**O Pequeno Esposo do Alfa Supremo**
*Autor: Hui Jian Ru Yu*
**Capítulo 1**
O som estridente da música martelava na cabeça de Lin Xun, enquanto as luzes piscantes do ambiente quase o cegavam. Ele tentou se levantar, desorientado, sentindo o mundo girar.
De repente, uma mão pesada pousou em seu ombro:
— Lin Xun, o Yi Ge acabou de sair. É sua chance de pagar a conta e ganhar uns pontos com ele antes que ele volte.
Lin Xun franziu a testa, confuso. *Yi Ge? Quem era esse cara?*
Do outro lado, alguém tentou intervir:
— Acho meio errado pedir pro Lin Xun pagar hoje... A família dele tá com problemas financeiros, e a gente veio em grupo...
O primeiro rapaz revirou os olhos.
— Ah, para de ser bobo! Ele sempre paga quando a gente sai. Uma noite não vai fazer diferença. Além disso, *ele* quer impressionar o Yi Ge, não é, Lin Xun? Levanta logo e vai lá!
*Yi Xuan…* O nome soou familiar na mente de Lin Xun, até que, de repente, uma dor aguda explodiu em sua têmpora. Imagens e memórias alheias inundaram seus pensamentos.
Ele havia acabado de *acordar* dentro de um livro.
Não qualquer livro. *O Pequeno Esposo do Alfa Supremo*, uma história ABO que ele mal tinha começado a ler antes de dormir. E agora, inexplicavelmente, ele *era* Lin Xun, o pobre ômega vendido pelo próprio pai para saldar uma dívida de milhões.
Pior: seu "comprador" era *Gu Huaiye*, o herdeiro da família mais rica do império, um Alfa 5S de nível incomparável, com um título de duque e uma fera espiritual na forma de um tigre branco. Um homem poderoso... mas com um problema sério: seu corpo *rejeitava* o cheiro de todos os ômegas.
Os médicos já haviam avisado: se ele não encontrasse um parceiro compatível logo, suas funções *alfas* começariam a definhar.
Foi aí que o patriarca dos Gu resolveu o problema do neto da maneira mais direta possível: comprando Lin Xun e jogando-o no quarto do herdeiro.
Mas, pelo que Lin Xun lembrava da história, ele nem tinha conhecido Gu Huaiye ainda. Em vez disso, o protagonista original, apaixonado por um cafajeste chamado Yi Xuan, correra para um clube de luxo ao saber que ele celebrava o aniversário de *Ling Yun* — o interesse amoroso real do tal *Yi Ge*.
E agora, o grupo de "amigos" só queria que ele pagasse a conta.
Olhando para o rapaz que ainda o pressionava, Lin Xun sorriu, frio:
— Yi Xuan saiu com Ling Yun? Que bom. Merecem ser felizes juntos.
— O quê?! — O jovem ficou pasmo.
Lin Xun ignorou a reação e saiu do cubículo, deixando a música alta para trás. O corredor era luxuoso, com pisos de mármore negro e lustres de cristal. Pinturas clássicas adornavam as paredes, e até o balcão do bar era feito de madeira rara.
*"Um lugar onde uma noite custa mais que o salário anual de um trabalhador comum..."*
O clube era caríssimo, e Yi Xuan escolhera justamente ele para impressionar Ling Yun. Linda demonstração de afeto.
Mas por que *ele* teria que bancar isso?
Mesmo se tivesse dinheiro, Lin Xun com certeza gastaria com coisa melhor.
— [Sistema: "Missão iniciada — 'Recuse-se a ser otário!'"]
— Hm. — Ele sorriu, decidido. — Tá na hora de dar o troco.
Lin Xun foi atraído por um pontinho vermelho no escuro. Quando ergueu os olhos, sua expressão se tornou levemente surpresa. Se não fosse aquela luzinha, ele nem teria percebido que havia alguém ali, escondido nas sombras.
O homem mergulhado na escuridão era apenas um vulto indistinto, com um cigarro entre os dedos, a ponta brilhando em vermelho vivo. A fumaça branca subia lentamente, criando um ar de mistério.
Depois do susto inicial, Lin Xun não demorou no local. Seguiu rápido até o balcão, com seus cabelos negros e compridos ainda um pouco desalinhados por terem sido empurrados para trás. O jovem se inclinou sobre o balcão, erguendo o rosto pálido e sorrindo para o atendente:
— Sou do camarote 502. Quero três garrafas do vinho mais caro daqui. Um rapaz chamado Yi Xuan vai pagar a conta depois.
O sorriso do garoto deixou o atendente desconcertado. Enquanto digitava o pedido no sistema, ele não conseguia evitar olhar de relance para Lin Xun. Como um ômega podia ser tão adorável? Sua voz saiu mais suave do que o normal:
— O pedido já está registrado. Vamos levar até o camarote em instantes.
— Obrigado.
Era o presente de aniversário que ele daria a Ling Yun. Esperava que Yi Xuan soubesse ser grato por isso. ^_^
Ao sair da KTV, a brisa fresca da noite acariciou seu rosto, dissipando de vez a agitação em seu peito.
No passado, seu coração fraco o mantivera preso em casa, em repouso quase constante. Mesmo assim, não conseguira resistir até o fim.
Talvez esta nova vida fosse uma segunda chance que o céu lhe dera. O caminho à frente era incerto, mas ao sentir o coração batendo forte em seu peito, Lin Xun sabia que, desta vez, pelo menos tinha um corpo saudável.
*
Gu Huaiye estava parado no escuro, terminando seu cigarro, quando a porta de um camarote se abriu com força:
— Cadê o Lin Xun?
— Puta merda, ele pediu um monte de bebida cara e botou na conta do Yi Xuan! O que significa isso?
— Para de falar merda e liga pra ele!
— Já liguei! O celular tá desligado!
— Chega. São só algumas garrafas. Eu pago. — Yi Xuan apareceu, lançando um olhar frio para o rapaz que havia convidado Lin Xun. Ele escolhera aquele lugar caro para impressionar Ling Yun no aniversário dele, mas não esperava ter que gastar uma fortuna.
O rapaz ficou constrangido. Ele só quisera agradar Yi Xuan ao chamar Lin Xun, como sempre faziam — o garoto nunca reclamava de pagar as contas antes. Quem diria que desta vez ele pregaria uma peça?
— Yi Xuan, você é bonzinho demais. Como não tá bravo com ele?
— É mesmo! Se não quisesse pagar, era só dizer. Ninguém ia obrigar. Fazer uma coisa dessas é sacanagem...
— Chega. — Ling Yun interveio, segurando o braço de Yi Xuan com um sorriso doce. — É meu aniversário, não faz sentido os outros pagarem. Além disso, ouvi dizer que a família do Lin Xun está com problemas financeiros. Talvez ele tenha seus motivos. Deixa que a gente resolve.
Os amigos em volta riram, provocando:
— Yi Xuan, você tem sorte. Ling Yun é um amor.
O rapaz disfarçou, mas não escondeu totalmente o orgulho no olhar.
Orgulho que se transformou em raiva quando teve que estourar três cartões de crédito para pagar a conta.
Gu Huaiye, que observara tudo em silêncio, curvou os lábios levemente. Lembrou-se do brilho travesso nos olhos do garoto mais cedo. Ah, então era isso.
Parecia um anjinho, mas na verdade era uma raposinha astuta.
Se não estava enganado, o ômega que a família Lin queria usar para pagar dívidas se chamava justamente Lin Xun.
Mu Li saiu do camarote à procura do amigo e revirou os olhos ao encontrá-lo parado no escuro:
— Você ficou o tempo todo aqui fumando?
Gu Huaiye saiu das sombras, jogando a bituca no lixo:
— Assistindo a um espetáculo.
— Que espetáculo? O Clube do Prazer tá com algum show novo? — Mu Li olhou para o balcão, tentando descobrir o que prendera a atenção de Gu Huaiye por tanto tempo.
O outro apenas riu, sem responder.
Mu Li ficou ainda mais curioso, mas antes que pudesse insistir, franziu a testa, alerta:
— Você tomou inibidor antes de sair?
Gu Huaiye pareceu surpreso:
— Você sente algo?
— Ainda não está forte, mas já dá vontade de correr. — Como um alfa nível 5S, a essência de Gu Huaiye podia se materializar em um tigre branco. Mesmo um vazamento mínimo já era esmagador para outros alfas.
Mu Li recuou um passo:
— Você trouxe inibidores? Toma logo.
Gu Huaiye afrouxou a gravata:
— Não vai dar tempo. Avise a galera que vou embora.
Mu Li o viu partir em direção à saída e não conseguiu deixá-lo ir sozinho. Por mais assustador que fosse Gu Huaiye durante uma crise — capaz de deixar outros alfas de cama —, eles eram amigos de infância. Não dava para abandoná-lo.
Antes de entrar no carro, Mu Li aplicou duas doses de inibidor em si mesmo. Melhor prevenir.
Gu Huaiye se acomodou no banco de trás, impassível. Se não fosse pela essência alfa transbordando e atacando indiscriminadamente ele e o motorista, pareceria um dia normal.
Felizmente, o motorista era um beta, imune a essências. Mesmo assim, a pressão no ar era palpável.
Gu Huaiye tentou controlar a energia que fervia em suas veias. Os inibidores estavam perdendo efeito — mesmo três doses antes de sair não bastavam para acalmar sua natureza.
Mu Li estava suando. A essência de Gu Huaiye era do tipo raro: Chama Solar. Uma variante de altíssima agressividade que agora esmagava seu domínio mental. Ele piscou, lutando contra a tontura:
— Acho que você devia aceitar o ômega que a família Lin ofereceu. Se continuar assim, além de se ferrar, vai acabar com a gente também.
Os olhos dourados de Gu Huaiye brilharam levemente diante da sugestão. Lembrou-se da cena que testemunhara há pouco e permitiu que um sorriso escapasse.
Sem ouvir nenhuma recusa, Mu Li, resistindo à pressão, virou-se para olhar Gu Huaiye. Queria ver se o outro havia desmaiado, mas em vez disso, viu um sorriso nos lábios dele.
Os olhos de Mu Li se arregalaram.
— Puta merda, o Gu Huaiye enlouqueceu de tanto reprimir os instintos de Alpha? Como é que ele consegue sorrir numa hora dessas?!
O carro acelerou até o pronto-socorro, e, graças ao status de Gu Huaiye, entraram direto pelo atendimento VIP.
Assim que o carro parou, Mu Li abriu a porta e caiu de joelhos no chão, vomitando.
A equipe médica, já avisada e à espera, se aproximou rapidamente e injetou um inibidor de alta concentração em Gu Huaiye.
Para um Alpha do nível dele, os médicos não podiam simplesmente interná-lo sem precauções. Primeiro, precisavam controlar os hormônios descontrolados antes de prosseguir com os exames.
— Sr. Gu, você está em pleno surto de calor. Mas, de acordo com seus exames anteriores, isso só deveria acontecer daqui a três meses. O que você viu esta noite que o deixou tão... excitado?
[Nota da autora:]
Gu Huaiye: — Vi minha futura esposa!
[Amigo escritor tem um novo livro: "O Omega dos Meus Sonhos é um Alpha" — confiram!]
http://portnovel.com/book/8/1426
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