O terceiro dia já estava bem adiantado, e as áreas externas com ervas medicinais espirituais certamente já haviam sido saqueadas pelos outros discípulos. Por isso, assim que saiu da caverna, Ye Ming correu direto para o interior da montanha circular.
Dessa vez, a sorte estava do seu lado. Mesmo com o fim do dia se aproximando, ele conseguiu vasculhar três pontos e obter duas ervas espirituais, além de encontrar mais uma escondida em um canto discreto no caminho.
No trajeto, cruzou com alguns discípulos de seitas rivais, incluindo alguns do Vale do Bordo Amarelo. Como não havia conflito de interesses óbvio, Ye Ming não deu bola e usou a velocidade das suas Botas do Vento para deixá-los para trás sem dificuldade.
Logo após o anoitecer, ele chegou a um pântano.
Uma das vítimas que eliminou era um discípulo da Seita Lua Ocultante, e dele Ye Ming conseguiu um jade com informações sobre uma caverna subterrânea ali perto, que tinha ervas espirituais maduras — mas era protegida por uma fera poderosa.
Lugares assim eram perigosos demais para a maioria, mas, confiando na velocidade das suas botas, Ye Ming decidiu arriscar. Afinal, depois de um dia inteiro de busca, os lugares mais seguros já deviam estar esvaziados. Se quisesse mais tesouros, teria que enfrentar o perigo.
O pântano era um terreno lamacento, cheio de buracos e folhas apodrecidas, exalando um cheiro horrível. Cobrindo o rosto, Ye Ming usou uma técnica de leveza para saltar entre as partes mais sólidas do solo, avançando até o coração da região.
Após cerca de cinco quilômetros, alcançou um platô elevado, coberto de grama baixa e verde, com pedras espalhadas desordenadamente. No centro, depois de inspecionar o local, ele evocou uma adaga mágica e começou a cavar.
Em pouco tempo, um buraco escuro apareceu, com degraus que levavam a profundidades desconhecidas.
— Encontrei! — Ye Ming sorriu, ativou um escudo protetor e, segurando uma Pedra da Lua para iluminação, desceu com passos firmes.
O túnel era estreito, com degraus suaves que se estendiam por quilômetros. No fim, o espaço se abria em uma caverna enorme, com quase cem metros de diâmetro.
No fundo, um lago verde escuro dominava a cena, com algumas rochas negras emergindo na superfície. Sobre elas, brotavam mais de uma dezena de ervas espirituais — e quatro delas, brilhantes como jade e em forma de ganoderma, destacavam-se claramente.
— Ganoderma de Medula de Jade! E tantos de uma vez! — Ye Ming quase soltou um grito de surpresa e euforia. Depois de tanto lutar por míseras poucas ervas, encontrar tantas de uma vez era uma dádiva.
Mas a euforia durou pouco. Se o local ainda estava intocado, era óbvio que o perigo aqui era imenso.
Ele examinou a caverna inteira com atenção, mas não encontrou ameaças visíveis. O perigo, então, só podia estar no lago.
Hesitante, mas com os olhos cheios de cobiça, Ye Ming pegou um talismã especial — o Talismã do Machado da Montanha, um tesouro poderoso que consumiria parte do seu precioso poder com apenas um uso.
— Para tantas ervas centenárias, vale a pena — resmungou, começando a canalizar energia para o talismã.
No mesmo instante, Ye Ming quase largou o objeto no susto. O talismã sugou como um vampiro, roubando 20% da sua energia num piscar de olhos. Depois, a absorção diminuiu, mas, mesmo assim, ele já havia gasto um terço da sua força antes do talismã mostrar qualquer reação.
— Que consumo absurdo! — praguejou, suando frio.
Só quando quase metade da sua energia se foi o talismã finalmente se ativou, transformando-se num machado dourado gigante, pairando acima dele com um brilho ofuscante e uma pressão aterrorizante.
O barulho e a energia despertaram algo no lago.
Com um "splash", metade de um corpo colossal emergiu. Uma jacaré esmeralda de três metros de comprimento, escamas duras como aço e olhos frios de reptil encarou Ye Ming com fome.
— Jacaré das Águas Verdes! — gritou Ye Ming, sentindo o peso da presença da fera, muito além do poder de um cultivador do 13º estágio.
Agora entendia porque ninguém ousava vir aqui. Aquele monstro era uma sentença de morte para qualquer um sozinho.
Sem pensar duas vezes, ele sacou um orbe azul-claro, com faíscas de relâmpago dentro — a Pérola do Trovão Celestial.
O jacaré, sentindo o poder do machado dourado, rugiu como um touro e atacou, lançando-se para frente com um salto devastador.
[Capítulo 23 — Baú de Prata]
Ye Ming não perdeu a calma. Com um passo ágil, desviou três metros para o lado, evitando o golpe. Ao mesmo tempo, controlou o machado no ar, que desceu como um raio em direção à cabeça da fera.
O jacaré, sentindo o perigo, tentou desviar, mas o machado ainda acertou em cheio seu corpo, abrindo uma cratera no chão e fazendo a caverna inteira tremer.
Ao presenciar aquela cena, Ye Ming não pôde evitar uma admiração silenciosa. O poder liberado pelo Talismã Tesouro era incomparavelmente superior ao de qualquer artefato de topo que ele já havia usado.
A jacaré-d'água-esmeralda mal conseguiu desviar do machado gigante antes de girar bruscamente, seu corpo se contorcendo enquanto as quatro patas curtas se moviam freneticamente, tentando escapar de volta para a lagoa.
— Que idiota eu sou! — Ye Ming se repreendeu mentalmente. — É claro que um jacaré é mais perigoso na água!
Ele sabia que, na água, um jacaré podia usar a cauda para impulsionar ataques poderosos e realizar mortais rotações. Mas em terra firme, sem esse apoio, sua força diminuía pela metade. A pressa do jacaré em retornar à lagoa só confirmava essa fraqueza.
Decidido, Ye Ming controlou o machado para se elevar alguns metros antes de desferir outro golpe devastador, mirando desta vez o centro do corpo do jacaré, a parte mais lenta e vulnerável.
Como previsto, a criatura tentou desviar. Em terra, sua agilidade estava comprometida — enquanto a cabeça e a cauda ainda se moviam com certa liberdade, o corpo pesado respondia com lentidão. O jacaré só conseguiu se deslocar alguns palmos antes que o machado despencasse sobre ele.
Com um movimento brusco da cabeça, o jacaré tentou desviar o golpe com suas escamas duras.
[CRÁÁÁS!]
O impacto ecoou na caverna. As escamas resistiram, sofrendo apenas um pequeno corte, mas a força do golpe arremessou a cabeça do jacaré para o lado. O machado, desviado ligeiramente, atingiu o flanco do animal.
[PLOFT!]
A lâmina dourada cortou limpo pela metade o corpo da criatura.
— Moooooo! — O rugido de dor do jacaré encheu o ar.
Animado, Ye Ming canalizou toda sua energia restante para o machado, que se ergueu novamente antes de cair como um raio sobre a ferida exposta.
[PLACT!]
Desta vez, o golpe partiu o jacaré em dois. A energia dourada do machado explodiu dentro do corpo da criatura, despedaçando órgãos vitais. Depois de alguns espasmos, as duas metades ficaram imóveis.
— Consegui? — Ye Ming quase não acreditava no que via. — Hahaha! Perfeito!
Com gestos precisos, ele chamou o machado de volta. A arma diminuiu durante o voo, transformando-se novamente em um talismã dourado ao pousar em sua mão — agora um pouco mais desbotado.
Ao sentir o esgotamento de sua energia, Ye Ming fez uma careta. O Talismã Tesouro era poderoso, mas sugava suas forças rapidamente. Aquele breve combate consumira mais da metade de sua energia. Alguns ataques a mais e ele ficaria completamente seco.
Guardando o artefato de emergência que nem chegou a usar — uma esfera de trovão —, Ye Ming voltou seu olhar para o centro da lagoa, onde um sorriso vitorioso surgiu em seu rosto.
Protegido por um escudo prateado e uma barreira energética, ele pulou para uma das rochas negras que cercavam a água.
— O que é isso...?
No centro do círculo de pedras, um buraco de cerca de três metros de profundidade revelava um baú prateado do tamanho de um tambor. Sua superfície era adornada com intrincados relevos de flora, fauna e paisagens, tudo brilhando sob uma luz prateada.
Quando Ye Ming estendeu seus sentidos espirituais, teve uma surpresa: o baú parecia invisível para sua percepção. Se não fosse por vê-lo com os próprios olhos, ele jamais saberia que estava ali.
Após verificar que não havia armadilhas, Ye Ming esticou a mão e, com um gesto, puxou o baú para si. Sem tempo para examiná-lo, guardou-o imediatamente em sua bolsa.
Era hora de colher as ervas medicinais e sair dali rapidamente. Ele sabia que em algum lugar do território proibido, a jovem mestra Nan Gong Wan liderava seus discípulos da Seita Lua Velada em uma colheita sem precedentes. Eles poderiam chegar a qualquer momento.
Com cuidado, Ye Ming extraiu uma dúzia de plantas medicinais centenárias — algumas com até quatrocentos ou quinhentos anos de crescimento. Olhar para aqueles tesouros botânicos quase o fez reconsiderar entregá-los ao seu clã. Até mesmo mestres do Núcleo Dourado cobiçariam tais ingredientes! Trocar tudo por um único frasco de Pílula de Fundação parecia um roubo.
Mas ele não tinha escolha. Com um suspiro resignado, guardou as ervas e até mesmo os restos do jacaré antes de fazer uma última inspeção no local. Satisfeito, desapareceu na escuridão do túnel.
Uma hora depois, um grupo de quinze ou dezesseis discípulos vestidos de branco adentrou a caverna em silêncio. Todos os sobreviventes da Seita Lua Velada no território proibido estavam ali — e à frente deles, uma jovem de aparência etérea e inocente: a própria Nan Gong Wan.
Seus seguidores a observavam com uma mistura de reverência e euforia. Nas últimas horas, aquela mestra jovem os levara a locais antes considerados inacessíveis, enchendo suas bolsas com ervas raras sem nenhum perigo. Foi uma caçada como nenhuma outra.
De repente, Nan Gong Wan parou. Como um só, todo o grupo congelou atrás dela.
— Vamos, chegamos tarde. Alguém já esteve aqui antes de nós. Não esperava que houvesse outros com habilidades consideráveis nesta área proibida! — Nanwan Wan, com uma voz surpreendentemente doce para sua posição, observou as marcas profundas no chão, deixadas por algum artefato poderoso, e os respingos de sangue ao redor. Seus olhos se fixaram brevemente na rocha negra e desnuda antes de se virar.
— Sim, Mestra! — responderam em uníssono os discípulos vestidos de branco atrás dela, com reverência.
O grupo partiu rapidamente da caverna, deixando o local em silêncio novamente.
...
Enquanto isso, Ye Ming, após sair da caverna subterrânea, encontrou um descampado isolado. Sem perder tempo, cavou um buraco no chão e se escondeu dentro.
Sua primeira ação foi sentar-se em posição de meditação para recuperar sua energia espiritual. Naquele lugar perigoso, manter-se em plena capacidade era questão de vida ou morte.
Uma hora depois, Ye Ming abriu os olhos, revigorado. Com um gesto da mão, uma caixa prateada surgiu diante dele — o tesouro que encontrara na caverna.
Examinando-a com cuidado, ele pressionou alguns mecanismos na tampa e, com um leve esforço, a abriu.
Dentro, havia apenas três objetos: um livro grosso, um fragmento de osso e um disco de bronze.
Ye Ming pegou o livro primeiro. A capa, feita de um couro desconhecido, era macia ao toque e emitia uma sensação fresca. As palavras "Compêndio de Artefatos" estavam gravadas em caracteres antigos na capa. Felizmente, durante seus estudos sobre o caminho dos imortais, Ye Ming havia aprendido a ler essa escrita ancestral.
Folheando as páginas, ele descobriu que o livro estava dividido em seções: uma sobre materiais, descrevendo suas aparências e propriedades; outra sobre fundição, explicando métodos de refinamento; e uma última sobre criação de artefatos, detalhando como combinar diferentes materiais. No final, havia até instruções para forjar alguns tesouros lendários.
— Um manual completo de forja... Pode ser útil no futuro — murmurou Ye Ming, embora soubesse que só consideraria aprender essas técnicas após alcançar um nível mais avançado em seu cultivo.
Em seguida, ele examinou o fragmento de osso. Com cerca de quatro dedos de largura e meio pé de comprimento, a superfície estava coberta por minúsculos caracteres quase imperceptíveis.
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