Frankstein passou pelas áreas residenciais próximas ao porto estelar, seguindo os trilhos recém-construídos da ferrovia de suprimentos.
Dentro do trem, inúmeros soldados olhavam para fora com expressões perdidas.
Quando o primeiro cratera de bomba apareceu no solo, um vento repentino carregando o fedor de enxofre soprou, como se tudo ali estivesse avisando os visitantes:
— À frente está o campo de batalha. Covardes, não entrem.
Atualmente, os sensores de Frankstein não paravam de alertar sobre anomalias sísmicas.
Taylor deduziu que essas leituras estranhas provavelmente vinham do Titã que se movia à frente.
Ele estava a cerca de mil metros daquela coisa.
Mesmo de longe, dava para ver claramente a enorme máquina metálica, que parecia saída dos tokusatsus que Taylor assistia quando criança.
Agora, ele observava os tanques Land Raider avançando contra o Titã e, pela primeira vez, sentiu que até os Marines do Caos pareciam aliados confiáveis...
— Que ironia do caralho — murmurou.
A voz zombeteira de Dragan ecoou no rádio:
— Olha só, você nem tem coragem de chegar perto.
Taylor se inclinou para fora da escotilha, binóculos em uma mão, e respondeu pelo rádio no ombro:
— Dragan, a gente não precisa colaborar com essa cara fechada, como se fosse uma rixa de família. Cada um cumpre seu papel.
Ele insistia, tentando convencer seu maldito "parceiro temporário".
Embora o Marine do Caos entendesse a urgência da situação, Taylor estava começando a irritá-lo.
— Por que você é tão enrolado? — Dragan resmungou. — Quando ficou com aquela feiticeira, também ficou nesse lenga-lenga?
Taylor revidou:
— Mas eu não vou ficar com você, porra! A situação agora é bem mais complicada.
— E meu relacionamento com ela é decente, no máximo uns beijos.
Dragan soltou uma risada:
— Parecem duas crianças!
Taylor ignorou. Discutir isso era inútil — ele poderia morrer a qualquer momento.
Talvez hoje mesmo.
Com o rádio no ombro captando atualizações, ele ajustou os binóculos lentamente.
No foco perfeito, viu a terra sendo arremessada pelos passos pesados do Titã.
Viu as trincheiras e defesas cavadas pelos Genestealers. Testemunhou a coragem dos soldados de Krieg na vanguarda.
O avanço principal ficaria a cargo dos Marines do Caos, obviamente. A Guarda Imperial só seguraria as posições enquanto eles plantavam os explosivos no Titã.
Taylor ainda se perguntava por que diabos os hereges haviam topado cooperar. No segundo em que o Titã caísse, ele ordenaria que seus homens abrissem fogo contra os traidores.
Dragan sabia disso. Talvez por isso estivesse sempre de cara amarrada.
Provavelmente era assim mesmo no bando dele. Servir aos Deuses do Caos significava conviver com:
Colegas tramando contra você a todo momento.
Outros querendo te cortar ao meio.
Alguns tentando te sugar na cama.
E, é claro, os que planejavam te sugar, tramar e depois te cortar — tudo na mesma noite!
Nada monótono, com certeza. Um ambiente onde cada passo exigia cautela. Dava para entender o humor de Dragan.
Será que valia a pena? Que "bençãos" os Deuses realmente entregavam para gerar tanta lealdade?
Depois dessa divagação, Taylor voltou a olhar para o Titã — um monstro colossal avançando implacavelmente. Tudo que ele podia fazer era entregar os explosivos aos Marines.
Isso contava como "tarefa tranquila"?
Taylor entrou no Frankstein e começou a dar ordens, como um chefe de cozinha comandando sua equipe:
— Armas prontas! Tanque cheio! Munição carregada!
— Rápido, rápido, porra! Se não quiserem morrer, movam-se! Moça dos Ratlings, prepare café pra todo mundo!
Ele observou os soldados trabalhando, inquieto, e se sentou no assento do copiloto, suspirando.
— Agora tô desmontando Titãs... Cadê o meu aumento?
Os Marines do Caos ativaram seus jatos de assalto, decolando. O trabalho agora era dar cobertura. Roland abriu fogo com a metralhadora pesada, enquanto balas choviam sobre o Frankstein.
— Ratatatá!
Barulhento e enlouquecedor, mas Taylor já esperava por isso. Até parecia relaxado, observando os inimigos.
O Mechanicus Herético não estava usando munição perfurante — os Marines estavam atraindo todo o fogo pesado. E, graças aos "presentes" de Nurgle, eles aguentavam dano que mataria qualquer um.
Aqueles Marines voando em direção ao Titã pareciam moscas verdes gigantes... Uma visão nojenta, mas de certa forma engraçada.
Taylor agradeceu por eles estarem ali. A Guarda Imperial jamais romperia aquelas defesas sozinha.
Até que Dragan gritou no rádio:
— O que caralhos vocês estão fazendo? Meus irmãos estão apanhando, e você aí de espectador?
— Se falharmos, vocês também morrem!
Taylor suspirou. Ele não queria se esforçar, mas respondeu:
— Barragem chegando em três... dois...
Ele acionou os artilheiros. Minutos depois, obuses explosivos começaram a chover.
Os canhões Basilisk e Earthshaker haviam entrado na batalha há meia hora, tornando-se essenciais. Os inimigos certamente tentariam destruí-los, mas Taylor não sabia como.
Estilhaços de metal voavam como gadanhas da morte, ceifando vidas em cada explosão.
Quando aeronaves do Mechanicus se aproximaram da artilharia, Taylor ficou tenso. Só relaxou quando as Hydras abateram as ameaças.
Até que os destroços de uma gunboat caíram perto do Frankstein. A explosão sacudiu o veículo, com fragmentos batendo no blindagem.
Taylor resmungou:
— Guerra em nível Apocalipse agora... Tem de tudo nessa porra.
— Diminua a velocidade, deixe que os Dragan e seus homens se encarreguem do trabalho sujo de ataque frontal!
Nesse momento, a voz de Dragan ecoou pelo rádio:
— Então é assim que você pensa?
Taylor ficou constrangido ao perceber que, no calor da batalha, havia esquecido de desligar o comunicador.
Dragan continuou, indiferente:
— Era óbvio. Se você confiasse em mim, seria um milagre. Mas você está fazendo um bom trabalho... Da próxima vez, estaremos cara a cara. Não, espere...
— Quando esta guerra acabar, vamos começar uma nova batalha. E então, eu mesmo vou arrancar sua cabeça.
Taylor riu, respondendo com calma:
— Já li uma antiga fábula sobre um camponês e uma cobra. O camponês salva a cobra, e ela o morde.
— Mas eu não sou o camponês... e você não é a cobra.
Sem esperar resposta, Taylor cortou a comunicação e voltou a observar o campo de batalha, já devastado pelos bombardeios.
Frankstein parou em uma cratera aberta pelos canhões. Alertas, ele ergueu os binóculos, escaneando a terra devastada.
O mundo inteiro parecia gemer de dor. A linha de frente se estendia até onde a vista alcançava, e o imenso Titã avançava, seu escudo translúcido piscando incessantemente. A besta de guerra arrastava-se com passos pesados, imparável.
Fumaça e poeira enchiam o céu, formando nuvens cinzentas carregadas de radiação e fuligem, como se um filtro de desolação cobrisse tudo.
Mas o mais estranho eram os tremores.
Os Astartes circulavam ao redor do Titã, instalando cargas térmicas em suas pernas. Uma explosão cegante iluminou o campo... mas, após um leve tremor, o Titã continuou sua marcha, apenas com a armadura externa danificada.
O desespero tomou conta de Taylor, que murmurou pelo rádio:
— Dragan, que porra você está fazendo?
A resposta veio seca:
— Os genestealers puros estão enfiados nas fendas da armadura, atacando meus irmãos com suas garras.
— Eles arrancam as cargas térmicas e abatem os Astartes descuidados. A explosão não foi suficiente... Temos que recuar.
Taylor praguejou:
— Depois de tudo isso, é isso que conseguimos?
Dragan respondeu, provocante:
— Quer tentar você?
Taylor hesitou. Ele não tinha a menor chance. Contra uma máquina daquele tamanho, qualquer ataque seria inútil.
— Pelo Trono... abortem o ataque. Preparem a retirada.
Mas, no mesmo instante, o chão tremeu violentamente. Debaixo da terra, hordas de híbridos genestealers emergiram, cercando as tropas imperiais com máquinas de perfuração.
Agora Taylor entendia as leituras anômalas no detector. E isso era uma péssima notícia.
Alguns genestealers brotaram do solo mesmo ao lado do Frankstein, saindo de perfuradoras mecânicas. Quando Taylor se viu cara a cara com um oficial híbrido de três braços e crânio ossificado, só lhe restou gritar e disparar.
O sangue dos genestealers pulverizado criou uma névoa vermelha ao redor do Frankstein.
Mas o pior foi perceber que seu grito de "batalha" havia atraído a atenção de dezenas de inimigos, todos com membros extras, fitando-o com ódio.
— Estou morto... — ele murmurou, pálido, diante da multidão que superava em muito suas forças.
Capítulo 97: Eu, destruir um Titã? (Parte 2)
"Tudo o que fazemos é pelo Dia da Ascensão. Irmãos de linhagem, quando os tentáculos do Devorador chegarem, todo sacrifício terá valido a pena."
— Últimas palavras de um sacerdote herege, registradas antes da queda do terceiro planeta de Austin.
Taylor amaldiçoava sua sorte. Nos momentos mais críticos, o azar sempre aparecia.
Os genestealers estavam mais espertos agora. E mais destemidos.
Quando ele mirou um oficial híbrido para atirar, uma enxurrada de criaturas se jogou à frente, absorvendo os disparos. As granadas varriam áreas inteiras, mas os inimigos voltavam como uma maré.
Ao avistá-lo, os fanáticos gritaram:
— É o herege!
— O assassino do nosso Santo Filho!
— Pelo Imperador de Quatro Braços! Pelo Trono Sagrado!
— A Matriarca e o Senhor do Ninho testemunham nossa glória!
— Pelo Devorador!
Taylor sentiu um calafrio. Disparou mais lasers e balas explosivas, mas seu carregador já estava quase vazio. Era como gastar dinheiro sem pensar, só que, desta vez, o que estava em jogo era sua vida.
Ele perguntou, urgente:
— O Frankstein está pronto?
Katie respondeu:
— O motor está aquecido. Temos força para abrir caminho!
Taylor respirou fundo:
— São milhares deles. Fanáticos como os Krieger, mas sem o mesmo treinamento... Isso é a única boa notícia.
Pelos binóculos, ele viu o mar de corpos se aproximando, cercando as forças do Império.
Pelas últimas transmissões, a artilharia já estava perdida. Metade dos Krieger também. E, pelo visto, suas chances não eram melhores.
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