Ele rapidamente se virou, usando sua inteligência para aproveitar essa última chance de sobrevivência, e apontou para Zéxia, que se preparava para atacar novamente, gritando:
— Eu te aviso para não se meter comigo! Se você me matar, vai ficar assim pra sempre!
Mesmo que não o matasse, talvez ela ficasse daquele jeito para sempre mesmo.
Mas a frase teve efeito. Zéxia dissipou a magia que acumulava em suas mãos.
Seus belos olhos dourados fitaram Yalo com ódio, e seus dentes prateados rangeram com força.
Porém, em seguida, o medo tomou conta dela.
Aquele feitiço usado pelo humano para mudar sua forma era tão poderoso que nem sua imensa energia mágica conseguia desfazê-lo.
Que coisa assustadora.
E ainda a tinha transformado naquilo.
Com certeza, ele tinha algum fetiche nojento!
Como uma das lendárias Rainhas Dragões, Zéxia tinha muito mais conhecimento que a maioria das criaturas mágicas. Ela já havia visto as ideias e comportamentos sujos e depravados dos humanos.
Uma gota de suor frio escorreu em sua testa.
Se aquele humano tinha poder para transformá-la assim... será que poderia também...?
O pensamento a fez recuar instintivamente.
Imaginar que alguém tão nobre quanto um dragão fosse submetido a coisas tão degradantes por um humano nojento a encheu de repulsa.
E, pior, ele poderia ter outros truques nojentos guardados, como magias de controle ou humilhação...
Seus olhos dourados brilhavam inquietos, até que, por fim, ela forçou um sorriso amargo:
— Muito bem, humano. Você é mais habilidoso do que eu imaginei. Desta vez, eu me rendo. Agora, me transforme de volta.
— Não. — Yalo recusou.
Que piada! Primeiro, porque tinha sido o sistema, não ele, quem a transformara. E, segundo, que sentido tinha reverter um encantamento tão interessante?
— O quê?! — Zéxia quase atacou novamente, mas conteve a raiva às pressas, respirando fundo antes de continuar, com voz mais calma: — Se você me transformar de volta, eu te dou meu tesouro. E ainda te ensino magias dragão. Nem os maiores feiticeiros humanos conseguem uma oferta dessas!
— Me deixa sair daqui primeiro. Aí eu penso se te transformo de volta. — Yalo falou com a voz mais firme que conseguiu.
— Você ousa fazer exigências? — Zéxia rosnou.
— E daí? Vai me matar? A menos que queira ficar com esse... visual charmante pra sempre.
Os punhos da dragão rangeram de raiva.
Ela queria mesmo era esmagar aquele humano desgraçado, mas tinha medo de nunca mais voltar ao normal.
Pelo Trono dos Dragões, hoje ela estava ferrada.
Se ficasse ali, quem sabe que outras magias nojentas ele usaria?
Melhor se afastar. Não era possível que não houvesse, em todo o continente, alguém capaz de desfazer aquele feitiço. Depois de recuperar sua forma, ela voltaria para acertar as contas com aquele verme!
A Rainha Dragão da Lua Prateada esticou seu dedo esbelto em direção a Yalo e berrou:
— Escuta bem, humano! Eu não vou esquecer o que aconteceu hoje! E você vai pagar por isso!
Com um bater de asas, ela alçou voo...
Mas caiu quase de imediato. Suas asas, agora minúsculas, não tinham força suficiente. Depois de algumas tentativas frustradas, Zéxia finalmente conseguiu voar.
[Zéxia está tentando fugir. Que tal convencê-la a ficar?]
Opções:
[— Vai me deixar tão sozinho...]
[— Já vai? Nem vai me dar chance de te servir um jantar?]
[— Hmph! Tentando fugir? Acha que é assim tão fácil?]
[— Uau, dá pra ver seu 'pêssego' daqui de baixo!]
Yalo ignorou as opções e observou Zéxia escapar pela claraboia do salão.
Ele soltou um suspiro de alívio.
Não esperava que ela fosse embora tão fácil. Pensou que a dragão fosse insistir e já não sabia mais o que fazer.
— Ainda tô vivo...
— Mas, pensando bem, ela ficou bem fofa nesse tamanho. Só os peitos que diminuíram...
De repente, ele olhou para cima e viu Zéxia pairando no ar, encarando-o com uma expressão sombria.
Merda. Será que ela ouviu?
Mas a dragão apenas voou até o baú no centro do salão, abraçou-o e voltou a se erguer no ar.
— Escuta de novo, humano! Você vai pagar caro por isso!
— E não pense que estou fugindo porque tenho medo! Tenho coisas importantes pra resolver, entendeu? Não é sobre você!
Ela reafirmou, apontando para Yalo antes de sair voando com o baú, batendo suas asinhas com esforço.
Yalo olhou para a claraboia, depois para o centro vazio do salão.
Que chefe de masmorra foge e ainda leva o tesouro consigo?
Enfim, o importante foi ter sobrevivido.
Quem diria que aquele sistema bugado ainda serviria pra alguma coisa.
Cheio de falhas, mas funcionava.
Erro de reconhecimento de alvo?
Não, claro que não. O problema era com ela. Ele só a ajudou a se corrigir.
Com certeza, a culpa não era do sistema!
Afinal, será que não houve um engano? Um sistema de romance num mundo de aventura parecia... fora de lugar.
Em outro universo, talvez algum protagonista urbano estivesse confuso, encarando uma missão de "derrotar dez goblins" enquanto suspirava.
O portão de pedra do salão rangia ao se abrir. Finalmente, era a saída.
(Próximo capítulo: Jin Xiaofei)
O grupo de aventureiros tinha o costume de recolher os pertences dos membros mortos. Yalo juntou alguns objetos e restos mortais, deixando as ruínas o mais rápido possível.
Mesmo tendo convivido com eles por apenas dois dias, como colegas de trabalho, ele cavou covas num lugar tranquilo, enterrou os corpos e guardou os pertences para entregar ao Sindicato dos Aventureiros.
Aquela exploração quase terminou em tragédia, e o único lucro foi um pequeno saco de moedas antigas.
Pelo menos não precisaria dividir com os outros.
De volta ao acampamento da noite anterior, ele logo percebeu algo estranho.
— Cadê meu cavalo?
O único meio de transporte, uma carroça puxada por dois cavalos, estava agora sem os animais. As rédeas haviam sido roídas, restando apenas a carroça vazia.
Os pertences que ele carregava caíram no chão, espalhando-se em desordem.
Da Cordilheira do Luar Púrpura, onde ele estava, até a cidade mais próxima, seriam quatro dias e quatro noites de viagem de carroça – mas a pé, no mínimo dez dias.
As provisões que restavam só davam para três dias.
A vida realmente era cheia de altos e... muitos baixos.
Cinco dias depois.
Yarô jogou o galho que usava como bengala, sentando-se exausto à beira da trilha na floresta, e pegou o que restava de sua comida: meio pedaço de pão seco.
— Droga, cinco dias e nem uma carroça passando por aqui... — suspirou, frustrado.
Quando terminasse aquele pão, teria de partir para raízes e ervas. Pelo menos teve a sorte de levar o caldeirão.
Engoliu em seco e estava quase mordendo o pão quando, de repente, um coelho saltou da moita ali perto.
Os dois se encararam por um segundo antes de Yarô jogar o pão e se atirar sobre o animal.
Mas falhou. Caiu de cara no mato enquanto o coelho desaparecia velozmente na vegetação.
— P*#@! — cuspiu as folhas da boca e bateu no chão, furioso.
Mas aquilo lhe deu uma ideia. Sem comida, podia caçar!
Depois de dois anos e meio nesse mundo, suas habilidades de sobrevivência estavam no talo. Fazer uma armadilha para pegar um coelho seria fácil.
Sem perder tempo, juntou galhos para fazer uma gaiola, cavou um buraco com suas ferramentas e, por fim, olhou para o meio pão que ainda tinha.
— Tem que arriscar... — resmungou, colocando-o como isca na armadilha.
Quem não arrisca não petisca.
Depois de montar tudo, Yarô se escondeu na vegetação, esperando a presa cair no truque.
Cerca de meia hora depois, os arbustos se mexeram. Mas não era um coelho...
Era uma ave dourada, gordinha como uma bola, balançando para frente e para trás.
Yarô arregalou os olhos. Aquilo era um *Galo de Crista Vermelha*, considerado o terceiro mais delicioso em todo o ranking do renomado chef Sadia!
O bicho era enorme — quase do tamanho de duas bolas de basquete —, com penas douradas brilhantes e duas plumas vermelhas no alto da cabeça.
Carne suculenta, tenra... aquele único frango daria para uma semana de refeições!
— Que sorte! — pensou, aliviado por ter levado o caldeirão, ou não teria como cozinhá-lo direito.
Com o coração acelerado, viu o galo se aproximar da armadilha, bicando o pão com interesse.
— Agora!
*TOC!*
A armadilha se fechou, levantando folhas secas. Yarô saltou animado, pronto para agarrar o prêmio...
Mas, então, uma mensagem apareceu diante dele:
**[Ei, garota desastrada em apuros! Ajude-a agora!]**
Com tanta fome, ele ignorou o aviso, segurando o frango gordo enquanto o bato cacarejava.
Mas, então, um flash branco o cegou.
Quando seus olhos se ajustaram, Yarô percebeu que não estava mais segurando um frango.
Era uma garota de cabelos cacheados e dourados, com expressão tímida, olhando para baixo – exatamente onde suas mãos estavam apoiadas.
— Mmm... vou ser devorada por um humano pervertido... — murmurou, corando e desviando o olhar.
**[Nova heroína vinculada: Ji Xiaofei]**
**[Nome: Ji Xiaofei]**
**[Afinidade: 10]**
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