Tradução pronta Dedicate loyalty to the good empire / Dedique lealdade ao bom império: Capítulo 64

Se você ficar preso em uma pequena caixa de ferro por dias, mesmo com comida e água, como se sentiria?

Isso se chama tédio.

A cela de confinamento era o absoluto epítome do tédio. Tinha apenas uma pequena claraboia e uma lâmpada de promécio que ardia nos olhos. A cama era dura, a comida insossa, reduzida em calorias para evitar que ele engordasse. No momento, até mesmo as malditas sessões de filmagem que o odiado Tecaix ordenava eram preferíveis a ficar ali.

Taylor, suando de calor, tirara a camisa e agora usava embalagens de comida e latas de conserva para criar pequenos artesanatos dentro daquele cubículo de paredes metálicas.

— Haha, esse aqui vale uns bons créditos — murmurou para si mesmo.

Não havia dúvidas de que Taylor tinha talento para encontrar alegria no sofrimento. Seus brinquedinhos engenhosos encantavam as crianças das Hives – um deles, por exemplo, era baseado num pião de madeira antigo.

Claro, no Império, alguns achavam que esse tipo de artesanato não combinava com um "herói" como ele. Mas Taylor sabia a verdade: no campo de batalha, só sobrevivia quem fosse esperto o suficiente. Por isso, ele jamais se importara com sua imagem de "herói lealista"... a menos que sorrisos de falsa lealdade pudessem render algum benefício maior.

De repente, um vento gelado atravessou a porta metálica, como um gole de água gelada num dia abrasador. Do lado de fora, um guarda vestindo o uniforme padrão da Marinha Imperial, com uma autopistola para tiros à queima-roupa, chamou:

— Sr. Taylor! A capitã deseja vê-lo.

Taylor se levantou e vestiu a jaqueta militar, marcada por incontáveis batalhas. O guarda observou o pião de metal engenhosamente feito e pensou:

"Consegue relaxar mesmo numa cela de confinamento... Realmente um exemplo de lealdade."

Por dentro, porém, Taylor praguejou:

— Porra, como tá frio aqui! Será que a claraboia da cela tá ligada ao compartimento das caldeiras?

Ele se sentia um pouco constrangido. Suar era normal, mas ninguém gosta de aparecer encharcado.

— Uma capitã? Da Marinha Imperial? — perguntou.

O guarda pareceu surpreso.

— O senhor não sabia? Embora estivesse inconsciente quando embarcou, pensei que já tivesse sido informado. Este navio pertence à Dinastia Mercante Nômade, a Casa Tuk. E sua comandante é a grande Branteru Tuk.

Ele pronunciou o nome em Alto Gótico, fazendo soar complicado. Taylor, homem simples, apenas repetiu:

— Brandirú? Nome estranho.

O guarda riu.

— É Branteru, meu senhor.

E assim iniciou-se uma conversa. O guarda contou que antes servira na Marinha Imperial e agora trabalhava como segurança. Quando Taylor soube que ele ganhava 20 Thrones por mês, questionou pela primeira vez se ser oficial da Guarda Imperial valia a pena.

Os Mercantes Nômades realmente nadavam em riqueza. Gastar fortunas num simples oficial da marinha... É claro, eles tinham a Licença de Saque Imperial...

Quer dizer, a Carta de Comércio Imperial. Diziam que o documento continha uma gota do sangue do próprio Imperador, selando sua legitimidade e fazendo os hereges fugirem de medo. Era o fundamento que permitia às Grandes Casas Mercantes construir seus impérios. E segundo aquele oficial, a dona daquela fragata Lunar governava nada menos que 35 mundos prósperos.

Trinta e cinco!

Taylor nunca imaginara governar um único planeta, e aquela mulher controlava 35. Só os impostos isentos por causa da Carta já sustentariam um exército imperial inteiro.

Ele hesitou.

— Preciso tomar um banho antes?

O guarda franziu o nariz.

— Você não cheira mal. Assim está bom.

Taylor concordou e seguiram até o fim do corredor. Com um som hidráulico, as portas se abriram, revelando um salão deslumbrante.

Cetins vermelhos adornavam as paredes, móveis de mogno enfeitavam o ambiente, o chão era de mármore de altíssima qualidade. Até o ar frio típico das naves parecia recuar diante da opulência.

Nas paredes, vitrines exibiam troféus: um crânio de ork enorme, uma lança élfica e uma espada-correntes quebrada – provavelmente de um Adeptus Astartes Caótico.

Que coleção impressionante!

Mas então Taylor percebeu: aquela vitrine não chegava aos pés da que ele tinha no regimento de Scadia. Afinal, lá havia desde a cabeça de um tirano até destroços de um Titã e um emblema de Ultramar dado pelos Adeptus Astartes.

Enquanto ele se perdia nos pensamentos, uma voz suave e melodiosa ecoou:

— Sr. Taylor, finalmente nos conhecemos.

Diferente dos troféus brutais nas vitrines, a voz era quase tímida.

Ao se virar, Taylor viu uma jovem de 19 anos, vestida com um traje gótico negro e vermelho. Cabelos dourados, olhos azuis, pele alva e traços delicados. Ela parecia ansiosa por sua aprovação quando disse:

— Estes são os troféus acumulados pelos ancestrais da Casa Tuk. O que o senhor acha?

Taylor notou que a estante estava lotada de romances de cavalaria e poemas glorificando os Astartes. Sobre a mesa, um livro de romance beligerante – daqueles típicos do Império, onde o amor anda de mãos dadas com a guerra. Afinal, numa sociedade marcada por conflitos, a admiração deixara de ser pelo rosto e passara a ser pelos punhos.

Ele coçou o nariz, sem saber como responder. A verdade é que metade daqueles itens provavelmente não chegava aos pés do que ele já trouxera de uma única campanha.

Embora aquelas coisas não fossem o que ele esperava encontrar, apenas o confronto com os enximes já lhe rendera troféus equivalentes a todo o armário ali.

Parecia que governar 35 mundos prósperos de um império não superava seu azar. Taylor sentiu um sorriso amargo se formar em seu rosto e murmurou em resposta:

— Claro, claro, ótimo…

— Sua família está repleta de honra.

Ele exibiu seu sorriso profissional característico, perfeitamente alinhado à fantasia daquela mulher, que retribuiu com um sorriso satisfeito. Enquanto isso, Taylor pensou consigo mesmo:

Que tipo de herdeira é essa? Essa família está praticamente falida…

Foi então que ouviu passos do lado de fora e uma voz rouca gritando:

— Morte ao tirano!

Em um instante, rajadas de laser e projéteis cruzaram o ar.

Por reflexo, Taylor puxou "Brandy Deer" para trás do armário de troféus, que serviu de cobertura.

Os símbolos de honra e glória foram reduzidos a escombros em segundos — o crânio do ork estilhaçado, a espada-serrada arremessada longe, e o resto dos artefatos destruídos.

O oficial da Marinha atingido por um raio laser teve o braço volatilizado pelo calor intenso antes de ser lançado ao chão, seu sangue espalhando-se pelo piso. O atacante foi misericordioso: deu o tiro de misericórdia na cabeça do homem.

Taylor, instintivamente, agarrou a lança estelar dos aeldari e gritou:

— Protejam-se!

Só então percebeu que não havia aliados ao seu redor — e que aquilo não era uma trincheira.

Ele segurava a última herdeira de uma dinastia mercante, seu corpo esbelto tremendo… Mas, ao olhar para baixo, viu que a expressão dela não era de medo — e sim de pura euforia. Ela estava tremendo de empolgação!

— Sr. Taylor — ela disse, ofegante, — quero que você veja… veja isso…

Seu comportamento era estranho…

Taylor também sentiu uma aura anormal no ar…

E então, de repente, ela ergueu o vestido, revelando suas coxas brancas e macias.

Taylor engoliu seco, mas não por qualquer desejo lascivo…

A razão era a pistola laser disfarçada de arma de pederneira, amarrada em sua coxa por uma fita de seda negra.

No instante seguinte, ela sacou a arma com um sorriso e atirou com precisão frenética, espalhando sangue pelos cantos.

A arma era absurdamente poderosa — um único disparo perfurou a armadura à prova de balas e cozinhou o peito do inimigo. Era até mais forte que a arma preferida de Taylor!

Quando um atacante avançou com um escudo de tempestade…

Ela simplesmente puxou uma adaga escondida no decote e a arremessou em um arco perfeito, cravando-a direto no crânio do homem.

Pluft. O corpo pesado desabou, e a Senhora Mercante não conseguiu conter uma risada triunfante.

— Venham! Assassinos! Vocês não são os primeiros… Querem adivinhar onde estão os outros?

Taylor, ainda tremendo, perguntou:

— Afinal… você realmente precisa de um oficial de segurança?

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Capítulo 103: A Dinastia Mercante, Parte 2

O palácio estava em ruínas, repleto de restos de carne e silêncio mortal. Quando os guardas finalmente chegaram, atrasados como sempre, o administrador do palácio — um jovem competente e bem-apessoado — disse com voz trêmula:

— Minha senhora, falhamos em proteger a Casa Took. Merecemos a morte.

Mas Brandy Deer apenas sorriu e respondeu:

— Foi o Sr. Taylor quem me salvou. Sem ele, eu já estaria morta.

Ela se agarrou a ele de forma carinhosa, mas Taylor só sentia um frio mortal emanando daquele corpo quente.

Além de ter matado um bando de assassinos enquanto usava um vestido, o olhar que ela lhe dirigia era… perturbador.

Primeiro: como uma líder de uma dinastia mercante poderia ser tão ingênua? Ela precisava dele, mas mantinha essa fachada para enganar os inimigos.

Segundo: ele havia sido usado como isca. Sua reputação de lealdade o tornara o escudo perfeito.

Que mulher cruel…

Desde o início, ela já o estava manipulando?

Mas quando a viu, após o ataque, pegar um livro de aventuras românticas com um sorriso de felicidade, Taylor ficou em dúvida.

Será que ela era só uma sonhadora viciada em romances?

Era difícil distinguir a verdade da mentira. Muito difícil.

— Sr. Taylor — disse o administrador, com admiração genuína, — sua bravura e sagacidade são dignas de recompensa. Aqui está nosso agradecimento — pequeno, mas sincero.

Taylor só pensou, confuso:

O que diabos eu fiz?

A chefe dela já tinha matado todo mundo antes que ele pudesse reagir.

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