— O Xiaoyu só pode ser meu, ninguém pode tirá-lo de mim.
…
Na Floresta Estelar, no coração do Lago da Vida, no espaço dimensional sob as águas, uma majestosa dragão prateada, com mais de cem metros de altura, repousava entre cristais brilhantes. Sua beleza era indescritível, capaz de encantar qualquer criatura, mesmo aos olhos humanos.
— Xiaoyu… — murmurou Gu Yuena, com uma voz carregada de carinho e expectativa.
Dois anos atrás, uma ressonância sanguínea capaz de agitar todos os dragões se espalhou a partir da Cidade do Espírito, atingindo todo o continente de Douluo. Na época, Gu Yuena tentou despertar, mas seus ferimentos graves a impediram de assumir sua forma completa. Restou-lhe apenas explorar a origem daquela energia em forma de alma.
Para sua surpresa, a fonte de tamanho poder era um bebê humano recém-nascido. Quando ela estava prestes a se afastar, decepcionada, percebeu que a criança estava presa em um quarto escuro e gelado, sendo torturada pela própria mãe até a beira da morte.
Uma onda de raiva e dor inundou o coração de Gu Yuena. Como uma alma, ela nada podia fazer, apenas assistir impotente àquela crueldade. Ela viu o bebê gemer de dor e desespero, sofrendo espancamentos, fome, envenenamento, chicotadas e sangria — métodos que desafiavam qualquer limite humano.
Seu coração parecia trespassado por mil agulhas. Como um ser tão frágil suportava tanto sofrimento?
Até que, um dia, ela descobriu que podia entrar no mundo mental da criança. Ao ver aquele pequeno ser que compartilhava sua ressonância sanguínea, seus olhos se encheram de lágrimas. Ela decidiu protegê-lo, acompanhá-lo e dividir sua dor.
…
Naquele dia, Qian Yu estava feliz, jogando em sua casa ilusória, quando ouviu batidas na porta. Ao abrir, deparou-se com uma fantasma de cabelos brancos.
— (꒪Д꒪)… Que susto! Sonhar com fantasma, e agora? — pensou, assustado.
Apesar de bela, a parte inferior de seu corpo era etérea como fumaça, e seus olhos violetas o encaravam de modo perturbador. Qian Yu repetiu mentalmente que era só um sonho e acordou assustado.
Mas, ao voltar ao mundo real, enfrentava os tormentos de Bibi Dong. Depois de alternar entre os dois mundos, ele percebeu:
— P***, Bibi Dong é mil vezes mais assustadora que uma fantasma! —
Decidiu então ficar no sonho.
No início, ignorou a "fantasma", jogando e assistindo coisas, fingindo não vê-la. Mas logo percebeu que objetos modernos que Gu Yuena não entendia desapareciam de seu sonho.
Achou que suas memórias estavam se apagando, até descobrir a verdade:
— Essa velha Gu Yuena ficou brava porque eu ignorava ela pra jogar… e simplesmente "cortou a internet" e deletou meus aparelhos!
[Capítulo 9: Gu Yuena Quer Ser Minha Mãe]
Sem opção, Qian Yu tentou conversar com a intrusa. Percebeu que ela não via celulares ou computadores — para ela, ele apenas ficava parado, imerso no vazio.
Ele deduziu que, como ela não conhecia tecnologia, esses itens não existiam em sua percepção.
O pior? A "fantasma" resolveu que queria ser sua mãe.
— Vou te dar o amor que você nunca teve. Chame-me de mãe.
Qian Yu: *Queria expulsá-la, mas não conseguia vencer uma fantasma.*
Tentou de tudo para recusar.
— Não estou tão carente a ponto de aceitar uma fantasma como mãe!
Mas Gu Yuena ignorou:
— Criança não sabe o que diz.
Desesperado, Qian Yu soltou:
— Tia é tão linda… gosto muito de você. Mas, se virar minha mãe, não poderei me casar com você depois, né?
Esperava que ela recuasse. Em vez disso, Gu Yuena corou e deu uma leve tapinha em sua cabeça:
— Esperto! Quer me conquistar? — Seus olhos brilharam de afeto. — Mas, se insiste… que tal eu ser sua irmã mais velha?
Qian Yu: *"Vai te catar!"*
…
No presente, ao adentrar o sonho novamente, Qian Yu viu Gu Yuena em um vestido prateado, cercada por um mar de flores douradas, banhada pela luz do sol.
— Xiaoyu, bem-vindo de volta.
— Droga! Você é tão chata! Me deixa em paz!
— Fantasma? Não sou nenhuma fantasma. Isso me magoa.
— Você mesma disse que é uma alma. O que mais seria? E minha irmã é Qian Renxue, não você!
Qian Yu tentou dissipar o sonho, mas sua energia se perdeu nas barreiras construídas por Gu Yuena.
*"Ainda não consigo… Preciso fazê-la baixar a guarda."*
Mantendo a expressão inocente, ele piscou os olhos, fingindo docilidade.
— Sua mãe bateu em você de novo? Da última vez que você veio, você me assustou tanto que pensei que você ia morrer.
Guiuena, com o coração apertado, puxou Qian Yu para um abraço, envolvendo-o com carinho em seus braços.
Desde que Qian Yu a proibiu de bisbilhotar sua privacidade, a única forma que Guiuena tinha de sentir o que acontecia com ele era através das suas emoções.
— Não foi nada, minha mãe só tem uns problemas na cabeça. Você acaba se acostumando.
O corpo de Qian Yu ficou meio duro, e ele tentou se soltar do abraço, mas não adiantou – Guiuena estava segurando firme.
— Não se preocupe! Não se preocupe! Não importa o que acontecer, a irmã Nana vai estar do seu lado.
Guiuena encostou o rosto no dele, a voz cheia de doçura.
Suas mãos acariciavam suavemente as costas de Qian Yu, tentando confortá-lo.
Mas, por trás de tudo isso, seus olhos estavam escuros, e dentro dela, uma fúria crescia como fogo.
Ela não permitiria que ninguém machucasse seu pequeno, nem mesmo sua própria mãe.
— Ahm... Você pode me devolver o controle desse mundo ilusório agora?
Qian Yu, vendo que ela estava tão carinhosa, achou que era a melhor hora para pedir.
Mas assim que ele falou, os olhos de Guiuena ficaram vermelhos.
Quando ela entrou no sonho dele pela primeira vez, o que viu foi o garoto caído no chão.
Todo machucado, com sangue, respirando fraco, os olhos fechados.
Segurando uma pedra, o olhar vazio, rindo de um jeito estranho e sem sentido.
Naquele momento, o coração dela partiu. Ela não conseguia imaginar o sofrimento pelo qual Qian Yu tinha passado.
A ponto de, mesmo em um sonho, ele estar tão perdido no desespero.
Tudo que ela podia fazer era criar um porto seguro para ele, mostrar tudo de bom que existia, fazê-lo esquecer a dor.
— Você... você ainda quer que eu vá embora?
A voz de Guiuena trêmula, os olhos úmidos.
Qian Yu fez uma careta.
Ele já tinha explicado mil vezes que o mundo dele era diferente do dela.
Que ele não estava se afundando no abismo...
Bom, jogar videogame o dia todo talvez fosse um pouquinho errado.
— Qian Yu, você não sabe... Quando te vi daquele jeito, foi como se meu coração tivesse se partido. Eu... eu não posso deixar você voltar para aquele mundo escuro e sem esperança.
Guiuena apertou-o contra ela, sem nenhuma vergonha, as lágrimas escorrendo sem parar.
— Irmã Nana, eu já disse, o meu mundo não é igual ao seu.
Qian Yu se esforçou para explicar, sentindo que sua consciência tinha levado mais um golpe.
Essa mulher era irritante – sempre agindo como se "soubesse o que era melhor".
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