**Capítulo 1: No Outro Mundo com um Sistema de Namoro... Sério?**
[**Sistema de namoro carregado com sucesso! Escolha suas opções, complete missões e comece uma jornada romântica com garotas de todos os tipos!**]
Álvaro olhou para o painel que apareceu diante dele e soltou um suspiro profundo.
Dois anos desde que foi transportado para esse mundo estranho, e finalmente ganhava um presente especial. Bom, mesmo que fosse só um *sistema de namoro*, pelo menos era melhor que nada.
Mas...
— Aaaaah! Minha perna! Ela arrancou minha perna!
— Meus intestinos! Tá tudo saindo!
Gritos desesperados ecoavam pelo salão, enquanto trovões de rugidos de dragão enchiam o ar. Álvaro se espremeu atrás de uma rocha, observando seus companheires de aventura correndo em pânico. Num piscar de olhos, o lendário Dragão Lunar Prateado, Zéxia, transformava um depois do outro em pasta.
— Eu tô quase virando comida e esse troço quer que eu *flerte*?! — ele berrou mentalmente.
Tudo começara como uma simples expedição a uma ruína antiga, só para pegar umas moedas e vender. Mas, é claro, *alguém* teve a brilhante ideia de abrir o baú no meio da sala. E, como sempre, era *aquele* tipo de baú.
Quando o portão de pedra desabou, selando todos dentro, e uma música épica começou a tocar... Álvaro soube que era o fim.
*Plaf!* O líder do grupo virou geleia sob a pata do dragão.
— Ele era gente boa... tomara que renasça num mundo melhor. — Álvaro rezou, genuíno.
E então, o sistema decidiu *brilhar*:
[**Olha só! Uma linda garota *tsundere* de cabelo prateado! Que tal dar um oi e começar seu jogo de amor?**]
...Hã?
Álvaro olhou em volta. O salão estava vazio, exceto pelo dragão brincando de "pega-pega mortal" com o que sobrou do grupo. Nem sinal de *garotas*, muito menos de cabelo prateado.
A menos que...
— Meu Deus... você tá falando *desse dragão*?! — ele pensou, horrorizado.
*Paf!* O último mago do grupo escorregou e virou uma pintura expressionista na parede.
E então, os olhos dourados do dragão pousaram em Álvaro.
O chão tremeu quando Zéxia pousou diante dele, sua sombra cobrindo o humano como uma montanha. O calor da respiração da fera queimava seu rosto quando ela rosnou:
— Escolheu como quer morrer, verme?
[**Conquista desbloqueada: Primeiro diálogo com ela! O início de um lindo romance, não acha?**]
Álvaro quase engasgou. O sistema *realmente* estava tratando aquela máquina de matar como uma "heroína romântica".
[**Heroína Zéxia - Vinculada!**]
[**Nome: Zéxia**]
[**Afinidade: 0**]
[**Status atual: Quer te devorar~**]
[***Desejo: Desbloqueie por 599 moedas.***]
— Sistema... quando ela diz "devorar", não é no sentido *romântico*, tá? — ele pensou, suando frio.
— E por que cargas d'água tem um status de *desejo*?! Quem quer saber isso de um *dragão*?!
**Opções de diálogo:**
[**"Quer ver meu canhão de leite?"**]
[**"Seu esmalte tá lindo, onde fez?"**]
[**"Prefere humanos com ketchup ou mostarda?"**]
[**"Nossa, que dragão gostoso. Dá até vontade de te dar uma chance."**]
Até para um sistema de namoro, isso era *muito* esquisito.
Mas... e se funcionasse? Se ele conseguisse aumentar a afinidade, talvez o dragão o poupasse?
Com um suspiro resignado, Álvaro olhou para as garras ensanguentadas da fera e gaguejou:
— S-seu esmalte tá lindo... Onde fez?
Os olhos dourados do dragão se estreitaram.
— Humano... você está *provocando* este soberano?
[**Afinidade -20**]
[Que pena, parece que a pessoa não está interessada nesse assunto]
— Vai tomar no !
O grito de Yalo ecoou pela caverna, repleto de "saudações" nada amigáveis.
Ele olhou para as opções na sua frente com os olhos quase saltando das órbitas.
— Escolhe aí, seu merda! Qual dessas quatro opções parece normal pra você?!
A voz trovejante do dragão respondeu, cheia de desdém:
— Ainda tem coragem de me provocar quando a morte está à sua porta? Você é mesmo corajoso, humano!
[Erro detectado nos parâmetros do alvo romântico: objeto não especificado]
Ao ver a mensagem, Yalo soltou uma risada amarga.
— Hahaha, então você descobriu... impressionante, realmente impressionante...
O Dragão da Lua Prateada já abria suas mandíbulas monstruosas, os dentes afiados brilhando sob a luz fraca da caverna, prontos para esmagá-lo.
Yalo suspirou, limpando a poeira imaginária de sua roupa.
— Bom, hora de arrumar as malas e me preparar para a revanche na próxima vida. Quem sabe eu não renasço num jogo da I-Sheep...
[Erro no sistema. Corrigindo...]
[Beep]
[Correção concluída]
De repente, o corpo colossal do Dragão da Lua Prateada foi envolvido por uma luz cegante. O brilho se contraiu rapidamente, diminuindo até ficar menor que o próprio Yalo.
Quando a luz se dissipou, no lugar da fera aterrorizante, havia agora uma garota pequena e frágil, de cabelos prateados e olhos dourados.
Asas minúsculas de dragão nas costas, chifres curvados na cabeça, escamas prateadas cobrindo seus braços e pernas, e uma cauda grossa balançando atrás dela.
Ela ainda mantinha a postura de ataque, mas agora parecia mais uma gatinha prestes a pular.
Yalo pulou para o lado, e a outrora imponente dragão caiu de cara no chão com um — Pluft!
— A... A Dragão da Lua Prateada virou uma garota?!
Ele beliscou o próprio braço, checando se não era só alucinação de um aventureiro prestes a morrer.
— Ai, que dói... — A voz que saiu da garota-dragão era suave, quase chorosa.
Zexia (agora rebatizada pela tradução) esfregou o nariz avermelhado, os olhos marejados.
Ela mal chegava aos ombros de Yalo, com curvas delicadas e uma silhueta que, mesmo sem se destacar em certas áreas, ainda era... visualmente agradável.
Ao perceber sua nova forma, os olhos dourados de Zexia se arregalaram.
— O... O que aconteceu comigo?! Meu corpo... minhas escamas... meu poder... — Ela olhou para as mãos pequenas, a voz tremendo. — EU VIREI UM HUMANO FRACO E PEQUENO?!
[Parece que Zexia está chateada. Que tal tentar consolá-la?]
Opções:
— Se estiver triste, pode chorar no meu colo à vontade...
— Nossa, mas que peitinhos decepcionantes, hein?
— Ahaha, patética anãzinha, caiu na minha!
— A cura tá na minha calça... se quiser, vem buscar.
Yalo engoliu seco, observando a mini-dragão em crise existencial.
— Sistema, eu reconheço que fui rude antes. Quando voltar, te mando um altar.
Zexia revirou os olhos, agora com um tom mais de birra infantil do que ameaça.
— Seu humano nojento! O que você fez comigo?!
Yalo, tentando manter a pose, cruzou os braços.
— Hah! Tá com medo agora, né?
— SUJEIRA HUMANA! VOCÊ MANCHOU A HONRA DOS DRAGÕES!
Ela ergueu a mão, e um orb de eletricidade cintilante se formou em sua palma.
Yalo mal teve tempo de pular antes que o raio atingisse uma coluna atrás dele, reduzindo-a a pó.
— Putz... então ela ainda tem magia mesmo virando mulher... — O suor frio escorreu pela sua nuca.
Agora, além de fofa, ela ainda podia matá-lo. Ótimo.
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