— Só sabe ficar fugindo? Cadê sua hombridade? — Xu Sanshi ergueu o escudo e gritou com Shi Yu, visivelmente irritado com as táticas do adversário.
— Na batalha, cada um usa seus pontos fortes. Minha energia espiritual é inferior à sua, meu poder de ataque é fraco e minha defesa nem se compara. Como eu poderia machucá-lo?
— Nessas condições, se não fugir, o que mais posso fazer? — Shi Yu revidou, sem sentir nenhuma vergonha por sua estratégia. Sem habilidades de ataque poderosas, a evasão era a opção lógica.
Alguns entre os espectadores concordaram discretamente. Com dois anéis espirituais a menos que Xu Sanshi, era natural que Shi Yu se defendesse assim. Até Mu En, que observava deitado à distância, aprovou o raciocínio do jovem, surpreso por sua clareza de pensamento.
— Covarde! — Xu Sanshi insultou, tentando provocá-lo.
Apesar da raiva, Shi Yu ignorou o xingamento e disse calmamente:
— Você tem mais uma chance. Se não me derrotar agora, perde o direito de perturbar Nannan no futuro.
— Se eu não tenho direito, você tem menos ainda! — Xu Sanshi explodiu, mais afetado por essa provocação do que por qualquer insulto.
— O combinado eram três golpes — interveio uma voz. — Mas com tantos teletransportes, você já ultrapassou esse limite. Tecnicamente, já perdeu.
Xu Sanshi hesitou ao reconhecer Bei Bei, que passou à frente encarando Shi Yu, pronto para defender o amigo.
— Quem é esse? — pensou Shi Yu, confuso.
— O acordo foi que Xu Sanshi teria três golpes para me derrotar, não que eu estaria limitado.
— Meus teletransportes são como dar um passo. Se contar cada movimento como um golpe, ele já deu dezenas de passos antes de mim. Pela sua lógica, ele já teria perdido.
— Teletransporte é a mesma coisa que um passo? — questionou Bei Bei, cético.
— Claro que é — respondeu Shi Yu, sério. Deu um passo à frente, aparecendo instantaneamente cinco metros adiante, e depois voltou ao lugar original.
— Não foi só um passo?
Bei Bei ficou surpreso. Nunca vira alguém usar teletransporte com tanta naturalidade, ainda mais um guerreiro espiritual de nível tão baixo. Ficou sem resposta.
Vários espectadores, mais experientes, reconheceram a habilidade incomum de Shi Yu.
— Acho justo — opinou Jiang Nannan, defendendo-o.
— Concordo — apoiaram outros, não por cortesia, mas por sinceridade.
Xu Sanshi, furioso, ignorou os comentários e atacou novamente, ativando seu terceiro anel espiritual: o Poder da Tartaruga Negra.
Águas escuras surgiram ao redor de Shi Yu, pressionando-o e perturbando seu fluxo de energia espiritual. Era uma tentativa clara de impedir seus teletransportes.
Sem tempo para reagir, Shi Yu ativou seu primeiro anel espiritual: Arte da Elevação. Seu corpo disparou para cima como um foguete, escapando por pouco do ataque de Xu Sanshi, que saltou atrás dele, frustrado.
Desesperado, Xu Sanshi arremessou seu escudo. Shi Yu, sem condições de evitar o golpe, sentiu um frio na espinha.
Num instante, um brilho roxo irrompeu de suas costas — oito pernas de aranha surgiram, curvando-se para frente e protegendo-o como um escudo vivo.
— O que é isso?! — muitos gritaram, chocados.
— Osso espiritual externo... Oito Lanças de Aranha? — murmurou Mu En, reconhecendo a raridade. Lembrava-se das lendas sobre Tang San, o ancestral de mil anos atrás.
Enquanto isso, Shi Yu pairou no ar, suas novas "pernas" reluzentes, transformando o combate em algo totalmente inesperado.
Tranq! O escudo da Tartaruga Profunda colidiu com as Lanças-Aranha, produzindo um som metálico estridente.
O corpo de Shi Yu foi arremessado para trás, girando várias vezes no ar até conseguir se estabilizar com dificuldade.
Uma dor intensa nas costas fez seu rosto se contorcer. Ao examinar as Lanças-Aranha, percebeu que duas delas estavam rachadas pelo impacto.
O escudo, repelido pela força do golpe, voltou diretamente para as mãos firmes de Xu Sanshi.
Ao tocar o chão, Xu Sanshi cerrou os punhos, mas não continuou o ataque. Seu rosto transbordava frustração por não aceitar o resultado.
— Ufa... — Shi Yu suspirou longamente, olhando para Xu Sanshi com expressão igualmente tensa. — O acordo era de três golpes. Você perdeu, Xu Sanshi. Espero que cumpra sua palavra e pare de importunar a senior Nanlan.
Alguns espectadores olhavam para Shi Yu, impressionados com sua habilidade e curiosos sobre as estranhas protuberanças em suas costas. Outros observavam Xu Sanshi com sorrisos sarcásticos — era constrangedor para um Mestre Espírito não conseguir derrotar um Discípulo em apenas três ataques.
Xu Sanshi permaneceu em silêncio, apertando os punhos com ainda mais força. Seus olhos procuraram Jiang Nanlan, mas ela desviou o rosto com frieza, deixando claro seu desinteresse. Aquela reação cortou seu coração como uma faca, alimentando sua relutância em desistir.
— Vamos embora — disse Beibei, aproximando-se para puxar Xu Sanshi.
Quebrar publicamente o acordo de três golpes arruinaria sua reputação. A única opção era engolir a derrota por enquanto.
Recolhendo seu espírito marcial, Xu Sanshi seguiu Beibei, mas parou após alguns passos. Sua voz saiu gelada ao se virar para Shi Yu:
— Dessa vez você venceu. Mas não pense que acabou. Vou desafiar você de novo. Se tem honra, não fuja.
— Você acha que vou ficar fugindo pelo resto da vida? — completou, desafiador.
Shi Yu pousou suavemente e soltou uma risada irônica.
— Tá me provocando só pra eu aceitar outro combate, né?
— Aí você coloca condições, tipo anular nossa aposta atual. Se vencer, finge que essa derrota nunca aconteceu.
— Acha que sou burro? Desculpe, mas não aceito mais desafios seus. Cumpra sua promessa: pare de perturbar a senior Nanlan e não venha atrás de mim. Homem que é homem honra sua palavra.
— Você...! — Xu Sanshi avançou, pronto para golpeá-lo.
— Calma, calma! — Beibei o segurou com força.
Shi Yu então anunciou em voz alta:
— Que todos sejam minhas testemunhas! Se virem Xu Sanshi importunando a senior Nanlan, lembrem-no: um homem de verdade cumpre o que promete.
— Pode deixar! — responderam alguns, animados com o drama.
— Você vai ver! — Xu Sanshi apontou para Shi Yu, envergonhado demais para continuar no local. Saiu arrastado pela fúria, com Beibei seguindo para confortar o amigo.
Hor Yuehao e Tang Ya também se retiraram logo em seguida.
— Amigo, isso nas suas costas... é um osso de espírito? — perguntou um curioso, olhando com cobiça.
Shi Yu esquadrinhou o homem, recolheu as Lanças-Aranha em silêncio e limitou-se a um sorriso evasivo. Não queria mentir, mas também não ia confirmar.
Ao se aproximar de Jiang Nanlan, Shi Yu falou com um ar apologético:
— Senior Nanlan, espero que não se importe de eu ter me intrometido. Eu meio que... decidi por você que ele deveria parar de te perturbar.
Ela balançou a cabeça suavemente:
— Eu já estava cansada dele. Você me fez um favor, não tem que se desculpar. Te devo um jantar como agradecimento.
— Hmm, vou escolher um lugar caro então! — brincou ele, aliviado.
— Nada muito luxuoso! Sou estudante, não sou rica — ela alertou, rindo.
— Também não tenho um tostão. Melhor ir num lugar barato, senão vamos ter que lavar pratos pra pagar a conta — riu Shi Yu.
O sorriso dela surgiu naturalmente. Mas ao notar que ele escondia desconforto, perguntou com preocupação:
— Se machucou?
— Só umas marcas nas costas. Nada sério, em alguns dias passa.
Antes que pudesse reagir, Jiang Nanlan puxou sua camisa para trás.
— Ei, o que tá fazendo? — ele protestou, sem evitar.
Ela examinou as marcas vermelhas em suas costas, franzindo a testa.
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