Tradução pronta Dragon Clan: Restart the New World / Dragon Clan: Reinicie o Novo Mundo: Capítulo 7

— É, faz muito tempo que não gosto mais — disse Mingfei Lu, com voz suave.

Chen Motong finalmente virou o rosto para ele.

— Então por que me chamou pra fazer esse teatro hoje? Sabe que saí de casa de camiseta, jeans e tênis? Quando te vi no palco, percebi que estavam te sacaneando. Tive que correr de carro pra comprar essa roupa, me trocar e entrar pra te cobrir. Foi cansativo.

Ela inclinou a cabeça, com um olhar intrigado.

— Você é totalmente diferente do que descobri na investigação. Nada patético, e nem gosta mais da Wenwen Chen. Me explica como é que é?

Mingfei ignorou a pergunta e abriu a porta do carro.

— Tá muito abafado aqui. Vamos pra fora.

Motong fez bico, mas pulou do carro sem pressioná-lo. Sabia que, quando ele quisesse, contaria.

Mingfei sentou no meio-fio, abraçando os joelhos. Motong, sem cerimônia com o vestido de tule, sentou ao lado dele depois de olhar a placa da rua.

Ele espiou por baixo do vestido: os tornozelos dela ainda estavam envoltos em uma meia de seda negra, a pele clara visível por entre o tecido. Ela não usava os saltos altíssimos, estava descalça na rua, sem medo de sujar.

— Por que tá sem sapato?

— Não é da sua conta. Não quero usar, cansa demais.

Ficaram em silêncio por um tempo, até Mingfei falar:

— A Wenwen é uma boa pessoa, mas o jeito dela não combina com o MengHua Zhao. Se tiver chance, ajuda ela.

— Oi, oi — Motong resmungou, digitando no celular. — Falar de ajudar a primeira paixão na frente da namorada oficial não é meio inapropriado?

Mingfei suspirou. Mana, você ainda tá nessa? Nem te pedi em namoro e já tá se entregando assim?

Ele se levantou, tirou o pó da calça e encostou na lataria da Ferrari, olhando para os arranha-céus iluminados. O vento da noite passou entre eles, erguendo seus cabelos. Motong, sem paciência para arrumar os fios soltos, tirou o elástico e deixou a cabeleira vermelha esvoaçar sob a luz amarelada. As folhas de ginkgo sopraam acima deles.

Motong terminou de enviar mensagens e se aproximou.

— Tá relembrando os tempos de adolescência que não voltam? Ou a amizade quebrada com os colegas?

Mingfei balançou a cabeça.

— Nada disso, seniora. Só pensando que seria bom se a vida fosse sempre como no primeiro encontro.

— Quantas histórias terminam em arrependimento? Quantas realmente têm um final feliz? Se tudo parasse no começo, seria perfeito.

— Acho que sou egoísta... Queria que todo mundo ficasse como quando nos conhecemos.

O ar ao redor ficou pesado, a tristeza quase palpável.

— Não é assim — Motong olhou para ele, séria. — A vida nunca para no primeiro encontro. Se você vê alguém uma vez, vai ver de novo, e mais outra.

— O mundo é cruel. Não para por ninguém. Não importa o quanto a pessoa sofra à noite, de manhã tem que levantar, lavar o rosto e seguir em frente. Sempre haverá arrependimentos, mas, feliz ou triste, a vida continua. Por isso, temos que valorizar o que temos agora e segurar quem importa, antes que seja tarde.

Ela não sabia por que estava dizendo aquilo. Só via a dor estampada no rosto dele, como se tivesse caminhado uma eternidade e passado por coisas demais. Talvez essas palavras o ajudassem.

Mingfei sorriu amargamente.

— Seniora, disse que não sou mais patético, mas acho que ainda sou. Já leu A Fortaleza de Xangai?

Motong negou.

— Tem uma frase que nunca esqueci: No mundo, existem 20 mil pessoas por quem você se apaixonaria à primeira vista. Se encontrar uma delas, vai amá-la instantaneamente.

Ele fez uma pausa.

— Eu encontrei uma. Mas não a segurei. No final, ela nunca foi minha.

— Uma vez me disseram que, se gosta de alguém, tem que declarar pra todo mundo. Gritar. Apostar sua dignidade e futuro nisso.

— Precisa de flores. Se não souber o que ela gosta, rosas vermelhas. Nenhuma mulher odeia rosas. Precisa de música, que fala mais que palavras. E, o mais importante: tem que ser na frente de todos.

— Mas, no final, nunca me declarei. E a perdi. Pra sempre.

Motong ficou sem resposta. Sentou no capô do carro e olhou para as estrelas com ele. Mingfei não esperava uma reação. O silêncio reinou, até que fogos de artifício explodiram ao longe, colorindo o céu.

Algo puxou levemente sua camisa. Era a mão dela, distraída. O rosto iluminado de Motong tinha um cacho rebelde perto da bochecha, os cílios longos curvados.

De repente, ela exclamou:

— Você tá parecendo aquele coelhinho que o urso usou pra limpar a bunda!

Mingfei riu.

— Sim, sim. Fui esfregado no traseiro de um urso.

— Fiquei a noite toda te cobrindo e ainda me envolvi nisso. Me deve uma. — Motong recuou a mão, com um sorriso malicioso, e bagunçou o cabelo dele.

— Já te paguei um sorvete antes.

— Não vale. Acha que faço isso por qualquer um?

— Tá bom. Te dou um presente então. Quando é seu aniversário?

— 10 de outubro. Quer me dar algo?

— Você vai saber na hora certa — disse Nono, sem acrescentar mais nada.

Ela se levantou, pulou para a calçada e começou a pular em quadrados imaginários, alternando entre um pé e dois.

— Você brincava de amarelinha quando era criança? — perguntou, sem parar de pular, com as pontas vermelhas do cabelo dançando ao vento. O vestido negro esvoaçava como fumaça, contrastando com sua pele pálida de elfinha.

Lù Míng Fēi a observou, sentindo a névoa escura em seu coração se dissipar. Chén Mò Tóng era desse tipo — uma garota capaz de contagiar todos ao redor com seu humor. Mas, de repente, aquele vulto pulando sozinho lhe pareceu solitário.

No rádio, tocava Feng, de Jay Chou. Lù entrou no carro e aumentou o volume.

"Te amar através do tempo...

Duas lágrimas do fim do outono...

Deixando o amor penetrar o chão...

Tudo que quero é você...

Ao meu lado."

Capítulo 8 – Cenas 8 e 9: Admissão (Combinado)

— Eu entro na Cassell — declarou Lù Míng Fēi.

— Não adianta me dizer isso — respondeu Chén Mò Tóng, sem se virar. — Você precisa ligar para o Professor Guderian. Só quando você usar o celular que a faculdade te deu pra chamá-lo é que tudo vai valer.

Ele abriu o telefone e discou. O Professor Guderian atendeu na hora, como se estivesse esperando.

Lù passou a língua nos lábios secos.

— Professor Guderian, eu decidi. Estou pronto para assinar os papéis.

— Assinar... para aceitar? — A voz do professor soou tensa.

— Assinar. Claro que é pra aceitar.

[Verificação vocal confirmada. Autorização pessoal concedida. Processo iniciado. Lù Míng Fēi, número A.D.0013, classe «S», conectado à Academia Cassell. Acesso ao banco de dados liberado. Conta ativada. Grade de aulas gerada.]

— Eu sou a Norma, secretária da Academia Cassell. É um prazer servi-lo. Seu passaporte, visto e passagens chegarão em até três semanas. Bem-vindo à Cassell.

A voz do professor foi subitamente substituída por um timbre feminino claro, quase mecânico.

— Norma, não corta minha linha! Deixa eu falar mais duas coisas! — O professor voltou. — Míng Fēi, a Norma só confirmou sua autorização vocal. Ela cuidará de tudo agora. Fique de olho no correio.

— Você está com a Nuo Nuo? Fiquem aí. Estou em Pequim e já mando um transporte buscá-los. Ainda faltam algumas assinaturas em papel.

A ligação caiu abruptamente, mas Lù ainda percebeu o tom comemorativo na voz do professor.

Ele baixou o telefone e perguntou, já sabendo a resposta:

— Norma é o quê, exatamente?

— O sistema administrativo da faculdade. Uma inteligência artificial que resolve tudo. Só precisa autorizar com a voz, e ela faz o resto nas coxas. É top de linha!

— Então foi com ela que você trapaceou antes?

Chén fingiu não ouvir:

— Vem brincar de amarelinha comigo!

Lù resmungou e ignorou a trambiqueira.

Um barulho ensurdecedor cortou o céu noturno. Ele ergueu os olhos e avistou uma silhueta enorme se aproximando em voo baixo.

— Sério? De novo? — Ele esfregou a nuca, onde o vento bagunçara seus cabelos.

— O velho tá com pressa pra te buscar, hein? — Nuo Nuo franziu os lábios. — Mandou até helicóptero.

— Parece que vocês tão me sequestrando, de tão desesperados.

— Relaxa. A gente é uma instituição séria, não traficante de gente.

[...]

— Não escapei dessa... — pensou Lù Míng Fēi.

Antes da partida, ele tentou convencer a tia de que ia só estudar nos EUA, não virar mercenário no Afeganistão. Não havia necessidade de tanta tralha. E o que era aquela panela de pressão? Medo dele passar fome lá? Ele era Lù Míng Fēi, bolsista de 36 mil dólares por ano, um futuro promissor!

A tia replicou que o filho do colega do tio dela dissera que os EUA eram perigosos, com tiroteios nas ruas. Aquele edredom e a panela poderiam servir como colete à prova de balas. "Se algo acontecer com você, como vou explicar pros seus pais?"

Agora, ele segurava duas malas pesadas, que juntas deviam equivaler ao seu próprio peso. A mochila abrigava a ridícula panela de pressão. Um saco de dormir, travesseiro de látex e um pacote extra penduravam-se nele. Sem mãos livres, ele segurava o passaporte com os dentes.

No meio da multidão do terminal de Chicago, Lù contemplou o teto majestoso da estação, parecendo uma catedral.

— Queria estar aí com você, mas tenho que voar para a Rússia. Um calouro em Pequim atrasou a matrícula, então vou buscar o próximo da lista — lamentou o Professor Guderian ao telefone. — Mas não se preocupe, a Norma cuidará de tudo.

E cuidou. Três semanas depois, um envelope gigante chegou a Lù, contendo passaporte, itinerário e até um Guia Idiota para Calouros da Cassell — Edição Lù Míng Fēi. Ele fez bico. Desta vez, não era o idiota.

— One dollar, just one dollar... — um mendigo insistiu atrás dele.

Lù fingiu não ouvir e assobiou, seguindo em frente. Com apenas alguns dólares no bolso, ele não tinha esmola para o veterão fracassado.

A voz, porém, se aproximou.

— One dollar... just one dollar...

— Não, tô liso! Sem grana! — Lu Mingfei virou de repente e encarou o jovem alto e robusto atrás dele. O rosto escondido por uma barba por fazer ainda mantinha traços bonitos, mas os olhos brilhantes como velas estavam cheios de desejo. A camisa xadrez verde-escura e a calça larga e suja pareciam não ter sido lavadas há eras. Era raro encontrar um mendigo tão desleixado no meio da prosperidade americana — os outros pelo menos se vestiam melhor.

— O irmão fracassado continua o mesmo... — Lu Mingfei sentiu um alívio nostálgico. Na vida passada, o "Cão Fen" havia invadido sozinho o palácio de Odin, mostrado o dedo do meio e detonado uma bomba nuclear no peito. Pena que morrera sem conseguir vingar a morte de todo o seu esquadrão nas mãos de Leviatã.

— Chinês? — O outro percebeu a nacionalidade de Lu Mingfei e imediatamente trocou para um mandarim fluente. — Meu nobre senhor, me dê uns trocados pra comprar uma Coca? Juro que não sou mendigo, só perdi a carteira.

[Se até o jargão de mendigo em chinês e inglês você domina, ainda quer negar?]

— Fenrir von Frings, sério, não sou mendigo. Sou universitário. — Para provar, o jovem tirou da mochila um livro didático do tamanho de um dicionário.

— Para de fingir. Sou calouro, Lu Mingfei. — Ele fez cara de nojo. Na vida passada, quando o irmão fracassado lhe arrancou uma Coca, já desconfiara. O cara com certeza já o conhecia desde o início — tudo não passava de um plano para extorquir seu refrigerante.

Olhando para as mãos sujas de Fenrir, que pareciam ter acabado de carregar tijolos num canteiro de obras, Lu Mingfei jogou uma moeda para ele. O que tinha que acontecer acabaria acontecendo. No futuro, os dois ainda teriam de enfrentar a vida e a morte juntos — no fim, era uma amizade que já havia sido testada.

[Só não deixa ele te tocar...], pensou Lu Mingfei.

— Irmãozão! Finalmente vou conseguir minha Coca! — Fenrir agarrou a mão de Lu Mingfei.

[QUE AZAR!] Lu Mingfei quase gritou. [Irmão, você não tem limites! Tomei tanto cuidado justamente pra não ser contaminado por essas mãos que parecem ter cavado um buraco, e mesmo assim...]

Será que na sua cabeça desgrenhada não existe nada além de Coca-Cola? Oito anos na universidade e ainda não se formou — vive lá como um cachorro velho! Não, até um cachorro velho teria mais dignidade!

— Amiguinho, gostei de você! Seu rosto tem cara de gente leal! Dá pra ver que você vai ser um dragão entre os homens! — Fenrir escancarou as pernas, apoiou o braço no banco e devorou o sanduíche comprado com o dinheiro de Lu Mingfei, regando tudo com a Coca também dele.

— Me dá um gole. — Lu Mingfei encarou o refrigerante sendo sugado com barulho por Fenrir. — A propósito, quando chega o trem? Dessa vez não vou ter que esperar dois dias, né?

Fenrir mastigou com força, parecendo confuso, e passou a Coca.

— Por que "dessa vez"? Você já pegou esse trem antes? O professor Guderian me disse que você era calouro.

Lu Mingfei explodiu:

— Seu cachorro! Então você já me conhecia! Fala! Quando me paga? — Ele avançou como um gato enfurecido, pronto para estrangular Fenrir ali mesmo.

— Calma, irmão! Calma! Eu não tenho grana agora, mas vocês chineses não dizem que "a palavra de um homem vale mais que quatro cavalos"? No futuro, se precisar de algo, é só pedir! Eu enfrento dragões e tigres por você! Se eu hesitar, não sou homem! — Fenrir bateu no peito como um urso, cheio de falso heroísmo. — Quanto ao trem... relaxa, irmão. Ele sempre chega. Pessoas da nossa classe baixa têm que esperar mesmo.

Lu Mingfei olhou para ele com uma expressão estranha e falou devagar:

— Minha classe é "S".

Fenrir ficou pasmo:

— O quê? Irmão, você... não, VOSSA SENHORIA é... o lendário... classe "S"?!?

— Sim, sou o lendário classe "S".

Imediatamente, Fenrir se jogou nas pernas de Lu Mingfei como um raio, chorando como um bebê:

— Querido irmão! Na universidade, você tem que cuidar deste pobre coitado! Sendo sincero, um lixo classe "E" como eu sofre humilhações lá. Estou no oitavo ano e, se nada mudar, em breve serei nonanista... À beira da expulsão por falta de créditos!

— Irmão, levanta primeiro...

Fenrir agarrou com mais força:

— Se você não prometer, não levanto!

Lu Mingfei suspirou, olhando para a calça agora suja, e cedeu:

— Tá bom, tá bom, eu prometo. Agora solta minha perna.

Fenrir se levantou num pulo, todo orgulhoso:

— Agora eu, Fenrir, tenho um classe "S" me apoiando! Vamos ver quem ainda tem coragem de me desrespeitar na universidade!

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