— Vou sair pra caçar os cadáveres malignos? — Huo Ying balançou a cabeça, descartando a ideia. Mesmo sabendo que a Árvore Divina podia extrair nutrientes desses monstros, ele não estava disposto a enfrentá-los agora.
O mais urgente era sobreviver, entender as regras desse mundo estranho e só então agir.
Com sua energia já recuperada pela metade, Huo Ying construiu uma tampa de madeira para o porão, integrada à estrutura e com apenas uma pequena abertura. Ele guardou batatas, lenha e baldes de água no subterrâneo, cobrindo tudo com terra para esconder o esconderijo.
Ao terminar de limpar os rastros no quarto, já era meio-dia. [Clang!] Uma pedra solar vermelha apareceu na fresta da janela. Huo Ying aqueceu outra pedra para responder.
Era Zhang Yuqi do lado de fora. Ao ver que Huo Ying estava bem, ela se aproximou da porta principal.
— Você tentou fazer carvão? — perguntou Zhang Yuqi, olhando para a pilha de barro com uma expressão de desaprovação. Sem esperar explicação, continuou: — Fracassou, né? Com tão pouca lenha de álamo, era óbvio. Da próxima vez, me avise antes de tentar algo. Assim posso te explicar os prós e contras.
Huo Ying tinha preparado várias desculpas, mas nenhuma foi necessária. Zhang Yuqi já assumira que ele tinha desperdiçado lenha numa tentativa frustrada.
Melhor assim.
— Só estava tentando recuperar alguma memória — disse Huo Ying, forçando um sorriso amargo. — Às vezes faço coisas por instinto, pra ver se algo volta.
— E lembrou de algo?
— Não. Nem fazer carvão eu consegui, que memória vou ter? — reforçou sua persona de amnésico. O fracasso na queima de lenha só fortalecia sua história.
Zhang Yuqi concordou: — Não desperdice mais lenha. Amnésia é doença. Quando a Doutora Bai encontrar um tratamento, ela cuida de você.
Huo Ying estremeceu ao imaginar as unhas sujas da médica.
— A Doutora Bai não é má — defendeu Zhang Yuqi, confundindo sua reação. — Você viu ontem, ela é durona por fora, mas tem bom coração.
— Claro que sei — Huo Ying mudou rapidamente de assunto. Ele acreditava no caráter da médica, só não suportava a falta de higiene. — Onde os cadáveres malignos se escondem de dia? Quero saber pra evitar se precisar sair.
Na viagem ao morro baixo, não encontrara nenhum monstro.
— Eles se escondem na sombra, geralmente em casas abandonadas — explicou Zhang Yuqi. — Antes, quando a vila era populosa, queimamos todas as casas no caminho pro morro pra garantir segurança. Por isso não vimos nenhum ontem.
— Então por que não queimam todas as casas vazias? — interrompeu Huo Ying.
O rosto de Zhang Yuqi ficou sombrio: — Pensamos nisso. Mas naquela noite, os cadáveres atacaram todos os moradores com fúria. Não só eles, mas também criaturas infectadas controladas por eles. Só sobreviveram quem tinha muitas pedras solares e lenha. Os outros... viraram cadáveres também.
— Os monstros guardam rancor — continuou ela. — Todo ano, no mesmo dia, eles atacam a vila com loucura. Por isso nossa população diminui. Alguns fogem, outros se escondem até passar.
Huo Ying sentiu um calafrio: — Mas com menos gente, não fica mais perigoso? Se todos os monstros atacarem poucas casas...
— Quando é o próximo ataque? — perguntou, lembrando da expressão da Doutora Bai ao ver seus suprimentos e da reprovação de Zhang Yuqi com a lenha.
— O primeiro ataque foi no dia mais quente do verão. Foi há dois dias. O próximo é em dezesseis dias.
— Só isso?! — exclamou Huo Ying.
Zhang Yuqi tentou acalmá-lo: — Eles não são invencíveis. Com pedras solares e fogo, não entram nas casas. Só usam ilusões pra atrair as pessoas ou esperam os recursos acabarem. O problema são as criaturas infectadas, que não seguem regras. Mas não se preocupe, se uma entrar, eu a mato.
Ela tinha ganhado força após ser infectada. Antes da epidemia, já enfrentava monstros.
— Nunca pensaram em deixar a vila? — Huo Ying queria fugir, mas estava preso. A Árvore Divina só protegia num raio de 10km. Fora dali, perderia seus poderes e a árvore morreria.
— Aqui somos poucos — Zhang Yuqi olhou nos seus olhos. — Nesse mundo pós-apocalíptico, em lugares isolados só precisamos temer monstros. Nas cidades grandes... os humanos são o maior perigo.
CAPÍTULO 9: COMBATE
Sem aprofundar no assunto, Zhang Yuqi levou Huo Ying para inspecionar os arredores, marcando casas perigosas.
A casa dele ficava na borda da vila, mais perto do morro, com poucos vizinhos e relativamente segura. Já a dela e da Doutora Bai estavam numa área mais arriscada, cercada de ruínas.
Huo Ying não perguntou o motivo. Elas certamente tinham razões para não se mudarem.
Vigilante contra possíveis ameaças, Huo Ying logo ficou exausto. Zhang Yuqi, porém, parecia incansável.
— Chega. Era só pra você se familiarizar — disse ela, levando-o de volta. — Você não está sozinho nisso.
Huo Ying acenou com a cabeça e trancou a porta. Precisava descansar. Cada casa suspeita o deixava tenso, e esse estado era desgastante.
Depois que Zhang Yuqi foi embora, Huo Ying pegou alguns pedaços de madeira de álamo, partiu-os em pedaços menores e os colocou dentro da roupa, presos aos braços, pernas e barriga.
Em seguida, Huo Ying imaginou o peso dos objetos, e a madeira se transformou instantaneamente em caneleiras, cotoveleiras e um colete de madeira inteiriço.
O peso no corpo de Huo Ying aumentou cerca de dez quilos.
— Meu corpo está muito fraco, preciso encontrar uma maneira de me exercitar — percebendo a diferença entre sua resistência física e a de Zhang Yuqi, Huo Ying ficou sob pressão.
Ele se levantou e pulou algumas vezes. Os pesos feitos de madeira eram bem ajustados, e apesar de serem um pouco duros, a superfície era lisa, não machucava a pele e não atrapalhava os movimentos, já que evitavam as articulações e pontos de força.
Se realmente houvesse um ataque dos cadáveres amaldiçoados, os recursos que ele tinha acumulado estavam longe de ser suficientes.
Huo Ying pegou uma vara de ombro, equilibrou dois baldes e saiu do quarto.
Em vez de ir direto para o riacho, aproveitando o sol forte, ele subiu a colina baixa e começou a revirar pedras. Sem Zhang Yuqi por perto, ele não usou o isqueiro, mas acendeu um pedaço de madeira de álamo como tocha, deslizando-a por cima das rochas.
As pedras solares ficavam vermelhas mais facilmente com o fogo da madeira de álamo, e em comparação com a busca lenta usando o isqueiro, a eficiência aumentou várias vezes.
A cada pedra solar encontrada, Huo Ying a colocava dentro de um balde e continuava a busca. Mais cedo que no dia anterior, ele já havia encontrado três pedras sozinho.
Olhando para o céu, e por precaução, ele decidiu descer a colina mais cedo. Ainda havia sombras na colina, mas a extensão era pequena, e bastou a tocha de Huo Ying iluminá-las para que se dissipassem.
Só quando chegou ao pé da colina é que ele reduziu a velocidade. No mesmo local do dia anterior, a área de sombra estava um pouco menor, não tinha dezenas de metros, mas ainda era um enorme vazio negro.
Huo Ying observou por um tempo e, em seguida, ergueu a tocha, aproximando-se lentamente e agitando as chamas para afastar a escuridão.
De repente, o chão por onde a tocha passou começou a pegar fogo. Huo Ying recuou imediatamente — havia uma camada fina de teia cobrindo o solo, que, sem querer, ele acabou incendiando com as chamas da madeira de álamo.
— O que diabos é isso?
Ele deu um passo para trás quando oito pernas finas e compridas como bambu surgiram das sombras. Uma delas esticou-se para agarrá-lo, mas, ao tocar a luz do sol, recuou com um chiado dolorido.
O que estava escondido naquela trilha sombria era uma aranha infectada maior que um cachorro selvagem, com uma carapaça coberta por olhos vermelhos que giravam dentro das órbitas. A visão repulsiva fez Huo Ying tremer de horror.
Vendo que não podia alcançá-lo, a aranha virou-se, aparentemente recuando, mas seu enorme abdômen curvou-se de repente, e um fio grosso como corda atravessou a sombra e grudou em Huo Ying, puxando-o com uma velocidade que não deu chance de reação.
O fio se dissolveu rapidamente sob a luz do sol, mas Huo Ying já havia sido arrastado para dentro das sombras.
— Jutsu de Madeira: Armadura de Proteção!
Huo Ying ativou imediatamente os pesos de madeira em seu corpo. As caneleiras, cotoveleiras e o colete se expandiram, formando uma armadura completa. Em um piscar de olhos, um capacete de madeira cobriu sua cabeça, deixando apenas uma abertura para o nariz, protegendo-o completamente.
**Snap.**
Assim que a aranha o puxou, ela se virou e abriu a mandíbula, mordendo com força.
A armadura de madeira rachou, mas o ferido não foi Huo Ying — a aranha que o mordera começou a se contorcer violentamente.
A armadura estava coberta por esporões afiados de madeira, e o mais longo deles perfurou a garganta da aranha, atravessando até seu estômago.
— Agora!
Gastando sua última coluna de energia, Huo Ying fez a armadura se partir ao meio, caindo no chão. Rapidamente, ele pegou a tocha que havia caído e enfiou-a na boca aberta da aranha.
**Boom!**
A madeira de álamo pegou fogo imediatamente. Para garantir que as chamas fossem fortes o suficiente, Huo Ying correu até a vara de ombro, pegou uma pedra solar e a atirou direto no fogo.
As chamas intensas dissiparam as sombras. A aranha tentou resistir, mas o fogo da madeira de álamo era intenso demais, e a pedra solar, ao entrar em contato com as chamas, emitiu um brilho vermelho. Juntas, as duas forças carbonizaram a aranha, reduzindo seu corpo a pó em segundos.
Sem perder tempo, Huo Ying pegou a pedra solar, equilibrou os baldes na vara e, sem nem sequer passar pelo riacho, correu direto para casa.
As colunas de energia em seu corpo eram sua coragem, e sem elas, ele não tinha como se defender do perigo.
Por sorte, aquele era o último trecho de sombra. Sob o sol escaldante, ele conseguiu se acalmar um pouco. Entrando em casa, trancou a porta e acendeu uma tocha dentro do quarto, tremendo enquanto se aconchegava perto das chamas.
— Que susto… que perigo… quase morri!
A sede tomou conta dele de tanto nervosismo, mas seus músculos estavam fracos, sem energia para levantar.
Ele acabou adormecendo no chão. Quando acordou, o fogo já estava fraco e a noite havia caído. Névoa negra e insetos voavam para dentro do quarto, tentando extinguir as chamas e alcançar seu corpo.
— Inspira… expira…
Respirando fundo, Huo Ying se levantou e acendeu mais tochas, expulsando a névoa e os insetos.
Sem expressão, ele abriu o porão, pegou comida e água e, além de beber, criou uma bacia de madeira para se lavar.
Ao gastar uma boa parte dos recursos, finalmente se acalmou. Olhando para a Árvore Divina em sua mente, viu que, após matar a aranha infectada, o progresso subira para 7%.
— Porra, mexeu com o cara errado!
— Quem pensa que eu morro fácil?!
Gritando para si mesmo, ele aqueceu as oito pedras solares e as colocou ao seu redor, analisando cada detalhe da luta contra a aranha.
De repente, a pedra solar em seu peito queimou.
Passos soaram do lado de fora da porta.
E não eram de apenas uma pessoa.
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**Capítulo 10: Medo**
Os passos eram irregulares, até que todos pararam diante da porta de Huo Ying.
As chamas da tocha de álamo aumentaram de repente.
Assim que ele começara a relaxar, seu coração disparou novamente.
— São os cadáveres amaldiçoados!
— Aquele que não matei da última vez voltou!
— E trouxe reforços!
Huó Ying guardou as pedras solares no bolso e pegou uma tocha, encarando a porta com desconfiança.
No momento, sua coluna de energia interna estava reduzida a apenas um quinto.
[A chegada dos cadáveres amaldiçoados foi no pior momento possível...]
Ele só tinha mais uma chance de usar a técnica de escape madeireiro.
Prendendo a respiração, Huó Ying ficou atento aos sons do lado de fora.
— Ploft... ploft... crack-crack-crack... —
Os passos arrastados e o som de ossos rangendo se aproximavam lentamente, fazendo seu coração acelerar. A escuridão além da porta parecia pulsar junto com os ruídos sinistros.
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