No centro da câmara de pedra erguia-se um altar de quase dois metros de altura, cercado por quatro colunas robustas. Cada coluna sustentava uma cabeça de dragão vermelho-escura, do tamanho de um braço, com as mandíbulas voltadas para o altar, retratadas em poses ferozes e extremamente realistas.
Perto dali, alguns bancos de palha amarelos estavam dispostos para meditação e descanso.
— Esta é a câmara de fogo subterrâneo que meu avô construiu a um custo enorme! — explicou Qi Xiaoyao, batendo em sua bolsa de armazenamento para retirar um pequeno caldeirão de três alças e quatro pés, do tamanho de uma mão.
Com um gesto, o objeto voou em direção ao altar, crescendo rapidamente até se transformar num caldeirão gigante de três metros de diâmetro, pousando com um baque surdo.
Qi Xiaoyao então lançou uma série de feixes luminosos nas cabeças de dragão. De repente, as esculturas brilharam em vermelho e cuspiram chamas ardentes, elevando instantaneamente a temperatura da câmara.
Quatro jatos de fogo atingiram a base do caldeirão gigante, fazendo-o emitir um som cristalino enquanto se elevava e começava a girar lentamente.
— Mestre, já decidi o que farei com os materiais que você forneceu — disse Qi Xiaoyao, virando-se para Ye Ming. — Enquanto o Caldeirão Qinghuang aquece, gostaria de confirmar se minhas ideias lhe agradam.
— Conte-me — respondeu Ye Ming, acenando.
— As asas do louva-a-deus são óbvias, mas seus membros dianteiros podem ser forjados em duas adagas voadoras. Com técnicas especiais, posso transformá-las num conjunto. Já a carapaça da aranha pode virar três escudos combináveis, e suas pernas, outro conjunto de armas. O que acha?
Ao falar de artefatos, Qi Xiaoyao parecia outra pessoa — confiante, sem traços de sua habitual timidez.
— Perfeito. Confio no seu expertise — aprovou Ye Ming, satisfeito por suas ideias coincidirem.
— Ótimo! Agradeço sua confiança! — exclamou Qi Xiaoyao, animado.
Ye Ming então retirou todos os materiais das criaturas e colocou-os atrás do artesão, acrescentando um bloco escuro do tamanho de um punho.
— Ferro refinado! E em tal quantidade! — exclamou Qi Xiaoyao, surpreso.
— Exato. Cada artefato deve conter uma porção. Você decide a medida — afirmou Ye Ming.
— T-todos? — O artesão ficou pasmo. O mestre realmente não media esforços, usando materiais valiosíssimos em armas comuns.
— Não será usado tudo de uma vez. Quero os melhores artefatos possíveis, não itens medíocres — explicou Ye Ming, como se lesse seus pensamentos.
— Entendido! Com este ferro e materiais de insetos de quarta classe, prometo criar os melhores artefatos de elite! — comprometeu-se Qi Xiaoyao, decidindo não questionar.
Horas depois, o caldeirão já brilhava ao rubro. Qi Xiaoyao fez um gesto, e a tampa se abriu, revelando um interior incandescente, marcado por padrões de energia.
Com outro movimento, uma pata dianteira do louva-a-deus foi lançada dentro, envolvida por um campo protetor enquanto o calor intenso começava a derretê-la.
Dias se passaram. Quando o membro finalmente se liquefez, formando uma esfera negra, Qi Xiaoyao a extraiu e entregou a Ye Ming.
— Mestre, por favor, observe esta esfera. Quando estiver prestes a solidificar, coloque-a nesta caixa de jade. Não pode endurecer completamente.
— Pode deixar comigo — garantiu Ye Ming, cuja percepção espiritual facilitaria a tarefa.
Qi Yunxiao pegou outra perna de aranha e começou a fundi-la...
Quando todos os materiais foram purificados, já havia se passado um mês. O casco da aranha de jade sanguínea era extremamente resistente e levou mais tempo para derreter.
Depois de descansar e meditar por um dia, Qi Yunxiao começou a colocar os materiais no caldeirão gigante, fundindo-os um por um...
Em seguida veio a moldagem, e Ye Ming participou dessa etapa. Originalmente, Qi Yunxiao planejava usar um molde, mas Ye Ming achou que isso limitaria a qualidade. Com seu poderoso senso espiritual, ele moldou o artefato com precisão milimétrica...
Depois, veio a gravação de runas e restrições mágicas no interior do artefato...
...
Quatro meses depois, nos arredores da Cordilheira Taiyue.
Um arco cinza-escuro cortou o céu a uma velocidade impressionante. Em um piscar de olhos, já estava diante de um pico montanhoso.
A luz se dissipou, revelando uma canoa estreita de madeira escura, sobre a qual estava um homem vestido de branco, de cerca de 25 anos, com traços nobres — era Ye Ming.
— Com as asas do louva-a-deus-dourado fundidas no Barco do Vento Negro, a velocidade realmente aumentou bastante! — Ye Ming sorriu, satisfeito.
O Barco do Vento Negro mantinha o mesmo tamanho, mas agora exibia duas asas cinzentas e translúcidas vibrando em alta frequência, emitindo um brilho fantasmagórico. Era justamente esse movimento que impulsionava a velocidade absurda da embarcação.
Ye Ming estimou que, entre os cultivadores do Estágio da Fundação, poucos poderiam rivalizar com ele agora. Restava saber como se comparava a um mestre do Núcleo Dourado.
Ele passara mais de três meses forjando artefatos com Qi Yunxiao. Depois, visitou Xin Ruyin para checar o progresso nos diagramas do portal de teletransporte, mas ela pediu mais alguns dias. No entanto, já havia identificado todos os materiais necessários.
Ye Ming foi então aos mercados das seitas Estrela Celestial e Portão das Armas Divinas, comprando três ou quatro unidades de cada material.
Foi nessa época que ouviu um rumor: a prestigiosa família Yan, a mais influente do Reino Yue, organizaria um Torneio do Tesouro em quinze dias. Eles haviam criado um tesouro em forma de pagode e convidavam jovens talentos do reino e países vizinhos para competir.
Diziam que, por trás do torneio, havia um concurso para escolher um marido para a jovem Yan Ruyan, a mais talentosa da família — possuidora de um Espírito Celestial, uma raridade que garantia avanço sem obstáculos até o Núcleo Dourado. Além disso, diziam que ela era deslumbrante.
A notícia causou furor. Quem não desejaria tal oportunidade? Inúmeros cultivadores, mesmo sem convite, correram para o Castelo Yanling, sonhando com a sorte grande.
Ao ouvir isso, Ye Ming sentiu um frio na espinha. — Finalmente chegou... — murmurou. Ele apressou os preparativos, comprou suprimentos e voltou para esperar Xin Ruyin.
Ela, percebendo sua urgência, terminou os diagramas antes do prazo. Ye Ming, feliz, recompensou-a generosamente e pediu que continuasse trabalhando na matriz do sistema de inversão dos Cinco Elementos. Depois, partiu às pressas.
— Provavelmente não voltarei por um bom tempo... — Ye Ming desceu do barco, olhando para a montanha e a caverna que tanto conhecia.
Com um gesto, o Barco do Vento Negro encolheu e voltou para sua bolsa.
Dentro da caverna, Ye Ming foi direto ao depósito, onde guardava os espólios de suas pilhagens. Apesar de ter atingido o Estágio da Fundação há pouco, suas riquezas eram impressionantes — fruto de dezenas de emboscadas contra outros cultivadores. Mesmo vendendo parte, ainda restavam três bolsas de armazenamento cheias.
Ele as guardou no manto e vasculhou os outros cômodos, recolhendo itens importantes. Por fim, dirigiu-se à sala de treinamento.
Ao abrir a porta, uma névoa densa de energia espiritual o envolveu.
— O quê? Como a energia ficou tão concentrada? — Ye Ming franziu a testa. Ele treinara ali por anos e nunca vira algo assim.
Antes que pudesse investigar, uma voz suave e melodiosa ecoou:
— Você voltou.
— Quem está aí?! — Ye Ming pulou de susto, sacando várias armas num reflexo. Sua mente espiritual varreu a sala, mas só detectou uma presença enigmática perto da Fonte do Olho Espiritual.
— Um expert... No mínimo, Núcleo Dourado. — Seu coração gelou.
A voz feminina soou novamente, agora com um tom de irritação:
— Já me esqueceu?
Nesse instante, a névoa se retraiu violentamente, revelando uma mulher vestida de branco sentada em um círculo de runas complexas, ao lado da fonte.
— Você?! — Os olhos de Ye Ming se arregalaram.
A mulher tinha um rosto perfeito como a lua crescente, lábios pequenos e rosados como cerejas, nariz alto e uma testa ampla. Seus olhos brilhavam intensamente — não poderia ser outra senão Nan Gong Wan.
— Seu insolente! Nem mesmo minha voz você reconhece? — Ela se levantou com graça, aproximando-se de Ye Ming com passos elegantes, fitando-o com um olhar afiado como lâmina.
— Como eu poderia esquecer você? — Ye Ming não desviou o olhar, defendendo-se com naturalidade. — Você apareceu do nada e me assustou! Qualquer um ficaria tão atordoado que não reconheceria nem a própria mãe.
Ele fez uma pausa, sorrindo com confiança.
— Além disso, mesmo que eu esqueça todo mundo neste mundo, você seria a última pessoa que eu deixaria de lembrar.
— Hmph! Quem disse que somos íntimos? — Nan Gong Wan baixou o rosto, envergonhada, num gesto que involuntariamente destacou sua beleza.
Aquele momento de timidez fez com que todo o seu charme transbordasse, e Ye Ming não pôde evitar que seus olhos percorressem suas curvas suaves, engolindo em seco.
Percebendo sua própria reação, Nan Gong Wan ergueu o queixo de repente, assumindo uma postura fria e distante, como uma deusa inatingível.
Era fascinante como ela alternava entre doçura e severidade com tanta naturalidade, mantendo Ye Ming hipnotizado.
— Onde você esteve todos esses dias? — Ela virou-se levemente, perguntando com indiferença.
— Ah, só saí para dar uma volta — respondeu ele, recuperando o controle.
De repente, lembrou-se de algo e franziu a testa.
— Aliás, o que você está fazendo aqui? E entrando na minha caverna sem permissão? Sabe que isso é falta de educação, não sabe?
Seu tom ficou mais ríspido no final. Invadir o refúgio de outro cultivador era um grave desrespeito — algo que só seria tolerado entre parceiros mais íntimos.
— Eu... eu só entrei porque você não estava! — Nan Gong Wan corou, tentando justificar-se, mas suas palavras soaram fracas até para ela.
Depois de meses de conflito interno, ela decidira enfrentar Ye Ming. Se não queria matá-lo, então precisava aceitá-lo — caso contrário, essa dúvida se tornaria uma barreira em sua jornada.
Mas quando uma mulher se vê encurralada, ela sempre tem um recurso: mudar de assunto ou inverter a situação.
— E você ainda me critica? — Ela cruzou os braços, fingindo indignação. — Foi você quem me chamou! Há alguns meses, me enviou uma carta, não foi? Deve ter feito novas descobertas, certo?
Ye Ming arqueou uma sobrancelha, observando-a com um misto de admiração e incredulidade.
[Uma deusa do cultivo agindo como uma criança teimosa...]
— Estou esperando uma resposta! — Nan Gong Wan franziu o cenho, notando seu olhar desconcertante.
— Ah, as ervas espirituais de alto nível, é claro! — Ele recuou, lembrando-se do antigo acordo.
— O que mais seria? — Ela ergueu o queixo, como se dissesse: "Esqueça e você vai se arrepender".
— Bem, tenho algumas, sim — ele admitiu, divertido.
— Sério? Quantas? Mostre! — Seus olhos brilharam de expectativa.
— Humilde como sempre... só umas vinte e poucas — Ye Ming sorriu, abanando a manga. Vinte e sete caixas de jade surgiram no ar, sustentadas por sua energia.
http://portnovel.com/book/25/3928
Disseram obrigado 0 leitores