Ele não conhecia parasitas, mas graças à percepção espiritual de seu nível quase de Rei Demônio, conseguiu "ver" aquelas pequenas criaturinhas se contorcendo.
Era nojento.
Se aquilo fosse parar no estômago, como sobreviver?
— Ahem, isso é trabalho para você, Brother Jumento.
— Por favor, mate todos esses bichinhos no peixe.
Bai Shi sorriu, confiante. Esse era o seu plano.
Para um ser poderoso como o Jumento Negro, eliminar alguns parasitas seria fácil, não?
— *Tá sonhando!*
O jumento olhou para ele como se estivesse brincando.
Mas, sob o olhar suplicante de Yue Ti Xia, acabou cedendo.
Com um leve tremor de energia pura, ele exterminou todas aquelas criaturinhas microscópicas.
Bai Shi observou atentamente, tentando aprender algo, mas só sentiu um leve tremor na palma da mão.
*"Quem disse que bestas demoníacas brutas não têm técnica? Essa força consegue penetrar até o nível microscópico... Será que Tu Shan Hong Hong também consegue?"*
Pensativo, ele olhou para o céu.
Quando desmaiou, ainda era meio-dia. Agora, já passava da meia-noite.
Depois de pescar freneticamente no rio, a lua já estava alta.
— No outono, o sol queima de dia e o vento corta à noite. O peixe pode ficar ao ar livre até amanhã. Vamos preparar os temperos e fazer mesas e bancos para a barraca.
Yue Ti Xia, que estava examinando os filés de peixe, ergueu o rosto de repente.
Seus olhos doces agora estavam fixos nele, cheios de desconfiança.
— Ei, moça tímida, você poderia confiar em mim *só um pouquinho*?
— Cortar árvores? Nem pensar. Nunca mais.
Já que derrubar árvores não ajudava mais em seu treinamento e dava pouco dinheiro, ele desistiu da ideia.
Com a ajuda dela, encontraram alguns troncos velhos e secos e os transformaram em móveis e utensílios.
Até o jumento estava pronto para puxar o carrinho...
---
Enquanto isso, Hu Wei Sheng se revirava na cama, sem dormir.
Depois de tocar os lábios e sorrir sozinho, ele se levantou de um salto.
— Não dá! Eu tenho que me responsabilizar por aquela moça! Eu—vou—me—casar—com—ela!
Seus colegas de alojamento só conseguiram juntar alguns presentes simples: dez quilos de nabos, uma cesta de ovos e um pato.
Com uma mistura de suco de nabo e lágrimas de pato, escreveram uma mensagem de amor nos ovos.
Determinado, Hu Wei Sheng partiu para a floresta, gritando:
— Moça—de—trancinhas!
---
Na manhã seguinte, Bai Shi treinou sua técnica com a espada à beira do rio.
Quando estava prestes a partir para vender o peixe, Yue Ti Xia apareceu.
— Eu... quero ir com você. Nunca fui a um mercado humano. Estou curiosa.
— E mesmo sendo magrinha, sou forte! Posso ajudar.
Ela levantou as mesas e bancos com uma mão só.
Bai Shi ficou boquiaberto.
*"Uma garota frágil carregando quatro mesas e uma dúzia de bancos como se fossem pena?"*
O Jumento Negro olhou com inveja, mas Bai Shi rapidamente pegou os móveis.
E assim, partiram para o mercado...
---
**Capítulo 8: Filé de Salmão Fresquinho!**
Sob o sol escaldante, alguns preparativos eram necessários.
Bai Shi usou gelo feito com salitre para manter o peixe fresco.
Enquanto caminhavam, uma névoa gelada saía do carrinho puxado pelo jumento, chamando a atenção de todos.
— Xiaoshi, onde você arrumou esse gelo? Ensina a gente!
— E esse jumento parece bravo. Quer vender?
Os moradores da cidade, que se davam bem com Bai Shi, brincavam sem cerimônia.
Ele respondeu com sorrisos, enquanto Yue Ti Xia ria, cobrindo a boca.
Viver nas montanhas a vida toda, ela nunca tinha visto tanta animação.
— A-Zhu, eles estão só brincando. Não leve a sério.
Ela acalmou o jumento, que bufava irritado.
Para evitar problemas, Yue Ti Xia vestira roupas simples e disfarçara seu rosto.
— Bai Shi, você acha mesmo que vão comprar nosso peixe cru? Parece arriscado...
— Relaxa. "Bom perfume não tem beco fechado". Só pela aparência, já vamos atrair gente!
Sob os olhares incrédulos dela e do jumento, Bai Shi começou a gritar:
— *Calorão infernal? Aqui tem refresco!*
— *Filé de salmão geladinho! Fortalece os rins! Se não gostar, não paga!*
O jumento olhou de lado.
*"Isso que ele chama de 'beco fechado'?"*
Parecia mais um vendedor de rua qualquer.
Mas a névoa gelada e o barulho já tinham atraído uma multidão.
— O que é esse tal de filé? Dá pra comer mesmo?
— Quem come peixe cru? Mas até que parece bonito...
— Cinco moedas o prato! Refrescante e revigorante! Se não gostar, devolvo seu dinheiro!
Bai Shi pegou uma fatia translúcida, mergulhou no molho de soja e comeu.
A textura macia, combinada com o wasabi caseiro, explodiu em seu nariz.
Vendo sua expressão, os curiosos se animaram:
— Me dá um prato! Se for bom, volto pra mais!
— Ei, esse molho é bom. Vende separado?
Observando Bai Shi retirar filés de peixe gelados do bloco de gelo, a animação da multidão ao redor crescia. As pessoas começaram a abrir generosamente suas carteiras — afinal, para elas, Bai Shi era alguém de confiança. Dificilmente ele enganaria a própria comunidade, não é? Provavelmente, aquele peixe era seguro para consumo.
— Calma, pessoal, sem pressa! Todo mundo vai ser atendido. E se quiserem comprar o molho especial, é só passar lá em casa depois — anunciou Bai Shi, sorridente, enquanto pegava um peixe grande da caixa de gelo.
Ele estava ali para ganhar dinheiro, sim, mas sem perder de vista seu verdadeiro objetivo: aprimorar suas habilidades. A técnica de movimento teria que esperar, mas a arte com a faca era perfeita para o momento.
Com a faca de cozinha que acabara de comprar, suas mãos dançavam no ar, transformando o peixe em uma chuva de cortes precisos. Vísceras, cabeça e outros restos eram descartados, enquanto finíssimos filés, mais delicados que fatias de pepino, eram dispostos nos pratos.
A plateia ficou boquiaberta com sua habilidade.
— Mas ele não era um lenhador? — murmuravam uns aos outros. — Como é que, em poucos dias, ele já domina a faca igual aos discípulos avançados das escolas de arte marcial?
[Você executou cortes com total dedicação. Compreensão aprimorada: +1 de proficiência em técnica de facas.]
[Você executou cortes com total dedicação. Compreensão aprimorada: +1 de proficiência em facas.]
Motivado pelas mensagens que ecoavam em seus ouvidos, Bai Shi trabalhou com ainda mais empenho. Em pouco tempo, vendeu mais de cinquenta pratos, acumulando quase trezentos *wen*.
— Mil *wen* equivalem a uma tael de prata — calculou consigo mesmo, satisfeito. Em questão de minutos, ganhara mais do que em um dia inteiro cortando lenha.
Enquanto isso, Yue Ti Xia, a caixa, mal conseguia acompanhar o fluxo. A gaveta do dinheiro já tinha um bom fundo, e tudo o que Bai Shi investira foram os peixes que pescara no rio.
http://portnovel.com/book/6/506
Disseram obrigado 0 leitores