Iê Ming usava toda sua habilidade na arte de ocultar a respiração, reduzindo ao máximo sua presença. Movendo-se furtivamente entre as pedras, aproveitando a escuridão, ele avançava em silêncio. Quando chegou a cerca de trinta metros de distância, se escondeu atrás de uma rocha grande e espiou com cuidado.
Num terreno aberto, duas figuras lutavam com dificuldade. À luz bruxuleante dos artefatos mágicos que usavam, Iê Ming reconheceu o belo e imponente Irmão Lu. O outro homem, de pele morena e feições comuns, era o lendário Han Li.
A batalha atingira um impasse. Irmão Lu mantinha uma muralha de vento para se proteger, enquanto seus dedos comandavam uma imensa serpente verde que se contorcia no ar. A criatura, com cabeça de boi, chifres de veado e corpo escamoso, lutava ferozmente contra uma espada gigantesca e reluzente.
A espada, com dois ou três metros de comprimento, brilhava intensamente, trocando golpes igualmente poderosos com a serpente. Nenhuma das duas levava vantagem por muito tempo.
Do outro lado, Han Li estava sentado no chão, despretensiosamente, sem qualquer proteção mágica. Sua audácia não passou despercebida por Irmão Lu, que tentou atacá-lo com uma lâmina de vento. Porém, antes que pudesse agir, a espada cinza disparou em sua direção.
Irmão Lu hesitou. Se matasse Han Li, seria morto pela espada vingativa. Não valia a pena arriscar sua vida promissora por um oponente insignificante. Então, redirecionou a serpente para interceptar a espada.
Várias vezes ele tentou atacar Han Li, mas sempre era impedido pela espada vigilante. O confronto se transformou num teste de resistência, onde o primeiro a vacilar morreria.
Ambos começaram a usar pedras espirituais para recuperar energia. Irmão Lu ficou furioso ao ver Han Li usando uma pedra de qualidade superior, que acelerava sua recuperação. Ainda assim, confiava que sua experiência iria prevalecer.
Mas então, Han Li fez algo inesperado: começou a mastigar ervas e raízes estranhas que tirava de sua bolsa. Irmão Lu não entendia, mas uma sensação de desgraça o invadiu.
Quinze minutos depois, a serpente começou a enfraquecer, enquanto a espada mantinha seu brilho. Irmão Lu, em pânico, gritou:
— Impossível! Como você tem mais energia que eu?
Han Li ignorou seus berros. Com um gesto, sua espada brilhou ainda mais, reduzindo a serpente a um vulto vacilante. Sem escolha, Irmão Lu reuniu suas últimas forças e lançou uma lâmina de vento contra Han Li.
Naquele instante, Han Li saltou para trás, usando apenas habilidades mundanas de agilidade. A espada cinza caiu como um raio sobre Irmão Lu, partindo-o ao meio antes que pudesse reagir.
O grito de Irmão Lu ecoou na noite. A lâmina de vento, agora sem controle, enterrou-se no chão, criando um rasgo profundo.
Han Li, exausto, caiu sentado no chão. Olhou para os restos de Irmão Lu, respirando fundo. A morte passara por um triz.
O corpo do Irmão Lu jazia em dois pedaços, e a espada gigante que pairava acima dele agora emitia apenas um brilho fraco e sombrio.
Ye Ming, observando de longe, sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Os métodos que aqueles dois haviam empregado eram tão poderosos que, se fossem usados contra ele, ele não duraria nem um único round.
Mesmo com a espada cinza agora fraca, sua energia ainda não se esgotara por completo. Assustado, Ye Ming se escondeu atrás de uma rocha, prendendo a respiração e sem se mover um músculo.
No instante seguinte, viu Han Li acenar para a espada gigante, que imediatamente girou e retornou a ele, transformando-se novamente em um talismã.
Mas, quando Han Li estendeu a mão para pegá-lo, o papel do talismã começou a cair e, de repente, puff — inflamou-se sozinho, reduzindo-se a cinzas em segundos, dispersas pelo vento da montanha.
— Agora! — Ye Ming quase riu de alegria. Com o talismã esgotado, seu medo desapareceu. Ele colocou o capuz de sua roupa preta e saltou de seu esconderijo, invocando sua própria arma, um disco voador, que arremessou em direção a Han Li com fúria.
Ao mesmo tempo, lançou várias bolas de fogo para bloquear o caminho entre Han Li e o cadáver do Irmão Lu, impedindo que ele se aproximasse dos espólios.
— Quem é? — Han Li, que mal havia relaxado, sentiu uma onda de energia espiritual vindo de longe. Seu rosto mudou de cor. Como podia haver uma quarta pessoa aqui? E ainda por cima atacando sem aviso?
Sua energia espiritual estava quase esgotada, insuficiente para outra batalha. Se lutasse agora, certamente sairia perdendo.
Vendo as bolas de fogo bloqueando o caminho e o disco voador se aproximando rapidamente, Han Li não hesitou. Com um movimento ágil, ativou o Passo da Névoa e recuou a toda velocidade, abandonando até mesmo os espólios sem pensar duas vezes.
O disco voador parou no local onde Han Li estivera, girando no ar.
— Bang! Bang! Bang! — As bolas de fogo explodiram no chão, abrindo crateras e espalhando terra e pedras.
Ye Ming, todo vestido de preto, chegou ao local e observou Han Li fugindo. Sem intenção de persegui-lo, correu até o cadáver do Irmão Lu.
Ignorando a cena sangrenta, revistou o corpo e logo encontrou uma bolsa de armazenamento no lado direito. Sem perder tempo, guardou-a consigo.
Depois de uma busca rápida, chutou os pedaços do cadáver para juntá-los e lançou uma bola de fogo sobre eles.
— Whoosh! — O corpo incendiou-se em chamas intensas.
Ye Ming pegou a Bandeira do Dragão Verde caída no chão e se aproximou de Chen Qiaoqian, recolhendo sua bolsa de armazenamento e outros itens espalhados.
Em seguida, jogou-a sobre o ombro e, com um movimento fluido, ativou sua técnica de agilidade e partiu em disparada na direção oposta a Han Li.
Toda a sequência foi tão suave que parecia ensaiada. Ye Ming já havia planejado cada possibilidade para essa noite, e tudo estava dentro do esperado.
Quanto a enfrentar Han Li e roubar seus espólios... ele não estava nem aí. Se não agisse agora, como conseguiria seu primeiro tesouro? Como avançaria no caminho da imortalidade?
Nesse mundo implacável, os recursos eram escassos, e tudo se resumia a uma palavra: tomar. Aqueles no topo da pirâmide estavam todos manchados de sangue.
Ye Ming já havia aceitado os riscos. Se desse certo, seu caminho estaria aberto. Se falhasse, bem... pelo menos teria enfrentado Han Li de igual para igual.
Ele duvidava que Han Li, com sua energia quase esgotada e sem o talismã, pudesse vencê-lo agora.
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Capítulo 5: A Pílula da Fundação
Ye Ming correu por mais de trinta quilômetros com Chen Qiaoqian nos ombros antes de parar, ofegante.
Pelo caminho, mudou de direção várias vezes para despistar qualquer possível perseguição de Han Li.
Chen Qiaoqian, intoxicada pelo Elixir do Prazer, já havia perdido a consciência. Sua pele estava cor-de-rosa, e suas mãos exploravam o corpo de Ye Ming com urgência.
Mesmo sem ver seu rosto, Ye Ming sabia que sua expressão devia ser irresistível — os gemidos que escapavam de seus lábios já eram suficientes para incendiar seus sentidos.
Depois de rodear a área, encontrou uma caverna parcialmente escondida por trepadeiras e entrou.
O interior era escuro como breu. Ye Ming retirou algumas pedras lunares de sua bolsa de armazenamento, iluminando o espaço.
A caverna tinha cerca de três metros de largura e cinco de profundidade, com o chão seco e limpo, sem vestígios de animais.
Estendendo um cobertor no chão, Ye Ming deitou Chen Qiaoqian ali.
Seu corpo era uma tentação, mas Ye Ming forçou-se a desviar o olhar. Agora não era hora de distrações.
Pegou a bolsa de armazenamento do Irmão Lu e, ao despejar seu conteúdo, uma pilha de objetos apareceu: roupas, frascos, algumas armas e talismãs.
Mas, antes que pudesse examiná-los, Chen Qiaoqian se atirou sobre ele, abraçando-o com força, seus lábios buscando os dele com desespero.
Apesar do fogo que queimava em suas veias, Ye Ming tentou afastá-la, mas ela estava incrivelmente forte, agarrando-se a ele como uma lula.
Por um momento, ele não conseguiu se soltar.
Yeming deu uma risada amarga e ignorou Chen Qiaoqian, deixando que ela fizesse o que quisesse, enquanto voltava sua atenção para os objetos no chão.
Ajoelhando-se, ele passou por cima de uma pilha de roupas e começou a vasculhar os frascos e potes ali espalhados.
Pouco depois, encontrou uma caixa de madeira vermelha, decorada e com um selo simples colado, além de um frasco de porcelana azul também marcado com o mesmo selo.
Primeiro, pegou a caixa vermelha, um pouco maior que sua mão, arrancou o selo e, segurando-a com uma mão, abriu a tampa com a outra.
Dentro, repousava uma pílula do tamanho de um grão de feijão, brilhando em um azul vibrante — era o Elixir de Fundação!
Nos últimos dois anos, Yeming havia visto esse elixir tantas vezes que, ao avistá-lo, reconheceu imediatamente.
Olhando para a pílula em sua mão, ele não conseguiu conter um sorriso frio:
— Ah, Irmão Lu, você que tentou roubar meu Elixir de Fundação… Nunca imaginou que o seu acabaria nas minhas mãos, não é?
Depois de rir por um momento, respirou fundo para se acalmar e, com um pensamento, o elixir desapareceu.
Ao abrir sua bolsa, viu que no quarto compartimento havia agora o símbolo de uma pílula azul — o Elixir de Fundação.
— Então também não funciona assim… — murmurou, frustrado. Os três primeiros compartimentos continuavam vazios, sem qualquer função aparente.
Em seguida, abriu o frasco azul e descobriu que também continha um Elixir de Fundação.
— Mais um! — exclamou, feliz, guardando-o na bolsa.
Continuou a revirar os pertences e encontrou mais de trinta talismãs de baixo nível e cerca de dez de nível intermediário, como os de Serpente de Fogo e Diamante.
Havia também dois artefatos de alto nível: uma corda verde e um gancho prateado.
Além disso, havia pouco mais de vinte pedras espirituais de baixa qualidade e nenhuma pílula para auxiliar no cultivo no estágio de Refinamento de Qi.
— Um discípulo de elite com raiz espiritual de vento e só tem isso? — Yeming não resistiu a um comentário sarcástico.
O que ele não sabia era que, na verdade, o Irmão Lu era considerado abastado. O problema é que ele havia gasto grande parte de sua fortuna para comprar o Estandarte do Dragão Verde, um artefato de nível supremo excepcionalmente poderoso.
Artefatos desse nível variavam muito em preço. Enquanto os comuns custavam entre trezentos e quatrocentos pedras espirituais, os mais poderosos ou com habilidades especiais podiam chegar a setecentos, até oitocentas pedras.
O Estandarte do Dragão Verde era justamente um desses artefatos raros. O Irmão Lu havia juntado tudo que pôde — até mesmo usando métodos questionáveis — para reunir as setecentas pedras necessárias para adquiri-lo.
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