Lin Xun respondeu com resignação:
– Ele é seu pai, você esqueceu? Eu não sou mais da família Lin. Temos um acordo assinado, preto no branco. Quer perguntar aos policiais? Eles podem confirmar.
Lin Yan pareceu entender algo:
– Ah, sim! Foi o pai que te expulsou!
Lin Xun olhou para ele com uma expressão divertida. Não entendia se Lin Yan era naturalmente burro ou se tinha sido mimado até ficar assim. Criar um caráter tão estúpido e mesquinho não devia ser fácil.
– Um pai como esse só poderia ser admirado por você – disse Xiong Ni, incapaz de se calar diante da expressão arrogante de Lin Yan.
Surpreso, Lin Xun sentiu um calor no peito e sorriu antes de perguntar a Lin Yan:
– Mais alguma coisa?
Sem esperar resposta, pegou Xiong Ni pelo braço e se virou para ir embora.
Lin Yan gritou atrás dele:
– Eu não disse que podiam ir!
Lin Xun parou e olhou para o grupo:
– Então o que querem… assalto?
Ele não planejava dizer isso, mas, ao notar os policiais se aproximando, mudou de ideia.
– Você tá mentindo! – protestou Lin Yan.
– Fiquem onde estão! – ordenou um dos policiais. – Recebemos uma denúncia de desordem pública. Vamos à delegacia para esclarecer.
A aparição repentina da polícia assustou a todos, principalmente Lin Yan, que nunca tinha passado por uma situação assim. Ele não fazia ideia de onde os policiais tinham surgido e ficou pálido instantaneamente.
Até Lin Xun ficou surpreso. Não esperava que os policiais estivessem lá especificamente por causa deles. Alguém havia denunciado. Ele se perguntou quem seria o cidadão tão corajoso e justiceiro.
Para Xiong Ni, aquilo era novidade, mas, com Lin Xun ao lado, não sentiu medo — apenas emoção.
Os valentões, já acostumados com a polícia, tentaram se explicar com sorrisos desconcertados:
– É um mal-entendido, são só irmãos resolvendo coisas de família…
Um dos policiais observou Lin Yan e Lin Xun e revirou os olhos:
– Mentira! Nenhum parentesco aqui. Vamos!
Lin Xun olhou para Lin Yan, que estava visivelmente humilhado.
Um policial, mais gentil, se aproximou:
– Ouvi você gritar "assalto"… pode explicar? Estamos aqui para proteger você. Conte o que aconteceu.
– Tio policial, a gente não assaltou ninguém! – protestou um dos capangas.
– Eles são mesmo irmãos! Meio-irmãos!
– Calem a boca! Agora não é a vez de vocês falarem.
Lin Xun baixou os olhos, fingindo nervosismo:
– Eles estão certos… somos meio-irmãos. Recentemente, tive problemas com minha madrasta por causa da herança que minha mãe me deixou. Meu pai ficou bravo e me expulsou de casa. Agora ele me odeia. Hoje, ele apareceu com esses caras… não sei o que queriam.
Os policiais trocaram olhares de compreensão. Bastava a frase "herança da mãe biológica e madrasta" para entender a situação.
– Não se preocupe – disse o policial. – Vamos só registrar seu depoimento e você está liberado.
– Obrigado.
– E a gente?! Também somos inocentes! – protestou um dos valentões.
– Calado!
Na delegacia, Lin Xun e Xiong Ni foram atendidos por uma policial que lhes ofereceu água e os tranquilizou.
Já Lin Yan não teve a mesma sorte. Um policial Beta entrou na sala e encarou o rapaz:
– Explique. Como conhece esses indivíduos e qual era seu objetivo hoje.
– Qual objetivo?! Eu só queria conversar com ele! Ele mandou minha mãe pra cadeia, não posso nem falar com ele agora?
– Sua mãe está presa por um motivo. Roubar a herança do enteado é crime, caso não saiba. Isso já é motivo suficiente! – o policial bateu na mesa. – Sem desculpas. Fale logo!
Lin Zhonghai chegou à delegacia assim que recebeu a ligação.
– Sou o pai de Lin Yan! Meu filho é um Omega, ele jamais se envolveria em um assalto! Isso é um erro. Posso falar com o outro jovem?
O delegado, que acabara de registrar o boletim de ocorrência, ergueu o rosto:
– Lin Zhonghai, pai de Lin Yan… só veio por ele?
Lin Zhonghai franziu a testa:
– Sim, e daí?
O delegado sorriu com desdém:
– Sabia que a vítima é seu outro filho, Lin Xun? Um irmão levando bandidos para assaltar o outro, e você só se importa com um deles? Só o Lin Yan é seu filho de verdade?
Lin Zhonghai ficou surpreso. Estava tão apressado ao ouvir sobre a prisão de Lin Yan que não prestou atenção no resto.
– Colega, não acredite no Lin Xun! Esse moleque nunca diz a verdade!
O delegado se irritou:
– Está questionando nosso trabalho?
– Não, não é isso! – Lin Zhonghai recuou. – Só conheço meu filho. Lin Yan é um bom menino, ele nunca faria algo assim. Quero falar com Lin Xun.
Nesse momento, Lin Xun e Lin Yan saíram após os depoimentos.
Lin Zhonghai avançou em direção a Lin Xun:
– Você ainda não acabou de arruinar essa família? Não pode deixar seu irmão em paz?
Ao ver o pai, Lin Yan choramingou:
– Papai!
Lin Zhonghai envolveu o filho em um abraço protetor, cena que só fazia Lin Xun parecer mais solitário.
Foi assim que Gu Huaiye o viu ao entrar: um jovem sozinho, observando seu próprio pai consolar outro filho.
E, naquele momento, sentiu uma pontada no peito.
Veendo os dois abraçados, Lin Xun mantinha uma expressão triste, mas por dentro estava se divertindo como nunca:
— Sr. Lin, eu já não tenho mais vínculo algum com a família Lin. Além disso, minha mãe só teve um filho — eu. Dificilmente ela conseguiria dar à luz um irmão tão grandão como esse. Pare de inventar coisas.
Surpreso pela réplica afiada, Lin Zhonghai engoliu em seco antes de explodir:
— Lin Xun, seu mal-educado! Como você ousa me chamar assim?
— De Sr. Lin — respondeu Lin Xun, inclinando a cabeça com falso desconforto. — Qual é o problema?
Foi então que Gu Huaiye apareceu, gelando o ambiente:
— Xun já rescindiu os laços com o senhor. Se não é Sr. Lin, como deveria chamar?
A voz calma fez Lin Zhonghai engasgar. Seu rosto se contorceu em uma expressão grotesca, mesclando raiva e pânico.
Lin Xun virou-se de supetão, cruzando o olhar com Gu Huaiye. O inquieto Alpha não falou, mas seu olhar transmitia uma mensagem clara: *Estou aqui*.
[Lin Xun, mentalmente: *Meu marido chegou! Agora, tremei!*]
---
O garoto não sabia como Gu Huaiye descobrira que ele estava na delegacia, mas não podia negar o alívio que sentiu ao vê-lo ali. Por trás dele, o assistente Lei Ke e o advogado cumprimentaram Lin Xun antes de se dirigir aos policiais.
Lin Zhonghai, que minutos antes parecia pronto para explodir, transformou-se instantaneamente em um cordeiro:
— Um mal-entendido, Sr. Gu! Foi só uma brincadeira entre eu e o pequeno Xun...
Gu Huaiye o observou com frieza:
— Que senso de humor peculiar, sr. Lin. Brincadeiras na delegacia.
O comentário cortante fez o rosto de Lin Zhonghai se contorcer, mas ele não ousou revidar. Enquanto isso, Lin Xun observava a cena com satisfação secreta. *Assim fica fácil entender de onde o idiota do Lin Yan herdou o caráter*.
Lei Ke retornou, erguendo um documento:
— Tudo resolvido, Sr. Gu. O jovem Lin está liberado.
Gu Huaiye acenou afirmativamente antes de lançar uma provocação calculada:
— Não tem algo a dizer ao sr. Lin, assistente Lei?
Todos se voltaram para o assistente. Lin Zhonghai, ansioso, pressionou:
— Fique à vontade, sr. Lei! Diga o que precisar!
Lei Ke tossiu, encarando Lin Xun por um instante. O garoto entendeu na hora — e sentiu um frio na espinha misturado com antecipação.
— Sinceramente, não deveria caber a nós esta informação, mas creio que o senhor será notificado em breve — começou Lei Ke, escolhendo as palavras. — O cúmplice de sua esposa, a sra. He, o sr. Zhao Weicheng, foi preso. Ele confessou que os crimes foram motivados por... bem... alegações da sra. He de que Lin Yan seria seu filho biológico. A delegacia deve convocá-los para exame de DNA em breve.
O silêncio que se seguiu foi pesado.
Lin Zhonghai estava petrificado, até que seu celular tocou. Ao atender, sem querer ele ativou o viva-voz. A voz no outro lado ecoou na sala:
— Sr. Lin Zhonghai? Somos da delegacia de Qingyang. Há novidades no caso de sua esposa. Precisamos que o senhor e Lin Yan compareçam para coletar material genético.
Lin Yan, ao lado, ficou branco. Se havia dúvida antes, agora era oficial: aquele tal de "tio Zhao" que sua mãe sempre o levava para visitar provavelmente era seu pai de verdade.
Quando Lin Zhonghai recuperou os sentidos, reagiu com violência — um tapa que estalou no rosto de Lin Yan:
— FILHO DA PUTA! ME DIZ QUE ISSO É MENTIRA!
Gu Huaiye puxou Lin Xun para longe do caos, protegendo-o com o corpo. Seu olhar para Lin Zhonghai era de puro desprezo.
— Vamos embora — murmurou, conduzindo Lin Xun para a saída.
O garoto assentiu, mantendo a pose de filho magoado. Internamente, porém, vibrava. *Nenhum homem aceita ser traído, muito menos criar o filho de outro por vinte anos.* A vingança era gelada, mas deliciosa.
Ele ia chamar o amigo Xiong Ni quando, de repente, uma mão grande aterrissou em sua cabeça. Gu Huaiye afagou seus cabelos com cuidado:
— Não fique triste.
Lin Xun sorriu, comovido pela tentativa desajeitada de conforto. Sem pensar, abraçou o Alpha rapidamente:
— Obrigado por vir me buscar, Sr. Gu.
O contato durou menos de um segundo, mas foi o suficiente para deixar Gu Huaiye congelado, a fragrância do Omega ainda em suas narinas.
— Não precisa agradecer — respondeu, a voz rouca.
Com os olhos brilhantes, Lin Xun fez o pedido mais natural do mundo:
— Então não vou me fazer de rogado. Podemos levar o Xiong Ni no caminho de volta?
— Claro.
Naquele momento, Gu Huaiye teria alcançado as estrelas para ele se pedisse.
Quando ouviu Lin Xun chamar, Xiong Ni se aproximou com um certo constrangimento. Não era por outra razão, mas sim porque a presença de Gu Huaiye era simplesmente avassaladora.
Ele realmente admirava como Lin Xun conseguia agir com tanta naturalidade ao lado de um Alfa tão dominante. Se fosse ele, já estaria morrendo de medo.
— Não é à toa que o Lin Xun consegue namorar o Gu Huaiye — pensou Xiong Ni, lembrando do abraço rápido que Lin Xun tinha dado no outro. Ele mal conseguia conter a fofura daquela cena.
Dentro do carro, Xiong Ni ficou quietinho no seu canto, comportado como um gatinho. Só quando chegaram na porta da sua casa é que ele acenou para Lin Xun, despediu-se e saiu do carro quase correndo, como se tivesse um cachorro atrás dele.
http://portnovel.com/book/8/1442
Disseram obrigado 0 leitores