— Zukimura Seiichi, Sanada Genichirou, Yuuki Mayo e Yanagi Renji... Tirando a ausência da dupla titular do ano passado, Jackal e Kuwahara, o núcleo principal permanece praticamente intocado — murmurou Inoue Mamoru, analisando com conhecimento de causa. Para ele, o caminho do colégio Rikkaidai para conquistar novamente o campeonato nacional deste ano parecia desimpedido.
— E ainda por cima, este ano um jogador habilidoso se juntou ao Rikkaidai. Isso realmente me pegou de surpresa.
Inoue Mamoru, conhecido por sua informação precisa, reconheceu imediatamente Mori Shusuke, ex-membro titular do Shitenhouji, agora vestindo o uniforme do Rikkaidai. A cena o deixou pasmo. Por um instante, considerou entrevistá-lo após a partida, mas logo descartou a ideia. Afinal, era apenas uma preliminar regional — ainda estava cedo para conclusões.
Com uma vitória fácil no primeiro jogo, a manhã chegou ao fim. Depois de um breve intervalo, as semifinais da tarde também terminaram com um triunfo incontestável do Rikkaidai: 3 a 0. O mesmo aconteceu na final, sem surpresas.
— Jogo encerrado! Vencedor: Kirihara Akaya, 6 a 0!
— E com isso, o campeão da fase regional de Kanagawa é o Rikkaidai Fuzoku!
O anúncio do juiz ecoou pelo local, marcando o fim da competição.
— Rikkaidai invicto!
— Rikkaidai invicto!
A torcida explodiu em gritos de celebração. Para eles, a vitória já era algo rotineiro.
— Como esperado, o Rikkaidai levou o título sem dificuldade.
— Ora, você realmente acha que algum outro time em Kanagawa seria páreo para eles?
— Esse é o poder do melhor do leste do Japão! Absolutamente dominante!
Com catorze títulos consecutivos na região e um campeonato nacional, a tradição do Rikkaidai deixava todos impressionados.
— Alinhem-se! Vamos arrumar as coisas e voltar para a escola — ordenou Sanada Genichirou, organizando o grande grupo após a partida.
Yuuki Mayo ficou com o olhar perdido em algum ponto distante. Os jogos de hoje tinham sido tediosos demais. O nível dos adversários era tão baixo que ele perdeu o interesse em poucos minutos.
— No que está pensando, Mayo?
O distanciamento de Mayo chamou a atenção de Yukimura Seiichi, que também não havia entrado em quadra.
— Nada de mais. Só achei esses jogos muito maçante — respondeu ele, franzindo o rosto.
Ele sabia que as outras escolas eram inferiores ao Rikkaidai, mas a diferença absurda ainda o irritava.
— Bem, é normal. Afinal, são só as eliminatórias regionais. Não dá para esperar rivais fortes — Yukimura sorriu, compreensivo.
— Será que as etapas seguintes serão tão fáceis assim? — Mayo soltou, sem rodeios.
— Hm... Você tem razão — Yukimura concordou, refletindo por um instante.
Mayo baixou a cabeça e ponderou alguns segundos antes de tomar uma decisão.
— Por falar nisso... Eu estou escalado para os jogos estaduais?
— Não. Mas se você quiser jogar, posso incluir você.
Yukimura achou que o interesse de Mayo surgira após assistir às partidas do dia.
— Não é isso. Se eu não for necessário, queria ir a Tóquio naquele dia — explicou Mayo.
— Tóquio? Entendi — Yukimura pareceu surpreso por um instante, mas logo compreendeu.
— Então, o que acha?
A ausência de Mayo nos estaduais não faria diferença para o Rikkaidai, mas ele ainda queria a opinião do capitão.
— Claro, pode ir. Considere como um dia de folga — respondeu Yukimura, sem hesitar.
Afinal, não havia adversários relevantes nos estaduais. Nem ele próprio estava na lista de jogadores, indo apenas para supervisionar.
— Mayo — Sanada interrompeu, aparecendo do lado deles. — Se encontrar Tezuka em Tóquio, entregue uma mensagem para ele. Diga que acertarei as contas com ele no campeonato regional.
Depois de perder para Mayo, Sanada refletiu sobre seus erros, mas a rivalidade com Tezuka Kunimitsu ainda o incomodava. Não era algo que pudesse simplesmente esquecer.
— Entendido — Mayo assentiu, sem demonstrar surpresa.
— Que inveja. Também queria ficar sem jogar — lamentou Mori Shusuke, chegando perto do grupo.
— Se o senhor tivesse o nível do Mayo, até poderia considerar — brincou Yukimura, com um sorriso irônico.
— Ah, por favor... Não vou me matar de treinar por isso.
Mori levantou as mãos, em tom de rendição. Ele não tinha a menor intenção de se esforçar tanto.
— Tsc... O senhor não tem ambição nenhuma — resmungou Sanada, como sempre criticando a preguiça dele.
— Sim, sim, você está certo.
— Ahn...
Yukimura observou a discussão dos dois com um sorriso, já acostumado. Mas não deixou que continuassem por muito tempo.
— Certo, é hora de voltar.
Com um aceno coletivo, o grupo se organizou. Sanada assumiu a frente, liderando a equipe de volta ao ônibus escolar com disciplina impecável.
Capítulo 28: O Sistema Tradicional Decadente
— 78... 79... 80...
Naquela manhã, sob o sol ainda brando, Yuuki Mayo treinava no quintal, sem camisa, suor escorrendo pelo corpo enquanto completava sua rotina de exercícios.
— Agachamentos com salto, 100 repetições. Meio-agachamento com salto, 100 repetições. Exercícios de ombros no meio-agachamento, 100 repetições. Abdominais, 5 séries de 30. Flexões, 5 séries de 30.
Era o treino matinal obrigatório de Maya Yukimura.
Quando finalmente terminou, ele se levantou devagar, controlando a respiração. Com o rosto encharcado de suor, sentiu o corpo quente e pulsante depois do esforço. Na verdade, no seu nível atual, bastariam alguns alongamentos básicos para manter o corpo ativo. Mas aquela rotina puxada já fazia parte da sua vida.
— Maya, o café da manhã está pronto! — a voz doce da mãe ecoou de dentro de casa.
— Beleza, mãe! Vou tomar um banho antes.
Ele respondeu na hora, virou rápido e entrou no banheiro para um banho relâmpago. Minutos depois, já vestido com o uniforme marrom da Rikkai Dai, sentou-se à mesa de jantar. Do outro lado, o pai, Takeshi Yukimura, terminava o café e tomava um gole de chá.
— Então, confiante para o jogo de hoje? — perguntou o pai, pousando a xícara.
— Nem vou jogar hoje. Vou pra Tóquio assistir aos jogos das outras regiões — respondeu Maya, direto ao ponto.
— Ah, é? Bom, tome cuidado na estrada então. — Takeshi não questionou, apenas deu o aviso. Confiava no filho e respeitava sua privacidade.
— Pronto, vou indo.
Maya terminou o café rapidamente, pegou a bolsa de tênis e saiu sem olhar para trás.
— Ih, amor, hoje você não sai mais cedo? — a mãe, Eri, espiou da cozinha, surpresa.
— Aquele projeto da empresa tá mais tranquilo. Hoje dá pra dar uma folga. — Takeshi tomou um gole de leite morno e ligou a TV no noticiário matinal.
...
Desde os torneios regionais, quase um mês se passara. Hoje era o dia dos campeonatos de Kanagawa e Tóquio – daí Maya ter saído tão cedo. Diferente das eliminatórias regionais, que eram eventos menores, os torneios metropolitanos reuniam dezenas, às vezes centenas de escolas. E em Tóquio, só as cinco melhores avançariam para o próximo estágio. Com tantas escolas prestigiadas, a competição era bem mais acirrada, e o público, muito maior.
[Deve ser aqui.]
Depois de mais de uma hora de viagem, Maya chegou ao local do torneio em Tóquio. Os primeiros jogos já tinham começado. Tomoe Shiretoko, sua amiga, queria acompanhá-lo, mas também tinha compromissos no clube de kendô, onde era vice-capitã.
— Todo ano a mesma agitação, né?
— Pois é, mas faz parte. É Tôquio!
— Quem você acha que leva o título este ano?
— Eu aposto em Hyotei. Difícil alguém superar eles.
— Sei não... Yamabuki tem uns caras bons também...
Os comentários dos estudantes enchiam o ar. Maya vasculhou a multidão, mas não encontrou quem procurava. Então foi até o painel central para conferir a tabela. Depois de tanto procurar, finalmente viu o nome que queria: Gakuen Seishun.
[Área C, então.]
Seguindo as placas, Maya chegou ao campo C. Não demorou para avistar os uniformes azul e branco. Mas, ao ver o placar, franziu a testa.
Seishun e Daiyon Iwashi estavam empatados: 1 a 1. No terceiro jogo de simples, o representante de Seishun era um completo desconhecido – e estava perdendo feio. Bastou uma olhada para Maya prever a derrota.
Quando virou para o banco de Seishun, sua expressão piorou. Lá estava Kunimitsu Tezuka, mas sem a braçadeira de capitão. Metade dos titulares era de rostos novos, e o capitão atual... era alguém que Maya nunca tinha visto.
Ele já sabia que os clubes de tênis tradicionais tinham hierarquias rígidas, mas ver de perto era pior do que imaginava.
[Pois é... nem todo time tem a mentalidade de Rikkai, onde o que importa é a força.]
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