Enquanto eles ainda estavam chocados, a partida na quadra continuava.
Mesmo depois de perder o primeiro ponto, Genichiro Sanada ainda insistia em usar seu "Veloz como o Vento".
— Saque rápido e avanço para a rede — pensou, determinado.
Mas o resultado foi o mesmo do primeiro ponto: após algumas trocas, Mayu Yuki conseguiu mais um ponto.
1 a 0.
A quebra de saque tão rápida deixou a maioria do time de tênis completamente surpresa.
No intervalo do primeiro game, enquanto passava por Sanada, Mayu Yuki deu um conselho amigável:
— Sanada, se não der tudo de si, vai perder feio hoje.
Sanada ficou imóvel por um instante, então virou-se para olhar Mayu, que continuava caminhando de costas. Seus olhos queimavam com ainda mais determinação.
Logo depois, os dois assumiram suas posições para o segundo game.
De longe, Seiichi Yukimura observava Sanada, de expressão fechada, preparado para receber o saque. Pela primeira vez, um lampejo de surpresa apareceu em seu rosto.
Ele sabia que Sanada já havia usado todo o poder do "Veloz como o Vento", mas mesmo assim não conseguira marcar um único ponto contra Mayu.
Isso o pegou de surpresa. Os três haviam crescido juntos, e até então, ele considerava os dois em pé de igualdade.
Mesmo que Mayu fosse um pouco melhor, Sanada não deveria ter perdido seu game de saque tão facilmente.
[Mayu... De repente, não consigo mais te entender] — pensou Yukimura, observando a expressão impassível de Mayu na quadra.
Naquele momento, seu antigo amigo parecia um estranho, como se tudo antes fosse ilusão.
— Nossa, esse cara é bom demais! Ele devolveu aqueles saques sem nem pestanejar. Assustador! — exclamou Juzaburo Mori, arregalando os olhos.
Diferente de Yukimura e Renji Yanagi, que conheciam Mayu bem, Mori quase não tinha contato com ele.
No ano anterior, durante o confronto entre Rikkai e Shitenhoji, Yanagi não colocara Mayu para jogar, então Mori mal se lembrava dele.
Mas ele testemunhara o talento de Sanada no ano passado — aquele que humilhara os veteranos habilidosos de Shitenhoji.
Colocando-se no lugar de Mayu, Mori sabia que não teria tanta facilidade para marcar pontos contra Sanada.
E ainda assim, Mayu parecia completamente à vontade, como se nem estivesse se esforçando.
Mori sentiu um calafrio. [Ainda bem que não estou no mesmo grupo que ele. Se perdesse, nunca mais poderia arrumar desculpas para faltar nos treinos.]
Afinal, ele tinha um acordo com Yukimura: se virasse titular, poderia treinar menos.
Capítulo 20 — "Já cansei desse 'Vento, Floresta, Fogo, Montanha'"
Segundo game, saque de Mayu Yuki. Assim que o juiz autorizou, ele agiu sem hesitação.
Arremesso, preparação, golpe.
Com um movimento perfeito, ele lançou a bola com elegância. Uma flecha prateada cobriu a bola, que cruzou a quadra em alta velocidade.
— 15 a 0!
A bola quicou e marcou o ponto direto, enquanto Sanada permaneceu imóvel.
Mas seus olhos traíam um vislumbre de surpresa — ele não esperava sofrer um ace logo de cara.
— Um ace! Até o Sanada não conseguiu reagir? Isso é... — Mori engoliu em seco, ultrapassado pela realidade.
Ao seu lado, Yanagi estava de olhos bem abertos, mais sério do que nunca.
— A velocidade daquela bola deve ter passado dos 220 km/h — disse Yanagi, grave.
Era muito mais rápido que o "Veloz como o Vento" de Sanada.
Quando a "Flecha Sagrada" de Mayu ficara tão poderosa? No ano passado, sua velocidade máxima registrada era de 216 km/h!
Nenhum oponente de Sanada tinha alcançado algo assim antes. Não era surpresa que ele não tivesse reagido.
Na quadra, Mayu não deu trégua. Sem alterar a expressão, ele sacou novamente.
30-0.
40-0.
2-0.
Quatro aces seguidos, e Mayu fechou o game sem dificuldade.
Seu rosto permaneceu impassível, como se fosse o resultado óbvio.
Na troca de lados, Sanada sacou novamente com o "Veloz como o Vento".
— Esse truque não funciona mais, Sanada. Não importa quantas vezes tente — disse Mayu, rebatendo com facilidade.
Mas no momento em que a bola cruzou a rede, Sanada surgiu como um fantasma, posicionando-se à frente.
Com um movimento preciso, ele cortou a bola de revés, dissipando quase toda a rotação e força.
A bola voltou leve e lenta, quase caindo na rede.
"Suave como a Floresta".
Era a segunda técnica do "Vento, Floresta, Fogo, Montanha" de Sanada — a habilidade de neutralizar rotações e impactos, quebrando o ritmo do oponente.
Mas Mayu parecia antecipar. Em poucos passos rápidos, ele chegou à rede e levantou a bola no último instante.
— Agora! "Agressivo como o Fogo!" — rugiu Sanada, saltando para um smash potente.
Tudo havia sido planejado — forçar Mayu à rede para executar esse golpe.
A bola envolta em chamas cruzou como um meteoro, parecendo ponto certo para Sanada.
— Boa! O quê? Não é possí— — Mori começou a comemorar, mas seu rosto congelou no meio da frase.
Na quadra, Mayu Yuki deu um passo elegante para trás, girando de costas para a rede. Com um movimento ágil da raquete, interceptou a bola de tênis que ainda não havia quicado completamente no ar.
No braço que segurava a raquete, veias azuladas surgiram subitamente, como se sua pele tivesse se transformado em aço. A bola colidiu violentamente com a superfície da raquete, travando numa batalha de forças por alguns segundos. Sem alterar a expressão, Mayu devolveu o golpe.
A bola subiu alto, passando por cima de Genichiro Sanada, que ainda estava no ar, e cruzou metade da quadra antes de quicar exatamente na linha de fundo, saindo pelos limites.
— Quinze... quinze a zero — anunciou o juiz, um membro do clube de tênis, com a voz levemente trêmula. Era o mesmo sentimento que ecoava no coração de todos os presentes.
Genichiro já havia usado três de seus quatro golpes sagrados — "Vento", "Floresta" e "Fogo" — e mesmo assim, Mayu os havia neutralizado um a um, sem dificuldade aparente.
— Mayu acabou de superar o "Fogo Devorador" de Genichiro de frente... — murmurou Renji Yanagi.
Se antes desse ponto ele ainda acreditava que Genichiro tinha 40% de chance de vitória, agora essa probabilidade havia caído para menos de 20%. Mayu estava demonstrando uma habilidade assustadora, sem nenhuma fraqueza em velocidade, técnica ou força — algo que parecia quase sobrenatural.
Renji desviou o olhar para Seiichi Yukimura, que estava ao seu lado. A situação de Genichiro parecia desesperadora, mas...
— Não tire conclusões precipitadas. Genichiro ainda não desistiu, não é mesmo? — Yukimura falou com suavidade, como se tivesse lido seus pensamentos.
Renji não entendeu completamente o que ele quis dizer, mas havia algo por trás daquelas palavras. Voltou a olhar para Genichiro, que já segurava outra bola para sacar.
Era apenas o terceiro jogo, mas Renji notou que o rosto de Genichiro já estava coberto de suor, sua respiração pesada. A pressão que ele enfrentava era maior do que Renji imaginara, mas seus olhos ainda brilhavam com determinação, sem nenhum sinal de derrota.
Dentro da quadra, Genichiro sacou novamente, com o mesmo golpe veloz — "Rápido como o Vento".
— Genichiro, sua força melhorou, mas seus golpes... estão estagnados — Mayu devolveu a bola com facilidade, expressando uma decepção sincera.
Quando os dois se enfrentaram pela primeira vez no ensino fundamental, os quatro golpes sagrados de Genichiro já estavam formados. Agora, no segundo ano do ensino médio, a essência deles permanecia a mesma — apenas a potência havia aumentado. O que antes era um desafio para Mayu, agora parecia insignificante.
Se Genichiro conseguisse evoluir sob pressão, transformando seus golpes de "Vento, Floresta, Fogo e Montanha" para algo como "Tempestade, Selva, Vulcão e Pico", talvez Mayu ainda sentisse algum interesse. Mas ele sabia que isso era impossível.
Nem todos eram como Syusuke Fuji, capaz de capturar um lampejo de inspiração e transformá-lo em golpes revolucionários em pleno jogo.
Genichiro permaneceu em silêncio, sem rebater as palavras de Mayu.
O som acelerado das raquetes ecoava pela quadra, mas era visível que Genichiro estava sendo dominado.
— FOGO DEVORADOR! — gritou ele, aproveitando uma bola alta que Mayu propositalmente deixou para ele.
Sem hesitar, Genichiro saltou, músculos tensionados, veias saltando em seu braço enquanto segurava a raquete com força. Com um golpe devastador, uma onda de chamas envolveu a bola, que desceu em direção a Mayu com força avassaladora.
Ele queria vencer Mayu de frente, sem truques.
— Não adianta, Genichiro. Não importa quantas vezes você tente — Mayu falou com serenidade, avançando em direção à bola envolta em chamas. — Já cansei de ver esses mesmos golpes.
Com um movimento preciso, ele interceptou a bola. As chamas vibraram violentamente contra a raquete, tentando escapar, mas em um piscar de olhos, se dissiparam. Mayu devolveu o golpe sem esforço.
A bola passou como um raio ao lado de Genichiro, prestes a marcar mais um ponto. Desta vez, porém, ele estava preparado. Controlou a altura do salto e, assim que a bola foi rebatida, já estava de volta ao chão.
Correndo em disparada, ele mergulhou no último instante, conseguindo devolver a bola por um triz. Mas o golpe foi fraco, subindo lentamente em direção ao outro lado da quadra.
— TCHUM!
Mayu saltou e, com um smash poderoso, transformou a bola em uma flecha prateada que despencou em direção a Genichiro. Agora, era sua vez de defender um smash.
— INÁBIL COMO A MONTANHA! — gritou Genichiro, preparando-se para o impacto.
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