Ela lançou um olhar cheio de mágoa para Qianyu, que estava em seus braços, e deu uma beliscada forte nele.
— Ai! — Qianyu fez careta de dor, mas não ousou se rebelar.
Ele se esfregou carinhosamente no colo de Guyuena, seu rostinho fofo transbordando inocência.
— Hum! Ingratinho! E eu que estava tão preocupada com você. É assim que me agradece?
Guyuena ficou surpresa com a manha do garoto e não pôde evitar um sorriso.
Mas o frio em seus olhos não diminuiu — pelo contrário, ficou ainda mais sombrio.
Ela estava furiosa com esse pequeno trapaceiro.
Se ele ousou enganá-la, então que se prepare para passar o resto da vida compensando esse erro.
Bibidong observou os movimentos de Qianyu e, por um instante, ficou paralisada. Em seguida, um ciúme ardente tomou conta dela.
— Qianyu é meu filho. Você não pode levá-lo.
— Hah! Até um tigre não devora seus próprios filhotes. E você se acha digna de ser mãe dele? Some daqui!
— Eu não sou digna? Como ousa dizer isso? — Bibidong riu, como se tivesse ouvido a maior piada do mundo.
Seus cabelos roxos esvoaçaram, e seus olhos transbordavam de loucura e desespero.
— Eu o carreguei por nove meses! Foi por minha misericórdia que ele sobreviveu até hoje! E você diz que não sou digna?
— Acha que eu quis tê-lo? Foi aquele lixo do pai dele que me violentou e me obrigou a engravidar! Mas eu o amo, mais do que tudo! Ele é minha razão de viver!
Guyuena respondeu com frieza:
— O seu "amor" consiste em trancafiá-lo em uma cela escura e torturá-lo sem fim, só para satisfazer sua mente doentia e distorcida?
Sempre que Guyuena via seu protegido sendo torturado por essa mulher, seu coração era dilacerado por mil facas.
— Hah! Eu sei quem você é — disse Bibidong, sorrindo de forma cruel. — Você é aquela consciência que se escondia na mente do Qianyu.
— Mas se eu não sou digna, você é? Você é melhor do que eu?
— Você tem tanto poder... poderia tê-lo salvado a qualquer momento. Mas preferiu ficar de braços cruzados.
— Porque queria que ele ficasse dependente de você, a ponto de não conseguir viver sem sua proteção. Não é verdade, senhora fantasma?
Bibidong baixou a cabeça, sorrindo de forma perversa.
Como escolhida do deus Luocha, sua percepção de almas e consciências era aguçada.
Ela sempre soube da presença de Guyuena, mas fingiu ignorar — só para ver a dor e o desespero em seus olhos.
— Isso é mentira! — Guyuena estremeceu, sua voz tomada pelo pânico.
Ela não ousou olhar para Qianyu, com medo de ver decepção em seus olhos.
Porque, no fundo, ela tinha tido esse pensamento.
Mas ela não tinha más intenções! Só queria protegê-lo... mantê-lo ao seu lado para sempre.
— Eu não... eu só... — Sua voz falhou, e qualquer explicação soou vazia.
Qianyu, fingindo estar à beira da morte, se encolheu no colo de Guyuena, como se não ouvisse a discussão.
— Você só o quê? Que direito tem de me criticar? — Bibidong cuspiu as palavras.
— Se não fosse por mim, você acha que ele sobreviveria um único dia na Igreja do Espírito com seu arcanjo caído?
— Acha que Qiandao e Qianxunji, aqueles monstros, o poupariam?
— Desde o nascimento, ninguém o aceitou. Só eu o tratei como um tesouro!
— Eu o torturei para que ele sobrevivesse neste mundo cruel!
— Para que ele nunca esquecesse a dor e o ódio... para que se tornasse mais forte!
Enquanto despejava sua lógica distorcida, Bibidong aproveitou o momento de fraqueza de Guyuena para atacar.
Seu poder divino do Luocha irrompeu, transformando-se em lanças de aranha púrpura que voaram em direção a Guyuena e Qianyu.
— Devolva-o para mim, sua vadia!
Guyuena soltou um grunhido de desdém. Com um simples gesto, uma onda de energia divina dissipou as lanças e atingiu Bibidong com força.
Pluft!
Bibidong nem conseguiu resistir ao ataque mais básico.
Ela foi arremessada como um boneco de pano, batendo no chão com violência. Sangue escorreu de seus lábios, e seu rosto ficou pálido como papel.
[Alguém ainda está lendo? Os comentários estão tão quietos que o autor nem sabe se tem público.]
Capítulo 19: Bibidong Entra em Colapso!
— Você não merece ter um filho — Guyuena cuspiu, virando-se para ir embora.
— Por favor... — A voz de Bibidong era um fio, cheia de súplica. — Devolva o Qianyu para mim...
Ela tentou se levantar, mas a pressão divina de Guyuena a manteve imóvel no chão.
— Ele nunca mais voltará para você. Você o perdeu para sempre.
A frieza na voz de Guyuena cortou como uma lâmina.
Bibidong sentiu seu coração ser esfaqueado repetidas vezes, a dor insuportável.
Lágrimas turvaram sua visão, mas ela forçou os olhos a permanecerem abertos, fixos em Qianyu.
Assustado, Qianyu se encolheu ainda mais no colo de Guyuena.
Ela acariciou seu cabelo com um sorriso suave — e provocador.
Bibidong ficou possessa, desejando arrancar aquele sorriso do rosto da rival.
Foi então que Qian Renxue gritou:
— Qianyu, espere por mim! Sua irmã vai te salvar!
Ela cerrou os punhos, encarando Guyuena com ódio.
De novo...
Outra vez, eu assisto impotente enquanto levam meu irmão.
Qian Renxue... você é mesmo inútil. Todas as suas promessas foram só palavras vazias?
Qianyu ouviu a irmã e espiou por sobre o braço de Guyuena.
Seus olhos grandes e inocentes encontraram os dela, e ele acenou, como um adeus... ou talvez um "não se preocupe, eu ficarei bem".
O coração de Qian Renxue apertou. Ela cobriu a boca para abafar o choro, mas seus ombros tremiam, e as lágrimas não paravam de cair.
Essas pessoas só podem ter algum plano obscuro para sequestrar Xiaoyu.
Que tipo de sofrimento e tortura o garoto terá que enfrentar?
Qiandaoliu se aproximou e colocou a mão no ombro dela, consolando:
– Xue'er, não se culpe tanto. Nada disso é sua culpa. O que você precisa fazer agora é focar no treinamento e aumentar sua força.
Qian Renxue assentiu, determinada:
– Sim, vovô. Eu vou me dedicar.
Enquanto isso, Gu Yuena sentiu o garotinho em seus braços se mexendo.
Com um misto de ciúmes e carinho, ela pressionou a cabecinha dele de volta contra seu peito.
– Pare de olhar para ela. De agora em diante, você não pode mais ficar se envolvendo com aquela loura, entendeu?
– Ela não presta. A única pessoa em quem você pode confiar é a sua irmã Na.
Seu tom era ao mesmo tempo protetor e firme.
Xiaoyu sorriu com inocência, envolvendo o pescoço dela com os bracinhos e esfregando o rostinho em seu colo.
Por outro lado, Ditian encarava Bibidong caída no chão, seu olhar transbordando frieza e desprezo.
Ele se agachou lentamente diante dela e disse com voz gélida:
– Se não fosse a ordem da minha mestre para poupar sua vida, você já estaria morta há tempos. Continue vivendo com sua dor e arrependimento.
Ao terminar, virou-se para seguir na direção em que Gu Yuena havia ido.
– Espere! Qual é o verdadeiro objetivo de vocês ao levarem Xiaoyu?
Bibidong ergueu o rosto subitamente, seus olhos faiscando de fúria.
Ditian riu com crueldade:
– Ora, é óbvio! Aquele garoto carrega um sangue de dragão puro e poderoso. Para nós, ele é o melhor ingrediente para refinar nossos poderes.
– O que você acha que vamos fazer? Vamos devorá-lo, extrair sua essência e usá-lo para fortalecer nossa própria energia!
O coração de Bibidong pareceu se contrair ao ouvir aquilo.
Ela nunca imaginaria que o motivo por trás do sequestro fosse tão horrível.
Pensou que Gu Yuena apenas queria roubar o menino dela... como se fosse uma disputa maternal.
Quão ingênua ela tinha sido.
– Vocês... são piores que animais! – gritou, tentando atacar Ditian com as últimas forças, mas ele a chutou com facilidade, fazendo-a rolar no chão.
Ditian revirou os olhos:
– Nós nem somos humanos, então como poderíamos ser "animais"?
– Se não são humanos, então o que são? – perguntou Bibidong, examinando-o com suspeita.
Ditian estremeceu de raiva ao perceber que estava sendo testado.
– Sua maldita! Tentando arrancar informações de mim?
Seu corpo irradiou uma aura assassina, como se fosse esmagá-la ali mesmo.
Mas então, ele se conteve.
Afinal, que diferença faria se ela soubesse a verdade?
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