O coração de Kalen deu um salto quando ergueu a arma, mas um tiro de rifle de precisão atingiu seu peito com força brutal, arremessando-o para trás contra seus companheiros e derrubando vários deles.
— Atirador de elite!
Os soldados recuaram em desordem para o centro da escada, mas a figura que haviam visto já havia sumido. Num piscar de olhos, perderam quase metade do grupo. Agora, estavam numa armadilha: qualquer movimento para subir ou descer os deixaria expostos ao franco-atirador.
O que fazer?
Os sobreviventes trocaram olhares, mentes trabalhando freneticamente.
[...]
— Shijie, nossa sincronia é perfeita! Parecemos feitos um para o outro! — Lu Mingfei falou animado no rádio.
— Não exagere. No máximo, sincronia mental. Mas você realmente atira bem, não estava blefando. — A voz de Nuonuo vinha pelo rádio, carregada de humor.
— E agora?
— Não sei. Sobraram seis. Consigo acertar três de uma vez, mas você não alcança os outros. — Lu Mingfei coçou a cabeça.
— Tudo porque não me obedeceu.
— Ok, minha culpa. Mas o que está feito está feito.
— Você que se vire agora.
— Devem ser os últimos da União Estudantil vindo garantir posição. Já eliminei os cinco da Irmandade do Leão no prédio. Se resolvermos esses, os líderes virão duelar e cumprimos nosso papel.
— Desde que os "resolvamos" com segurança. — Nuonuo respondeu secamente. — A propósito, e a franco-atiradora da Irmandade?
— Não a encontrei. Achei que estaria aqui, perto do estacionamento, mas entre os cinco que eliminei não havia nenhuma mulher.
— Entendido. Resolva esse grupo primeiro, depois improvisamos. — Nuonuo deitou no telhado, ajustando a mira do rifle. — Que bando de covardes.
— Deixa comigo. Já tenho um plano. — Lu Mingfei olhou para sua última granada de fumaça no canto.
[...]
Os seis na escada decidiram arriscar tudo. Se o franco-atirador fosse tão bom, no máximo acertaria dois. Os outros avançariam para a sala de aula, eliminariam o inimigo no segundo andar e suprimiriam o atirador.
Quando uma granada escura voou em sua direção, o líder do Grupo B sorriu friamente e a atingiu no ar. Fumaça novamente? Eles não cairiam no mesmo truque duas vezes!
Os soldados dispararam em sincronia na direção da escada. Foi quando Lu Mingfei deslizou pelo corrimão do terceiro andar, aproveitando a cortina de fumaça.
A última imagem que o líder viu foi o clarão da Desert Eagle nas mãos do inimigo...
Quase simultaneamente, seis corpos caíram. Lu Mingfei aterrissou suavemente na escada, assoprando a fumaça que saía do cano superaquecido.
"Habilidade secreta: Instante Veloz". Velocidade de disparo duplicada.
Um truque pequeno não conta como trapaça. Foi a shijie que me ensinou.
Ele guardou a arma e desceu cantarolando.
— Como você fez isso? — perguntou Nuonuo pelo rádio.
— Shijie, se eu disser que tive um esclarecimento espiritual e melhorei instantaneamente, você acredita?
— [...]
— Vou até a sala de som chamar os líderes. Mude de posição e vá para o estacionamento para dar cobertura quando eles aparecerem.
— Já sei, não precisa mandar. — Nuonuo sentiu os papéis se inverterem, como se ele fosse o mais experiente.
[...]
Na igreja, segundo andar. César Gattuso encarava um modelo em escala do campus, coberto de bandeiras de interrogação. Com um soco, rachou a parede.
Seu último esquadrão fora eliminado. Tão diferente dos planos. Será que Chu Zihang quebrou o acordo? Não, ele não era desse tipo.
— Alô? Testando?
De repente, o sistema de som do campus ligou-se. Uma voz desconhecida ecoou:
— Olá a todos. Sou o calouro Lu Mingfei. Talvez não me conheçam...
— Como dizia Lin Yutang: um bom discurso deve ser como um vestido de mulher - quanto mais curto, melhor.
— Vou direto ao ponto: o "Dia da Liberdade" será meu.
— Quero aquele Bugatti Veyron do César faz tempo. Já a espada "Chuuniru" do outro líder não me interessa.
— Sigam seu planejamento original. Nos vemos no estacionamento.
— Ah, e minha classificação é "S".
— "Classe S"... — César ergueu sua espada "Dictador" e a Desert Eagle com anjos da morte talhados no cabo.
— A vitória e a glória pertencem a Gattuso. Aleluia.
Ao sair, seus olhos gelados incendiaram-se em dourado, ardendo com vontade de lutar.
— Então vamos nos encontrar, Lu Mingfei.
[...]
— Lu Mingfei?
Chu Zihang parou de limar a espada Murakumo que segurava. Ele ainda se lembrava da figura patética daquele garoto correndo sob a chuva torrencial com a mochila sobre a cabeça. Originalmente, ele pretendia dar uma carona para Lu Mingfei.
— Mas foi melhor ele não ter entrado no carro — Chu Zihang riu de si mesmo, sarcástico.
— Presidente, você conhece ele? — perguntou Su Qian ao lado, vestindo um traje preto justo de combate, com os cabelos longos presos atrás e um rifle de precisão enorme aos pés, que contrastava absurdamente com sua figura esbelta.
— Não diria que conheço. Estudamos na mesma escola antes.
De repente, Chu Zihang sentiu um mau pressentimento. Seus planos também haviam escapado do seu controle.
Se isso fosse um jogo de xadrez, as peças brancas e pretas já estavam no estágio final. Era hora de decidir o vencedor.
Chu Zihang sabia que, em experimentos biológicos, as variáveis que permaneciam constantes e não afetavam o resultado eram chamadas de irrelevantes.
Mas agora, uma dessas variáveis irrelevantes havia se tornado crucial, determinando o resultado final.
Essa variável era Lu Mingfei.
Nem ele nem Kaiser haviam previsto que uma peça vermelho-sangue apareceria no tabuleiro, colocando-se entre os dois e destruindo as estratégias de ambos.
Essa peça vermelha estava queimando, com ambições próprias, querendo criar sua própria história.
Mas não havia mais volta. O jogo estava no fim, e nem Kaiser nem Chu Zihang podiam abandoná-lo agora.
Chu Zihang se levantou. Atrás dele, uma estátua de Odin se erguia.
Ele ficou em silêncio, encarando a estátua por um momento. Sob ele, o cavalo de oito patas Sleipnir ergueu a cabeça arrogantemente, enquanto a lança Gungnir, nas mãos do deus Odin, era levantada ao céu, pronta para ser arremessada, sua ponta afiada brilhando sob a luz do sol.
— Vamos — ele disse, enfiando Murakumo na bainha e seguindo em frente. Su Qian pegou o rifle e o seguiu de perto.
Capítulo 12 – Cena 13: Dia da Liberdade (Parte 3)
A Academia Kassel parecia um campo de batalha no Afeganistão.
Os edifícios outrora elegantes agora estavam destruídos. Fumaça grossa subia das salas de aula, e armas espalhadas pelo chão mostravam que a batalha sangrenta já durava tempo suficiente. O campus, antes pacífico, estava coberto de fumaça e corpos, desde a saída da capela até o restaurante principal.
Kaiser, com seus cabelos loiros como uma juba de leão e olhos dourados flamejantes, desceu os degraus da capela com a postura de um imperador. Ele avistou a figura em pé no centro da Praça Odin e começou a caminhar em sua direção.
Chu Zihang, de preto e com cabelos negros, não era tão imponente quanto Kaiser, mas sua postura era reta como uma espada desembainhada. Seus olhos dourados, que nunca se apagavam, brilhavam como os de um soberano entre os híbridos, imponentes e antigos.
Os dois ficaram frente a frente, olhando um para o outro, mas nenhum fez o primeiro movimento.
— Estacionamento? — perguntou Kaiser.
Chu Zihang acenou com a cabeça, sem expressão.
O rosto esculpido de Kaiser franziu ligeiramente o cenho, como se um escultor tivesse talhado mais uma linha de descontentamento em sua testa.
— É isso que não gosto em você. Parece uma estátua.
— Eu não preciso que você goste — respondeu Chu Zihang, frio.
Os dois começaram a caminhar juntos em direção ao estacionamento.
Quando Kaiser pisou no gramado bem cuidado que o reitor tanto amava, ele perguntou:
— Esse tal de Lu Mingfei... você já ouviu falar?
— Estudamos juntos antes. Não esperava que ele viesse para Kassel, muito menos que fosse nível "S" — respondeu Chu Zihang, impassível. — Como você quer lutar? — Ele olhou para a Desert Eagle na cintura de Kaiser.
— Corpo a corpo — disse Kaiser, enquanto retirava o carregador da pistola e mostrava a Chu Zihang, deixando as balas caírem uma a uma no chão. O som metálico era quase musical, mas carregado de perigo.
— E a Su Qian? — perguntou Kaiser.
— Ela não vai atirar — respondeu Chu Zihang. — E pelo que sei, Lu Mingfei também tem uma atiradora. Ela vai ficar de olho.
Kaiser ficou em silêncio por um momento antes de dizer:
— Chu Zihang, você é bom. Chegar até aqui... é mais forte do que eu pensava. Tem o direito de ser meu rival.
— Ser elogiado por Kaiser é uma honra — respondeu Chu Zihang, gelado. — Mas não me sinto honrado.
Nenhum dos dois falou mais. O campus, antes repleto de corpos, ficou silencioso como uma cidade fantasma. Apenas seus passos ecoavam, enquanto a fumaça das armas se espalhava como névoa matinal.
[...]
Lu Mingfei enfiou sua faca no chão e se apoiou em um SUV. Duas figuras apareceram quase ao mesmo tempo na entrada do estacionamento, e suas botas pesadas de combate pisaram no chão simultaneamente.
Kaiser brincava com sua faca de caça, "Ditador", jogando-a para o alto sem expressão. A lâmina negra, gravada com padrões dourados, brilhava intensamente sob o sol.
Ao seu lado, Chu Zihang lentamente desembainhava a "Espada Sagrada" Murakumo, sua lâmina branca refletindo uma luz fria.
Lu Mingfei, vendo que os dois estavam apenas com armas brancas, sentiu-se um idiota por estar carregando duas Desert Eagles no bolso.
— Ei, pessoal! — ele gritou para os dois. — Vamos de porrada, é?
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