De repente, dois anéis de luz apareceram em seu corpo - um branco e outro amarelo. O branco por dentro, o amarelo por fora, nitidamente separados.
Esse fenômeno estranho despertou a curiosidade das crianças.
– Este é meu espírito marcial, uma espada de ferro. Se vocês despertarem poder espiritual, também poderão se juntar ao Templo do Espírito Marcial – disse Chen An com ar distante, fazendo pose para os pequenos.
Depois da encenação, Chen An se virou para um menino:
– Venha até o centro dos seixos e estenda sua mão direita.
O garoto obedeceu imediatamente. Lentamente, um martelo surgiu em sua mão direita.
– Espírito marcial instrumental... Martelo? Tem certo poder ofensivo – murmurou Chen An.
– Seu espírito é um martelo. Vamos testar se você tem poder espiritual. Coloque a mão nesta bola de cristal.
O menino fez como ordenado, mas depois de um momento, a bola não emitia nenhuma luz ou reação.
– Nenhum poder espiritual. Você não pode se tornar um mestre espiritual.
– Próximo! Faça como o menino!
– Grama Azul de Prata, sem poder espiritual.
– Foice, sem poder espiritual.
– ...
Ao meio-dia, Chen An já estava exausto. Dezenas de crianças haviam passado, todas com espíritos marciais inúteis - principalmente foices e enxadas. Quanto ao poder espiritual, todas haviam sido classificadas como "inexistente", o que significava que nunca teriam qualificação para se tornarem mestres espirituais.
Seus olhos refletiam decepção. Como responsável pelo despertar espiritual no Templo, descobrir uma criança com talento excepcional e trazê-la para a organização poderia trazer muitos benefícios e ajudar em sua promoção.
Mas tornar-se mestre espiritual não era nada fácil. Os fracassos consecutivos minaram sua confiança.
Sentindo-se cansado, Chen An voltou seu olhar para Jiang Li.
"Talvez esse menino me surpreenda", pensou, e chamou:
– Você é o último. Venha aqui!
Jiang Li se adiantou imediatamente, sentindo uma calor agradável percorrer seu corpo.
"Então é assim que se desperta um espírito marcial? Entendi por que eles ficam com aquela cara de êxtase", refletiu.
Logo sentiu algo brotar em sua mão direita. Ao erguê-la, viu uma pequena planta azul - a mesma Grama Azul de Prata que aparecera no terceiro teste hoje, o padrão de espírito marcial inútil.
Jiang Li quase desmaiou ao ver a planta. Embora não esperasse um espírito excepcional, jamais imaginaria algo tão medíocre.
"Nossa, não acredito que despertou essa porcaria", pensou, desolado.
– Ahem... – O silêncio constrangedor pairava no ar. Chen An olhava para a planta, sem saber o que dizer.
– Vamos... testar seu poder espiritual.
Embora duvidasse que a Grama Azul de Prata tivesse qualquer poder, como facilitador do despertar, ele não podia ser parcial.
Ouvindo as palavras de Chen An, Jiang Li recolheu a planta e colocou a mão na bola de cristal.
Uma luz fraca começou a se acumular, preenchendo finalmente um quinto da esfera.
– Poder espiritual... nível dois. Você pode se tornar mestre espiritual – disse Chen An com expressão estranha.
Franzamente, ele não conseguia entender como uma Grama Azul de Prata podia despertar poder espiritual.
Enquanto isso, Jiang Li permanecia imóvel, ponderando o que fazer com um poder espiritual inicial de apenas nível dois.
**Capítulo 3: Planejamento**
Chen An observava a bola de cristal, o canto da boca contraindo-se involuntariamente.
"Esse garoto teve sorte ou azar? Por um lado, tem poder espiritual; por outro, é Grama Azul de Prata", lamentou-se internamente.
A Grama Azul de Prata era o pior espírito marcial do continente. A maioria não tinha poder espiritual, e os que tinham não passavam de meio nível ou um, nunca se tornando mestres. Jiang Li tinha nível dois - com sorte, talvez pudesse alcançar esse patamar.
– Menino, não sei se você teve sorte ou não. Nível dois com qualquer outro espírito teria potencial para avançar e até ingressar no Templo. Mas pelo menos você tem algum poder, quem sabe se torna mestre espiritual.
Depois de refletir em voz alta, Chen An notou Jiang Li cabisbaixo e tentou animá-lo.
– Vou te dar uma certificação para você poder se matricular numa academia – disse, pegando papel e caneta para redigir o documento.
Ao entregá-lo, explicou:
– Com isso você pode se matricular. Quando alcançar o nível de mestre espiritual, volte ao Templo para receber seu subsídio: uma moeda de ouro para mestres, dez para grandes mestres, cem para veneráveis mestres. Acima disso, não há subsídio.
– O investimento vem dos dois impérios; nós só distribuímos.
– Se algum dia se tornar mestre, pense em se juntar ao Templo.
– Obrigado, Supervisor Chen – agradeceu Jiang Li, recebendo a certificação.
– Não precisa agradecer. É nosso dever.
– Então, Mestre Chen, vou indo – disse Jiang Li, curvando-se levemente.
Antes que Chen An respondesse, ele já saía do Templo.
Observando o jovem se afastar, Chen An balançou a cabeça. Desejava que Jiang Li se tornasse mestre, mas achava improvável. O mundo estava cheio de pessoas esforçadas, e ele nunca vira Grama Azul de Prata virar mestre. Quanto ao ditado "não há espíritos inúteis, apenas mestres incompetentes", era apenas conversa fiada. Quem levaria isso a sério?
O Templo já estava vazio, todos os outros candidatos haviam ido embora.
"Poxa, a Grama Azul de Prata é mesmo desprezada. Até o Templo não quer me recrutar. Bom, ter poder espiritual já é lucro, não posso pedir mais", refletiu Jiang Li, deixando o local.
"Mas o Templo foi responsável. Pelo menos me deu chance de estudar. Senão, nem teria onde chorar."
Para Jiang Li, Chen An já estava sendo extremamente responsável. A maioria das pessoas ignorava a Grama Azul, mas Chen An não só a considerou como ainda lhe garantiu uma vaga na Academia de Espíritos Marciais.
— O Templo dos Espíritos ajuda as pessoas a despertarem seus espíritos para recrutar talentos — pensou Jiang Li — mas são muito melhores que a nobreza. Pelo menos tratam os plebeus com respeito, enquanto os nobres nem os veem como humanos.
Embora fosse raro plebeus despertarem poderes espirituais, a grande população significava que sempre surgiam alguns talentos por ano. Nem que fosse um em cada cem, já valia a pena. E ainda havia crianças com mutações nos espíritos que desenvolviam poderes impressionantes.
Quanto aos subsídios, mesmo que o dinheiro viesse dos dois grandes impérios, era o Templo que garantia sua distribuição. Sem eles, os plebeus não veriam um tostão. Jiang Li não lembrava perfeitamente da história do continente Dou Luo, mas sabia como o Templo acabaria.
— Então, se puder, devo tentar preservar o Templo — refletiu, pensativo.
Ações importavam mais que intenções. Mesmo com uma líder desequilibrada no comando, o Templo era uma organização melhor que os impérios e os clãs. Em um ano, Jiang Li já testemunhara nobres e membros do Clã do Trovão Azul ostentando poder pelas ruas, e a arrogância deles era repugnante.
Se surgisse a oportunidade, ele gostaria de salvar o Templo — quando tivesse poder para isso. Afinal, agora era apenas uma criança de seis anos com nível dois de poder espiritual inato.
Mas o mais urgente era planejar seu futuro. Desde que despertara seus poderes, não havia motivo para não treinar seriamente.
— Grama Azul, poder espiritual nível dois... — murmurou, examinando a planta em sua mão.
A Grama Azul era comum em todo o continente, crescendo até em penhascos e regiões geladas. Sua principal característica era a resistência, uma vitalidade inabalável.
A qualidade do espírito era um dos passaportes para se tornar um Espiritualista. O outro, é claro, era o nível de poder inato. Havia maneiras de compensar poderes fracos, como ervas medicinais raras ou tesouros naturais, mas sem eles, o progresso seria lento.
O espírito também refletia a linhagem e a essência da pessoa. Se não fosse assim, todos do Clã do Trovão Azul ou com o Martelo Haotian nasceriam com poderes máximos.
Jiang Li decidiu buscar essas ervas raras, pois do contrário levaria uma eternidade para evoluir. Mas para isso, precisaria lidar com Du Gu Bo — e convencê-lo a confiar nele, além de ajudá-lo a curar seu envenenamento. Caso contrário, seria esmagado como uma mosca.
A Grama Azul era o espírito mais comum entre os inúteis, assim como enxadas e foices, geralmente sem poder algum. Agora que o despertara, Jiang Li precisava de um plano.
— E se tentasse evoluir para uma Erva de Nove Folhas? — A ideia surgiu ao lembrar de uma lenda de sua vida passada, sobre uma planta divina capaz de cortar o próprio espaço e o destino com suas folhas afiadas.
Mas para isso, precisaria escolher anéis espirituais adequados e treinar com espadas — além de não negligenciar o Tai Chi. Ansioso, imaginou como essas técnicas se combinariam com os poderes deste mundo.
[CAPÍTULO 4: O TAI CHI]
Na universidade, todos os estudantes de Medicina — como Jiang Li — precisavam aprender Tai Chi antes das férias. Havia cinco estilos principais, cada um com suas características:
1. **Estilo Chen**: Criado por Chen Wangting, era vigoroso, com movimentos amplos e foco em poder interno.
2. **Estilo Yang**: Desenvolvido por Yang Luchan, era suave, priorizando harmonia e relaxamento.
3. **Estilo Sun**: Combinava elementos de outras artes marciais, ágil e adaptável.
4. **Estilo Wu**: Movimentos lentos e fluidos, perfeito para cultivo de energia interna.
5. **Estilo Wu (outro mestre)**: Simples e natural, ideal para iniciantes.
Originado na dinastia Tang como "Mãos de Tang", o Tai Chi floresceu na era Ming e era ligado à filosofia taoista, medicina tradicional e artes de cultivo. Além de defesa pessoal, fortalecia o corpo e equilibrava a energia vital.
Jiang Li sorriu. Aquele conhecimento seria sua arma secreta na jornada que o aguardava.
Porém, devido às condições do mundo em sua vida passada, somadas à perda dos ensinamentos internos e ao fato de o Tai Chi Chuan ser fácil de aprender mas difícil de dominar, poucos mestres ficaram realmente famosos. No fim, a arte se reduziu a algo praticado por idosos nos parques para manter a saúde.
O que Jiang Li aprendera era uma versão simplificada do Tai Chi estilo Yang, mais fácil para iniciantes do que as formas tradicionais.
Depois de organizar os pensamentos, Jiang Li guardou o espírito marcial, desceu da cama e começou a praticar.
— Tai Chi nasce do Wuji, é o impulso entre movimento e repouso, a mãe do Yin e Yang. Em ação, divide-se; em quietude, une-se.
O Tai Chi prega o controle do movimento pela quietude, a superação da rigidez pela suavidade. A essência está na intenção, não na forma. Como estudante de medicina tradicional, Jiang Li havia pesquisado bastante e até se saía bem — não um grande mestre, mas certamente habilidoso. O trabalho, porém, havia interrompido sua prática.
Além disso, como arte marcial interna, o Tai Chi exigia mente serena e fluidez, sem apego a formas rígidas, com a intenção seguindo o coração.
E por que não praticara antes do despertar do espírito? Simplesmente por ainda ser muito jovem e seu corpo não estar preparado. Agora, aos seis anos, era a idade ideal para começar — e com a força espiritual despertada, podia treinar sem preocupações.
Assumindo a postura inicial, Jiang Li começou a executar os movimentos lentamente.
O Tai Chi incluía posturas estáticas, sequências de passos e golpes como "Chicote Único", "Mãos como Nuvens" e "Garça Branca Abre as Asas". Técnicas mais avançadas incluíam "Agarrando a Cauda do Pássaro" e "Empurrão e Bloqueio".
Controlando a respiração, começou pela postura básica.
Para iniciantes, a lentidão era essencial. O Tai Chi era uma arte de paciência, que não se apressava. Das posturas fundamentais às sequências fluidas, cada movimento fluía com uma graça natural.
...
Duas horas depois, ao completar o último gesto, Jiang Li baixou os braços, as palmas repousando suavemente nas coxas, o corpo ereto, a respiração longa e calma. Os pés se uniram, a mente e o corpo em paz, a testa ainda úmida de suor.
— Ufa, fazia tempo que não praticava. Fiquei meio enferrujado. Mas... espera, minha força espiritual e meu corpo...?
Ao enxugar o suor, percebeu que sua energia espiritual havia aumentado levemente, assim como sua condição física.
— Interessante... então é por causa do ambiente.
Compreendeu então: em seu mundo anterior, sem energia espiritual e com os segredos do Tai Chi perdidos, a arte só servira para saúde. Mas aqui, no Continente Douluo, o ar estava impregnado de força espiritual. Sem perceber, ele a absorvera durante a prática, fortalecendo-se. O efeito fora mais evidente por ser sua primeira vez — no futuro, os ganhos seriam menores.
— Provavelmente foi o impulso inicial. Depois, o progresso será gradual, mas ainda melhor que nada. Quem sabe até me ajude a absorver anéis espirituais acima do meu nível?
Decidido a seguir o caminho da Erva-Setefólio da Espada, não podia aceitar anéis comuns. Pela lei da conservação de energia, sua evolução exigiria muito mais poder — ervas raras e anéis espirituais eram apenas formas diferentes de energia. Ervas fortaleciam a base; anéis, quebravam limitações. Sem energia suficiente, a evolução seria impossível.
Pelo menos o primeiro anel precisaria ser centenário. Jamais aceitaria um de dez anos, mesmo que adequado. Isso atrasaria seu crescimento — ou pior, limitaria seu potencial. Em sua vida passada, fora um gênio; em dois anos, já operava. Não aceitaria menos agora.
— Bom, o resto pode esperar até a escola. Por enquanto, vou praticar Tai Chi. Treinar a espada ficará para depois — nunca lidei com isso antes, e aqui, técnicas de espada não se vendem em qualquer lugar. Só na biblioteca da escola, junto com informações sobre espíritos animais.
Sem experiência prévia, não adiantava começar agora. Manuais básicos eram proibidos no mercado. Aprender? Sobre três condições: na escola, por herança familiar ou ingressando em uma facção. Por enquanto, restava aguardar.
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