Tradução pronta My Dating Sim is Too Abstract / Meu Jogo de Amor é Muito Abstrato: Capítulo 15

—Que brincadeira é essa?

Aurisa olhou para Serena, que havia voltado a ser humana, e seu rosto começou a se contorcer de raiva. Os músculos do seu rosto tremiam incontrolavelmente.

—Que brincadeira é essa!!! Minha magia de maldição, a magia que estudei a vida toda... Por quê? Como você... seu desgraçado, o que você fez?!

Ela gritou furiosa para Arlo, mas, ao olhar para ele, viu que ele já estava com a pá levantada. Com um passo firme, ele a atingiu com tudo na cabeça.

Clang!

Um baque surdo ecoou, e Aurisa caiu dura no chão.

—Hah, essa mulher tem poder mágico pra caramba, mas a defesa é uma merda — Arlo zombou, levantando a pá novamente para desferir outro golpe.

Dessa vez, porém, um círculo mágico apareceu de repente, bloqueando o ataque. A ponta da pá derreteu instantaneamente.

Era um feitiço de proteção de Aurisa, ativado automaticamente quando ela perdia a consciência.

—Porra, não vai ser tão fácil matá-la agora...

Arlo jogou a pá longe e correu para Serena. A jovem ainda estava atordoada pela surpresa, tocando o próprio rosto como se não acreditasse no que via.

—Para de ficar se tocando, caralho! Sua professora vai acordar a qualquer momento! Vaza! — Ele agarrou os ombros dela e a sacudiu com força.

Serena finalmente voltou a si e tentou se levantar, mas, ainda não acostumada com as pernas humanas, tropeçou e caiu.

—Segura em mim... Eu vou usar um feitiço de teletransporte — ela disse, tentando se apoiar com dificuldade.

Mas, antes que pudesse começar, Aurisa já estava de pé novamente.

O chapéu de maga havia caído no chão. Ela segurava a testa sangrando, o corpo balançando instável.

—Eu... realmente subestimei você. Não esperava que um zé-ninguém como você tivesse esse tipo de habilidade...

Aurisa sorria de forma distorcida, as pupilas dilatadas fixadas em Arlo.

—Mudei de ideia. Você... também vai virar um dos meus troféus!

Ela ergueu a mão bruscamente, e, num instante, uma corda feita de energia mágica envolveu Arlo e Serena, amarrando-os firmemente.

Arlo perdeu o equilíbrio e caiu. Aurisa então ergueu a mão e começou a recitar uma maldição direcionada a ele.

Quatro versos mágicos foram ditos em dois segundos. Uma névoa roxa-escura saiu da palma da sua mão como uma serpente e se lançou em direção a Arlo.

[Merda... será que esse sistema tem algum mecanismo de proteção?]

O pensamento passou rápido pela cabeça dele. No instante seguinte, porém, uma figura se jogou na frente dele, bloqueando o feitiço.

Era Serena. Ela havia se sacrificado para protegê-lo.

A névoa roxa envolveu seu corpo, engolindo-a por completo.

Aurisa deu uma risada fria.

—Virar humana te deixou burra, Serena? Acha que seu corpo pode bloquear minha magia?

Mas, quando a névoa se dissipou, Serena continuava exatamente como antes: uma jovem com orelhas peludas de urso marrom.

—...O quê?

Ela olhou para o próprio corpo, incrédula. Estava pronta para voltar a ser um animal, mas a maldição de Aurisa não havia feito nenhum efeito.

[Heh... Nem o Rei Dragão Zexia conseguiu desfazer esse feitiço. Você acha que uma magia de merda como a sua vai funcionar?] — Arlo riu internamente.

Aurisa ficou paralisada por um momento, incapaz de acreditar que seu feitiço havia falhado.

Aquela breve hesitação deu a Arlo a chance que ele precisava. A habilidade Falsa Imitação, que ele havia roubado da Raposa de Pêssego, já estava pronta para ser usada de novo.

Ele copiou a maldição que Aurisa havia acabado de usar e a lançou contra ela.

Mesmo com as mãos amarradas, o feitiço replicado não precisava de encantamento. A névoa roxa-escura se formou nas mãos dele e se arremessou contra Aurisa.

—Espera, essa é a minha...

Ela mal havia saído do transe quando viu a própria magia vindo em sua direção.

A névoa a envolveu por completo. Um grito agonizante ecoou, e as cordas mágicas que prendiam Arlo e Serena se desfizeram.

Eles observaram a névoa se dissipar. No chão, só restavam as roupas de Aurisa.

Um momento depois, algo se mexeu dentro delas. Um cachorro malhado surgiu, sacudindo-se.

—Ahá... Caiu como uma luva, hein?

Arlo se aproximou e pegou o cachorro pelo cangote, suspendendo-o no ar.

—Au! Au au au!

O vira-lata rosnou, as patinhas se debatendo no vazio.

—Cala a boca, seu merda!

Arlo deu um tapão na cabeça dele, e o cachorro se reduziu a ganidos baixos.

—Você... Quem é você? Como sabe a maldição da minha professora? — Serena perguntou, a voz cheia de perplexidade.

Arlo olhou para ela de lado, jogou o cachorro no chão e estendeu a mão.

—Me dá.

—O... o quê?

Ela olhou para a mão dele, confusa.

—A Relíquia Perdida. A gente combinou, não foi? Eu te transformo de volta, e ela é minha.

Serena o encarou por um momento, sem palavras.

—Você... é um homem muito determinado, hein?

Ela suspirou, tirou o pedaço de metal do bolso e o entregou a ele.

Arlo o guardou com cuidado, aliviado por finalmente ter de volta sua felicidade para o resto da vida.

—Eu... Ainda não sei o seu nome — Serena disse, envergonhada. Desde o começo, ela nem sequer havia se importado em perguntar.

—Arlo. Ou pode me chamar pelo apelido, Anzol — ele respondeu, guardando a Relíquia.

—Arlo... — ela repetiu, pensativa. — Como você me transformou de volta?

A pergunta saiu cheia de curiosidade. Aquele homem que ela havia ignorado completamente agora parecia misterioso e confiável. Ele não só quebrou a maldição, como também derrotou Aurisa e a salvou.

— Pra que eu te conto? Antes você não tava me achando um maluco? — Yalo resmungou com um sorriso irônico.

Ele estava apenas confirmando uma suspeita que tinha sobre o sistema de vinculação com as protagonistas. O sistema escolhia os alvos de forma aleatória, mas para a conexão final ser bem-sucedida, precisava de uma condição específica.

Nas interações anteriores com Zexia, Jixiaofei e Taohu, mesmo que sutis, sempre havia uma forte troca emocional. Zexia quis matá-lo, Jixiaofei achou que ia ser devorada, e Taohu depositou nele a esperança de uma benção. Já com Serena, quando se encontraram, embora ele tivesse reagido intensamente, ela só tinha olhos para o Feitiço Perdido — nenhuma emoção voltada pra ele.

Assim, ele deduziu a regra: o sistema só vinculava quando ambas as partes sentiam emoções intensas uma pela outra.

Claro que não ia contar isso pra Serena. Diferente de Jixiaofei e Taohu, ela era humana, tinha uma vida própria. Ele só a salvou por causa do Feitiço, mesmo.

---

Capítulo 18 - A Figura Prateada

— Então, por que eu te explicaria algo? Você mesma me chamou de doido e se recusou a conversar — Yalo jogou na cara dela.

Serena engoliu a resposta, mordendo o lábio em silêncio.

— Ah, e aquele negócio que eu gritei? Era só um feitiço. Não vem com ideia de que eu tenho que me responsabilizar por isso — ele completou, preventivo.

— O quê? Q-quem disse que quero isso? Isso é óbvio! — O rosto de Serena ficou vermelho, e ela virou a cara, irritada. — O Feitiço Perdido já é seu pagamento. E ainda te protegi da maldição, então agora estamos quites!

Ela ficou bufando de raiva por um tempo, até que, sem perceber, um sorriso feliz surgiu no seu rosto. Finalmente... Finalmente voltei a ser humana. Posso ver meus pais de novo...

Ela passou a mão pela cabeça, mas sentiu algo estranho. Foi só então que notou duas coisas extras ali.

Puxou as duas orelhinhas peludas e fez uma cara perplexa.

— Espera... O que são essas coisas?!

— Orelhas. Todo mundo tem — Yalo respondeu, como se fosse a coisa mais normal.

— Não são normais! Por que ainda tenho orelhas de urso?! — Serena quase surtou.

De repente, ela pareceu perceber algo e rapidamente levou a mão até o traseiro.

E sim, lá estava: um rabinho curto de urso na base da coluna.

— Virei uma beastman? — Ela ficou paralisada.

— Olha pelo lado bom, pelo menos tá com cara de gente. Seu mestre mesmo disse que essa maldição era pra ser irreversível — Yalo tentou animá-la.

— Como vou voltar pra casa assim?! — Ela deixou a cabeça cair.

— Mas tá bem fofa, sabia? Orelhinhas de animal têm seu charme.

Serena olhou pra ele com olhos mortos, e Yalo calou a boca.

— E o que você quer fazer com sua professora? — ele perguntou, mudando de assunto.

— Não sei... Nem acreditei que conseguiria derrotá-la — Serena murmurou, mas então lembrou de algo e olhou pra pilha de roupas de Qiulisha no chão. — Cadê ela?

Yalo seguiu o olhar e viu que a cachorrinha sumiu.

— Foi fazer xixi, quem sabe.

Nesse momento, ouviu-se o som de vidro quebrando. Os dois viraram e viram a tal cachorra, agora em cima do armário de poções de Serena.

— O que ela tá...?

Qiulisha mordeu um dos frascos, inclinou a cabeça e engoliu o líquido.

Serena ficou em choque.

— Ela bebeu a poção de amplificação de mana! A professora não perdeu a memória!

— Como assim, virou cachorra e ainda...!

Yalo sentiu um vazio no peito. Lembrou do aviso no feitiço: "Se a diferença de poder mágico com o alvo for grande, o efeito copiado será reduzido." Provavelmente, a maldição não funcionou direito, e Qiulisha manteve a consciência e os poderes!

— Droga! Devia ter acabado com ela logo! — Ele bateu o punho no chão, arrependido.

Mas já era tarde. A cachorra engoliu a poção, e uma explosão de energia violenta explodiu ao redor dela, destruindo tudo num raio de metros. A mesa de alquimia, os livros, as prateleiras — tudo virou estilhaços.

Yalo e Serena foram arremessados longe, rolando no chão várias vezes.

Esfregando a cabeça dolorida, Yalo levantou e viu: a ex-Qiulisha agora flutuava no ar, uma aura vermelho-escura a envolvendo. Olhos vermelhos, pelos crescendo descontroladamente, corpo se deformando... Já não parecia nem um cachorro mais.

http://portnovel.com/book/14/1768

Discussão do capítulo:

Ninguém comentou ainda...
Para comentar Faça login ou Cadastre-se