra demais. Encontre o portão principal e vá na direção oposta. No fim da rua, vai ver um prédio baixo cercado.

– É a escola. Não se aproxime. Contorne a cerca, passe pelo prédio e chegará ao campo.

– É o lugar mais aberto da cidade, sem construções por perto. Enquanto houver sol, o campo fica totalmente iluminado. Por isso a galera sempre faz as trocas lá.

– Mais alguma dúvida? – Hou Ping viu que Huo Ying ainda tinha um pedaço de lenha e não queria terminar ali.

Huo Ying olhou para o Gaguinho. No dia anterior, o menino dissera que Hou Ping não era de tirar vantagem. E hoje ele vira a prova.

Hou Ping poderia ter cobrado pela informação do campo, mas como era algo óbvio para os moradores, ele não quis se aproveitar e contou de graça.

Mas se ele não pegava as pequenas vantagens... e as grandes?

Huo Ying recolocou a lenha nas costas:

– Eu quero uma besta. Você me deu duas informações e já saiu no lucro.

Hou Ping coçou o nariz, sem graça. Dois pedaços de lenha por duas perguntas realmente era um exagero, mas isso não era se aproveitar – era ganhar no talento.

– Achei que você tivesse muita lenha – ele riu sem jeito, parando de encarar a madeira. As árvores na cidade estavam cada vez mais raras. Provavelmente Huo Ying tinha estocado isso antes. Pela cara dele, os estoques deviam estar acabando.

Huo Ying virou as costas, o coração batendo forte, pronto para ativar sua Armadura de Madeira a qualquer momento. Ao subir o morro, ele já previra o pior – que Hou Ping pudesse matá-lo para roubar.

Felizmente, os espinhos e a besta caseira que ele escondera não foram necessários. Hou Ping e o Gaguinho só o viram ir embora, sem nenhum movimento suspeito.

Sem coletar Pedras Solares naquele dia, Huo Ying aproveitou o sol do meio-dia – quando não havia sombras no pé do morro – para encher o reservatório de água no telhado. Depois, trancou-se em casa para planejar o que levar à feira no dia seguinte.

Primeiro: madeira era o item mais valioso na cidade.

Mas se ele aparecesse sempre com madeira, chamaria atenção.

Segundo: água. Sem árvores, como filtravam água?

Mas ele não pretendia trocar por água.

Lembrando que Zhang Yuqi lhe dera água em garrafas plásticas, ele suspeitou que os moradores as conseguiam com o entregador. Como ele tinha acabado de passar, talvez todos tivessem água em estoque.

– XN é uma cidade grande. Lá, madeira deve ser ainda mais rara. E como é difícil de carregar... – Huo Ying resmungou. – Que situação sem saída.

Depois de muito pensar, ele concluiu que sua casa tinha poucos recursos. Até as batatas eram troco de pinga. Se havia entregador, certamente trocariam vegetais também.

No fim, Huo Ying usou sua técnica para fazer duas varinhas parecidas com as que Zhang Yuqi lhe dera.

– Uma vara boa e duas comuns. Assim não chamarei atenção. Se Hou Ping me vir, vai achar que acabei com a madeira boa.

Naquela noite, nenhum cadáver amaldiçoado apareceu. Huo Ying dormiu bem.

No dia seguinte, carregando a lenha preparada, vestindo seu equipamento de madeira e escondendo a besta sob as roupas, ele seguiu as instruções de Hou Ping.

A fábrica da GeneAzul foi fácil de achar. Basta seguir a estrada do morro até avistar um enorme outdoor – provavelmente a construção mais alta da cidade.

Mais adiante ficava o complexo industrial, cercado por muros altos que escondiam tudo. O portão, uma grade pesada, estava trancado sem nenhuma fresta.

Só de passar perto, Huo Ying sentiu um calafrio. Ouviu algo se esfregando contra o muro, como se sentisse sua presença.

– Que coisa sinistra – murmurou, apressando o passo na direção oposta ao portão.

**Capítulo 16: O Campo**

As casas perto da fábrica estavam quase todas vazias. De vez em quando, vultos se moviam nas janelas abandonadas.

Depois de caminhar por um tempo, Huo Ying parou de repente e olhou para uma estreita trilha que se abria ao lado.

Aquela trilha lhe parecia familiar. Ele a tinha visto quando saíra das casas da Bai Jie e da Zhang Yuqi.

— Zhang Yuqi e Bai Jie vivem tão perto da fábrica assim? — pensou consigo mesmo, arquivando mentalmente essa informação. Por mais que olhasse, a fábrica parecia uma zona proibida. Se Zhang Yuqi, com toda sua coragem, morava ali, e Bai Jie? Por que ela não morava mais longe?

Mesmo sob a luz do sol, a trilha estava repleta de sombras. Huo Ying não tinha intenção de explorá-la. Evitando o caminho, encontrou a escola e a grade enferrujada.

No muro mofado da escola, ainda era possível ler claramente a frase "Jovens fortes, nação forte". Huo Ying observou por um longo tempo, até notar que as outras inscrições e provérbios nas paredes lhe eram completamente desconhecidos. Então, respirou aliviado.

— Esse lugar... não tem relação com o meu mundo, ótimo.

No fundo, ele ainda queria voltar. Se alguém lhe dissesse que aquilo era o futuro da Terra, Huo Ying provavelmente perderia toda esperança.

Seguindo a cerca, logo encontrou o pátio da escola.

Lá, uma pessoa já o aguardava.

Uma mulher.

Huo Ying estreitou os olhos.

Diferente de Zhang Yuqi e Bai Jie...

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