Wen Jing já tinha sentido um certo cheiro antes. A pessoa dona daquele aroma tinha uma adorável pintinha na ponta do nariz e exalava um perfume doce de cereja.
Ele considerava aquela pessoa seu "Omega dos sonhos" e passou tempos seguindo seu rastro.
Até que, no exame médico do primeiro ano do ensino médio, Wen Jing - que sempre se julgou um Alpha poderoso - descobriu que estava se diferenciando como Omega.
Sentado sob uma árvore isolada no pátio da escola, Wen Jing estava arrasado:
— Afinal, é possível ter um relacionamento entre dois Omegas?
*
Fu Xingxian era o presidente do grêmio estudantil da escola Dexin, sempre o primeiro nas notas. Friamente controlado, raramente participava de atividades fora dos estudos e trabalhos do grêmio. Nunca perdeu o controle por causa do alto nível de hormônios Alpha, nem usou seu cheiro para pressionar os outros.
Ninguém sabia que, apesar de ser um Alpha, seu aroma era um doce cheiro de cereja.
Até o dia em que, passando por debaixo de uma árvore, ouviu alguém murmurando sobre querer encontrar uma pessoa com cheiro de cereja.
Fu Xingxian pensou:
— Será que me descobriram?
*
Quando anunciaram no shopping que havia um Omega em fase de acasalamento no subsolo, Fu Xingxian correu desesperado, temendo que fosse Wen Jing, que tinha acabado de encontrar.
Encontrou o jovem desacordado no banheiro. Quando tentou levantá-lo, de repente, Wen Jing mordeu seu pescoço.
— Vou te marcar agora! — anunciou Wen Jing, confuso.
Fu Xingxian: "..."
*
E se o Omega dos sonhos for um Alpha?
Anos depois, Wen Jing finalmente descobriu a resposta:
— É só virar Omega primeiro!
[Dupla: hacker sonolento (Wen Jing) × deus gelado (Fu Xingxian)]
**Capítulo 2**
— Essa pergunta tem a ver com o meu... calor repentino?
A injeção de supressores forte havia feito efeito, e o calor no corpo de Gu Huaie já diminuía, mas sua voz ainda soava tensionada.
— Geralmente, Alphas têm esses episódios a cada seis meses. Se acontece antes ou de repente, pode ter um motivo. Talvez um cheiro compatível, ou algo que cause excitação. Precisamos saber o que você viu ou sentiu para evitar novos episódios indesejados.
Mu Li, que finalmente se recuperara, chegou na hora de ouvir a explicação do médico.
Ele lembrou o que Gu Huaie dissera antes, no clube: que estava indo "assistir um espetáculo". Que tipo de espetáculo seria esse? O clube começou a oferecer algum tipo de serviço especial?
Antes que pudesse especular, Gu Huaie respondeu:
— Meu cheiro já está desregulado há muito tempo. Essas situações podem ser motivos, mas não é o meu caso.
O médico hesitou:
— Bem... pode ser. Vamos fazer alguns exames.
Ele entendeu: o chefe não queria falar.
Mu Li quase torceu o rosto. Era óbvio que ele não estava contando tudo.
Quando os níveis hormonais se estabilizaram, o médico levou Gu Huaie para a sala de exames e fez os testes de sangue.
Para ele, aqueles procedimentos já eram rotina.
Terminados os exames, Mu Li entrou com uma garrafa d'água:
— Por que não contou ao médico o que você viu?
Gu Huaie tomou um gole antes de responder:
— Não teria um episódio assim só por causa de uma pessoa. Não vale a pena mencionar.
— A pessoa era bonita? — Mu Li sorriu, provocador.
Outro gole. Silêncio.
Mu Li não desistiu, o sorriso aumentando:
— Então era, sim.
No fundo, ele morria de curiosidade. Que tipo de beleza seria capaz de impressionar Gu Huaie?
— Era mais bonita que você.
Feliz com a fofoca, Mu Li esqueceu o sofrimento da noite e comentou:
— Se gostou mesmo, deveria procurar a pessoa. Seu corpo não vai aguentar muito mais.
Gu Huaie olhou para ele, significativo:
— Eu estou bem.
Na mesma hora, o médico chamou:
— Os resultados saíram. Seus níveis hormonais estão muito desregulados. O supressor XC-255 não tem efeito, então vamos tentar o XXS-300, um modelo clínico mais forte. Mas tem efeitos colaterais: agitação, insônia, dores musculares e até febre baixa. Só pode tomar uma dose por mês, no máximo duas. Já usamos uma hoje. Se houver reações, descanse e beba água.
Ele fez uma pausa e continuou, hesitante:
— Duque Gu... Se possível, seria melhor encontrar um Omega compatível para ajudá-lo nesses momentos.
Gu Huaie acenou com a cabeça, sem comentários.
Ao sair, Mu Li viu a caixa de supressores:
— Novo remédio? Nunca vi esse antes.
— Não. É um modelo clínico.
— Esse não é aquele super forte? Para pacientes com colapso hormonal total. Ouvi dizer que os efeitos são pesados. Não tem outro jeito?
Gu Huaie respondeu naturalmente:
— Esse já é o jeito.
O coração de Mu Li apertou. Nos últimos anos, ele via Gu Huaie tomar injeções e remédios que não faziam efeito. Só piorava.
Nenhum dos amigos podia ajudar, e a impotência doía.
Vendo Mu Li parado, Gu Huaie ergueu uma sobrancelha:
— Não vai voltar?
Mu Li suspirou, sabendo que ele não queria falar mais no assunto:
— Vou. Me leva até o Jardim do Rio.
Depois de deixar o amigo, Gu Huaie só chegou em casa à meia-noite. Ao abrir a porta, viu o avô sentado na sala:
— Vovô.
— O que o médico disse?
— Nada demais. Só mudou o supressor.
Mas o velho Gu não aceitou a resposta. A saúde do neto era sua maior preocupação:
— Amanhã, trago o Omega da família Lin para a mansão. Você também volta a morar aqui. Não dá mais para esperar.
Sem esperar resposta, o velho saiu rápido. Não viu o brilho estranho nos olhos do neto.
Lin Xun ficou diante do espelho, afastando a franja que cobria seus olhos e revelando um par de pupilas negras e brilhantes. Por algum motivo — talvez por causa da transmigração —, seu rosto era idêntico ao que tinha antes.
Pelo menos não precisaria se acostumar a uma nova aparência.
Com os cabelos ainda meio molhados, ele pegou uma tesoura e aparou a franja excessivamente longa.
Conforme os fios caíam, seu rosto ganhava mais destaque: uma tez clara, traços delicados e olhos felinos que brilhavam como obsidiana polida. Seu nariz era alto, e os lábios, levemente entreabertos, revelavam dentes brancos que davam ao seu rosto um ar de inocência juvenil.
Lin Xun tinha um rosto bonito e angelical, tão jovial que, aos 25 anos, ainda era confundido com um adolescente de 18.
Satisfeito com o novo corte, lavou o cabelo novamente e desceu as escadas.
No térreo, Lin Zhonghai, sentado à mesa do café da manhã com o jornal nas mãos, ergueu os olhos ao ouvir os passos. Viu o filho descendo, agora de camisa branca e jeans, sem a franja que antes escondia seus traços.
A mudança era impressionante. Sem aquele visual sombrio, Lin Xun parecia mais leve, quase radiante.
A transformação deixou os três à mesa sem reação.
— Xun Xun cortou o cabelo? — perguntou He Huishan, surpresa.
Ao lado dela, Lin Yan, outro ômega, olhou com um misto de inveja e admiração antes de virar o rosto, resmungando.
— Tia, pode me servir um mingau? — pediu Lin Xun, direcionando o olhar para a empregada atrás de He Huishan.
A mulher respondeu com frieza:
— Jovem senhor, aqui só servimos leite e pão no café da manhã. Não temos mingau.
— Ah, é mesmo? — Lin Xun sorriu, e seu rosto, antes delicado, ganhou um brilho quase desafiador. — Então preparem um só para mim. Pai, tudo bem?
A pergunta foi tão direta que deixou todos em silêncio.
Lin Zhonghai piscou, surpreso.
— Claro, pode pedir o que quiser.
Seu olhar pousou brevemente na empregada, e He Huishan sentiu um frio na espinha. Os funcionários eram todos indicados por ela, parentes de sua cidade natal, e costumavam tratar Lin Xun — filho da primeira esposa — com desdém.
Mas ele nunca havia reclamado antes, e Lin Zhonghai raramente se intrometia. Agora, porém, a mensagem era clara.
A empregada lançou um olhar furioso a Lin Xun antes de se retirar para a cozinha.
He Huishan forçou um sorriso.
— Xun Xun, foi descuido meu. Como você sempre come conosco, achei que gostava do mesmo cardápio. Peço desculpas.
Lin Yan deu uma risada seca.
— Mãe, ele está fazendo de propósito. Se queria mingau, por que não avisou antes? Só falou agora porque quer causar confusão.
Lin Xun não respondeu. Baixou os olhos para o prato vazio, os lábios levemente apertados, como se estivesse magoado.
A expressão frágil dele comoveu até Lin Zhonghai, que normalmente via o filho como alguém fechado e antipático.
— Por que você fala tanto? Seu irmão só pediu mingau. Huishan, depois de tantos anos cuidando da casa, não sabia que ele gostava disso?
O rosto de He Huishan empalideceu.
— Foi minha falha. Xun Xun, prometo que não acontecerá de novo.
Lin Xun ergueu o rosto, sorrindo fraco.
— Não se preocupe, tia. Sei que é difícil administrar a casa. Pai, na verdade, queria falar sobre algo.
A voz de Lin Zhonghai suavizou.
— O que é, filho?
— Sobre ir para a família Gu. Antes, eu fui imaturo, mas agora que estamos em dificuldades, quero ajudar. — Ele olhou para He Huishan antes de continuar. — A tia cuidou da herança que minha mãe deixou por todos esses anos, e deve estar cansada. Que tal transferirmos tudo para meu nome? Assim, ela pode focar só na casa. Se o senhor estiver ocupado, já falei com o advogado Zhang. Ele pode resolver tudo rapidamente. O que acha?
He Huishan ficou pálida.
— Xun Xun, eu… fiz algo errado?
— Não, tia. Foi ótimo. Só acho que já é hora de eu cuidar do que é meu, não? Pai, concorda?
Lin Zhonghai hesitou. A herança da falecida esposa deveria ter sido passada a Lin Xun quando ele completou a maioridade, mas He Huishan assumiu a gestão na época.
Ultimamente, com os problemas financeiros da família, ele até pensou em usar parte daquilo, mas He Huishan disse que os negócios não iam bem e que quase não sobrara nada.
Agora, vendo Lin Xun se sacrificar pela família, ele se sentiu culpado.
— Você está certo. Vamos transferir. Só saiba que, por problemas de gestão, o valor pode ter diminuído.
Lin Xun sorriu, sereno.
— Problemas acontecem. Não culpo a tia. Vou pedir ao advogado Zhang para avaliar o que restou. Tudo bem, tia?
Sem escolha, He Huishan assentiu, os dedos crispados no colo.
— Claro…
Nesse momento, uma empregada entrou apressada.
— Senhor, senhora, há pessoas da família Gu na porta. Vieram buscar o jovem senhor.
Lin Xun sentiu um frio na espinha.
Que timing.
— Então vou indo. Pai, tia, irmão, cuidem-se. Vou sentir falta de vocês.
Seus olhos estavam úmidos, o sorriso trêmulo. A cena era comovente.
Lin Zhonghai sentiu um aperto no peito, mas, antes que pudesse dizer algo, Lin Xun já saía.
Ele precisava ir logo.
Antes que vomitasse de tanto fingimento.
Depois que Lin Xun saiu, a sala da família Lin ficou em silêncio por vários minutos. A série de ações dele naquela manhã tinha pegado todos de surpresa.
Os três ficaram sentados, cada um mergulhado em seus próprios pensamentos, até que Lin Zhonghai finalmente quebrou o silêncio:
— Todos esses anos de negligência com o Lin Xun, eu não vou cobrar de você. Mas o que ele pediu agora, você vai cumprir direitinho. A partir de hoje, ele é parte da família Gu. Se a família Lin quiser se reerguer, vai depender dele.
Jogando essas palavras no ar, Lin Zhonghai se levantou e foi para seu quarto.
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