Assim que ele se sentou, a voz de Gu Huaie soou novamente:
– Ainda não terminei meu dever de casa, será que você pode...
– Não, amanhã.
Lin Xun fechou o notebook de repente com um barulho seco:
– Desculpe, foi sem querer.
Gu Huaie aceitou a explicação claramente mentirosa com um sorriso irônico.
O quarto tinha um carpete de lã macio—mesmo dormindo no chão, não ficaria tão frio assim. Lin Xun pegou um travesseiro da cama, tirou um cobertor fino da própria mala e deitou ali mesmo.
Mas o celular que ele havia largado ao lado vibrou insistente. Irritado, Lin Xun pegou o aparelho e abriu a mensagem. Um contato com foto totalmente preta e o nome simples "Yi" apareceu, com uma notificação vermelha.
[Lin Xun, se tem algo contra mim, fala na minha cara. Ficar fazendo joguinhos é patético.]
Era aquele idiota do Yi Xuan.
Os dedos de Lin Xun voaram sobre a tela:
– Vai se ferrar!
Na cama, Gu Huaie fingia descansar, mas a atenção estava toda voltada para o chão. Seu comentário sobre o dever de casa tinha sido só um teste—queria ver quanto tempo o raposinho aguentaria. A casa era grande, cheia de quartos vazios, não havia motivo para fazer um ômega dormir no chão.
Por sua vez, Lin Xun, mesmo exausto, se mantinha acordado, atento a cada ruído no quarto.
Ou melhor, enquanto Gu Huaie o testava, ele fazia o mesmo.
Quando um ruído veio de trás, Lin Xun ajustou a respiração e murmurou, sonolento:
– Mãe...
O som cessou. No segundo seguinte, ouviu um suspiro masculino.
No escuro, Lin Xun esboçou um sorriso.
[Parece durão, mas tem um coração mole.]
Relaxou o corpo, deixando-se ser carregado de volta para a cama.
Observando o rosto tranquilo do jovem, Gu Huaie se sentiu ridículo. O que ele estava fazendo, provocando um ômega oito anos mais novo? Um pouco de esperteza era normal, considerando o ambiente tóxico da família Lin. E no fim das contas, ele tinha sido usado como moeda de pagamento pelo próprio pai...
No ar, um aroma suave surgiu—um doce discreto, como o cheiro do campo após a chuva, fresco e vivo.
Os olhos de Gu Huaie se arregalaram. Antes que pudesse reagir, uma tigresa branca majestosa apareceu na cama. Seus olhos dourados cintilavam enquanto encaravam o ômega adormecido, cheios de desejo.
A cauda longa se movia lentamente enquanto ela se aproximava, cautelosa. Seu nariz cor-de-rosa farejou o pescoço do jovem, como se procurasse algo.
Gu Huaie engoliu seco, apertando os olhos para controlar os hormônios que pulsam em seu corpo. Com um último olhar para Lin Xun, saiu rapidamente do quarto.
Logo após sua saída, a tigresa soltou um rugido baixo em direção à porta—uma lamentação carregada de mágoa. Mas, mesmo com a reclamação, seu corpo grandioso começou a desaparecer lentamente na escuridão...
*
Ao ouvir a porta fechar, Lin Xun abriu os olhos, confuso.
Só isso?
Quando Gu Huaie se aproximou, ele achou que algo aconteceria—o ar pareceu congelar, sua respiração ficou contida, uma tensão inexplicável tomou conta dele.
Por um instante, sentiu algo macio roçar seu rosto, mas não teve certeza.
Esperou um tempo, mas Gu Huaie não voltou. Cansado, acabou adormecendo de verdade.
No dia seguinte, Lin Xun passou o dia inteiro assistindo a dez filmes e terminando os deveres. Quando acabou, sentiu que metade da sua alma já tinha ido embora.
Organizando as coisas para o primeiro dia de aula no dia seguinte, checkou o horário. Pelo cálculo de ontem, Gu Huaie já deveria estar em casa.
Mas se não voltou para o quarto, será que dormiu em outro cômodo?
[Ontem ele parecia tão tranquilo. Achei que não ligava...]
Saindo do quarto pela primeira vez em dois dias, espiou pelo corredor. O mordomo idoso ainda estava acordado e, ao vê-lo, sorriu:
– O jovem Senhor Lin precisa de algo?
Lin Xun, que estava justamente procurando alguém, levou um susto:
– Ah, nada não. Só queria saber se o Sr. Gu já voltou.
– Ele está trabalhando até mais tarde hoje. Pode descansar sem preocupação.
– Entendi. Obrigado, tio Liu. Boa noite.
Parece que ele tinha interpretado errado. Gu Huaie estava mesmo ocupado até tarde.
[Incrível—tão rico e ainda trabalha tanto. Não é à toa que é bem-sucedido.]
Enquanto o mordomo se afastava, bateu na porta do avô de Gu Huaie:
– O jovem perguntou pelo senhor Gu. Parece preocupado.
Gu Ting, no meio da noite, regava algumas plantas na varanda:
– Hmph. Esperto demais. Vá dormir.
Sabendo que a opinião do velho sobre Lin Xun não mudaria tão cedo, o mordomo só observou a água escorrendo do vaso e avisou:
– Está regando demais.
Gu Ting ergueu a mangueira, irritado:
– Eu sei!
Ao sair, o mordomo pensou que, nos próximos dias, precisaria levar aquelas plantas para pegar sol.
Senão as raízes iriam apodrecer.
Lin Xun tinha a intenção de esperar por Gu Huaie, mas os dois dias exaustivos falaram mais alto—mal encostou na cama e apagou.
Quando o despertador tocou de manhã, ele ainda estava grogue. Ao ver o outro lado da cama impecável, a dúvida voltou:
[Será que ele trabalhou a noite toda? Ser chefe não é fácil...]
Ao sair do quarto após se arrumar, encontrou o mordomo:
– O jovem Senhor prefere café da manhã ocidental ou chinês?
– Tanto faz.
Na sala de jantar, porém, seus olhos encontraram Gu Huaie, já sentado à mesa com o café da manhã.
[...Ele voltou.
Mas não dormiu no quarto?]
Sentando-se, Lin Xun encarou o homem:
– Sr. Gu, por que não voltou para o quarto ontem?
Assim que ele terminou de falar, ouviram-se passos se aproximando. Logo apareceu um senhor de cabelos grisalhos nas têmporas e expressão severa:
— Você não voltou para o quarto ontem à noite. Onde dormiu?
Lin Xun juraria que sua pergunta foi inocente, sem segundas intenções.
— Vovô Gu... — Lin Xun levantou-se rapidamente, cumprimentando. Gu Ting apenas acenou com a cabeça, indicando que o assunto não era com ele e que devia continuar seu café da manhã.
Envergonhado, Lin Xun lançou uma olhadela para Gu Huaie, cuja expressão impassível não revelava emoção alguma. Ele também queria saber como o homem responderia.
— Voltei tarde ontem. Dormi no quarto de hóspedes. — Gu Huaie ergueu os olhos para Lin Xun. — Hoje volto mais cedo para descansar.
Lin Xun: "..."
Parecia convincente, mas ele sabia muito bem quem tinha fugido na noite anterior.
Gu Ting pareceu satisfeito com a explicação e não fez mais perguntas, sentando-se para o café da manhã.
Lin Xun tomou uma tigela de mingau e comeu dois pãezinhos recheados com creme de leite antes de se levantar:
— Hoje é meu primeiro dia de aula e já está na hora. Vou indo.
— Ah, é verdade! O jovem mestre começa as aulas hoje. Vou chamar o motorista... — O mordomo Liu reagiu imediatamente, pegando o telefone.
— Não precisa, posso pegar um táxi.
— É difícil conseguir táxi por aqui.
— Eu levo você. — Gu Huaie levantou-se, pegando o paletó. — Te espero no carro.
Lin Xun ficou paralisado por um instante. Quando se recuperou, Gu Huaie já havia saído. Diante do sorriso sugestivo do mordomo, ele apenas disse:
— Então, vovô Gu, tio Liu, vou indo.
— Vá, vá. À noite mandarei o motorista buscá-lo na escola.
O mordomo Liu acompanhou-o até a porta, observando-o entrar no carro antes de voltar para Gu Ting:
— O jovem e o mestre combinam bem juntos. Parece que o mestre gosta dele.
Gu Ting mordeu um pãozinho recheado com carne:
— Hum! Ele não tem escolha.
O mordomo Liu sorriu, sem querer abalar a confiança do velho senhor. Afinal, ele também tinha seu orgulho. Pela personalidade dominante de Gu Huaie, quando é que ele se adaptaria aos outros?
— Senhor, já comeu demais. O médico disse para comer apenas três pãezinhos de carne pela manhã.
Quando Gu Ting tentou pegar o terceiro, o mordomo Liu retirou o prato sem piedade.
— Pãezinhos do tamanho de um punho! Só três, isso não enche nada! — Gu Ting encarou o mordomo com reprovação, mas Liu conhecia bem seu temperamento e respondeu sorridente:
— Se ainda estiver com fome, pode tomar um pouco de mingau de arroz.
— Não quero essa porcaria! Quero carne!
— Já passou do limite.
Gu Ting: "..."
Esta vida não tem mais graça.
Dentro do carro, Lin Xun sentou-se o mais distante possível de Gu Huaie, mantendo-se em silêncio e tentando passar despercebido. Mas a presença do homem era avassaladora, impossível ignorar. O clima opressivo dentro do veículo deixou-o inquieto.
De repente, um aroma familiar invadiu seus sentidos. Gu Huaie franziu a testa, pressionando as têmporas com os dedos. Uma dor latejante tomou conta dele, enquanto seus instintos mais primitivos despertavam, lutando contra os inibidores que tentavam contê-los.
Lin Xun observava a paisagem pela janela, até que um mal-estar crescente tomou conta dele. Ao virar-se para Gu Huaie, deparou-se com o homem pálido, segurando a cabeça em agonia.
— O que foi? Está passando mal? — perguntou, alarmado.
Quanto mais se aproximava, mais intenso se tornava o doce aroma que emanava dele. Pela primeira vez, Gu Huaie sentiu um desejo voraz por aquele cheiro, algo que sempre rejeitara antes.
Sem entender o que acontecia, mas vendo o estado crítico do homem, Lin Xun ordenou ao motorista que voltasse para a mansão e chamasse um médico. Antes que pudesse terminar, foi puxado para um abraço forte e ardente.
— Não se mexa. Deixe-me segurar você assim — sussurrou Gu Huaie, a voz rouca de esforço.
Ele lutava contra o impulso de morder a glândula no pescoço de Lin Xun, marcando-o como seu. O demônio dentro dele gritava por posse, mas a razão ainda mantinha-o sob controle.
Lin Xun sentiu um cheiro quente e solar, como a luz do meio-dia no verão. Era reconfortante, e por um instante, ele se perguntou que perfume seria aquele. Mas o corpo de Gu Huaie queimava de febre!
— Você está com febre alta! — exclamou, tocando a testa do homem. A temperatura parecia insuportável. Como ele conseguira disfarçar até agora?
O motorista pegou uma rota especial, evitando o trânsito, e em minutos estavam de volta. Gu Ting e o mordomo Liu já aguardavam com um médico.
Ao abrirem a porta, um rugido feroz de advertência ecoou, fazendo Gu Ting recuar. O mordomo Liu, sendo um Beta, não sentia o efeito dos feromônios, mas segurou o velho senhor, olhando para dentro do carro.
Lá estava o pequeno Omega, envolto nos braços do poderoso Alpha, seus olhos escuros cheios de confusão e medo.
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