Tradução pronta Douluo: Raised in Abuse by Bibi Dong, Nurtured by Gu Yuena / Douluo: O Abuso de Bibi Dong, O Amor de Gu Yuena: Capítulo 4

O corpo de Qian Yu instintivamente queria chorar, mas as lágrimas nem chegaram a escorrer.

— Chorando! Continua chorando, eu não mandei parar! Se parar, eu te mato — os olhos gelados de Bi Bi Dong o fizeram engolir o choro.

A mulher, com ódio transbordando no olhar, sacou uma faca e a cravou com força na mesa ao lado.

— É melhor você me matar de uma vez — murmurou Qian Yu, fraco.

Mesmo quando as lágrimas finalmente rolaram, Bi Bi Dong não teve piedade. Cortou seus pulsos para sangrá-lo. Parecia ter descoberto um novo passatempo: cada vez que via o rosto de Qian Yu se contorcer de dor, sentia um prazer perverso de vingança.

— Vou morrer? — O medo, a fome e a dor se misturavam enquanto sua consciência se esvaía.

— Hahaha! Qian Xunji, foi tudo por sua culpa! Por isso Xiao Gang me abandonou — Bi Bi Dong ria, cada vez mais distorcida, enquanto observava os olhos de Qian Yu perdendo o foco.

*Ploc!*

Uma lágrima quente escorreu por sua própria face.

Ela tocou o rosto, confusa.

— Não... Isso não está certo. Por que estou triste? Por que me importo com esse bastardo? — Gaguejou, começando a entrar em pânico.

As mãos tremiam enquanto tentava estancar o sangue.

— Não! Você não pode morrer, ainda não. Não vai escapar tão fácil — sua voz ecoava na sala, um misto de desespero e loucura.

Revirou gavetas, derramando remédios e ataduras sobre os feridos, tudo numa bagunça sangrenta.

— Aguenta, seu maldito! Ainda não acabei com você! — Sacudiu o corpo frágil de Qian Yu, até que, por fim, lembrou-se de chamar um curador.

Qian Yu sobreviveu, mas seu corpo ficou arrasado, precisando de meses para se recuperar.

Bi Bi Dong ignorou os conselhos médicos.

— Descanso? Que se ferre. Se eu sofri, ele também vai.

Assim que garantiu que ele não morreria, cortou todos os remédios. Qian Yu sobreviveu por pura teimosia da vida.

Quando acordou, estava num porão escuro, cheirando a mofo e umidade.

Correntes pesadas o prendiam, rangendo a cada movimento.

— Onde estou? — Olhou ao redor, vendo instrumentos de tortura. Seu coração gelou.

— Seu pai me prendeu por um ano num lugar assim. Um ano de escuridão. Nunca vou esquecer — Bi Bi Dong estava sentada num trono, o rosto iluminado por velas, mais frio que o aço.

Qian Yu sentiu o arrepio do perigo.

— Não se preocupe, não vou matá-lo. Quero sentir seu sofrimento, sua desesperança — ela riu sozinha, falando mais para si mesma do que para ele.

*Dois anos se passaram.*

Bi Bi Dong inventou todo tipo de tortura: fome, veneno, choques, chicotadas, sangria... Qualquer um enlouqueceria.

Por ironia, a dor fez Qian Yu despertar um poder: a habilidade de criar ilusões com seu espírito de anjo caído.

Não que isso o ajudasse a escapar. Usava apenas para fugir mentalmente da realidade.

Mas a dor continuava.

Qian Xunji apareceu algumas vezes, sempre machucado.

Bi Bi Dong, estranhamente, passou a tratá-lo com carinho.

À noite, se aconchegava nele, reclamando de suas mágoas.

Qian Xunji, enganado, decidiu dar-lhe um anel espiritual de 100 mil anos.

Só havia um problema: toda vez que tentava consumar o casamento, ela recusava.

— A criança está aqui, não é apropriado.

Isso só aumentou sua raiva por Qian Yu. Batia nele até sangrar.

E então, Bi Bi Dong aparecia, fingindo ser a mãe protetora.

— Chega! — Pegava Qian Yu nos braços, com um olhar indecifrável.

Dessa vez, depois de mais uma sessão de tortura, Bi Bi Dong não saiu. Ficou sentada, observando.

O olhar vazio de Qian Yu a perturbou.

— Está me culpando? A culpa não é minha. Você é que não devia ter nascido — murmurou, com voz rouca.

Ajoelhou-se ao lado dele, estendendo a mão ensanguentada para tocar seu rosto.

Qian Yu desviou.

— Você me odeia? — Havia um tremor na voz dela.

Ele não respondeu. Apenas encarou o teto, mudo.

— Ei, levanta! Eu sei que você consegue me ouvir, pare de fingir que está morto.

Bibi Dong não obteve resposta e sentiu-se humilhada. Uma onda de raiva tomou conta dela.

Ela se levantou bruscamente e chutou Qian Yu com força, arremessando-o contra a parede de pedra gelada. O corpo do jovem bateu com um baque surdo e escorregou até o chão, como um trapo.

Qian Yu sentiu as entranhas revirarem. A dor era tão intensa que quase o fez desmaiar.

— Ugh... — Ele gemeu, um fio de sangue escarlate escorrendo pelo canto da boca.

Bibi Dong observou aquele corpo inerte, mas em vez de se acalmar, sua fúria só aumentou. Sentia-se ignorada, desprezada por aquele que considerava apenas um instrumento de vingança.

— Acha que ficar calado vai resolver algo? Não vai! — Ela gritou, avançando e agarrando Qian Yu pelo colarinho, erguendo-o com força. — Abra os olhos e me olhe!

Qian Yu obedeceu. Seus olhos negros, porém, estavam vazios, sem emoção. Ele encarou Bibi Dong como se ela fosse uma desconhecida.

— Como... como você ousa? — Ela sentiu-se ferida por aquele olhar, uma frustração desconhecida brotando no peito.

*Creeek!*

A porta da câmara se abriu de repente, um feixe de luz invadindo a escuridão.

Bibi Dong virou-se. Na entrada, Qian Xun Ji estava parado, com uma expressão carrancuda. Seu olhar percorreu os dois antes de se fixar em Qian Yu, ensanguentado e machucado.

— Quando terminar de brincar, limpe a sujeira. Este é meu local de treino — disse ele, voz gelada, como se falasse de algo insignificante.

O rosto de Bibi Dong endureceu. Percebeu que tudo aquilo era inútil — Qian Xun Ji não se importava.

Ela jogou Qian Yu num canto, como lixo, e virou-se para sair, mas hesitou.

Qian Yu fitou a pequena fresta de luz sob a porta. Seus olhos, antes vazios, recuperaram um brilho tênue.

[Porra, essa mulher é completamente maluca!]

Ele sentia a dor latejando por todo o corpo. No começo, até tentou agir de forma mais dócil, na esperança de despertar algum resquício de compaixão nela.

Mas não adiantou. As surras continuaram.

Depois, quando percebeu que resistir era inútil, tentou se perder em devaneios para suportar a dor.

Mas nada mudou.

— Você está ferido — Bibi Dong apareceu diante de Qian Xun Ji num piscar de olhos, ajudando-o a se sentar. Havia uma suavidade rara em sua voz.

Qian Xun Ji surpreendeu-se. Por um instante, achou que valera a pena ter se machucado.

— Desculpe, Dong'er. O anel de alma de 100 mil anos que prometi... vai ter que esperar mais um pouco — ele respondeu, balançando a cabeça, envergonhado.

Nunca imaginara que A Yin seria tão radical a ponto de se sacrificar.

E, distraído, acabara gravemente ferido por Tang Hao.

Bibi Dong, ansiosa, usou sua energia espiritual para examinar os ferimentos dele.

Qian Xun Ji sorriu levemente e apertou sua mão, tentando acalmá-la.

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