Eles se separaram no entroncamento: Lu Mingfei e Chen Wenwen seguiram em frente, enquanto Chen Motong tomou outro caminho.
Lu Mingfei pensou que, no próximo confronto, ele definitivamente precisava vencer. Mas também refletiu que, diante daquela senior, parecia que nunca havia saído vitorioso.
À noite, ao chegar em casa, depois do jantar, Lu Mingfei subiu para o terraço e sentou-se sozinho. Foi quando seu celular vibrou no bolso. Ele atendeu:
— É você, senior?
— Opa, até que você adivinhou! — a voz de Chen Motong ecoou do outro lado da linha.
Lu Mingfei coçou a cabeça, pensando consigo mesmo: Claro que era você, só você e o Professor Gudrian têm meu número. E não é como se o professor fosse me ligar nessa hora, então só podia ser você. Por que fingir surpresa?
— Só liguei para avisar que, além de você, tem mais um nome na lista de admissões. O Professor Gudrian disse que vai pegar um voo amanhã para Pequim para recrutar o outro aluno, então me pediu para te ligar e dizer que você precisa decidir hoje — a voz de Motong era neutra, sem nenhum traço de emoção.
— Dá para esperar até amanhã? Amanhã tem o encontro do clube de literatura...
— Não dá. O professor já marcou o voo para a manhã — a resposta foi firme.
— Entendi.
— "Entendi" o quê?
— Quer dizer que, então, deixa pra lá — ele respondeu. — Eu nem tô tão interessado nessa tal faculdade Cassel mesmo...
Lu Mingfei achou que estava dominando bem o jogo do "finge que não quer".
— Você é duro mesmo. Essa tal Chen Wenwen nem é tudo isso — Motong soltou uma provocação. — Mas a porta da Faculdade Cassel só se abre uma vez para cada pessoa.
— Você é mais bonita que a Chen Wenwen. Quer ser minha namorada?
— Até que não seria impossível — a voz dela subitamente ficou mais intrigante. — Se você realmente me conquistar, quem sabe eu aceito?
No meio das risadas prateadas de Chen Motong, Lu Mingfei desligou o telefone e fez cara de desdém. Aquela bruxa era demais para ele. Mais uma derrota.
— O que ele disse? — no apartamento presidencial do Hotel Lijing, o Professor Gudrian fitou Motong com ansiedade.
— Ele disse para deixar pra lá — Motong encolheu os ombros. — Pode seguir seu plano e voar para Pequim amanhã, professor.
— Mas... — o professor parecia genuinamente aflito.
— Mas eu não sou a Chen Wenwen. Se fosse, teria conseguido convencê-lo — Motong franziu as sobrancelhas. — Ficar aqui não vai mudar nada, professor.
— Quem é Chen Wenwen? — o professor parecia perdido.
— Professor, pelo jeito que você está preocupado, é a garota que o Lu Mingfei gosta. Ele provavelmente quer se declarar para ela amanhã — Motong fez uma careta.
......
......
Lu Mingfei parou diante do espelho no banheiro do cinema, cantarolando:
— Vestindo um terno elegante, penteando o cabelo como um adulto...
O visual da noite parecia impecável. Ele havia caprichado no cabelo, afastando qualquer ar de desleixo. Sabia que seu rosto era considerado bonito, mas em sua vida passada, o hábito de andar curvado e o cabelo malcuidado o faziam parecer um fracote.
Que garota gostaria de um cara assim? Mesmo depois de se tornar uma lenda, o vício de encolher os ombros continuou. Só que suas experiências infernais lhe deram uma certa frieza. Era um misto de fofura e fúria — um verdadeiro selvagem gentleman. Enquanto se admir
— Hoje era pra ser nosso encontro do clube de literatura, mas eu vou aproveitar a oportunidade — Zhao Menghua anunciou em voz alta. — Logo a gente vai se separar, e eu não quero me arrepender. Quero dizer pra Chen Wenwen... Olha só a tela! Eu tenho que arriscar! Quando a gente estiver em cantos diferentes do país, sem se ver, e eu ficar com esse amor escondido por três anos sem ninguém saber? Que merda seria isso?
Enquanto falava, Zhao Menghua lançou um olhar repentino para Lu Mingfei.
— Boa! Manda ver, chefe! — Xu Yanyan e Xu Miaomiao começaram a bater palmas, seguidos pelos outros amigos de Zhao Menghua.
— Heroína! No palco! Heroína! No palco!
Era óbvio que Zhao Menghua tinha planejado tudo. Até a plateia estava pronta para aplaudir.
Um holofote iluminou Chen Wenwen, vestida de branco como uma nuvem. Sem escolha, ela se levantou, parecendo um anjo. Envergonhada, subiu ao palco com o rosto tão vermelho que parecia prestes a explodir. Os amigos de Zhao Menghua a cercaram, animados, como em um daqueles filmes adolescentes cheios de clichês.
— Então, vai aceitar ou não? Se for aceitar, manda ver! Zhao Menghua é um cara incrível!
— Eu... também gosto do Zhao Menghua — Chen Wenwen murmurou, com uma voz tão baixa que quase não se ouvia.
Lu Mingfei permaneceu impassível. Ele sabia que algo estava prestes a acontecer. Virou-se para olhar Zhao Menghua, que fez uma careta para ele, piscando os olhos.
— Três, dois, um...
Lu Mingfei contou mentalmente. No momento exato, uma luz irrompeu atrás dele, como um raio cortando as nuvens. Alguém abriu a porta do auditório.
A figura que entrou varreu o local com um olhar afiado como uma lâmina.
Todos ficaram em silêncio. Primeiro, porque não entendiam como uma pessoa de fora havia invadido seu espaço. Segundo, porque a presença dela ofuscava todos no recinto.
— Ricardo, nosso tempo está acabando. Vai continuar nesse evento? — Nuonuo perguntou com uma voz clara e gelada, que ecoou por todo o auditório.
Nuonuo — ou Chen Motuo — havia mudado completamente seu estilo. Vestia um longo vestido preto, meias-calças escuras e saltos Mary Jane. Seus brincos de trevo haviam sido substituídos por pingentes de metal em forma de penas, destacando ainda mais sua pele pálida. Seus cabelos vermelho-escuros, antes soltos, agora estavam presos em uma alta ponteira. E, de alguma forma, ela parecia dez centímetros mais alta do que da última vez que Lu Mingfei a vira, emanando uma aura avassaladora.
— Aqui estou — Lu Mingfei respondeu, levantando o braço no palco. De repente, ele se tornou o centro das atenções, como um bule fervendo sob um refletor solar.
Nuonuo se aproximou, examinando-o com um olhar ligeiramente desdenhoso.
— Essa roupa é para a apresentação? A qualidade não é lá essas coisas. Troca quando acabar. — Atrás dela, duas funcionárias de uma loja de roupas, maquiadas impecavelmente, avançaram para começar a despir Lu Mingfei ali mesmo.
Foi quando ele a puxou pelo ombro.
— Calma, espera um pouco.
Nuonuo pareceu surpresa por um instante, mas logo entendeu. Um sorriso malicioso surgiu em seu rosto.
— Tá bom, vou brincar com você.
Ela pegou uma escova da bolsa e começou a arrumar seu cabelo, com um cuidado que lembrava o de uma mãe ou irmã mais velha.
Enquanto isso, Lu Mingfei se virou para a plateia.
— Deixa eu apresentar: Chen Motuo, minha amiga de infância e namorada. Demorei um tempão pra conquistá-la, e só recentemente ela aceitou. Por isso ainda não contei pra ninguém.
Nuonuo se inclinou para sussurrar em seu ouvido:
— Nossa, nunca imaginei que você fosse tão corajoso. Sabia que o Zhao Menghua estava armando isso pra você?
Lu Mingfei respondeu no mesmo tom:
— Se eu não soubesse, não teria sobrevivido até aqui.
Nuonuo se soltou dele gentilmente e se dirigiu a Zhao Menghua:
— Boa noite, pessoal. O Ricardo tem outro compromisso, então vamos ter que ir. Divirtam-se!
Ela curvou-se levemente, com um sorriso perfeito — frio, mas impecável, como o de um mordomo de um filme de época.
Com um gesto, chamou as duas atendentes, que começaram a trocar as roupas de Lu Mingfei às pressas, testando vários ternos e sapatos. Uma delas resmungou, irritada por não poder tirar a camisa e as calças dele ali mesmo.
Zhao Menghua ficou parado na frente de todos, com uma expressão de quem acabara de pisar em cocô. Nada havia saído como planejado.
No roteiro dele, seria assim: ele humilharia Lu Mingfei, confirmaria o namoro com Chen Wenwen e ainda teria o prazer de ver o fracote, que havia secretamente amado sua namorada por três anos, cair em desespero. Depois, daria um envelope de dinheiro a Lu Mingfei, daria um tapinha no ombro e diria: "Foi mal, amigão. Cheguei primeiro. Na próxima, declare seu amor mais cedo, tá?" Finalmente, sairia de braço dado com Chen Wenwen, seguido por seus capangas, como um verdadeiro vencedor.
Mas, de repente, o fracote que havia sido um perdedor por seis anos, desde o ensino fundamental, estava se dando bem. E ainda por cima com uma garota muito mais bonita que Chen Wenwen — e com uma presença que a ofuscava completamente.
— Ricardo? — Xu Yanyan perguntou, confuso.
— É outro nome dele. Ricardo M. Lu. É como costumamos chamá-lo — Nuonuo respondeu, erguendo o queixo com orgulho, como se o nome fosse uma posse sua.
— Ela adora inventar apelidos estranhos pra mim — Lu Mingfei completou, com um olhar de resignação carinhosa. — Bom, a gente vai indo. Até a próxima!
Ele sussurrou para Nuonuo:
— Chega de drama, vamos embora, senpai.
E então saiu de pose, com Nuonuo segurando seu braço, seu perfume suave pairando no ar. Ela caminhava um passo atrás, parecendo obediente e submissa.
— Yes! Virada de mesa! — Lu Mingfei comemorou internamente. A única coisa que o incomodava era que Nuonuo, naqueles saltos altos, parecia um pouco mais alta que ele. Se ao menos ela usasse um sapato mais baixo, sua vitória seria perfeita.
À luz dos faróis na entrada do cinema, um carro estava estacionado. Nuonuo abriu a porta para ele — era uma Ferrari 599 GTB Fiorano vermelha como chamas. Sem nem precisar olhar para trás, Lu Mingfei sabia que os colegas de turma estavam todos ali, observando. Ele entrou no carro, Nuonuo fechou a porta atrás dele e depois se acomodou no banco do motorista, dando partida. A Ferrari arrancou como um cavalo selvagem solto das rédeas.
Zhao Menghua observou as luzes traseiras da Ferrari desaparecerem na distância e acrescentou mentalmente: "O perdedor tem uma namorada que dirige uma Ferrari... e ainda por cima é uma gata."
[...]
[...]
Depois de dirigir por um tempo, Chen Monuo — ou Nuonuo — estacionou na beira da estrada e virou-se para Lu Mingfei, no banco do passageiro:
— Desce.
Ele levou um susto:
— O que foi que eu fiz, mana? Por que já está me expulsando?
— Você não sabe o que fez? — Ela ergueu uma sobrancelha perfeitamente desenhada. — Para de enrolação. Não é pra você cair fora, é que cansei pra caramba hoje. Agora é sua vez de dirigir.
Lu Mingfei trocou de lugar e assumiu o volante. Nuonuo, relaxada, perguntou:
— Sabe dirigir? Olhando pra você, tô meio desconfiada.
Ele se ajustou no banco, afastando-o um pouco mais, e conferiu os controles:
— Fica tranquila. Eu sou um piloto de mão cheia, o lendário motorista de Akina. Nunca capotei.
Nuonuo soltou uma risadinha ao ouvir isso.
Ele admitia que estava um pouco nervoso. Mesmo tendo dirigido Bugattis e Lamborghinis em outra vida, esta Ferrari era a primeira vez.
O carro seguia estável pela estrada quando Lu Mingfei perguntou:
— A gente vai pra onde agora?
— Sei lá. Vamos só dar uma volta. — Nuonuo chutou os sapatos de salto e encostou as pernas no banco, recostando-se no canto entre o assento e a porta.
Observando as luzes passando velozes pela janela, Lu Mingfei sentiu um aperto no peito. Será que, anos depois, ele sentiria saudades deste momento? Conduzindo uma Ferrari vermelha como fogo pela autoestrada noturna, com a garota que gostava ao lado e uma estrada reta e vazia pela frente.
Olhou para Nuonuo. Ela parecia cansada, o rosto encostado no assento, os olhos semicerrados, os cílios longos caídos sobre as bochechas. A cabeça pendeu para o lado num sono tranquilo. As luzes se estendiam no horizonte como se a estrada nunca tivesse fim. Ele segurava o volante, roubando olhares ocasionais para os cílios da garota, e o tempo parecia ter parado. Quase desejava que o destino nunca chegasse.
De repente, o carro balançou. Lu Mingfei virou o volante bruscamente, saindo da autoestrada e entrando numa estradinha deserta.
— Droga, como é que eu esqueci disso! — Ele bateu a mão no volante irritado.
Com a personalidade desleixada de Chen Monuo, era óbvio que ela só se preocuparia em pegar o carro e nunca em abastecer. Olhou para o marcador de combustível — no mínimo. Que azar. Pensou que aquele momento perfeito pudesse durar um pouco mais.
Nuonuo pareceu acordar com o solavanco. Cobriu a boca com a mão num bocejo lento, esfregou os olhos e então perguntou:
— O que foi?
— Seu carro ficou sem gasolina de novo. — Lu Mingfei debruçou-se no volante, olhando para Chen Monuo.
— "De novo" o quê? — Ela franziu os lábios, irritada. — Em casa, sempre tinha alguém pra abastecer. Eu só dirigia.
Depois suspirou, com típica pose de patricinha mimada:
— Mas fora de casa ninguém se importa com isso.
— Então… por que você comprou um carro tão caro? Mesmo sendo rica, sua família não ia simplesmente dar uma Ferrari pra uma garota, né?
— Eu gosto de vermelho. Combina com o meu cabelo. — Ela ergueu uma mecha dos fios escarlates. — E eu não bato o carro. Comecei a dirigir aos quatorze.
Lu Mingfei lembrou-se do sorvete que comprou para Nuonuo — ela escolheu morango, provavelmente pela mesma razão. Que garota vaidosa.
Ele quase disse "eu devia ter imaginado", mas então percebeu algo: o vestido levemente transparente de Nuonuo, por causa da posição em que dormira, havia subido quase até a raiz das coxas. Com a mentalidade de "quem não coloca, não tira", ele aproveitou para dar uma olhada discreta, depois apontou:
— Você está mostrando mais do que devia.
Nuonuo olhou para baixo e de repente sorriu com um charme calculado:
— Mostrar pro meu namorado não conta como indecência.
Lu Mingfei ficou arrepiado e se virou de um salto, enquanto Nuonuo ria alto atrás dele.
Quando se virou de novo, ela já havia arrumado o vestido. "Fala bonito, mas se arruma rápido", ele pensou, arrependido de ter avisado. Devia ter aproveitado mais a vista.
E então lembrou o que Nuonuo dissera. Quando essa pequena diabá fica louca, é de matar.
O silêncio caiu entre os dois dentro do carro, um constrangimento palpável. Lu Mingfei observava o cavalo empinado do emblema da Ferrari no volante, enquanto Chen Monuo olhava pela janela, pensativa.
— Acho que você já não gosta da Chen Wenwen faz tempo. — Para sua surpresa, foi Nuonuo quem quebrou o silêncio. Ele a olhou, mas ela continuava encarando a paisagem lá fora, como se não tivesse sido ela quem falara.
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