Tradução pronta Dragon Clan: Restart the New World / Dragon Clan: Reinicie o Novo Mundo: Capítulo 3

— Tô indo. — Lu Mingfei se levantou devagar, soltando um sorriso radiante para Ye Sheng.

Ye Sheng estranhou. Aquele garoto de sorriso afável lhe passava uma sensação inexplicavelmente familiar. Abanou a cabeça, sem pensar muito, e conduziu Lu Mingfei até a sala de reuniões.

Ao passar por ele, Lu Mingfei piscou:

— Senior, conta comigo, hein?

...

A sala de reuniões, espaçosa o suficiente para dezenas de pessoas, agora só tinha três ocupantes: Lu Mingfei, Ye Sheng e uma garota de sorriso doce. Vestia o mesmo uniforme que Ye Sheng, mas em forma de vestido, com um lenço de renda vermelho no colarinho. Suas pernas, sob a saia, eram longas e alvas. O mais encantador eram as covinhas que apareciam em suas bochechas ao sorrir, dando-lhe um ar cheio de vitalidade.

Lu Mingfei olhou para Jiu De Yaji e pensou, com uma ponta de amargura, que no passado o céu realmente fora cego — como permitira que uma garota tão maravilhosa tivesse um fim tão trágico?

— Olá, Lu Mingfei. Eu sou Jiu De Yaji, uma das entrevistadoras desta seleção. — A garota se levantou e fez uma leve reverência, num gesto típico da etiqueta japonesa.

— Konnichiwa, yoroshiku onegaishimasu, seniora Yaji. — Lu Mingfei respondeu de imediato, curvando-se também, desta vez com um japonês impecável.

— Seu japonês é perfeito. — Jiu De Yaji cobriu a boca ao rir, com um ar de irmã mais velha. Seus olhos brilharam de surpresa, e sua simpatia pelo garoto cresceu.

— Ah, valeu! Eu curto muito anime, daí acabo aprendendo umas coisinhas. — Lu Mingfei coçou a cabeça, despretensioso.

— Só com anime não se chega a esse nível. Já pensou em visitar o Japão? Com seu dom para línguas, seria fácil. — Ela sorriu.

— Com certeza! Adoro a cultura de vocês. E ainda vou comprar um travesseiro em tamanho real da Asahina Mikuru em Akihabara! — Ele soltou a piada pronta, pensando consigo: E além do travesseiro, ainda vou roubar a princesa da yakuza de vocês.

— Você é muito engraçado. — Jiu De Yaji riu de novo, ainda mais encantada. Até Ye Sheng, ao lado, não conseguiu segurar um sorriso diante da bobagem.

— Bom, chega de conversa. Hora de começar o assunto sério. — Jiu De Yaji finalmente assumiu uma expressão formal, e Ye Sheng se endireitou.

Os dois, com uma seriedade absoluta, perguntaram em uníssono:

— Lu Mingfei, você acredita em extraterrestres?

A primeira reação de Lu Mingfei foi pensar: Que sintonia, hein? Realmente a melhor dupla de mergulho do Departamento de Operações. A segunda foi: Maldito destino, separando duas pessoas tão perfeitas juntas. Daria um drama que arrancaria lágrimas de montes de gente. Sua mente divagou, mas nem chegou a considerar a pergunta em si. Afinal, ele já estava aprovado — no passado, mesmo sem esforço, tinha passado. Qual o problema?

Ye Sheng e Jiu De Yaji trocaram um olhar ao ver o garoto paralisado. Será que o assustamos?

— Lu Mingfei? — Jiu De Yaji chamou, suave.

— Ah, sim! — Ele voltou a si.

— Você acredita em extraterrestres? — Ye Sheng repetiu.

Lu Mingfei coçou a cabeça desgrenhada:

— Senior, vocês conseguem me transformar num ser de silício?

Ye Sheng ficou confuso. O que isso significava?

— Acho que um ser de carbono como eu não tem resposta pra isso. — Lu Mingfei completou, como se lesse seus pensamentos.

Ye Sheng, constrangido, abriu a boca para explicar, mas Jiu De Yaji, ao seu lado, soltou uma risadinha.

— É uma pergunta séria, Lu Mingfei. E nós estamos falando sério. — Ye Sheng franziu a testa.

— Tá bom, se o senior insiste. — Lu Mingfei levantou as mãos, num gesto de rendição. — Eu acredito em extraterrestres.

— Por quê? — Jiu De Yaji perguntou, ainda sorrindo.

— Bem... — Ele encolheu os ombros. — É meio bobo, mas acredito porque acredito. Ninguém nunca provou que existem, mas tem gente que acredita e gente que não.

— É tipo perguntar por que eu gosto daquela garota de cabelo vermelho. Eu poderia dar mil motivos, mas no fundo é só porque... sei lá. Quando a vejo, meu coração acelera. Presto atenção em cada palavra dela, lembro de tudo sobre ela. E aí eu sei: gosto dela. Por quê? Não tem explicação.

Ele falou como se não fosse sobre si mesmo, com total indiferença.

— E quando você olha pras estrelas, seniora Yaji, pensa: se não existem aliens, num universo de bilhões de anos-luz, onde um raio de luz leva eras pra atravessar, passando por tantas galáxias... e só aqui na Terra encontra vida? A luz passa pela Terra em menos de um segundo. Bilhões de anos, e só um segundo com gente. Isso sim seria estranho, não?

— Solidão... Você está falando da solidão da luz, não é? — Ye Sheng interrompeu.

Lu Mingfei encolheu os ombros, sem confirmar nem negar.

— Segunda pergunta: você acredita em superpoderes? — Jiu De Yaji continuou.

— Acredito, e muito. — Ele respondeu na hora.

— Sempre pensei: se não existissem, o Star Platinum do Jotaro não faria sentido, a Gomu Gomu no Mi do Luffy seria mentira, e o bullet time do Neo, pura ilusão. Que desperdício, não? — Ele ainda fez pose, cobrindo o rosto com uma mão e apontando com a outra, num JOJO pose clássico. — ZA WARUDO!

— A vida dos fortes realmente não precisa de explicação — Ye Sheng concordou com um aceno. — Ah, e só pra constar, eu também adoro o "Star Platinum" do Jotaro.

— Então, terceira pergunta, e última... — Aji Kadoshi inclinou-se levemente. — Você acha que a base da existência humana é idealista, ligada à mente e à alma, ou materialista, fundamentada na matéria e no corpo?

— Com certeza é a mente! — Lu Mingfei bateu as mãos, animado. — Pensa comigo, pessoal, sempre dizem "penso, logo existo". Aji, você vive no Japão, talvez não conheça, mas Ye Sheng deve entender. Essa frase significa que só existimos porque pensamos. Se não fosse pela força da mente, nem pensaríamos, e aí tudo seria um vazio, não é? Sem isso, qual a diferença entre a gente e os animais?

Kadoshi e Ye Sheng trocaram um olhar surpreso antes de sorrirem.

— Ótimo, as perguntas terminaram aqui — disse Ye Sheng, levantando-se. — Obrigado pelo seu interesse na Universidade Cassel, Lu Mingfei. Vou te acompanhar até a saída.

Do lado de fora, Chen Wenwen segurava sua bolsa, esperando. Lu Mingfei franziu a testa — achara que ela já teria ido embora.

Ela deu uns passinhos rápidos em sua direção.

— Por que saiu tão rápido?

Ele encolheu os ombros.

— Fui péssimo. Não me querem lá.

— Hmm... quer voltar junto comigo? — Ela baixou os olhos, quase tímida.

Boa pergunta, hein?, pensou Lu Mingfei. Antes, eu teria babado de felicidade, dizendo "sim, claro!" e passado a semana inteira flutuando. Ia até rolar na cama de noite, lembrando que voltei pra casa com a deusa Chen Wenwen. E mesmo que a entrevista tivesse sido um desastre, tanto faz! Poderia viver a vida toda na casa dos tios, num curso qualquer, mas esse momento já valeria tudo.

Agora? Nem pensar. Prefiro jogar umas partidas de StarCraft na lan house.

— Não, vou ficar por aqui ainda. Você pode ir na frente.

— Ah... então tudo bem. Até depois. — Ela saiu cabisbaixa.

Lu Mingfei enfiou as mãos nos bolsos, ombros caídos, e arrastou os pés em direção à lan house.

...

...

Noite fechada, suíte presidencial do Hotel Lijing.

Ye Sheng revisava os currículos à mesa, fazendo anotações nas respostas dos candidatos que Kadoshi registrara durante o dia. A garota ficou ao seu lado, observando o perfil dele sob a luz da lâmpada.

De repente, ele ergueu o rosto.

— E aquela menina? Sumiu o dia todo, nem apareceu na entrevista. Ela também é entrevistadora.

Seus olhos se encontraram. Kadoshi corou, desviando o olhar.

— Nem sei... provavelmente se divertindo por aí. Ela veio só pra passear, não foi? — A voz saiu um pouco tensa.

— É, ainda é uma criança — suspirou Ye Sheng.

A porta se abriu de repente.

— E aí, como foram as entrevistas? — Um vulto entrou apressado, maleta na mão. — Peguei um voo noturno e vim direto do aeroporto.

Era um homem idoso, alto e desgrenhado, com óculos grossos e um terno amarrotado.

— Professor Gudrian! — Ye Sheng levantou-se. — Ainda não terminei as anotações. Hoje entrevistamos 17 alunos, sendo—

— Não perca tempo! Só vim pelo Lu Mingfei! Só ele me interessa! — Gudrian parecia um apostador nervoso, longe da imagem de um professor refinado. — Como ele foi?

Ye Sheng e Kadoshi trocaram outro olhar.

— Professor... é melhor o senhor ver por si mesmo.

Gudrian arrancou o caderno das mãos de Ye Sheng, devorando as páginas. Seus olhos arregalaram, e os óculos quase escorregaram do nariz.

— Meu Deus! Isso... isso tudo foi o Lu Mingfei quem disse?

Antes que Ye Sheng pudesse explicar, Gudrian soltou um grito.

— Perfeito! Absolutamente brilhante! Essas respostas deveriam estar nos livros didáticos!

Kadoshi deu um pulo.

— Tão bom assim? — ela murmurou. — Na primeira pergunta, ele disse que acredita em aliens porque, sem eles, a humanidade estaria sozinha no universo... e comparou com gostar de uma garota, dizendo que não precisa de motivo.

— Na segunda, ele citou um monte de personagens de anime, como o Jotaro e o Luffy, mas sem muita explicação...

— BRAVO! — Gudrian berrou, segurando o caderno como se fosse uma relíquia sagrada. Seus olhos brilhavam enquanto lia, como se estivesse diante de uma obra-prima.

Kadoshi ainda parecia incrédula.

— Professor... é realmente tão impressionante?

Gudrian ergueu o rosto, sorridente.

— Vocês não têm nível pra entender. Deixa que eu explico.

— A primeira e a segunda questão são basicamente a mesma coisa. Ele respondeu que acredita em alienígenas e poderes sobrenaturais, e ainda trouxe o conceito crucial da "solidão"! Essa sensação de isolamento é o que une nossa raça! Três palavras que resumem o cerne da questão. A pergunta usava os alienígenas como metáfora para a diferença entre nossa espécie e os humanos comuns. E usar o exemplo de gostar de uma garota foi genial! Acreditar em algo não precisa de razão, assim como amar alguém. Nossa crença vem de uma confiança natural, do coração. Se ele inventasse justificativas, perderia pontos! E a terceira resposta?

— Ele disse que acredita no idealismo, que a mente e a alma governam o mundo.

— Para um humano, isso pode soar radical, mas para nós, híbridos e dragões, é perfeito!

— O poder dos dragões, os Encantamentos, são ordens dadas ao mundo através da mente.

— Seu sangue define sua visão de mundo. Nós, híbridos, transitamos entre duas espécies. Não podemos negar nenhum dos nossos lados. Às vezes, isso nos confunde, nos deixa perdidos. Mas Lu Mingfei acredita firmemente no idealismo. Não há hesitação em suas respostas. Talvez ele já entenda a essência dos dragões e dos híbridos!

— Lu Mingfei é o aluno mais brilhante que já vi. Agora entendo por que o reitor lhe deu a classificação "S"! — O professor Gudeliano tirou um lenço do bolso e enxugou as lágrimas de emoção.

— "S"?! — Ye Sheng e Yade Ajie exclamaram ao mesmo tempo.

— Exatamente! Um legítimo "S"! Confirmado várias vezes. Ele é o único candidato com essa classificação em décadas! Esta entrevista foi feita sob medida para ele. — O professor Gudeliano baixou a voz. — É um segredo de alto nível da academia, por isso não avisamos antes.

— Suas respostas estão muito além do "padrão". Devem ser incluídas no banco de dados da Norma como respostas-modelo para todos os híbridos! Até poderíamos pedir ao reitor para arquivá-las na biblioteca, como referência para os alunos!

O professor Gudeliano gesticulou, decidido:

— Matrícula! Temos que matriculá-lo imediatamente! Me passem o telefone, vou ligar para os pais dele!

— Professor, acalme-se. Nós cuidamos disso. Que tal amanhã de manhã? — Ye Sheng suspirou, resignado.

O professor Gudeliano riu, sem graça:

— Combinado. O importante é que ele entre logo. Ah, o professor Mans mandou avisar: o "Plano Kuimen" foi antecipado. Vocês precisam ir agora. Quanto ao Lu Mingfei, já chamei a Nono. Ela e eu cuidaremos da matrícula amanhã.

Ye Sheng e Yade Ajie trocaram um olhar. De repente, acreditaram piamente no boato de que o professor Gudeliano e o professor Mans tinham sido colegas de um mesmo hospício.

Capítulo 4 - Ato 4: Todo Encontro é um Reencontro (Parte 1)

Na manhã seguinte, novamente no Hotel Lijing.

O tio de Lu Mingfei sempre dizia que aquele era o hotel mais luxuoso da cidade — uma rede global, cinco estrelas. Ele adorava tomar chá no saguão com os amigos, enchendo a xícara até o chá virar água, gastando pouco mas se sentindo um rei.

O professor Gudeliano ligou várias vezes para o tio Lu Gucheng de madrugada, animadíssimo, dizendo que já estava hospedado no Lijing. O tio, todo empolgado, afirmou que era cliente antigo do hotel e marcou um café da manhã.

A família toda foi. O tio, com a barriga para fora, perna cruzada no sofá do saguão, dava lições a Lu Mingze sobre "sofrer para vencer" e elogiava o atendimento do Lijing — o chá vinha com chocolate amargo, que, segundo ele, liberava dopamina e dava felicidade. A tia reclamava que o marido era um esbanjador, que podia comprar chocolate amargo por vinte yuans no atacado.

— O senhor Lu Mingfei? — Um garçom impecável se aproximou.

Lu Mingfei, perna cruzada como o tio, respondeu:

— Sou eu. O que foi?

— Menino, como é que fala assim? — a tia o repreendeu.

Ele baixou as pernas e fez um gesto para o garçom continuar.

— O professor Gudeliano pediu para servir o café da manhã no VIP Giratório, no nono andar. Vim avisá-los.

— Sou cliente há anos e nunca ouvi falar desse VIP Giratório — o tio franziu a testa.

— É exclusivo para hóspedes da suíte executiva e presidencial. O professor Gudeliano reservou a suíte presidencial.

— Suíte presidencial?! — O tio quase engasgou.

— A Academia Kassel é rica mesmo! — A tia esqueceu completamente que tinha ido para desmascarar o tal professor e ver se a carta era golpe. Diante da suíte presidencial, ela já olhava para Gudeliano com respeito.

O elevador VIP levou a família até o andar mais alto. Ao abrir a porta, um homem alto e de cabelos prateados avançou, olhou rapidamente e agarrou a mão de Lu Mingfei.

— Olá, Lu Mingfei!

Ele apertou com tanta força que Lu Mingfei ficou com a mão latejando, pensando: "Cara, na vida passada você já era meu fã número um, e agora reencarnou pra continuar?"

E sentiu uma pontada de tristeza. Na vida anterior, o professor Gudeliano tinha sido vaporizado pelo Encantamento supremo do Rei dos Céus e do Vento, junto com toda a Kassel. Lu Mingfei nem teve tempo de se despedir. Depois da guerra, ele encontrou o nome do professor na longa lista de mortos, na mesma linha que o professor Mans.

— Mingfei, cumprimente o professor! — a tia deu um leve empurrão nas costas dele.

Lu Mingfei voltou à realidade e apertou a mão do professor Gudrian, balançando-a com um sorriso constrangido, mas educado:

— Olá, professor. Sou o Lu Mingfei.

O professor Gudrian deu uma risada calorosa e bateu no ombro do jovem:

— Mas que jovem impressionante! Senhor Lu, agradeço por terem criado um aluno tão brilhante para a Universidade Cássio!

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