Bai Shi brandiu os punhos, e em questão de minutos, a rua estava cheia de cadáveres caídos em todas as direções.
Um lago de sangue se formava, criando ondulações sob o vento do outono.
O cheiro de sangue impregnava o ar.
Todos permaneciam imóveis, atordoados, como se estivessem tentando convencer a si mesmos de que aquilo era apenas um pesadelo.
A ralé que há décadas aterrorizava a cidade de Yanbian, que oprimia os moradores e espalhava o caos... tinha sido eliminada assim, de uma vez?
E por um jovem que sempre parecera tão amigável e descontraído?
O velho Zhao tentou falar, mas as palavras ficaram presas em sua garganta, incapazes de sair.
Foi então que...
– Menina, cuidado! – alguém gritou.
– Hehehe, já era! Agora eu é que mando! – uma voz asquerosa ecoou.
Um facão afiado pousou contra o pescoço esbelto de Yue Ti Xia, quase tocando sua pele.
– Droga, eu já desconfiava desse maldito – rosnou o homem de feições afiadas como um rato, pressionando a lâmina. – Mas ainda dei tempo de chegar.
Ele olhou para Bai Shi, desafiador:
– Então, seu merdinha, você é tão bom assim, é? Vamos, me mostra mais um pouco!
– Veja só essa pele macia... Tsc, tsc. Seria uma pena se minha mão escorregasse acidentalmente... – ele fez um gesto ameaçador.
Bai Shi arregalou os olhos, perplexo.
Esse cara tinha água no cérebro?
Será que ele não percebera que, dos três ali, ele era de longe o mais fraco?
Por mais frágil e inofensiva que Yue Ti Xia parecesse...
Ela ainda era uma verdadeira Pequena Rainha Demônio.
Yue Ti Xia piscou para Bai Shi, fazendo uma careta, e ficou parada, esperando ser "salva" por ele.
"...", pensou A Zhu, o burro negro, que estava prestes a dar um coice no homem, mas decidiu voltar a pastar.
O mundo dos apaixonados era algo que ele simplesmente não compreendia.
*CRACK*
O pescoço do homem foi torcido como um graveto.
Seus olhos se arregalaram de incredulidade ao ver seu próprio corpo sem cabeça.
Ele não conseguia entender como tinha sido morto tão fácil.
E o refém? O cara não se importava?
– Xia... você... – Bai Shi "resgatou" Yue Ti Xia, mas por dentro estava completamente sem palavras.
– Hehe... obrigada por me salvar, meu herói... – Yue Ti Xia sorriu, envergonhada.
Sem saber por quê, ela decidira pregar uma pequena peça.
– Oh? E um salvamento desses não merece um "casamento em troca", minha pequena Xia...?
– Ahm... o Tio Zhao está machucado, preciso levá-lo para descansar! – Yue Ti Xia ficou vermelha, desviando o olhar.
Ela rapidamente ajudou o velho Zhao, ainda atordoado, a sair dali.
O mercado, antes barulhento, ficou em silêncio total.
Todos olhavam para Bai Shi com terror nos olhos.
Ele sabia que seus dias naquela cidade, onde vivera por mais de dez anos, tinham chegado ao fim.
Seu olhar se tornou gelado ao se voltar para o único sobrevivente.
Os passos ecoaram como tambores.
– Tio Yan... pra quê tudo isso? – Bai Shi parou diante de Yan Lao San, agonizante.
O velho não passava de um lutador medíocre, nem mesmo treinado em técnicas de pele reforçada.
Mas sua resistência era admirável — ele ainda respirava.
– Você... *arf*... não pode me matar... *arf*... eu sou... do Ginásio Tianyuan... – ele gaguejou, desesperado.
– Não se preocupe. Eu mando seu mestre barato te acompanhar – Bai Shi ergueu a lâmina.
A cabeça rolou. O sangue jorrou, mas ele se afastou a tempo.
Revistando os corpos, Bai Shi encontrou trinta taéis de prata e mais de dez facões.
'Matar e saquear é o caminho mais rápido para fortuna...'
Ele suspirou. Em dias de trabalho, mal conseguia juntar dez taéis — que ainda eram gastos em comida para manter seu treinamento.
Agora, de repente, estava "rico".
Ignorando sua barraca de carnes, Bai Shi foi direto ao ferreiro.
Selecionou as melhores lâminas para derreter e forjou uma nova arma.
Seu facão antigo já não era suficiente, muito leve.
A nova arma tinha formato de anel, lâmina estreita e cabo resistente, lembrando uma "horizontal blade". Tinha um tom azul-celeste, como se um pedaço do céu tivesse sido fundido nela.
Apesar de não cortar cabelos ao vento, seus quase 40 quilos eram impressionantes.
Mesmo com sua força sobre-humana, Bai Shi a sentia pesada.
Afinal, levantar mil quilos e brandir uma arma de quarenta são coisas bem diferentes.
Até o cajado do Sun Wukong pesava só uns cinco mil quilos.
[Habilidade: Arte da Lâmina de Forjar Chi Nv2 (199/200)]
Sua proficiência com a lâmina estava prestes a evoluir.
Sob olhares temerosos, Bai Shi, o burro e Yue Ti Xia seguiram para a ervanária.
Como ainda não dominava medicina, ele não comprou ervas.
Mas havia algo lá que ele cobiçava havia tempos.
– S-senhor... este coração de urso é o tesouro da minha loja... pode ficar por três... não, cinco taéis! – o dono, um senhor curvado, suava frio.
Bai Shi franziu a testa. O homem o via como um bandido?
O coração de urso, ponto mais valioso do animal, valia ao menos vinte taéis.
E o cara oferecia por cinco?
O burro olhou para ele com um brilho de ironia nos olhos.
Yue Ti Xia interveio, e ele pagou o preço justo.
De volta à cabana, Bai Shi usou o coração para avançar ao estágio de "Tendões Reforçados".
Depois, partiria para acertar as contas com o ginásio.
Ele não era de deixar ameaças sem resposta.
***
Enquanto isso, no salão principal do Ginásio Tianyuan...
O velho mestre ouvia a versão exagerada do ocorrido, franzindo a testa.
Contendo a raiva, ele começou a planejar:
'Se aquele garoto conseguiu matar sozinho uma dúzia de meus discípulos mais fracos, deve ser habilidoso.'
'E dizem que ele treina há apenas um mês...' Seu rosto se tornou sombrio.
Com um talento assim, se deixasse ele crescer, seria o fim.
Mal conseguia conter o desejo de esmurrar o inútil do Yan Lao San.
— Puta merda, esse desgraçado podia ter morrido e acabado com isso...
— Mas ainda teve que criar um "discípulo" absurdo...
— 'Esse daqui não pode ficar vivo!'
**Capítulo 13: O Avanço**
No pátio, Baishi retirou o coração de urso embrulhado em folhas de lótus.
— Xia Xia, peço sua ajuda.
Mesmo não estando tão fresco por ter ficado guardado, a vitalidade que emanava dele superava a de cem quilos de carne bovina. Afinal, concentrava toda a essência de um predador no topo da cadeia alimentar. Era quase tão valioso quanto a carne de besta mágica.
— E aqui está a prata que sobrou. Estou carregando a Lâmina dos Mil Homens e não tenho mais espaço. Pode guardar pra mim?
Baishi entregou os cinco taéis restantes para Yuetixia, que encheu sua pequena trouxa até a borda. Seu sorriso se alargou, claramente satisfeita.
O burro negro balançou a cabeça, pensando: *Ela tá mesmo virando a dona do pedaço, hein?*
http://portnovel.com/book/6/521
Disseram obrigado 0 leitores