Enquanto isso, dentro de seu dantian, transformações ocultas estavam ocorrendo.
O líquido vermelho-azulado da energia espiritual de Ye Ming já havia formado um pequeno lago em seu dantian. No centro, acima do lago, queimava uma chama do tamanho de uma noz, dividida entre o verde e o vermelho.
De repente, a chama mergulhou direto no lago abaixo. Ao tocar a energia espiritual, ouviu-se um "whoosh", como se óleo inflamável encontrasse fogo vivo. Em um instante, toda a energia no dantian incendiou-se, ardia furiosamente.
Embora as chamas rugissem, não havia calor excessivo — apenas um morno desconforto que Ye Ming podia sentir.
A cada fio de energia queimado, ele se evaporava, transformando-se em vapor, apenas para se condensar novamente ao alcançar as paredes do dantian, escorrendo de volta ao "lago" em forma líquida.
O ciclo continuou sem fim.
Se alguém observasse atentamente, notaria que a energia recém-condensada havia encolhido um pouco em volume, mas sua pureza agora era muito maior.
Após inspecionar por um tempo e confirmar que tudo estava sob controle, Ye Ming sorriu, aliviado.
Ele estava praticando o Segredo da Chama Purificadora para refinar sua energia espiritual.
Três anos se passaram desde que, com a ajuda de remédios que aceleravam seu cultivo e da Fonte do Olho Espiritual, ele finalmente alcançara o ápice do primeiro estágio da Fundação.
Depois de polir sua energia por dias, sentiu que o momento havia chegado e iniciou o processo de refinamento.
No começo, ele não tinha certeza se o Segredo da Chama Purificadora traria riscos, então se preparou para qualquer emergência. Mas, pelo visto, preocupou-se à toa.
Segundo o manual, uma vez que o Fogo Verde-Escuro inflamava o dantian, ele continuaria queimando até que toda a energia espiritual tivesse sido refinada.
Calculando a velocidade das chamas, Ye Ming percebeu que o processo ainda levaria um tempo.
Deixando a maior parte de sua atenção no dantian, ele voltou sua percepção interna para examinar seu corpo físico.
Seu treinamento físico já mostrava resultados — seus músculos estavam mais densos, sua estrutura mais robusta, exalando uma aura de força. Seus ossos ainda não revelavam mudanças visíveis, mas Ye Ming sabia que também haviam se fortalecido. Só não era perceptível devido ao seu estágio atual.
Tudo isso era fruto da Técnica do Demônio da Maldição. Só de lembrar da dor que sentira durante o treino, ele estremeceu.
Felizmente, com uma abundância de Pílulas de Refinamento Corporal, o progresso fora suave. Em apenas dois anos, ele atingira o estágio avançado da primeira camada. Foi quando começou a tomar as pílulas aprimoradas que obtivera ao matar a Serpente das Brumas.
As pílulas reforçadas eram pelo menos duas vezes mais potentes. Com apenas cinco delas, ele alcançou o domínio total da primeira camada.
Depois disso, não importava o quanto treinasse, seu corpo não avançava mais. Ele sabia que, sem atingir a segunda camada da técnica, estagnaria.
Mas para avançar, precisaria de energia maléfica da terra — algo que sua caverna de cultivo não possuía.
Então, ele enfrentou um dilema: viajar atrás dessa energia ou continuar concentrado no Cânone da Chama Verde-Escura.
Há um ano, seu treino com a chama estava num estágio crítico. Pesando os prós e contras, ele decidiu adiar a busca pela energia maléfica e focou em solidificar seu poder espiritual, levando-o ao limite do estágio inicial.
Nesses três anos, ele também dedicou tempo livre aos estudos de formação de selos e artesanato mágico, esgotando quase os pergaminhos antigos que possuía. E valeu a pena.
Sua habilidade de raciocínio lógico, já forte em sua vida passada, tornou-se ainda mais aguçada com a ajuda da percepção espiritual.
Isso fez com que aprendesse os fundamentos das formações com relativa facilidade. Em três anos, ele já dominara completamente o Compêndio de Selos, dando seus primeiros passos verdadeiros nessa arte.
Mas era só isso. O compêndio só cobria o básico. Quanto às formações antigas descritas no final, elas ainda eram complexas demais para seu nível atual.
O mesmo valia para o Compêndio de Artesanato. Os fundamentos — técnicas de purificação de materiais, moldagem e fusão de artefatos — eram simples. Ele até praticou com os materiais deixados pelo Irmão Wang, sentindo que aprendera bastante.
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No dia seguinte, quando a última gota de energia espiritual foi refinada, Ye Ming mudou o selo em suas mãos.
Imediatamente, as chamas verde-escuras no dantian convergiram, retornando ao tamanho de uma noz, suspensas acima do "lago".
Avaliando seu corpo, ele deixou escapar um suspiro quase inaudível:
— "Tch… meu poder espiritual voltou ao nível inicial. Com os remédios acabados, não há como avançar só com isolamento..."
Ele se levantou e caminhou até a entrada da caverna, abrindo pela primeira vez em três anos a pesada porta de pedra.
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A Montanha Yaofeng, localizada a pouco mais de 200 li ao sul de Yuejing, era uma região desolada, sem traço de vida.
Lendas entre mortais diziam que a montanha fora amaldiçoada por um deus — qualquer um que ousasse pisar ali se tornaria um lunático em questão de minutos, capaz de cometer os atos mais insanos.
Na realidade, esses rumores eram apenas exageros. Para um cultivador, a verdadeira razão estava clara: a montanha abundava em energia maléfica da terra.
Essa energia não só repelia o poder espiritual, como também corrompia a mente.
Cultivadores avançados podiam resistir, protegidos por sua percepção espiritual poderosa. Mas iniciantes e mortais? Se a energia maléfica invadisse suas mentes, lentamente perderiam a sanidade sem perceber. Quando notassem, já seria tarde demais.
Num certo dia, uma sombra escura cortou o céu em direção ao Monte Riaofeng a uma velocidade impressionante. À distância, parecia um pequeno barco.
Em poucos instantes, a silhueta já estava sobre o cume da montanha, revelando-se de fato um barco estreito e negro de cerca de seis metros de comprimento. Sobre ele, um jovem de traços nobres, vestido de branco e aparentando uns vinte e cinco anos, observava ao redor. Era Ye Ming, que, assim que saiu de seu isolamento, cruzou milhares de quilômetros para chegar até ali.
Ye Ming olhou em volta. A montanha se estendia por quilômetros, com seu pico ultrapassando mil metros de altura. Rochas cinzentas e negras espalhavam-se sem ordem, e fendas de todos os tamanhos marcavam a superfície—algumas do tamanho de um punho, outras com mais de três metros de largura. Nenhum traço de verde se via; apenas um deserto de pedra.
De repente, sem aviso, uma espessa névoa cinzenta jorrou de uma das fendas logo abaixo de Ye Ming.
— Ai, não! — O rosto dele se alterou. No mesmo instante em que a névoa surgiu, grande parte de sua energia espiritual ficou bloqueada dentro do corpo, impossibilitando qualquer mobilização. Sem controle, ele despencou em direção ao solo.
Com um baque, Ye Ming caiu sobre um trecho arenoso, levantando uma nuvem de poeira.
O barco negro também fora afetado pela névoa. Seu brilho espiritual se enfraqueceu, e o veículo encolheu até ficar do tamanho de uma miniatura, caindo a poucos centímetros de Ye Ming com um tinido.
Capítulo 47: Absorvendo a Energia das Sombras
— Pfff, que descuido... — Ye Ming cuspiu, livrando-se dos fragmentos de terra na boca.
Movimentou braços e pernas, verificando se havia se machucado—nada grave. Olhou para cima: o barco caíra de uma altura de mais de trinta metros.
— Se eu não tivesse treinado meu corpo, essa queda teria me matado — murmurou, arrependido.
No mundo dos imortais, cultivadores muitas vezes não eram muito mais resistentes que pessoas comuns. Sem sua energia espiritual, eram frágeis. Uma queda daquela altura deixaria até um cultivador do estágio Fundação gravemente ferido.
Ye Ming olhou ao redor. Silêncio total. A névoa já se espalhara, tornando-se mais tênue, envolvendo tudo num macinho cinzento.
— Então essa é a energia das sombras... — murmurou, examinando o vapor.
Ele já sabia que essa energia se opunha ao qi espiritual e corroía a consciência dos cultivadores, mas não esperava que ela também bloqueasse a circulação de energia, prendendo-a dentro do corpo.
Ainda que não estivesse totalmente selado, com seu nível atual, ele mal conseguiria conjurar algumas pequenas chamas.
De repente, lembrou-se de algo. Abriu sua bolsa de armazenamento e tirou vários talismãs de fogo.
Concentrando o pouco qi que ainda conseguia usar, ativou um e lançou-o adiante.
O papel ardeu por um instante... e virou cinzas, sem liberar nenhum poder.
— Nem mesmo os talismãs funcionam?! — surpreendeu-se.
Parecia que a maioria das técnicas dos cultivadores seria inútil ali.
Testando seus limites, ele pisou com força no chão e se lançou contra uma pedra do tamanho de uma mó.
Com um golpe seco, seu punho esmagou a rocha em vários pedaços.
— Pelo menos minha força física ainda está intacta. Isso é um alívio.
Decidido, ele se dirigiu a uma das fendas maiores, onde a energia das sombras parecia emanar.
Ao entrar, a luz fraca revelou paredes de pedra negra, irregulares e cheias de sulcos, pontuadas por agulhas de rocha afiadas.
Quanto mais avançava, mais amplo o caminho se tornava. Depois de alguns quilômetros, surgiram as primeiras bifurcações. Sem saber qual direção tomar, ele escolheu um caminho aleatório e marcou a passagem com um símbolo discreto.
Mas, pouco depois, novas ramificações apareceram. A montanha estava se revelando um labirinto subterrâneo.
E, à medida que avançava, cada túnel começou a exalar aquela mesma névoa cinzenta—quanto mais adentro, mais densa ela ficava.
Sua energia estava completamente contida, e sua consciência não conseguia se expandir.
Depois de caminhar por um tempo incerto, Ye Ming encontrou uma caverna natural com cerca de dez metros de diâmetro.
Do chão, jorravam colunas contínuas de energia das sombras, enchendo todo o espaço com uma névoa tão espessa que mal dava para enxergar a própria mão.
— Chega. Essa caverna tem energia suficiente para o meu avanço.
Após inspecionar o local, sentou-se num canto e assumiu uma postura estranha, conforme exigido pelo Manual da Sombra Demoníaca.
Inspirou fundo e tirou do bolso uma dúzia de agulhas finíssimas. Sem hesitar, as inseriu em pontos específicos do corpo.
Então, cessou qualquer resistência à energia estranha. Imediatamente, um frio penetrante o envolveu, fazendo-o estremecer.
Antes, a energia mágica dentro dele não podia ser liberada para fora, mas ainda circulava internamente, ajudando a resistir à corrosão da energia maligna da terra.
Mas agora, ao liberar os pontos das agulhas de prata e entrar em contato direto com essa energia sombria, ele sentiu um frio na espinha — era perigoso.
Iê Ming não perdeu tempo. Seus dedos se moveram rápido, formando selos mágicos que se juntaram diante do peito.
A energia maligna ao redor imediatamente reagiu, como se uma pedra tivesse caído em um lago tranquilo, criando ondulações antes de começar a fluir lentamente.
Em pouco tempo, toda a energia sombria foi atraída como por um ímã, avançando furiosamente em direção a Iê Ming.
Nuvens cinzentas de energia se enrolaram em seu corpo, tentando penetrar a pele, mas não importava o quanto se esforçassem, não conseguiam. Iê Ming havia fechado todos os poros e aberturas do corpo, bloqueando a invasão.
Então, ele baixou as mãos, apoiando-as nos joelhos, e mudou o selo.
De repente, a névoa densa encontrou uma saída — as agulhas de prata cravadas em seus pontos de acupuntura. A energia correu para dentro delas, competindo para entrar.
— Ahn… ha… — Um formigamento insuportável, como se milhares de formigas rastejassem por dentro de seu corpo, uma sensação agonizante e ao mesmo tempo quase cômica.
Iê Ming cerrou os dentes, suportando a dor e a coceira. Quando achou que era suficiente, bloqueou as agulhas, impedindo que mais energia entrasse.
A energia que já estava dentro dele foi então controlada por sua consciência espiritual, guiada em um fluxo metódico através de músculos e ossos.
Mas ele teve extremo cuidado — a energia sombria não podia chegar perto dos meridianos ou do campo de energia vital. Se entrasse em conflito com sua energia mágica interna, as consequências seriam desastrosas: desde o desperdício de energia e regressão no cultivo até o rompimento dos meridianos e, no pior caso, a morte explosiva.
Seus músculos e ossos, estimulados pela energia sombria, reagiram instintivamente, contraindo-se para resistir à invasão.
Observando internamente, Iê Ming usou as técnicas do Caminho do Demônio da Energia Sombria para controlar e absorver a energia que havia penetrado.
A dor e o formigamento continuaram, intensificando-se durante todo o processo. Só quando a energia foi completamente absorvida é que o sofrimento diminuiu um pouco.
Nesse ponto, Iê Ming já estava encharcado de suor, músculos tremendo incontrolavelmente.
Depois de descansar e se recuperar, ele absorveu mais algumas correntes de energia sombria pelas agulhas e começou o próximo ciclo de refinamento.
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Capítulo 48 — O Sapo das Sombras
Enquanto Iê Ming usava a energia sombria para avançar no Caminho do Demônio da Energia Sombria, o Monte Riaofeng recebia visitantes inesperados.
No céu, não muito longe dali, várias figuras voavam em perseguição.
À frente, montado em um artefato voador, estava um homem de cabelos grisalhos, aparentando uns sessenta ou setenta anos, com nível de cultivo no estágio intermediário da Fundação. Seu rosto estava pálido, os cabelos desgrenhados, e sua túnica marrom manchada de sangue — claramente, ele havia fugido de uma batalha violenta.
Atrás dele, perseguindo-o, estavam um sacerdote taoista e um jovem de expressão implacável.
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