[Ao guiar a humanidade para transcender o sofrimento, o príncipe tornou-se um deus imortal...]
— Tá de sacanagem! Essa não é a história de Sidarta Gautama atingindo a iluminação sob a árvore Bodhi? — Wu Tong não conseguiu segurar o comentário ao ler essa passagem.
Logo depois, uma dúvida surgiu: por que haveria uma lenda sobre Buda neste mundo de Douluo Dalu? Mas antes que pudesse refletir mais, ela mesma encontrou a resposta. Suas lembranças das teorias sobre transmigração e difusão de informações entre mundos explicavam tudo.
Seja a teoria do macaco e da máquina de escrever, ou a influência de dimensões superiores, qualquer uma justificava a presença dessa história ali. Porém, Wu Tong preferia outra explicação: grandes mestres eram capazes de projetar suas histórias através dos multiversos.
Sidarta Gautama, o Buda, fundador do budismo, uma figura mitológica... Depois de transmigrar para Douluo Dalu, Wu Tong já sabia que outros mundos também existiam. Muitas das histórias que ela conhecia falavam sobre os Três Puros, o Patriarca Dao, o Imperador de Jade... Provavelmente, essas entidades míticas tinham poder para espalhar seus mitos por incontáveis realidades. Então, não era surpresa encontrar rastros deles por aqui.
A descrição da Flor Bodhi no livro "Compêndio das Ervas Imortais" era curta:
"Flor Bodhi, a rainha das ervas imortais. Além de aumentar o nível de energia espiritual, ela ilumina a mente, desperta a sabedoria e eleva a compreensão."
Originalmente, pela sua origem lendária, a Flor Bodhi deveria ser muito mais poderosa. Mas as regras únicas de Douluo Dalu limitavam as ervas ao patamar de "Rainha das Ervas". Era o que se podia chamar de "as circunstâncias moldam os heróis".
Quando Wu Tong descobriu os efeitos da Flor Bodhi, só conseguiu pensar uma coisa: tenho que conseguir essa planta.
Com seu espírito marcial cerebral, ela entendia como ninguém o poder do conhecimento. Uma erva que melhorava a sabedoria era perfeita para ela. Além de elevar seu intelecto, poderia despertar uma segunda evolução no seu espírito, direcionada exatamente para a compreensão.
Foi aí que lembrou do Olho de Gelo e Fogo — um verdadeiro tesouro de ervas imortais e o lugar mais provável para encontrar a Flor Bodhi. Essa também era a razão pela qual ela insistiu em ajudar Du Gu Bo com seu veneno. Não apenas pela amizade, mas pela esperança de encontrar a planta ali.
E, como previsto, assim que chegou ao Olho de Gelo e Fogo, Wu Tong foi direto ao local ideal para a Flor Bodhi. E lá estava ela. Com a planta confirmada, ela finalmente respirou aliviada.
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[Capítulo 26 – Ervas Imortais e Antídoto]
— Ei, pestinha, já achou alguma erva que cure nosso veneno?
O momento perfeito de Wu Tong imaginando sua evolução foi interrompido por uma voz nada oportuna.
Ao se virar, viu Du Gu Bo e sua neta, Du Gu Yan, se aproximando. O velho protegia a garota com seu domínio espiritual, filtrando as energias extremas do ambiente.
— Já encontrei. Mas como ia mexer nas suas coisas sem permissão? — respondeu Wu Tong, casual.
Du Gu Bo pareceu surpreso. Não esperava tanta consideração dela e ficou visivelmente comovido.
— Pode pegar o que precisar. Confio em você, e não sou mesquinho. Se resolver o problema do nosso veneno, as ervas são suas.
— Jamais pensei que fosse sovina — Wu Tong revirou os olhos. — Mas essas plantas são valiosas demais. Melhor deixar claro agora pra evitar brigas depois.
— Ervas valiosas? Não exagere — Du Gu Bo e a neta menosprezaram.
Vendo suas expressões céticas, Wu Tong sorriu por dentro. Mal podia esperar pela cara deles quando descobrissem a verdade. Enquanto mantinha o rosto neutro, pegou discretamente um gravador espiritual...
— Ervas comuns? Claro que não. Mas ervas imortais são diferentes. Como diz o ditado: "Isso só existe no céu; quantas vezes o mundo ouvirá falar?"
Elas podem transformar um inútil em gênio, um gênio em monstro. Não só aumentam o poder sem efeitos colaterais, como podem evoluir um espírito marcial.
— Evoluir o espírito?! — Os dois quase arregalaram os olhos.
Wu Tong não perdeu a chance. Mãos rápidas, gravador ligado, click — e a expressão hilária deles foi eternizada.
— WU TONG! Me devolve isso agora! — Du Gu Yan explodiu, com uma veia saltando na testa.
Ela ativou o espírito imediatamente e avançou, mas Wu Tong escorregou como uma enguia. Depois de vários ataques frustrados, a garota estava prestes a explodir... até seu avô intervir.
Crash!
— Ai!
Du Gu Bo deu um peteleco tão forte que Wu Tong viu estrelas. O gravador foi confiscado antes que pudesse piscar.
— Babão da neta... — resmungou, esfregando a cabeça, sabendo que jamais veria seu tesouro de novo.
[Gravador: Quer mesmo deletar este arquivo?]
[Du Gu Bo: Sim.]
[Memória apagada com sucesso.]
— Próxima vez, pestinha, eu junto sua cabeça com o pescoço — o velho avisou, sorrindo como um demônio.
Wu Tong só suspirou. Valeu a pena.
Dugu Bo simplesmente ignorou o olhar desdenhoso de Wu Tong e interrompeu a brincadeira dos dois:
— Chega, Yan'er, pare com isso. Deixe o pequeno monstro continuar explicando.
Ele então se virou para Wu Tong, ainda visivelmente surpreso:
— Então, pequeno monstro, essa história de evolução do espírito é verdade? Só com essas ervas é possível fazer um espírito evoluir?
Dugu Bo não estava questionando a palavra de Wu Tong, mas genuinamente não conseguia imaginar que algo tão grandioso pudesse ser alcançado com uma simples planta.
Wu Tong balançou a cabeça, corrigindo:
— Não são ervas comuns, são ervas imortais. E a evolução depende da compatibilidade entre a planta e o espírito. Se for alta, a evolução é possível. Se for baixa, só dá para aumentar um pouco a energia espiritual.
Ao ouvir a explicação, Dugu Bo e sua neta suspiraram aliviados. Pelo menos não era uma garantia absoluta — a ideia de uma erva imortal poder evoluir um espírito os havia deixado atordoados.
— Além disso — continuou Wu Tong —, o método que preparei para vocês dois envolve justamente essas ervas imortais. Se o espírito evoluir, o problema do veneno estará resolvido.
Ele então os levou até a planta que havia selecionado especialmente para Dugu Yan.
Os dois não pareceram surpresos. Já haviam deduzido os planos de Wu Tong quando ele mencionara a evolução do espírito.
— Esta — anunciou Wu Tong, cavando a terra e puxando um pequeno melão dourado do tamanho de dois punhos — é a Melância Dourada do Dragão Terrestre que escolhi para a irmã Yan.
O objeto parecia um cruzamento entre batata-doce e mandioca. Wu Tong ergueu-o para exibição:
— A Melância Dourada do Dragão Terrestre é uma erva imortal ideal para espíritos do tipo dragão ou com atributos terrestres. Ao consumi-la, fortalece a base energética, corrige falhas no espírito e permite que a Serpente Esmeralda da irmã Yan evolua para um espírito dragão. O ganho em energia espiritual pode não ser grande, mas vai solidificar sua fundação, permitindo que ela avance muito mais.
Dugu Bo franziu a testa:
— Mas você mesmo disse que essa melância é melhor para espíritos dragão ou terrestres. A Yan não tem nenhum dos dois. A compatibilidade não seria baixa? Como garantir a evolução?
Ao lado, Dugu Yan inclinou a cabeça, aguardando a resposta.
Wu Tong sorriu e contra-atacou com outra pergunta:
— Velho mestre, já ouviu falar do Casal Dragão e Serpente?
Dugu Bo acenou levemente, enquanto Dugu Yan parecia ter um lampejo de compreensão.
— O Casal Dragão e Serpente — explicou Wu Tong —, formado por Meng Shu, o 'Dragão', e Chao Tianxiang, a 'Serpente', consegue realizar técnicas de fusão de espíritos. Isso prova que, neste mundo, espíritos dragão e serpente têm uma relação íntima.
Ele fez uma pausa dramática antes de continuar:
— Portanto, quando um usuário de espírito serpente consome um suplemento para dragão, não sofre efeitos negativos. Pelo contrário: os sangues de dragão e serpente se fundem, criando um novo espírito. Assim, a fusão entre a Serpente Esmeralda e o sangue do Dragão Terrestre resultará num espírito que herda todas as vantagens de ambos — e as supera. Afinal, um mais um é maior que dois.
Os dois pareciam ter entendido, mas Dugu Bo ainda tinha dúvidas:
— Mas como essa evolução resolveria o problema da contaminação pelo veneno da Serpente Esmeralda?
Wu Tong assumiu um ar professoral:
— Vocês já leram minha teoria sobre evolução espiritual, certo? O veneno da sua família é uma falha no espírito. Acredito que algum ancestral, ao caçar um anel espiritual, encontrou uma combinação tão perfeita que desencadeou uma evolução.
Ele fez um gesto explicativo:
— Só que, quando o espírito evoluiu para a Serpente Esmeralda Real, faltou base energética para completar o processo. Faltou desenvolver um órgão para armazenar o veneno, forçando o usuário a acumulá-lo no próprio corpo — daí a 'contaminação'.
— Como sabem, espíritos são transmitidos pelo sangue. Assim, essa versão incompleta se perpetuou na família Dugu, e a contaminação virou uma 'falha hereditária'. Mas se o espírito evoluir novamente, completando o que faltou, desenvolverá finalmente o órgão armazenador — resolvendo o problema pela raiz.
Sem mais perguntas, os dois começaram a discutir quem deveria ficar com a melância.
— Vovô, você deveria consumir — insistiu Dugu Yan. — Seu caso é mais urgente.
— Minha querida, eu ainda aguento — rebateu Dugu Bo, afável. — O pequeno monstro certamente arrumará outra erva para mim. Além disso, ele já disse que esta é para você.
Foi então que Wu Tong interveio:
— Irmã Yan, essa realmente é para você. Já tenho outra planta preparada para o velho mestre.
Sem argumentos, Dugu Yan pegou a Melância Dourada e se dirigiu a uma cabana fora da área de névoas geladas e ardentes.
— Agora, velho mestre — disse Wu Tong, conduzindo Dugu Bo a um monte úmido e sombrio, envolto em névoas venenosas —, sua erva está aqui.
Com uma pá dourada e um prato de jade, ele extraiu cuidadosamente uma única planta:
— A Vinha do Dragão Venenoso Nove-Mutas — anunciou, exibindo nove cipós entrelaçados em forma de dragão, cada um com cerca de 30 cm, num roxo profundo. — Garanto que fará seu espírito evoluir.
Dugu Bo observou, fascinado. As minidragões exalavam um aroma peculiar que parecia chamá-lo.
— Segundo os registros — explicou Wu Tong —, deve-se consumir o cipó principal primeiro, depois os outros oito, engolindo inteiros sem mastigar. Após a ingestão, será preciso uma grande quantidade de venenos para sustentar a evolução... mas calculo que o veneno de um Título de Douluo como você será mais que suficiente.
Wu Tong observou Dugu Bo, cujo olhar estava fixo na Videira do Dragão Venenoso das Nove Transformações, e percebeu que ele havia decidido absorver a erva sagrada. Então, explicou-lhe o método correto de consumo.
Depois de se despedir de Dugu Bo, que se preparava para absorver a erva, Wu Tong seguiu sozinho até o local onde crescia a Flor da Iluminação Bodhi.
Capítulo 27 – A Absorção do Rei das Ervas Sagradas e a Evolução do Espírito Marcial
No ponto onde os dois olhos de fogo e gelo se encontravam, a três mil metros de um penhasco, uma flor de lótus dourada e vermelha desabrochava orgulhosamente em um solo púrpura. Suas cores eram deslumbrantes, como as nuvens mais vibrantes do amanhecer ou os reflexos dourados do mar ao pôr do sol, entrelaçados com uma luz sábia e infinita.
No centro da flor, milagrosamente, crescia uma pequena árvore Bodhi de cerca de dez centímetros. Seu tronco era translúcido, como se esculpido em cristal puro, com folhagem exuberante e verdejante, mas que emitia um brilho avermelhado suave, harmonizando-se perfeitamente com a flor. A combinação não tinha nenhuma desarmonia; pelo contrário, transmitia uma sensação de perfeição e unidade.
Era a Flor da Iluminação Bodhi, o rei das ervas sagradas.
A árvore Bodhi, desde os tempos antigos, simbolizava a iluminação e a sabedoria. Diz a lenda que o Buda Shakyamuni meditou sob uma árvore Bodhi por quarenta e nove dias antes de alcançar a suprema iluminação. Agora, ela crescia sobre essa flor dourada e vermelha, elevando ainda mais a essência da sabedoria e da verdade.
A Flor da Iluminação Bodhi era a manifestação perfeita da sabedoria terrena. Tanto a flor quanto a árvore emitiam uma luz suave e brilhante, que não apenas encantava os olhos, mas também purificava e inspirava a alma. Sob seu brilho, Wu Tong quase conseguia ouvir cantos sagrados e sentir as profundezas da sabedoria.
Ele olhou para a flor e depois para o céu. Ainda era dia, não havia pressa. Sentou-se em posição de lótus ao lado da flor e começou a canalizar sua energia espiritual. As marcas do "Olho do Coração" apareceram em sua testa, e ele direcionou seu olhar para a Flor da Iluminação Bodhi.
— Visão Penetrante!
— Percepção do Coração!
Sob o brilho suave do Olho do Coração, a estrutura interna da erva sagrada revelou-se claramente diante de Wu Tong. Enquanto ele observava fascinado, não percebeu que um raio dourado quase imperceptível saiu da flor e, seguindo seu olhar, penetrou em sua testa.
Dentro de sua mente, o raio de luz dourada agitou-se até colidir com um ponto branco, que o engoliu instantaneamente. Após a absorção, o ponto branco pareceu despertar, movendo-se como se estivesse se alongando. Satisfeito com o vasto espaço mental, ele começou a se espalhar como um cachorro solto, espalhando pó branco que tingiu o mar da consciência de Wu Tong.
Conforme o pó branco era absorvido, o mar da consciência expandia-se gradualmente. Wu Tong sentiu sua mente ficar mais ágil, como se tivesse ganhado um acelerador.
— Hmm? Observar a Flor da Iluminação Bodhi também aumenta a sabedoria? — pensou, maravilhado. — Realmente, como algo ligado à iluminação do Buda, é extraordinário.
Decidiu examinar a flor com ainda mais atenção, perdido em seus pensamentos. Como diz o ditado: "Quando você se concentra em algo, o tempo voa."
Antes que percebesse, já era noite. O dispositivo de tempo em seu pulso vibrou, alertando-o de que já era meia-noite. Wu Tong ergueu os olhos e viu a lua cheia no céu, redonda e perfeita como um disco de jade, banhando tudo em uma luz prateada e serena.
— Noite de lua cheia? — murmurou, levantando uma sobrancelha.
Ao olhar para a flor, viu que suas pétalas, antes semifechadas, agora se abriam completamente, irradiando um brilho dourado deslumbrante.
— Isso é… ela amadureceu? Tão coincidência assim? — Wu Tong franziu a testa, desconfiado. Embora confiasse em sua sabedoria e bondade, ele esperava ter que esperar meses.
Mas uma coincidência tão grande só podia significar uma coisa: alguém estava por trás disso.
— Só consigo pensar em duas possibilidades: ou o mundo agiu, ou foi o próprio Buda, que transcende múltiplas realidades.
Seja qual for o caso, Wu Tong sabia que não tinha poder para resistir. No estágio atual, ele era menos que um peão — no máximo, uma formiga.
Como dizem, se não pode lutar, melhor aproveitar. Talvez fosse só uma coincidência, afinal?
Com esse pensamento, ainda esperançoso, ele estendeu a mão para a flor, preparado para enfrentar o teste do rei das ervas sagradas.
Ploc!
Um som semelhante ao de uma cenoura sendo arrancada da terra ecoou. A Flor da Iluminação Bodhi saiu do solo sem resistência, repousando docilmente em sua palma.
Wu Tong quase chorou.
Se o amadurecimento precoce ainda podia ser coincidência, isso aqui era prova definitiva de interferência divina. Até o teste prometido havia sido pulado!
Mas ele sabia que não adiantava reclamar. O jeito era absorver a erva, evoluir seu espírito marcial e ver no que dava.
— Tudo bem… — suspirou. — Vamos lá.
Sem hesitar, Wu Tong seguiu as instruções do Manual Completo das Ervas Celestiais. Primeiro, retirou a pequena árvore Bodhi que ficava no centro da flor e a colocou sobre a cabeça. Em seguida, começou a engolir uma a uma as pétalas restantes. Após devorá-las todas, esmagou o que sobrou com sua energia espiritual, extraindo um líquido vermelho-dourado.
[O Manual Completo das Ervas Celestiais] se referia a esse líquido como "Sangue de Bodhi". Não era nada relacionado às armadilhas de Tang San, mas sim à seiva da Flor Bodhi da Iluminação – essencialmente, o sangue da planta. Wu Tong colocou o Sangue de Bodhi na boca e jogou os resíduos restantes de lado.
Logo depois, sentou-se no chão em posição de lótus e começou a circular o Clássico da Roda Vermelha, refinando as pétalas e o Sangue de Bodhi que estavam em sua boca.
— Agora é a hora de absorver tudo isso — murmurou para si mesmo, concentrando-se na energia que fervilhava dentro dele.
O calor começou a se espalhar por seu corpo, como uma chama delicada que purificava cada gota do poder recém-adquirido. Wu Tong cerrou os punhos, sentindo cada célula vibrar com a transformação.
— Que sensação... — suspirou, enquanto uma luz dourada envolvia seu corpo.
Os efeitos estavam começando, e ele sabia que não podia perder tempo. Com os olhos fechados, mergulhou fundo em seu interior, guiando a energia pelos meridianos como um rio que seguia seu curso natural.
[Processo de refinamento em andamento...]
O mundo exterior desapareceu, e só restou Wu Tong e o turbilhão de poder que agora dominava seu ser. Cada respiração era sincronizada, cada movimento interno calculado. Ele estava pronto para transcender.
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