Capítulo 11 – O Bicho-da-Seda Gélido e o Olhar da Ruína
— Zunzumzum!
O som cortante de flechas cruzando o ar ecoou enquanto dez projéteis de ferro eram disparados em direção ao suposto Tigre de Gelo Milenar.
Mas, para surpresa de Gu Changfeng, a besta não esquivou. As flechas a atravessaram como se cortassem névoa.
— Ploft!
Jorros de sangue se espalharam, e no lugar da majestosa fera, restou apenas um enorme verme branco como a neve, gravemente ferido.
— Um bicho-da-seda gélido?!
Com as mãos firmes — uma segurando a besta e a outra, uma adaga —, Gu Changfeng avançou com cautela, observando o inseto agonizante. Só relaxou quando o anel espiritual roxo surgiu sobre o cadáver.
— Então era um bicho-da-seda com habilidade de ilusão…
Recolhendo as flechas, ele se aproximou do corpo.
— Pelo tamanho, deve ter pouco mais de mil anos. Absorver o anel de um bicho-da-seda é mais fácil do que o de outras bestas poderosas.
— E depois de tomar tanto colágeno de baleia milenar neste último ano, meu corpo está pronto.
— Tomara que a energia dele seja suficiente para me levar do oitavo nível direto ao décimo.
— Já estou estagnado há mais de um mês… Depois de absorver tantas bestas de cem anos, uma milenar deveria ser o empurrão que falta.
Sem perder tempo, ele agiu.
Liberou sua Pupila Demoníaca, e uma aura gélida e aterrorizante se irradiou de seu corpo. Ao pressionar as mãos contra o cadáver, sua própria energia espiritual envolveu o inseto, drenando vida e poder restantes.
Sob sua pele, os músculos do bicho-da-seda se dissolviam, fluindo para dentro dele como um rio turbilhante.
— Décimo nível… Finalmente!
Apesar da euforia, ele conteve a respiração.
A energia milenar lhe trouxe avanços, mas também impurezas — seu anel espiritual agora estava desequilibrado, exigindo tempo para se consolidar. E havia outro problema: ao absorver a besta, ele também engoliu fragmentos de sua alma, deixando uma carga mental pesada. Se não a purgasse, poderia afetar sua sanidade.
Depois de sacudir a cabeça para dissipar a névoa mental, Gu Changfeng voltou sua atenção ao anel roxo pairando sobre o cadáver.
— O bicho-da-seda sempre foi um dos meus alvos mais viáveis. Se fosse um tigre de gelo de verdade, nem pensaria duas vezes antes de fugir.
Enrolando o cadáver descartado em sua pele esbranquiçada, ele levou o anel consigo, apagando todos os rastros pelo caminho. Encontrou uma encosta de neve e, enterrando-se nela, começou a absorção.
O anel deslizou suavemente sobre seu corpo, fundindo-se a ele.
Quando abriu os olhos novamente, sua Pupila Demoníaca já não era a mesma. Além do vermelho-sangue, um brilho dourado pairou em suas íris, sutil mas inegável.
Ao se levantar, percebeu que estava mais alto, seu rosto juvenil agora marcado por traços mais firmes.
— Primeira habilidade: Ilusão!
O anel roxo cintilou, mudando de cor — tornou-se amarelo, depois branco, depois amarelo novamente… até sumir por completo.
Mas o efeito persistiu.
Seu cabelo negro escureceu para um azul-escuro. Seus traços afiados deram lugar a um rosto genérico e pálido, como o de um camponês subnutrido. Até suas roupas brancas se transformaram em trapos.
— Isso é… Tang San?
Gu Changfeng puxou um espelho e sorriu ao ver o reflexo.
— Essa habilidade é perfeita.
Agora, ele poderia assumir a forma de qualquer pessoa que já tivesse contatado. Uma ferramenta invaluable para se mover discreto por esse mundo.
— Pena que não consigo imitar alguém só de descrição. Se pudesse, daria bons sustos por aí…
Verificando seu poder interno, notou que sua energia espiritual havia atingido o 12º nível, mas o verdadeiro ganho foi a explosão em sua força mental.
— Pensei que um anel milenar me elevaria mais, mas pelo menos a compensação veio nos sentidos.
Ele franziu a testa ao notar o brilho dourado persistindo em seus olhos.
— Isso é… uma evolução? Ou algo mais?
Sabia que certos anéis podiam desencadear mutações, mas isso era raro.
— A menos que…
Focando energia nas pálpebras, sentiu sua percepção se aguçar, como se tudo ao redor ficasse mais nítido.
— É um osso espiritual externo?
— Nos olhos?!
A seriedade tomou seu rosto enquanto mergulhava naquela nova sensação, decifrando seus segredos.
— Pode fortalecer o espírito e também tem habilidades de ataque mental que podem ferir. Vou chamar de "Luz Devoradora da Ruína".
— Por enquanto ainda é fraco, mas com o tempo vai ficar mais forte. Já vou dando um nome bonito desde já.
Esse tipo de osso espiritual externo, capaz de evoluir, era um tesouro inestimável. E combinava perfeitamente com seu espírito de Olho Demoníaco.
No futuro, mesmo que usasse esse osso espiritual, ninguém suspeitaria que seus olhos poderiam ser uma parte externa dele.
Depois de vestir as roupas que já havia preparado, ele deixou aquele campo de neve para trás.
Um dia depois.
Uma vila erguida no meio da neve e do vento apareceu à sua frente. Era bem maior que a Vila do Espírito Sagrado, com centenas de famílias vivendo ali.
— Vila do Espírito Gélido...
Gu Changfeng olhou para a grande placa de pedra à sua frente, onde três caracteres vigorosos estavam gravados: "Vila do Espírito Gélido".
— Vou descansar aqui por enquanto. Depois, vou até a Cidade Águas Celestiais e me juntar a um grupo de caçadores de espíritos.
— Só que, se fizer isso, não vou poder devorar as energias das bestas espirituais tão livremente. Mas, sozinho nessa neve perigosa, mais cedo ou mais tarde algo ruim vai acontecer.
— Ainda tenho tempo... Vou devagar.
Capítulo 12: O Grupo de Caçadores
— Faltam nove meses para Tang San ir estudar na Academia de Espíritos de Nuoding. Preciso me fortalecer o máximo possível nesse tempo e voltar para Nuoding antes dele partir.
— Quando isso acontecer, Tang Hao vai deixar a Vila do Espírito Sagrado para proteger Tang San. Será a melhor chance para eu roubar a Imperatriz Azul e o osso espiritual dela.
Gu Changfeng afastou os pensamentos e seguiu em direção à vila.
— Conseguir estabelecer uma vila num lugar desses... Com certeza, a Vila do Espírito Gélido não é comum. E deve ficar perto de alguma cidade.
— Ei, garoto! Quem é você?
Um homem idoso, de cabelos brancos e voz firme, se aproximou. Com quase um metro e oitenta, era uma cabeça mais alto que Gu Changfeng. Seus olhos não eram os de um velho comum — havia uma aura forte nele.
— Olá, senhor. Meu nome é Gu Changfeng. Acabei de chegar do campo de neve e vi essa vila. Queria descansar um pouco.
— Eu sou o chefe da vila, Yu Yaozu. Você não deve ter mais que oito ou nove anos. Cadê seus pais? — perguntou, franzindo a testa.
— Sou órfão. — Gu Changfeng respondeu com um sorriso despreocupado.
Yu Yaozu franziu ainda mais a testa.
Um órfão sorrindo assim? Será que ele era meio louco?
O que uma criança dessa idade estava fazendo sozinha nesse campo de neve?
Brincando de esconde-esconde?
Muita coisa estranha...
Mas, como chefe da vila e um Mestre Espírito de terceiro nível, ele não ia ficar com medo de uma criança.
— Então venha para a minha casa.
Gu Changfeng acenou com a cabeça e perguntou:
— O senhor poderia me dizer qual é a cidade mais próxima daqui e como chegar?
— Cinquenta quilômetros ao sul fica a Cidade Águas Celestiais.
Ao entrar na vila, Gu Changfeng percebeu que muitas pessoas ali tinham uma aura espiritual.
Yu Yaozu era o mais forte, sem dúvida.
— Fique nesse quarto. Não ande pela vila sem permissão. Quando descansar, siga seu caminho.
Gu Changfeng sorriu e concordou.
Yu Yaozu olhou para ele, sentindo algo estranho naquele sorriso, mas não conseguia definir o quê.
— Vovô, esse menino sorri muito falso!
Uma garotinha, da idade de Gu Changfeng, espiou por trás de Yu Yaozu e apontou para ele.
Os olhos de Gu Changfeng se estreitaram por um instante, mas o sorriso continuou.
— Yu Hairou, quem disse que você podia vir atrás de mim?
— Volte para casa agora! Não quero você por aqui!
Yu Yaozu levou a neta embora, mas antes lançou um último olhar para Gu Changfeng. A observação da menina tinha feito ele perceber o que estava errado.
Assim que os dois saíram, Gu Changfeng fechou a porta e sentou no único canto aquecido do quarto.
— Isso aqui... precisa de fogo para esquentar, né?
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