O pequeno Omega estava limpo e cheirava a um sabonete familiar, exatamente o mesmo que ele usava. Isso lhe dava a ilusão de que aquele Omega era exclusivamente seu.
Enquanto Gu Huaiye aproveitava a escuridão para admirar o rosto adormecido do jovem, de repente, Lin Xun, que estava profundamente dormindo, soltou o canto do cobertor que abraçava e esticou a mão em sua direção.
Gu Huaiye prendeu a respiração, sem se mover. Seus olhos dourados brilhavam na escuridão, carregados de emoções desconhecidas.
A mão do pequeno Omega explorou seu corpo por um momento e, aparentemente satisfeita, no instante seguinte, ele jogou o cobertor para o lado e se aproximou, abraçando a cintura de Gu Huaiye. Apoiou o rosto em seu peito e murmurou sonolento:
— Xiaobai, hoje você está tão... durinho...
Gu Huaiye, completamente rígido: *"..."*
Lin Xun tinha o hábito de dormir abraçado a algo — e se esse algo estivesse quentinho, melhor ainda.
Imagine só: ar-condicionado ligado, cobertor aconchegante e um aquecedor humano para abraçar. Era a fórmula perfeita para uma noite de sono profundo.
E assim, Lin Xun dormiu tranquilamente até o amanhecer.
Ao acordar, Gu Huaiye já não estava no quarto. Ele pegou o despertador e viu que eram apenas 7h da manhã.
— Ele sempre acorda tão cedo? Até no fim de semana?
Depois de lavar o rosto e se trocar, Lin Xun desceu e viu Gu Huaiye tomando café da manhã.
— Bom dia, Sr. Gu! Dormiu bem ontem à noite?
Gu Huaiye, que estava prestes a tomar um gole de café, hesitou por um instante. Ele olhou para o jovem Omega, tão cheio de energia logo de manhã, e lembrou-se de como ele havia dormido tranquilamente em seus braços a noite toda.
— Dormi bem. E você?
— Ótimo! Aliás, suas irritações na pele parecem ter melhorado.
— Sim. Graças à sua ajuda, melhorou rápido.
Lin Xun sorriu, aliviado.
— Que ótimo! O método do Dr. Si realmente funcionou.
Gu Huaiye concordou com um aceno contido.
*"Funcionou? Funcionou tão bem que quase me deixou viciado."*
Mesmo sendo fim de semana, Gu Huaiye não descansou. Depois do café, saiu direto. Já Lin Xun decidiu ficar em casa e terminar a pintura de um tigre que havia começado antes.
Enquanto se preparava, recebeu uma mensagem de Xiong Ni:
— A-Xun, A-Xun! É verdade o que dizem nesse fórum?
Lin Xun abriu o link enviado por Xiong Ni e viu que era sobre ele ter recebido um convite para um teste do diretor Guan Shan.
— Sim, foi uma surpresa pra mim também.
Xiong Ni respondeu na hora, como se estivesse esperando ansiosamente:
— EU SABIA! A-Xun, você é incrível!!!
Lin Xun não pôde evitar uma risada.
— Calma, ainda nem sei se vou conseguir. É só uma oportunidade. Vou tentar, mas não me iludo. Aliás, sua dor de barriga melhorou?
— Já sim, tomei remédio. A-Xun, você quer sair hoje? Abriu um mega parque de diversões na Rua Central! Quero ver se consigo pegar um bichinho de pelúcia!
Lin Xun suspirou internamente com o hobby do amigo.
— Tá bom, podemos ir à tarde. Nos encontramos lá?
— Combinado! Nos vemos lá!
Com o compromisso marcado, Lin Xun passou a manhã finalizando a pintura de um tigre majestoso — muito mais imponente do que o desenho fofo que havia feito para Gu Huaiye antes.
Depois de adicionar os últimos retoques, salvou a imagem e decidiu mostrá-la ao Sr. Gu mais tarde.
Sabendo que ele sairia, o mordomo providenciou um motorista para levá-lo ao parque de diversões.
Assim que chegou, Xiong Ni veio correndo, agitando dois algodões-doce em forma de coelho.
— A-Xun, pega! É super doce!
Lin Xun olhou para o algodão-doce que lhe foi enfiado nas mãos e pensou:
*"Claro que é doce. É açúcar puro!"*
— Há quanto tempo você estava esperando?
Xiong Ni deu uma mordida e balançou a cabeça.
— Nem muito, acabei de chegar. Vamos lá! Dizem que esse lugar é enorme! Tem de tudo: karaokê, pista de dança, patinação no andar de cima... E lá embaixo tem até ringue de patinação e praça de alimentação!
— Como você sabe tanto?
Xiong Ni riu.
— Vi no panfleto de propaganda!
Lin Xun sabia que, por trás da aparência comportada, Xiong Ni era cheio de energia.
— E onde fica a máquina de pelúcias que você queria?
— É aqui mesmo! Dizem que tem vários tipos. Só que eu sempre tenho azar... Mas hoje comprei um monte de fichas! Com fé, eu consigo!
Xiong Ni até fez um gesto de determinação, como se isso aumentasse suas chances.
Quando chegaram ao local, viram uma sala inteira repleta de máquinas de pelúcias, todas ocupadas.
Lin Xun não era muito fã dessas coisas, mas Xiong Ni já estava arregaçando as mangas.
— A-Xun, vou comprar as fichas! Já pego pra você também!
— Ok.
Enquanto esperava, Lin Xun deu uma volta e parou em frente a uma máquina específica. Lá dentro, havia um tigre branco, com listras cinza-claro e uma cabeça grande. Seus olhos dourados e expressão fofa lembravam um pouco o Xiaobai.
Quando Xiong Ni voltou com duas caixas de fichas, perguntou animado:
— A-Xun, gostou desse?
— É bem fofo.
Imediatamente, Xiong Ni colocou uma ficha e começou a tentar.
Dez tentativas depois, porém, seu otimismo havia evaporado. Ele virou-se para Lin Xun com um olhar suplicante.
— A-Xun... quer tentar?
Lin Xun, que já havia entendido o mecanismo, inseriu uma ficha, apertou o botão e, com um movimento preciso, pegou o tigrinho na primeira tentativa.
Fácil. Natural.
Xiong Ni: *"..."*
*"O mundo é realmente injusto."*
Lin Xun pegou o tigre e olhou para o amigo, ainda em choque.
— Parece que não é tão difícil assim.
Xiong Ni deu um grito e o abraçou.
— A-Xun, rápido! Enquanto tá com sorte, pega mais alguns!
Empurrado pelo amigo, Lin Xun acabou pegando mais alguns bichos — todos com a mesma facilidade.
Ni Xiong estava abraçando sete ou oito bichinhos de pelúcia, completamente atordoado:
— A Xun, você é algum tipo de mestre escondido? Tem alguma técnica especial pra pegar esses bichos?
Lin Xun hesitou:
— Você acredita se eu disser que foi a primeira vez que tentei?
Ni Xiong balançou a cabeça, incrédulo:
— Não quero acreditar!
Lin Xun riu e deu um tapinha no ombro dele:
— Vamos, vamos dar uma volta em outro lugar.
Não dava pra ficar o tempo todo naquela máquina de pelúcias. Além do mais, ele já tinha pegado o que queria.
Ni Xiong abraçou os bichinhos — mesmo que não fosse ele quem os tivesse pegado, só de lembrar como Lin Xun os conquistou com tanta facilidade, já valia a pena.
— Pai, olha! Aquele irmão pegou um monte!
Uma vozinha infantil chamou a atenção dos dois. Uma menina de uns três ou quatro anos, com trancinhas, olhava para os bichos nos braços de Ni Xiong com olhos brilhantes de inveja.
Lin Xun percebeu o interesse do amigo:
— Se não quiser ficar com todos, pode dar alguns pra ela.
Ni Xiong, que já estava pensando nisso, correu até a menina e entregou os bichinhos. No fim, só sobrou o pequeno tigre branco que Lin Xun segurava.
Surpreso, Lin Xun perguntou:
— Você não gostava deles? Por que não ficou com nenhum?
— Eu só queria sentir a emoção de pegar, não é que eu goste tanto assim. Mas e você, A Xun? Esse tigrezinho tem algo especial?
Lin Xun sorriu, um brilho travesso nos olhos:
— Quer mesmo saber?
Ni Xiong balançou a cabeça rapidamente:
— Melhor não...
Aquele sorriso parecia esconder algo perigoso.
Os dois saíram da área das máquinas e, por pura coincidência, acabaram esbarrando com Lin Yan no meio do parque de diversões.
Lin Yan, com o rosto maquiado e um rapaz alto com o braço em volta dos seus ombros, parou bruscamente ao avistar Lin Xun e Ni Xung rindo enquanto caminhavam. Ele se livrou do Alpha ao lado e marchou na direção deles:
— Lin Xun!
Lin Xun virou-se, impassível.
Lin Yan curvou os lábios num sorriso afiado, erguendo o queixo:
— Como você tem coragem de aparecer na minha frente?
Lin Xun levantou uma sobrancelha:
— Você que me chamou, não foi?
Realmente, a lógica de Lin Yan deixava a desejar.
O rapaz que antes estava com ele se aproximou, e seu olhar grudou em Lin Xun, revelando uma admiração difícil de disfarçar.
— Lin Yan, quem é esse? Não vai nos apresentar?
Outros garotos ao redor se juntaram à provocação, rindo:
— É, quem é? Apresenta a gente!
Ni Xung puxou discretamente a manga de Lin Xun, tenso. O que Lin Yan estava fazendo com esse tipo de gente?
Lin Yan manteve o sorriso, claramente sentindo-se mais confiante com o apoio deles.
— Esse é o irmão ingrato que eu sempre falo.
Risadas desrespeitosas ecoaram.
— Lin Yan, seu irmão é bonitão, hein? Bem mais que você!
Lin Xun lançou um olhar gelado para o falante antes de voltar a atenção para Lin Yan. A observação claramente o atingiu, fazendo seu sorriso fraquejar por um instante.
— Eu sou bonito porque puxei minha mãe — Lin Xun sorriu com desdém. — Ele não contou pra vocês que nem é meu irmão de verdade? Por isso não nos parecemos em nada.
A declaração foi tão certeira que deixou o grupo em silêncio. Os olhares começaram a comparar os rostos dos dois, e realmente, não havia semelhança alguma.
— Lin Yan, então você não é filho legítimo?
Lin Xun quase riu. Dizem que não há adversário pior que um aliado burro.
— Que absurdo! Somos meio-irmãos, é claro que não somos idênticos! — Lin Yan gritou, vermelho de raiva, antes de encarar Lin Xun. — Pare de espalhar mentiras!
Lin Xun fingiu inocência:
— Só estou dizendo a verdade. Até meio-irmãos têm algo em comum, mas olhem pra gente... Ah, e vocês sabiam que temos a mesma idade?
A combinação de "meio-irmãos" e "mesma idade" fez os olhos dos garotos se arregalarem.
— Caramba, sua mãe é a amante!
— Não é verdade! Parem de acreditar nele! — Lin Yan estava desesperado. Ele sempre usou seu status de rico para manipular esses garotos.
— Nossa, então é filho de amante... — zombou um deles. — Pensava que era sangue azul.
A hostilidade no ar era palpável. Lin Yan, com os olhos injetados, gritou:
— E daí se minha mãe foi amante? Seu pai também não é nenhum santo!
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